Moro persegue críticos para que todos se autocensurem

Buzz This
Post to Google Buzz
Bookmark this on Delicious
Bookmark this on Digg
Share on FriendFeed
Share on Facebook
Share on LinkedIn

censura capa

 

Matéria da Agência Petroleira de Notícias (APN) publicada na última sexta-feira mostra que o Brasil está entrando em uma nova fase do golpe. Medidas judiciais-penais para calar críticos estão sendo disparadas para todo lado pelo juiz federal Sergio Moro. O efeito dessas medidas será de, no médio prazo, instalar a autocensura no país.

Segue a matéria

APN – Agência Petroleira de Notícias

31 de março de 2017

Por criticar Lava Jato e juiz Sergio Moro, dirigente sindical da CUT Rio é intimado. Pelo jeito, quem critica os trabalhos e procedimentos da Operação Lava Jato sofre as consequências através da justiça por crime de opinião.

censura 1Assim como aconteceu anteriormente com o petroleiro Emanuel Cancella, coordenador da Secretaria Geral do Sindipetro-RJ, o blogueiro Eduardo Guimarães do Blog da Cidadania, respectivamente convocados  e processados por crime de opinião, o diretor adjunto da  Secretaria de Saúde do Trabalhador da CUT – Rio, Roberto Ponciano, serventuário da Justiça Federal no Rio , recebeu nesta quinta-feira  (30), um  Mandado de Intimação expedido pela Polícia Federal  para comparecer no próximo dia 11 dia abril na sede da Superintendência, centro do  Rio de Janeiro.

Segundo a notificação, Ponciano está sendo investigado por  possível ocorrência de delito previsto  nos artigos 140 (injúria), 147 (ameaça), 286 (incitação ao crime) e do Código Penal  bem como  no Artigo 2º , inciso 1º da Lei nº 12.850/2013 , tendo em vista que pessoas  ainda não identificadas estariam usando perfis em rede sociais par atentar contra a vida do juiz federal Sergio Moro.

“Escrevo textos em meu perfil numa mídia social e em sites de opinião criticando sim procedimentos da Lava Jato e a seletividade do juiz Moro. Faço somente análises do contexto da investigação, ao criticar como ela acabou por se tornar uma orquestração política usada por veículos de comunicação e a direita interessados apenas em demonizar  a imagem do Partido dos Trabalhadores e de suas lideranças. Em momento algum quis injuriar e ameaçar a integridade física do juiz  Sergio Moro e de qualquer outra pessoa ou autoridade envolvidas na investigação. ” –  afirma Roberto Ponciano que também é filósofo e pesquisador marxista, integrante do PT (RJ).

Confira um dos textos de Ponciano publicado recentemente no Blog ‘O Cafezinho

Moro, Eichman e a banalidade do mal

por Roberto Ponciano, no Blog do Bolchê

O mais assustador no que está acontecendo no Brasil não é uma questão apenas política, e ver que em poucos meses, uma democracia que demorou 20 anos para ser reconstruída pode se esfumar. Alain Badiou deixou claro em sua obra, que a negligência, a omissão de quem tem o dever de atuar, dos intelectuais e militantes políticos diante de um Evento é imperdoável. Não é simples omissão, é cumplicidade, é criminoso.

O assustador desta história é que o juiz Sérgio Moro não é um grande ator político, ao fim e ao cabo Moro é um Zé Ninguém (na acepção inclusive reicheana da miséria psíquica), um juiz de visão política turva, nenhuma envergadura intelectual, com inteligência limitada e visão zero de sociedade. Um mero Eichman, executor das ordens superiores.

No momento não sabemos claramente de quem, mas efetivamente desconfiamos da cumplicidade. De certo, do próprio Janot, o Procurador Geral da República, que deveria ter como dever ser o defensor da lei, mas tendo conhecimento dos pérfidos grampos de Moro, se não os autorizou, ratificou sua “legalidade”.

O tragicismo tragicômico deste enredo e que nem um dos dois, nem Moro, nem Janot tem qualquer dúvida que estão perpetrando uma ilegalidade. Os grampos nos telefones de Lula, Dilma, Jacques Wagner, Rui Falcão não tem nada que ver com a Lava Jato. Fariam corar de vergonha ou inveja os tribunais de exceção de nazista e o senador Joseph McCarthy. Ambos sabem que as escutas são ilegais e imorais e são claramente persecutórias de um partido.

Hannah Arendt, ao acompanhar o julgamento de Eichman cunhou a famosa frase que é toda uma teoria “o mal é estrutural”. O mal se torna banal quando um simples burocrata medíocre como Eichman é capaz de, sem sentir culpa ou remorso, fazer parte da engrenagem do mal.

Moro é Eichman, um burocrata medíocre, de passado obscuro e de futuro tenebroso. Não entra na história como herói, mas pela porta dos fundos, como um obscuro juiz camisa negra cujo único objetivo e despachar os vagões cheios de prisioneiros vermelhos. Para que o mal seja banalizado, como nos ensinou Levinas, é fundamental que o inimigo seja desumanizado.

Em todos os julgamentos de tribunal de exceção, antes de tudo é necessário retirar a humanidade do outro. E para que não tenham dúvida, não estou falando só dos tribunais nazistas e fascistas, o mesmo simulacro de tribunal foi usado nos julgamentos de Moscou e em outros t