Pesquisas mostram que o golpe irá gerar convulsão social

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pesquisa

 

Por mais que a confirmação do impeachment de Dilma Rousseff seja prejudicial à democracia, seu principal efeito deletério não seria contra ela, mas contra seus algozes. É o que mostra a 5ª rodada da Pesquisa CUT / Vox Populi, divulgada nesta semana.

Vale rever os critérios da sondagem.

  1. Objetivos: Os objetivos da 5º rodada da pesquisa CUT/Vox Populi, realizada em junho de 2016, foram avaliar sentimentos e opiniões da população brasileira a respeito do governo de Michel Temer e seus primeiros atos como presidente interino.
  2. Metodologia: A pesquisa foi feita de acordo com a técnica de survey, que consiste na aplicação de questionários estruturados e padronizados a uma amostra representativa da população.
  3. Data de campo: Os trabalhos de campo foram realizados entre os dias 07 e 09 de junho de 2016.
  4. População pesquisada: População brasileira com idade superior a 16 anos, residente em todos os estados brasileiros (exceto Roraima) e no Distrito Federal, em áreas urbanas e rurais, de todos os segmentos socioeconômicos e demográficos.
  5. Amostra: Foi adotada uma amostra estratificada por cotas, com o total de 2.000 entrevistas, para obter representatividade para o conjunto do Brasil. As cotas utilizadas para a seleção dos entrevistados foram de gênero, idade, escolaridade, renda familiar e situação perante o trabalho, sendo calculadas proporcionalmente a cada estrato de acordo com os dados do IBGE (censo de 2010 e PNAD 2013).
  1. Margem de erro: A margem de erro, para o total do estudo, é de 2,2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

As conclusões da pesquisa são avassaladoras para o presidente de facto do Brasil. E para quem não gosta do instituto Vox Populi por considerá-lo “petista, vale informar que suas conclusões são quase idênticas às de recente pesquisa MDA feita para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), entidade declaradamente antipetista.

Tanto a pesquisa CUT / Vox Populi quanto CNT / MDA mostram Temer com 11% de aprovação, ou seja, com o mesmo percentual de Dilma. Os dois institutos detectaram que a sociedade acha que a corrupção será igual ou maior sob Temer, que a economia vai piorar e que o impeachment não resolverá nada. Tanto MDA como Vox Populi mostram forte pessimismo da população.

A seguir, o resumo da pesquisa CUT / Vox Populi para comparação com a pesquisa CNT / MDA

67% dos brasileiros avaliam de forma negativa o governo interino do vice-presidente, Michel Temer, 32% acham que ele é pior do que esperavam e o futuro não é nada animador: o desemprego vai aumentar (52%), os direitos trabalhistas (55%) vão piorar e medidas como idade mínima para aposentadoria vão prejudicar muita gente (77%). Essas são as principais conclusões da última pesquisa CUT-Vox Populi, realizada entre os dias 7 e 9 de junho.

Para 34% dos entrevistados o desempenho de Temer é negativo – 33% acham que é regular, 11% positivo e 21% não souberam ou não responderam. O Nordeste é a Região do País onde o vice tem pior avaliação – 49% negativo, 41% regular e 10% positivo. Em segundo lugar vem o Sudeste com 45% negativo, 42% regular e 13% positivo. No Centro-Oeste, 39% consideram o desempenho negativo, 43% regular e 18% positivo. No Sul, 31% negativo, 45% regular e 24% positivo.

Os trabalhadores e os mais pobres serão mais prejudicados

Com um mês de governo interino, pioraram todos os percentuais de avaliação sobre a gestão golpista com relação a classe trabalhadora e as pessoas que mais necessitam de políticas públicas para ter acesso à saúde, moradia, educação e alimentação digna.

Para 52% dos entrevistados, o desemprego vai aumentar – o percentual dos que acreditam que vai diminuir e dos que acham que não vai mudar empatou em 21%.  Na pesquisa anterior, realizada nos dias 27 e 28/4, 29% acreditavam que o desemprego iria aumentar; 26% que iria diminuir e 36% que não ia mudar.

Ainda com relação a pesquisa anterior, aumentou de 32% para 55% o percentual dos que acreditam que o respeito aos direitos dos trabalhadores vai piorar. Para 19% vai melhorar e 20% acreditam que não vai mudar.

Aumentaram também as expectativas negativas com relação aos programas sociais em relação a pesquisa feita em abril. Antes, 34% achavam que com  Temer na presidência os programas iriam piorar. Agora, são 56%.

O percentual dos que acreditavam que ia melhorar variou um dígito apenas – de 19% para 18%; e dos que acreditavam que não ia mudar que era de 36% caiu para 19%.

Foram consideradas ruins porque prejudicam a maioria das pessoas, as propostas de Temer de aumentar a idade mínima para aposentadoria (77%), a diminuição de verbas do Programa Minha Casa Minha Vida (54%) e a diminuição do número de pessoas que recebem o Bolsa Família (48%).

Acabar com o monopólio da Petrobrás no Pré-Sal e aumentar a privatização de empresas e de concessões de rodovias e aeroportos foram consideradas ruins porque prejudicam o Brasil para 50% dos entrevistados. Para 31% a questão da privatização e das concessões é uma medida necessária e não vai prejudicar o país, outros 19% não souberam ou não responderam. Quanto ao Pré-Sal, 25% acham que não vai prejudicar o país e 25% não souberam ou não responderam.

Temer é pior do que as pessoas esperavam

Para 32% dos entrevistados na pesquisa CUT-Vox Populi, Temer é pior do que esperavam. Empatou em 16% o percentual dos que acham que ele é tão ruim quanto achavam que ia ser e dos que consideram que ele é melhor do que esperavam. Só 7% acham que ele é tão bom quanto esperavam que ia ser e 29% não souberam ou não responderam.

Com relação ao combate a corrupção, 44% acham que vai piorar, 26% melhorar e 25% que não vai mudar. A equipe de ministros de Temer é considerada negativa por 36% dos entrevistados – 32% acham que é regular e 11% positiva. Para 33% foi um erro grave o governo interino não nomear nenhuma mulher, 30% acham que foi um erro, mas não muito grave e 30% que é normal.

O impeachment é a solução para o país?

O percentual de brasileiros que NÃO acreditam que a cassação de Dilma seja a solução para os problemas econômicos do Brasil aumentou para 69%. Na pesquisa CUT-Vox Populi, realizada em dezembro, o percentual era de 57%¨. Nos levantamentos feitos em abril, o índice foi de 58% (9 e 12/04) e 66% (27 e 28/04).

Para 26% o golpe é a solução. Nas pesquisas anteriores, os percentuais foram de 34% (dezembro), 35% 9 de abril e 28% em 27 de abril.

Antecipação da eleição presidencial

A grande maioria dos brasileiros quer eleição já para Presidente da República. 67% dos entrevistados acham que o Brasil deveria fazer uma nova eleição para presidente ainda este ano. 29% não concordam com uma nova eleição e 4% não sabem ou não responderam.

A percepção das pessoas de que suas vidas irão piorar vista nas duas pesquisas não leva em conta quanta piora haverá porque a esmagadora maioria nem imagina o que Temer está planejando. Se a sociedade soubesse do “teto” de gastos públicos que o governo de facto está preparando, haveria uma revolução.

O Brasil não cabe no teto de gastos de Temer. Os economistas dele querem reduzir o tamanho do governo federal em 30% nos próximos 20 anos. É o que diz a versão mais radical e duradoura para esse limite de gastos, o “teto”.

Temer enviará um Projeto de Emenda Constitucional ao Congresso nesta semana propondo tais medidas. Na versão mais nefasta desse plano, a despesa do governo chegaria a 2036 no mesmo nível de 1997.

Essa medida dá uma ideia de quais são os planos do governo golpista para a redução do deficit e, ainda, da sua intenção de reduzir o tamanho do Estado.

O “teto” temerário vai limitar o crescimento anual da despesa do governo ao valor da inflação do ano anterior. Ou seja, em termos reais, o gasto fica praticamente congelado no valor despendido neste ano.

Para que se possa mensurar o tamanho do estrago, o “teto” atingirá, prioritariamente, Previdência, Saúde e Educação, mas todas as demais despesas federais serão asfixiadas. O teto criaria uma situação inviável.

Essa fixação do “teto” é explicada pelos economistas de Temer como medida para que o governo faça mais com menos, seja mais eficiente. Porém, é um crime o que ele está fazendo. O país é desigual e pobre demais em renda e em iniciativas privadas de infraestrutura. Insistir no congelamento de gastos públicos por 20 anos é um plano deliberado de diminuir o tamanho do Estado e, assim, favorecer a privatização de serviços públicos.

Tudo isso cairá como uma bomba entre os setores da sociedade que precisam do Estado. Irá gerar uma “guerra civil”. A instabilidade política só tende a aumentar.

Mesmo a classe média-média nem sonha com medidas que vão impedir valorização dos salários e aumento do emprego formal. E muito menos com medidas que vão extirpar direitos trabalhistas.

As pesquisas citadas mostram, portanto, que, se o impeachment de Dilma se confirmar, pode ocorrer uma forte convulsão social no país.

Se antes mesmo de as medidas de Temer começarem a surtir efeitos a visão da sociedade sobre seu governo já está desse jeito, imagine, leitor, o que acontecerá quando as pessoas começarem a sentir esses efeitos.

O principal efeito do “teto” de Temer será piora na Saúde e na Educação. Pessoas que estão em vias de se aposentar, não vão conseguir. Os salários vão cair, muita gente vai ter que aceitar emprego sem registro em carteira.

A desidratação de programas sociais vai gerar aumento da violência e da criminalidade.

As pesquisas supracitadas comprovam a previsão de uma convulsão social no país. Muitos pensaram que o impeachment resolveria tudo, que traria de volta o bem-estar social da era Lula. Muito pelo contrário. Produzirá saudade dos governos do PT.

É por isso que o partido já está achando bom que o Congresso confirme o impeachment de Dilma. Deixar a direita governar é o melhor meio de pavimentar o caminho da esquerda em 2018. E agora temos até pesquisas a apoiar essa tese.

E você, o que acha? É melhor mesmo Temer ficar no cargo e afundar a direita, já que falta pouco para 2018 e até lá os golpistas se enforcarão sozinhos? Ou será que a democracia é mais importante e, assim, ele não pode ficar no cargo?

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77 Comentário

  1. Caro Eduardo,

    A resposta à sua pergunta do último parágrafo deste post, está no próprio título, quando afirma que “o golpe irá gerar convulsão social”. Portanto, não concordo com PT nesse quesito de deixar a direita governar até 2018. Não concordo, porque sei essa gente fará um estrago muito grande neste país. É quase certo que a presidente Dilma não mais voltará, mas daí a aceitar essa situação passivamente, não é de bom alvitre.

    • A Presidente Dilma não é página virada, tanto é que está sendo muito bem recebida em todo o Brasil ao contrário do Presidente Golpista Interino que não pode por o nariz fora da janela. Ao militares ja se manifestaram ontem após as denúncias do Machado contra Temer ( o que não haviam feito ainda ). Eles tem razão no que dizem, o país está sem governo, desestabilizado. E nós sabemos que é nessas horas que eles dão o bote e aí estaremos com outro governo militar se não ficarmos espertos. Mas, voltando à Presidente, certamente ela voltará sim, não há outra alternativa (a não ser os militares) e fará um plebiscito para novas eleições, o que ela já afirmou inclusive. O que me estranha muito é o silencio ensurdecedor dos que foram para as ruas com camiseta da CBF pedir o impeachment e contra a “corrupção”, dizendo “somos todos Cunha”. Onde estão eles e suas panelas???????

  2. Prezado Edu.

    Gostaria de estar errado.
    Mas…

    Este golpe gerado pela tecnologia norte- americana não vai acabar bem.
    Veja o exemplo do Egito.
    Acho que é o que mais se assemelha ao nosso.

    A direita continua seja com militares ou com uma ditadura.
    A esquerda é criminalizada.
    A democracia acaba.

    Aqui vão quebrar a espinha de todos os movmentos sociais, criminalizar a esquerda e seus partidos, ocupar o aparelho do Estado e roubar à vontade como sempre fizeram.

    Um grande abraço

  3. As figuras do Lula e da Dilma, se transformaram em simulacros de políticos da pior espécie. Vide o pixuleco!

    Eugênio José Alati
    16/06/2016.
    NÃO CENSUREM

    • Vai consolar teus amores: Temer, Aécio, Cunha et caterva.

    • Os da boa espécie são o cunha, aécio, gilmar, temer, Calheiros, jucá … entre outros tutu bonna genti iguais a tua marca, não é mesmo?

    • Eugênio José Alati é um pilantra,vigarista, ladrão e estelionatário. Trata-se de um criminoso da pior espécie que deveria estar preso por diversos crimes, Além da corrupção desefreada que pratica.

      NÃO CENSUREM

    • Então…..sabe aquele resiliente brinquedo “João Bobo”? Ingênuo A latir me lembra ele….

  4. essa tatica de deixar sangrar não funcionou para o psdb, ate 2018 muita coisa pode acontecer

  5. Esqueçam Dilma Roussef, é página virada, não voltará pois perdeu todas as condições políticas e morais de reassumir o país, ao qual mentiu desbragadamente, deixou estalar a maior crise econômica de que sem tem notícia, com crescimento negativo, Petrobras na bancarrota, desemprego inaceitável. Tem pelo menos 70% da Câmara contra si.

    Acreditar que o povo se sublevará para restituir-lhe o poder, é cair no mesmo erro que aniquilou Prestes em 1935, com sua Intentona fracassada e que ele imaginava apoiada por toda população. Mesmo erro que fez de Jango uma alma penada em 1964, quando o povo em vez de apoiá-lo saiu às ruas sim, mas para comemorar sua queda. Não haverá convulsão social porque o povo brasileiro jamais respaldou extremistas de esquerda, previa-se povo nas ruas após o impeachment, planejava-se greve geral, convocaram-se manifestações por todo o Brasil, mas estas só foram atendidas pelos de sempre, UNE, MST, CUT, e outros grupelhos que não representam nada nem ninguem.

    • Falou besteira meu caro coxinha! Em 1964, quem saiu para as ruas para comemorar a queda do Jango era a burguesia (classe média e elite) e não o povo, assim como foi no apoio ao impeachment da Dilma! E pode ter certeza que o povão vai se voltar contra o governo Temer se este acabar com os direitos trabalhistas! Espere e verá, ocorrerá uma guerra civil sem precedentes!

    • Outra besteira dita: veio mais e 100 mil pessoas na paulista no ultimo protesto da esquerda (que não tem apoio da grande mídia), e este vai continuar crescendo cada vez mais seu trouxa! Dilma e o PT não são não são como o Collor, este ao sair pelo impeachment, não teve apoio nenhum a favor dele!

    • E por acaso, em 1964, já existia o MST e a CUT? Apenas a UNE.

  6. Acho que deixar a direita no poder para que ela própria se desmoralize é uma estratégia ruim porque penaliza a sociedade brasileira.

    O correto é lutar pela democracia e pela justiça sociel com todas as forças.

    Porém é importante não perder o foco. O poder político é um instrumento para atender aos dois objetivos citados, não é um fim em sí.

    O PT precisa se purgar de uma série de vícios buracratizantes próprios do exercício do poder. Aproximar-se das bases, dos movimentos sociais, das lutas dos trabalhadores. Mas isso deve ser feito durante a luta pela restauração da democracia, do Estado de direito e pelas reinvindicações sociais e trabalhistas, não antes nem depois destas.

    E não só o PT. Este é um momento onde toda a esquerda precisa superar o sectarismo e se unir em torno dos interesses da sociedade e especialmente da classe trabalhadora.

    Por tudo isso eu ão gosto dessa idéia esdrúxula de deixar a direita se desmoralizar com vistas a 2018. A união e a ação em favor da democracia e da justioça social nunca foram tão necessárias e urgentes.

  7. Boa tarde Edu!

    É uma ótima tática esta história de deixar a direita governar até 2018, com certeza o povo irá ter saudades da esquerda no poder e muitos vão até falar: “Eu era feliz com o PT e não sabia!” Tenho certeza que isso vai acontecer!

    A esquerda só não entrou no poder antes de 2002 pelo simples motivo: manipulação da Rede Globo! Só para ter uma idéia: até 2002, em quase todos os estados o candidato vencedor do segundo turno tinha maioria dos votos, hoje em dia, há uma divisão regional dos votos!

    Um abraço!!!!

  8. Por que colocaram e retiraram meu comentário?????

  9. a democracia é mais importante

  10. Boa noite.
    Excelente matéria. Quando o Passe Livre saiu coordenadamente às ruas de todo o país, exigindo até hoje não se sabe o que, Uma amiga de Fortaleza disse: eles querem golpe. É golpe. Em 2013 me pareceu estranho falar em golpe, já estávamos vivendo uma democracia plena.
    Foi passando o tempo e comecei a concordar com minha amiga, era golpe e isso ficou claro assim que Dilma derrotou Aécio, a Globo, os partidos de direita, e a Veja assim que terminada a votação declarou é preciso impedimento. Ali começou. E aqui estamos nós caminhando sabe-se lá para onde.
    Já perdemos quatro anos, pois mesmo que Dilma volte, ela não governará, não deixarão.
    Não imagina como desejo que este nosso povo se levante numa bela convulsão social, sem republicanismo. Parece–me que semana que vem Dilma se encontrará com os partidos de esquerda e movimentos sociais para discutir a possibilidade de novas eleições. Se assim for, espero que se decida por não ter novas eleições, melhor deixar o governo com eles, para que se esfolem e sejam atirados às feras.

  11. Abriram as portas do inferno e tão aguentam! Infelizmente, muita gente pobre, classe C, a mais beneficiada dos governos petistas, soltou foguete naquela noite terrível do impeachment. Eles são responsáveis também e tem que aprender que democracia não é apenas troca de poder. Sou contra a antecipação de eleições por ser mais um casuísmo.

  12. Convulsão social e padecimento, sim, mas a direita morta, não é possivel.
    Não sou otimista como o blogueiro Eduardo Guimarães.

    Os estrategistas do mundo pós-IIguerra calcularam como imprescindível, para o bem do made in USA , que as sociedades ocidentais se refizessem da destruição da II guerra, para que pudessem importar manufaturaas dos EUA e fornecessem oportunidades de investimentos. Para tanto, a ordem de direita tinha de ser restabelecida a qualquer custo (empresários dominando, enfraquecimento de sindicatos e peso da reconstrução nas costas da classe trabalhadora e operária). A pedra no caminho foi a resistência antifascista. Para contê-la, os EUA reprimiram meio mundo, instalando colaboradores corruptos fascistas e nazistas. Chomsky considera ser esse o primeiro capítulo de qualquer libro de história, sério, do período pós-guerra.

    Fatos dos últimos 60 anos, com o mesmo fio condutor:

    1. Os EUA decidiram que grande parte do mundo era subordinado às necessidades deles, fonte de matérias–primas e mercado pras empresas deles, segundo um memorando do Departamento de Estado, de 1949. Numa reunião de embaixadores latinoamericanos, em 1950, George Kennan declarou que chegara a hora de combater a idéia absurda de que um governo tem responsabilidade direta pelo bem do povo. E deu instruções: pau neles — porque os comunistas são essencialmente traidores. É melhor um regime fascista no poder do que um governo liberal, indulgente e infiltrado de comunistas.
    Não era novidade. O governo do Woodrow Wilson já havia declarado o significado prático da ”Grande Caceta” na doutrina Monroe. E agiu de acordo com esse pensamento ao invadir, entre outras coisas, o Haiti e a República Dominicana, onde seus soldados assassinaram, destruíram e demoliram o sistema político vigente, deixando as empresas dos EUA no controle e preparando o cenário para futuras ditaduras, sempre brutais e absolutamente corruptas.

    2. Itália — Seguindo o conselho dos ingleses, os EUA impuseram uma ditadura de direita liderada pelo fascista marechal Badóglio e pelo ”1/2 foda” (era baixinho), rei Vittorio Emanuele III, também colaborador fascista. Na Itália, um movimento de base operária e camponesa, liderado pelo Partido Comunista, havia enfrentado, ”no tapa”, seis divisões alemãs durante a guerra e libertado o Norte da Itália. Quando as forças estadunidenses avançaram pelo sul, tirando fotografias e pousando para cinegrafistas, sabiam que o serviço já estava feito; imediatamente disarmaram e dispersaram a resistência antifascista e restauraram a estrutura básica do regime fascista anterior à guerra, a pedido sempre dos ingleses. Não foi brincadeira, minha gente, a Itália foi teatro de duas guerras comtemporâneas: a mundial e a intestina. A Itália foi uma das principais áreas de subversão da CIA desde que a agência foi fundada. Preocupava o desempenho dos comunistas até mesmo nas eleições de 1948. Por isso criaram-se barreiras: restauração da polícia fascista, destruição dos sindicatos, sonegação de víveres, etc.
    Moral da história: hoje a Italia é vassala; está na merda; a velha classe politica foi substituida por gente obediente que sabe falar ingles. O Berlusconismo deu o golpe de misericórdia. A Itália perdeu status e senso do ridículo; até o irmão do juiz Borselino denunciou publicamente o ex-Presidente da República, Giorgio Napolitano, como garante da máfia! A direita italiana está viva e mais repressiva.

    Muitos brasileiros não sabem mas o primeiro personal computer da história é invenção – exclusivamente – italiana. Foi imaginado, progetado e realizado por quatro jovens da Olivetti e depois comercializado pela empresa, em 1964. O banqueiro Cuccia, o Valletta junto com outros lesa-pátria, destruiram a novidade obedecendo ordens expressas da Casa Branca: venderam o progeto pra General Electric e desmontaram a Olivetti. O PC chamava-se PROGRAMMA 101 e foi usado também pela NASA. Uma grande perda para a Italia. Os italianos hoje são apenas arquivistas de ”files”; alienados, precários, xenófobos, imersos num vômito neofascista, com os partidos ”Fratelli d’Italia”, ”Lega Nord”, ”Casa Pound”, ”Forza Italia”.
    Nota: em 1971, o italiano Federico Faggin, criou o Intel 4004, o primeiro microprocessor da história e bisavô do Pentium. Os menos informados consideram Steve Jobs engenhoso como Leonardo da Vinci!

    3. Grécia — Os nazista retiraram-se e os britanicos ocuparam o lugar deles. Impuseram um regime tão corrupto que provocou nova resistência. Em 1947, os EUA entraram pra acabar com ela, apoiando uma guerra assassina, que resultou em cerca de 160.000 mortes. Foi uma guerra repleta de torturas, exílios políticos de dezenas de milhares de gregos; instituiram os “campos de reeducação” para outras dezenas de milhares de pessoas, destruição de sindicatos e nenhuma possibilidade de independência política. A Grécia foi decididamente colocada nas mãos de investidores estadunidenses e de empresários entreguistas e corruptos locais, enquanto grande parte da população teve de emigrar para sobreviver. Os beneficiários foram aqueles de sempre: os colaboradores fascistas. As principais vítimas foram os trabalhadores e os camponeses da resistência antifascista, liderada pelos comunistas. A Grécia está na merda até hoje. A direita grega não morreu.

    4. Japão — Em 1947, o governo ocupante dos EUA reprimiu sindicatos, forças democráticas e colocou o Japão firmemente nas mãos dos empresários fascistas que apoiaram o malvadissimo regime imperial japonês, criando um sistema misto de poder estatal e privado que dura até hoje. A direita no Japão não morreu mas vive com o cú fechado por causa da conta aberta com a China pelos crimes hediondos cometidos contra chineses nos anos trinta e quarenta. As tropas japonesas capturaram Nanquim, a então capital da China, em 13 de dezembro de 1937, iniciando massacres que se prolongaram por intermináveis 40 dias. Todas as unidades de infantaria do exército imperial japonês atacaram simultaneamente a cidade de Nanquim sob a ordem do príncipe Asaka Yasuhiko. Por causa da escala de sofrimento absoluto provocado pelos militares japoneses durante as décadas de 1930 e 1940, o Japão imperial é comparado com a Alemanha Nazista durante o período 1933–45.

    Até hoje, a direita japonesa pratica revisionismo histórico (não duvido que possam um dia afirmar que Fukushima nunca existiu e que o Japão nada teve ou tem a ver com a perda de material radioativo no mar e no ar). Ser prisioneiro politico (comunista) no Japão, é barra pesadissima.

    5. — Coréia. Quando Os EUA entraram na Coréia, em 1945, dissolveram o governo popular local, composto basicamente pela resistência antifascista, que resistiu aos japoneses. Os EUA inauguraram alí uma repressão brutal, usando a polícia japonesa e coreana, colaboradora dos japoneses durante a ocupação. Cerca de cem mil pessoas foram assassinadas na Coréia do Sul antes daquilo que ficou conhecido como Guerra da Coréia. Inclusive, foram mortas entre trinta e quarenta mil pessoas durante repressão a uma revolta camponesa, na pequena região da Ilha de Cheju. A direita coreana não morreu.

    6. — Guatemala, o país mais importante da America Central. O primeiro governo democrático da história da Guatemala, inspirado no New Deal de Roosevelt, provocou o grande antagonismo dos EUA. Em 1954, com Eisenhower, a CIA transformou a Guatemala num inferno em terra. Desde então, manteve-se assim, com intervenção e apoio regular durante os governos Kennedy, Johnson, Carter, Reagan e Bush. O ator Reagan, com aquela cara-de-cú penteado, disse recitando, ao receber as credenciais do embaixador da Guatemala, em janeiro de 1984, ”Os nossos dois países tendem aos mesmos fins: pluralismo, respeito dos direitos humanos, paz, justiça social e progresso econômico.” Até o criminoso Kissinger, contendo a gargalhada, reconheceu que as FFAA guatemaltecas cometeram ”massacres moralmente inaceitáveis” contra os civis.
    De 1954 até o final da década de oitenta, morreram cerca de 83 mil pessoas, 100 mil refugiaram-se no Mexico e cerca de 1 milhão foram transferidas. A Guatemala tornou-se o açougue que é até hoje, com a intervenção regular dos Estados Unidos sempre que as coisas ameaçam sair fora da linha. A Igreja do Verbo, seita fundamentalista estadunidense, apoiada por seitas protestantes, transformou-se em centro de poder; os EUA continuam influentes graças à cumplicidade das oligarquias corruptas locais. A direita guatemalteca não morreu.

    7. — Grenada. Ilha caraibica na época tinha cerca de 100 mil habitantes. Produz noz-moscada, e mal pode ser encontrada no mapa. Quando Grenada iniciou uma tímida revolução social, presidida pelo jovem advogado Maurice Bishop (obtendo resultados positivos na finança, no trabalho, na saúde, na educação, na luta contra a droga, com taxa de crescimento na ordem de 5,5% e construção de um aeroporto internacional para dinamizar o turismo e favorecer uma economia autonoma), a Casa Branca agiu imediatamente ”contra a séria ameaça à segurança nacional dos EUA.” Para tanto, violaram todos os tratados internacionais e foram condenados mundialmente. Somente os governos lacaios de El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Honduras e Paraguai, concordaram com o dos EUA. Na verdade a invasão fora planejada pelo Pentagono mais de três anos antes do assassinato de Bishop. Aproveitaram a ocasião do atentado ao Comando Geral dos Marines em Beirut para agir. A ação criminosa e covarde foi pensada pra testar a reação da URSS e das FFAA cubanas, além de servir de teste para uma eventual invasão da Nicaragua. Mesmo com todo a pose de Rambo, 7.500 soldados bem armados pela maior potência militar do planeta Terra, tiveram a tarefa difícil. Precisaram de uma semana inteira de duro combate!! A direita da ilha caraibica não morreu.

    8. — Nicarágua. A Nicarágua é tão importante para o empresariado americano que ela poderia sumir do mapa que ninguém perceberia. A mesma coisa com El Salvador. Mas ambos foram submetidos a assaltos homicidas pelos EUA, com o custo de centenas de milhares de vidas e muitos bilhões de dólares. A razão? Perigosos como exemplo. Se uma ilha pequena e pobre como Grenada pode ser bem-sucedida, alcançando um melhor nível de vida para seu povo, em outro lugar que tenha mais recursos as pessoas poderão perguntar: “E nós, por que não?”
    Esse foi exatamente o caso da Indochina, que é bastante extensa e tem importantes recursos. O medo era que, se o povo da Indochina conseguisse independência e justiça, o povo da Tailândia iria imitá-la, tentariam na Malásia, na Indonésia. O Chile de Allende. Para Kissinger era um “vírus” que “infectaria” a região, com reflexos até na Itália. Os EUA exigem “estabilidade”: segurança para as oligarquias e liberdade para as empresas deles. As direitas nesses paises não morreram.

    9. — Figueres, Bishop, Allende, Ortega — Na Nicarágua houve real e substancial esforço em resolver as injustiças da posse da terra e em estender serviços médicos, educacionais e agrícolas às famílias de camponeses pobres. No início da década de 1980, o Banco Mundial considerou “alguns setores da Nicarágua extraordinariamente mais bem-sucedidos que qualquer outra parte do mundo”. Em 1983, o Banco Interamericano de Desenvolvimento concluiu que “a Nicarágua fazia notáveis progressos no setor social e estava lançando bases para um desenvolvimento socioeconômico a longo prazo”. O sucesso das reformas sandinistas aterrorizaram os estrategistas estadunidenses. Eles sabiam que, “pela primeira vez, a Nicarágua tinha um governo que se interessava pelo povo , como afirmou José Figueres, o pai da democracia na Costa Rica. O ódio provocado pelos sandinistas por dirigirem recursos aos pobres (sendo até bem-sucedidos) foi realmente magnífico de se observar. Praticamente todos os estrategistas políticos dos EUA compartilharam desse ódio, atingindo um verdadeiro frenesi.
    O governo revolucionário contava também com sacerdotes nos ministérios (Cultura, Exterior, Social, Juventude, além de muitos militantes cristãos, fato sem precedente nas relações entre a Igreja católica e o Estado revolucionário) . Mesmo assim o fascista João Paulo II, um dos mais ativos colaboradores da CIA na America Latina e inimigo jurado da Teologia da Liberação, agiu vergonhosamente contra o governo Sandinista: mais de 500 mil pessoas assistiram a missa celebrada por ele, em 1983. O governo revolucionário assumira inteiramente as despesas do evento, garantindo inclusive o transporte das massas. A preparação dessa visita pastoral custou ao pequeno país, economicamente dessangrado, cerca de três milhões de dólares. O governo fez tudo para que pelo menos 25% da população viesse escutar o polonês que, todavia, recordou ”aqueles que foram impedidos de vir” e recusou-se encontrar os sacerdotes que partecipavam do governo!
    Nos idos de 1981, um membro da Secretaria de Estado alardeou que iría “transformar a Nicarágua na Albânia da América Central”, isto é, pobre, isolada e politicamente radical, de modo que o sonho sandinista de criar um modelo novo e exemplar para a América Latina seria um fracasso. George Shultz chamou os sandinistas de “um câncer, bem aqui em nossas terras”, que tinha de ser destruído. Na outra ponta do cenário político, um líder do Senado, o liberal Alan Cranston, declarou que, se não fosse possível destruir os sandinistas, teríamos então de deixá-los “apodrecer no [seu] próprio pus”. Foi então que os EUA lançaram um triplo ataque contra a Nicarágua.

    Primeiro — fazendo pressão aos Bancos Mundial e Interamericano de Desenvolvimento para suspenderem todos os projetos de assistência ao país.
    Segundo — lançaram a guerra dos Contras juntamente com uma guerra econômica ilegal para acabar com a ”a ameaça do bom exemplo.” Os terríveis ataques terroristas dos Contras, sob ordens dos EUA, contribuíram, juntamente com o boicote econômico, para o fim de toda e qualquer esperança de desenvolvimento econômico e reforma social naquele sofrido país. O terror estadunidense assegurou que a Nicarágua não desmobilizasse seu exército e enviasse seus parcos e limitados recursos para a reconstrução das ruínas, que foram deixadas pelos ditadores apoiados pelos EUA, forçando-os a manter seus escassos recursos para a guerra e afastando-os dos programas sociais.
    Terceiro — usaram ardis diplomáticos. Para a Nicarágua, o plano de paz de agosto de 1987 era bom negócio: eles adiantariam as eleições nacionais em alguns meses e permitiriam a observação internacional, como já tinham feito em 1984, “em troca de terem os Contras desmobilizados e a guerra levada a um fim…
    O governo nicaraguense cumpriu o que foi exigido pelo plano de paz, entretanto, Arias, a Casa Branca e o Congresso nunca tiveram a mínima intenção de cumprir qualquer aspecto do plano. Os EUA triplicaram virtualmente os vôos da CIA em reforço aos Contras. Em poucos meses, o plano de paz estava totalmente sepultado. Assim que a campanha eleitoral começou, os Estados Unidos tornaram bem claro que o embargo econômico, que estava estrangulando o país, e o terror dos Contras continuariam se os sandinistas ganhassem a eleição. Chomsky, escreveu: ”Teríamos de ser no mínimo nazistas ou stalinistas incorrigíveis para considerar uma eleição conduzida sob tais condições como justa e livre.” Mesmo assim os sandinistas obtiveram 40% dos votos.
    As façanhas dos Estados Unidos na América Central, são uma enorme tragédia, não só pelo avassalador custo humano, mas também porque havia reais perspectivas de progresso em direção a uma democracia significativa, comprometida com as necessidades humanas, já com os primeiros sucessos visíveis em El Salvador, Guatemala e Nicarágua. Esses esforços poderiam ter funcionado e ensinado lições a outros flagelados com os mesmos problemas, coisa que os estrategistas norte-americanos temeram e temem. A ameaça foi abortada com sucesso. A direita da Nicaragua não morreu.

    10. — Panamá. Tradicionalmente controlado pela sua minúscula elite européia, menos de 10% da população. Isso mudou em 1968, quando Omar Torrijos, general populista, que liderou um golpe que permitiu aos negros e mestiços pobres partilharem uma fatia mínima do poder, sob sua ditadura militar. Em 1981, Torrijos morreu num acidente aéreo suspeito. Até 1983, o governante efetivo do Panamá foi Manuel Noriega, um criminoso que havia sido aliado de Torrijos e da CIA. O governo estadunidense sabia que Noriega traficava drogas, desde pelo menos 1972, quando o governo de Nixon considerou a possibilidade de eliminá-lo. Contudo, continuou na folha de pagamentos da CIA. Em 1983, o Panamá havia se tornado um grande centro de lavagem de dinheiro e de tráfico de drogas. A Casa Branca, mesmo assim, continuou a prestigiar os serviços do ”nosso filho da puta” (ajudando os EUA na guerra contra a Nicarágua, fraudando eleições com a aprovação da Casa Branca e servindo de modo satisfatório aos interesses stadunidenses. Em 1984, a eleição presidencial panamenha foi vencida por Arnulfo Arias. A eleição foi roubada por Noriega com violência e fraude consideráveis. O partido de Arias foi julgado por ter perigosos elementos do “ultra-nacionalismo”. O governo Reagan aplaudiu a violência e a fraude, e despachou o secretário de Estado, George Shultz, para legitimar a eleição roubada e elogiar a versão da “democracia” de Noriega como um modelo para os errantes sandinistas.
    Enquanto roubava dos pobres, tudo bem, mas ele passou a interferir nos interesses dos ricos e privilegiados. A administração do Canal passaria ao controle do Panamá no ano 2000. Faltava um fantoche pra substituir com o agora independente ”cara de abacaxi”. Na bronca, Washington impôs sanções econômicas que destruíram a economia, deixando a carga nas costas da maioria pobre e não branca. Essa parte da população passou a odiar Noriega, que ficou visto como responsável pela guerra econômica dos EUA (ilegal), com muita gente passando fome.
    Em dezembro de 1989, os EUA comemoraram a queda do Muro de Berlim invadindo o Panamá de modo fulminante, matando centenas ou talvez milhares de civis inocentes (ninguém sabe ao certo). Os covardes do Pentagono usaram até o sofisticado Stealth para bombardear bairros pobres da perferia. Com isso, restauraram o poder da direita branca e corrupta, que havia sido destituída por Torrijos, assegurando-se um governo lacaio na mudança administrativa do Canal.

    Fonte: What Uncle Sam Really Whants, Noam Chomsky, 1992

    ————–

    Santayana:

    ”Mas o que está ocorrendo é que direita, centro e esquerda estão cometendo o erro primário de não entender que o que se está enfrentando é um grupo de forças que se opõem à própria atividade política, por princípio.
    E que ao se digladiarem fora do campo das ideias não estão fazendo mais do que favorecer os inimigos da liberdade, saudosos do autoritarismo, que se aproveitam das falhas normais de um regime – que, como diria Churchill, não é perfeito, mas é o melhor que se conhece – para jogar a população contra a democracia e promover e preparar, diligente e coordenadamente, a chegada do fascismo aos cargos mais altos da República.
    O processo de impeachment é um golpe jurídico-midiático, mas ele representa apenas um passo, mais uma etapa, para a deflagração de um golpe maior contra a Nação, que levará à derrocada da democracia no Brasil, à aprovação de leis que lembram os nazistas, como a exigência de diploma superior para ministros e presidente, fim do voto obrigatório, volta do escrutínio manual, cassação de registros de partidos políticos, repressão ao trabalho de educadores na sala de aula, criminalização dos movimentos populares e até do comunismo – conforme propostas recentemente encaminhadas à apreciação do Congresso Nacional.”

    Fonte: http://www.ocafezinho.com/2016/06/15/o-grande-golpe-por-mauro-santayana/

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    Moniz Bandeira:

    ”O objetivo do PGR poderia ser de promoção pessoal, porém tanto ele como o juiz Sérgio Moro atuam, praticamente, para desmoralizar ainda mais todo o Estado brasileiro, como se estivessem a serviço de interesses estrangeiros.”

    ”Esse golpe deve ser compreendido dentro do contexto internacional, em que os EUA tratam de recompor sua hegemonia sobre a América do Sul, ao ponto de negociar e estabelecer acordos com o presidente Maurício Macri para a instalação de duas bases militares em regiões estratégicas da Argentina. O processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff não se tratou, portanto, de um ato isolado, por motivos domésticos, internos do Brasil”, afirmou Moniz Bandeira, em entrevista concedida por e-mail ao PT na Câmara.

    Muito dinheiro correu na campanha pelo impeachment. E a influência dos EUA transparece nos vínculos do juiz Sérgio Moro, que conduz o processo da Lava-Jato. Ele realizou cursos no Departamento de Estado, em 2007.

    No ano seguinte, em 2008, passou um mês num programa especial de treinamento na Escola de Direito de Harvard, em conjunto com sua colega Gisele Lemke. E, em outubro de 2009, participou da conferência regional sobre “Illicit Financial Crimes”, promovida no Rio de Janeiro pela Embaixada dos Estados Unidos.

    A Agência Nacional de Segurança (NSA), que monitorou as comunicações da Petrobras, descobriu a ocorrência de irregularidades e corrupção de alguns militantes do PT e, possivelmente, passou informação sobre o doleiro Alberto Yousseff a um delegado da Polícia Federal e ao juiz Sérgio Moro, de Curitiba, já treinado em ação multi-jurisdicional e práticas de investigação, inclusive com demonstrações reais (como preparar testemunhas para delatar terceiros). Não sem motivo o juiz Sérgio Moro foi eleito como um dos dez homens mais influentes do mundo pela revista Time.

    Ele dirigiu a Operação Lava-Jato, coadjuvado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como um reality show, sem qualquer discrição, vazando seletivamente informações para a mídia, com base em delações obtidas sob ameaças e coerção, e prisões ilegais, com o fito de macular e incriminar, sobretudo, o ex-presidente Lula. E a campanha continua.

    Fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/moniz-bandeira-eua-apoiaram-golpe-de-temer-para-recompor-hegemonia-sobre-america-do-sul.html

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