Victoria rompe surto de ódio e desperta amor em milhares

Buzz This
Post to Google Buzz
Bookmark this on Delicious
Bookmark this on Digg
Share on FriendFeed
Share on Facebook
Share on LinkedIn

victoria 1

Havia muito tempo que eu queria divulgar uma manchete como essa, mas não imaginei que seria minha filha a produzi-la.

Há anos que o Brasil mergulhou em uma escalada de ódio entre compatriotas. A dita grande imprensa brasileira, eternamente engajada em fazer valer suas idiossincrasias políticas, produziu uma guerra fratricida entre nós.

Apesar de compartilharmos o mesmo céu, o mesmo chão, o mesmo ar, os mesmos anseios de um país melhor, engajamo-nos em uma disputa em que, cada vez mais, todos perdem.

Entramos em uma guerra de aniquilação. Um lado quer ver o outro encarcerado, morto, desfigurado, falido, desmoralizado.

Nos últimos tempos, os mais radicais entre os radicais ganham popularidade não por suas propostas para melhorar o país, mas por proporem formas mais elaboradas de aniquilamento do “inimigo”.

O resultado não poderia ter sido outro. A interrupção do mandato da pessoa que foi eleita em 2014 para governar até 2018, em vez de melhorar a crise econômica, piorou muito.

Gregos e troianos trocam acusações sobre as causas da depressão em que o país vai mergulhando, os radicais que tomaram o poder vendem redução de direitos trabalhistas como “solução”.

Enquanto isso, o ódio aumenta. Não é à toa que o candidato com mais capacidade de se vender como campeão do ódio esteja subindo lenta e constantemente nas pesquisas.

Todavia, em um momento em que a capacidade de odiar parece ser a mais desejada, em um momento em que parece que todos odiamos cada vez mais, uma criaturinha frágil como uma flor desperta sentimentos edificantes em milhares de pessoas.

Na quarta-feira da semana passada, minha filha Victoria foi submetida a um procedimento cirúrgico rotineiro em sua vida desde 2009, quando sua doença (síndrome de Rett) se agravou.

Desde então, a cada seis meses Victoria faz aplicações de toxina botulínica (botox) dentro da boca e nas articulações dos membros inferiores e superiores.

Na boca, a substância impede a salivação, o que é necessário porque sua doença comprometeu sua capacidade de deglutição e a saliva acaba indo parar nos pulmões, gerando pneumonias repetitivas.

Nos membros, o botox tem um efeito relaxante que combate atrofia que impede a articulação.

Porém, desde 2009 os médicos vinham avisando que, como em qualquer procedimento clínico mais sério, essas aplicações de botox encerram riscos.

Na semana passada, Victoria deixou o centro cirúrgico desacordada, o rosto muito inchado pela aplicação da toxina botulínica.

De início, nós, familiares de Victoria, achamos que era normal ela ficar adormecida por mais tempo devido à anestesia geral e à própria substância aplicada. Porém, o caso foi se agravando.

Na noite de sábado (29/4), havia quatro dias que minha filha estava desacordada. Naquele momento, eu e minha família começamos a nos desesperar. Ninguém pode ficar 96 horas desacordado sem que algo esteja muito errado.

Eis que, mais uma vez, veio-me à mente uma medida que, apesar de eu não ser um crente religioso, várias vezes me fez crer que ajudou minha filha.

Confesso que, hoje, não conservo a fé católica do início da minha vida – as razões para tanto não devem ser lá muito estranhas para muitos. Mas acredito na força do pensamento.

Parto do princípio que os pensamentos se traduzem em atividade elétrica no cérebro. Ou seja, são fenômenos físicos. Produzem energia.

Será possível que muita gente mentalizando no mesmo sentido pode provocar algum fenômeno físico?

Não posso dizer que isso aconteceu, mas na noite de sábado comecei a publicar mensagens por minha filha no Facebook e eis que se produziu um fenômeno que, à luz do clima no país, parece milagre.

Milhares de pessoas começaram a enviar mensagens ou via “curtidas” ou via mensagens escritas desejando o restabelecimento de minha filha.

victoria 2

victoria 3

victoria 4

A sensação que se tem hoje neste país é de que acabou o espaço para a tolerância, para a generosidade, para o amor. O ódio tem imperado. E ficamos cada vez mais descrentes nas pessoas.

Mas o que se viu por Victoria Guimarães, minha filha, foi uma explosão de amor que contraria e turva o clima de ódio vigente no Brasil.

Muitas dessas pessoas generosas que enviaram mensagens por Victoria discordam de mim politicamente, mas não hesitaram em se unir à corrente de amor e solidariedade por minha filha.

victoria 6

Que conclusão tirar disso? É óbvia. Não precisamos nos odiar para discordar. Não precisamos nos aniquilar na disputa política. Todos temos os mesmos objetivos, ou seja, um país melhor para todos.

Será que o fenômeno desencadeado por Victoria em menor escala não poderia se espalhar e se generalizar? Será que ainda há tempo e espaço para refletirmos sobre essa disputa insana em que o país mergulhou?

Quem sabe se você espalhar esta história ela não toque nos corações e provoque as reflexões que todos estamos precisando fazer…