Republicanismo do PT veio para ficar; briga de Cunha é com o MP

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Sempre digo que talvez a maior obra dos governos do PT – acima de sua imensa, descomunal obra social – foi a corajosa postura desses governos de sepultarem os conchavos que vigeram nos órgãos de controle da República até a chegada do partido ao poder.

Nos dias que correm, vemos simpatizantes dos governos petistas maldizerem o tão propalado “republicanismo” petista, que não tem necessariamente o que ver com os conceitos acadêmicos baseados na visão de um Rousseau, por exemplo, e seu princípio da soberania e da participação popular, ou com outras vertentes desse conceito.

O republicanismo à brasileira tem mais que ver com a postura de um governante não impedir que suas ações sejam fiscalizadas através da escolha de apaniguados para dirigirem instituições como o Ministério Público ou a Polícia Federal ou não indicar ministros do Supremo que atuem como militantes partidários (alô, alô, FHC!).

Muita, mas muita gente mesmo não entendeu o que fez Lula, a partir de 2003, quando indicou o substituto de Geraldo Brindeiro, o notório engavetador-geral da República que realizou a “proeza” de ter barrado toda e qualquer investigação da Procuradoria contra o governo ao longo dos oito anos de Fernando Henrique Cardoso.

Quando o PSDB estave no poder, tratou de aparelhar os órgãos de controle colocando Brindeiro, primo de Marco Maciel, vice de FHC durante seus oitos anos como presidente, para blindar o Estado contra a fiscalização da sociedade.

Como se não bastasse, o ex-presidente tucano simplesmente nomeou Agilio Monteiro, um correligionário de partido, como delegado-geral da Polícia Federal, como mostra reportagem da Folha de São Paulo de 8 de março de 2002.

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Como se vê, além de usar o Estado para se proteger, os tucanos tratavam de usá-lo para atacar inimigos políticos…

Agora imagine, leitor, se, hoje em dia, meia dúzia de deputados federais fossem grampeados confessando que haviam votado de acordo com a vontade de Dilma Rousseff ao preço de 200 mil reais por cabeça. Dá para imaginar que isso não resultaria em CPI, em investigação da Polícia Federal e do Ministério Público?

Pois bem, como todos sabemos isso aconteceu no governo FHC e ninguém investigou nada. Nem a PF, nem o MP, nem o Congresso. A sociedade era impedida de fiscalizar seus governantes, antes de o PT chegar ao poder.

Para o Supremo, FHC nomeou apaniguados, sendo o mais notório Gilmar Mendes, ex-advogado do governo, quem, mais de uma década depois, ainda age como despachante do PSDB naquela Corte. E FHC ainda tentou nomear Brindeiro para o STF, mas não conseguiu devido ao escândalo que fora a nomeação de Mendes.

Essa situação praticamente ditatorial do governante de turno começou a mudar com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder, em 2003. Naquele ano, os governos do PT passaram a nomear procuradores-gerais da República, delegados-gerais da PF e ministros do Supremo desvinculados de partidos.

Neste momento, por exemplo, há uma polêmica crescente sobre a Procuradoria Geral da República. O mandato de Rodrigo Janot termina em setembro e congressistas envolvidos na Operação Lava Jato tentam impedir que ele seja reconduzido devido ao fato de que foram por ele denunciados no âmbito dessa investigação.

Como todos sabem, além de vários senadores, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tenta chantagear a presidente da República para que não reconduza Janot ao Cargo. Quer que ela interrompa a prática republicana do PT de indicar para dirigir o MP sempre o primeiro indicado da lista tríplice que o corpo da instituição formula toda vez que a Procuradoria Geral sofre uma sucessão, a cada dois anos.

Cunha está golpeando o adversário errado. Para entender, vejamos como o Brasil mudou sob os governos petistas.

De 1995 para cá, a Procuradoria Geral da República teve quatro titulares: Geraldo Brindeiro (1995 a 2003), Cláudio Fonteles (2003 a 2005), Antonio Fernando de Souza (2005 a 2009), Roberto Gurgel (2009 a2014) e Rodrigo Janot (de 2014 até o momento).

Note, leitor, que enquanto FHC teve um único PGR ao longo de seus oito anos, Lula teve três e Dilma deverá ter três, também. Enquanto que FHC ignorou a tudo e a todos ao manter Brindeiro protegendo-o da fiscalização da sociedade por oito anos, os presidentes petistas passaram a obedecer à indicação do corpo do Ministério Público.

Cunha não se deu conta disso, possivelmente. Acha que Dilma iria ignorar a indicação do MP e eleger um PGR que o protegesse. Doce ilusão. Dilma não poderia fazê-lo nem se quisesse porque o Brasil mudou.

Para entender isso, coluna da jornalista Monica Bergamo, da Folha de São Paulo, publicada nesta terça-feira irá nos ser útil.

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Eis o Brasil que aflorou da benfazeja passagem do PT pelo poder. Acabou a mamata. Suponhamos que em 2018 o PSDB chegasse ao poder. Teria que desmontar uma máquina bem azeitada de controle do Estado. Mas conseguiria?

Este blogueiro tem suas dúvidas. Alguns dirão que se o PSDB voltar ao poder tornará a colocar apaniguados nos órgãos de controle e nunca mais o governo será investigado. É possível. A mídia talvez silenciasse diante disso, como fez quando FHC estava no poder.

Porém, há dúvidas. O MP e a PF que o PSDB encontraria não seriam os mesmos que deixou. Alguns dirão que todo o MP e toda a PF são “tucanos”. Discordo.

O fato de hoje termos investigações prioritariamente contra o PT decorre do fato de o partido estar no poder. Assim, os policiais e procuradores partidários investem com fúria contra esse governo e não dão bola aos escândalos envolvendo a oposição onde ela é governo, mas se o PSDB voltar ao poder teremos policiais e procuradores que hoje estão parados, mas que amanhã terão muito o que fazer.

Em última análise, penso que não se pode criar políticas antirrepublicanas com base em que hoje o poder é “nosso” simplesmente porque o poder não é de ninguém mais, ninguém menos do que do povo.

Lula e Dilma poderiam ter colocado cupinchas na Procuradoria Geral da República, na Polícia Federal ou no Supremo. Não teria havido julgamento do mensalão ou Operação Lava Jato. Mas é isso que o Brasil espera de um governante sério, que acoberte a si mesmo?

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122 Comentário

  1. Edu, esta matéria que posto no Blog da Cidadania vai de encontro ao que você escreveu nesta sua matéria tão comentada pelos internautas que acessam o seu blog. Veja no que ela difere do seu ponto de vista.

    A Polícia Federal e o “estado policial
    Por Conceição Lemes, no blog Viomundo:

    O PT ganhou o governo federal, mas não tomou o poder.

    Nessa quarta-feira, 21, isso se explicitou mais uma vez.

    A Polícia Federal (PF) escondeu o nome do senador José Serra (PSDB-SP), que constava no relatório da perícia do celular do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato. Em compensação, age abertamente contra figuras de governos petistas. Na eleição de 2014, integrantes do órgão criaram no Facebook uma página, onde fizeram campanha veemente contra a presidenta Dilma Rousseff, inclusive com manifestações de ódio ao PT.

    “A PF se tornou um aparato estatal poderoso, seletivo ideologicamente, que desrespeita direitos individuais”, denuncia em entrevista exclusiva ao Viomundo o advogado criminalista Patrick Mariano.​

    “Desde o início da Operação Lava Jato, existe um tratamento seletivo”, atenta o advogado. “Isso está mais do que evidente.”

    “A autonomia absoluta, total, da Polícia Federal foi o canto da sereia pelo qual o projeto petista se deixou levar”, afirma. “A PF é um Departamento do Ministério da Justiça e como tal deve ser tratada e gerida. No governo Lula se criou essa ideia de autonomia, só que na época havia um controle maior do que hoje.”

    “O governo Dilma interpretou esse termo como subserviência completa”, prossegue. “Autonomia virou mantra para justificar quaisquer ilegalidades dos integrantes do órgão. A Lei 13.047, de 2 de dezembro de 2014, passou a exigir que o diretor-geral tivesse que ser escolhido dentro da carreira e deu status de natureza jurídica ao cargo de delegado.”

    “Ou seja, o governo Dilma abdicou de exercer qualquer controle sobre a PF”, avalia. “E hoje temos um órgão público poderoso, sem nenhuma participação ou controle da sociedade civil.”

    “No ritmo atual de ilegalidades e arbitrariedades, a Polícia Federal caminha para ser uma nova PIDE – a Polícia Política Portuguesa”, alerta. “Simplesmente ingovernável.”

    Patrick Mariano é doutorando em Direito na Universidade de Coimbra, Portugal; mestre em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília; e integrante da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares-RENAP. Confira a íntegra da nossa entrevista.

    Durante a ditadura militar, milhares de brasileiros de esquerda foram presos e torturados, 434 mortos ou desaparecidos. Atualmente, assistimos ao vazamento seletivo das delações premiadas feitas em segredo de Justiça e à colocação de grampos em celas da Polícia Federal, onde estão presas pessoas acusadas na Lava Jato. É impressão ou se está passando por cima de garantias constitucionais como na ditadura?

    Lamentavelmente, sim. A Constituição de 1988 trouxe e irradiou uma série de garantias individuais e direitos fundamentais para a sociedade brasileira, mas muito do entulho legislativo autoritário permaneceu. E não só legislativo, também na mentalidade dos atores jurídicos é muito presente esse entulho. É o espectro de uma ideologia que formou a história do Brasil com violência, mortes e prisões contra inimigos políticos ou contra aqueles que ousam reivindicar direitos sociais.

    O que se assiste agora é um protagonismo desse pensamento repaginado na aprovação de leis que ampliam o poder de polícia. Isso se reflete no Congresso Nacional, no Judiciário e agora, com mais evidência, na Polícia Federal. Claro que a inação do projeto petista contribuiu sobremaneira para isso.

    Está ocorrendo por parte do aparato policial do Estado ampliação do poder punitivo sem limites ? Faz sentido hoje o uso da expressão “estado policial”?

    É preciso retroceder no tempo para te responder. Em 2008, ao conceder liminar para colocar em liberdade Pedro Passos Júnior, investigado na Operação Navalha, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal (STF), afirmou que a Polícia Federal usava “terrorismo estatal como método”.

    Válido lembrar todo o imbróglio da Operação Satiagraha que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, e o fato do juiz Fausto de Sanctis ter desobedecido a ordem do STF e mandado prender o banqueiro. Naquela época, o ministro Gilmar foi um crítico duro da forma de atuação da Polícia Federal e usou a expressão “estado policial”.

    Pouco depois, veio a acusação de que o ministro Gilmar e o então senador Demóstenes Torres teriam sido grampeados pela ABIN, com direito a capa da Veja e tudo o mais. Na ocasião — que depois não se comprovou–, o ministro chegou a dizer que vivíamos num “estado totalitário”. Ele usou essa expressão, se não me trai a memória. Isso levou à queda injusta do doutor Paulo Lacerda, porque era — e é — uma pessoa séria.

    A expressão “estado policial” é correta?

    Acredito que caminhamos para isso. Lembre-se de que a polícia política portuguesa – a PIDE – utilizava métodos como tortura, grampos ilegais e perseguição contra inimigos? E que, da mesma forma, a polícia da Alemanha nazista controlava a sociedade através do medo e do exercício do poder punitivo sem limites?

    Bem, a PF, se continuar nesse ritmo de ilegalidades e arbitrariedades, assistiremos ao protagonismo de um órgão político sem controle e com tremendo potencial para destruir a reputação e honra das pessoas. Num regime democrático, isso é inaceitável.

    Leem-se notícias de interceptações das comunicações entre advogado e cliente, vazamentos seletivos e escutas ilegais nas celas de pessoas presas. São exemplos claros de exercício do poder punitivo sem controle algum. Cada vez mais, a PF opta pela espetacularização e politização de suas ações. Pegue o exemplo da desnecessária invasão da casa do João Vaccari Neto [ex-tesoureiro do PT] e a apreensão dos carros do senador Fernando Collor (AL-PTB), com nítido objetivo de fazer a foto e comparar com a Elba. No outro dia, a notícia foi que o IPVA do carro estaria vencido.

    Ora, um absurdo sem tamanho! Nítido e claro o objetivo da PF de fazer alusão ao impeachment de Collor, tanto que logo depois aquele menino Kim Kataguiri postou foto com essa ligação. A quem interessa a foto?

    Diferentemente do que ocorreu na era FHC, os governos Lula e Dilma garantiram autonomia absoluta à Polícia Federal. Essa autonomia total já não está ultrapassando os limites da legalidade?

    Esse foi o canto da sereia pelo qual o projeto petista se deixou levar. A PF é um Departamento do Ministério da Justiça e como tal deve ser tratada e gerida. O governo Lula criou essa ideia de autonomia, só que na época havia um controle maior do que hoje.

    O governo Dilma interpretou esse termo como subserviência completa. Autonomia virou mantra para justificar quaisquer ilegalidades dos integrantes do órgão. A Lei 13.047, de 2 de dezembro de 2014, passou a exigir que o diretor-geral tivesse que ser escolhido dentro da carreira e deu status de natureza jurídica ao cargo de delegado.

    Ou seja, se abdicou de exercer qualquer controle sobre a PF. E hoje temos um órgão público poderoso, sem nenhuma participação ou controle da sociedade civil. Somado a isso, o projeto petista foi ingênuo ao permitir a ampliação dos poderes da polícia e do MP com a importação, sem critério algum, de técnicas de investigação de questionável constitucionalidade, aceitando o discurso punitivo que historicamente sempre foi da direita.

    Isso significa que o governo Dilma abdicou do poder legitimamente outorgado de escolher o diretor-geral da PF?

    De parte dele. Após a sanção da referida lei a escolha só pode recair sobre integrantes da instituição, o que significa mais empoderamento ao órgão.

    Tancredo Neves, quando indicou Fernando Lira como ministro da Justiça, disse que a chefia da PF era cota pessoal dele e o restante ele poderia indicar. Ou seja, o poder político está aí para ser exercido. Quando se abdica de fazê-lo, alguém o fará.

    Outra bobagem sem tamanho é esse proselitismo quanto a indicar o primeiro de lista tríplice para alguns cargos. Vê se o Alckmin indica o primeiro da lista para a Defensoria Pública? Um presidente recebe milhões de votos porque existem milhões de pessoas que querem aquela proposta de governo para o país. Com tamanho respaldo democrático, inacreditável se apequenar diante da responsabilidade histórica. Quem votou em Lula e Dilma quis ampliação democrática e instituições arejadas e condizentes com a Constituição de 1988, mas por ingenuidade ou covardia abriu-se mão desse projeto.

    O que mudou de 2008, quando ocorreram as operações Navalha e Satiagraha e Gilmar Mendes denunciou o “estado policial”, para as operações atuais da PF?

    De fato, com relação à prisão de Daniel Dantas, tecnicamente falando, estava correto o ministro Gilmar quando fez valer a autoridade da sua decisão. Desde então se passaram sete anos. Os métodos da Polícia Federal, no entanto, continuam questionáveis. Basta atentar para as denúncias de grampos ilegais nas celas dos acusados da Lava Jato, os vazamentos seletivos de colaborações premiadas e de peças dos autos.

    Na verdade, o que mudou de lá para cá foi a ampliação evidente dos poderes políticos e instrumentais da PF, sem que a sociedade tivesse a contrapartida de, ao menos, exercer algum tipo de controle social, como ouvidoria externa para o órgão.

    Aliás, concordo com o jurista Pedro Serrano que, em recente entrevista afirmou que entidades da sociedade civil, como OAB, CNBB, as ONGs, a ABI não só podem mas devem participar da PF. Por que o MP e o Judiciário possuem órgãos de controle e a PF não? Isso a tornaria mais democrática e serviria de contrapeso ao tamanho do poder que o órgão obteve nos últimos anos.

    Como se deu a ampliação do poder político da PF?

    Na legislação ordinária e na sanção de leis que ampliam o poder de polícia, como a Lei das Organizações Criminosas. O órgão conta com assessoria legislativa no Congresso e é muito atuante nas bancadas para defender os seus interesses de forma até autônoma do governo.

    Pegue como exemplo a Lei 12.830, de 20 de junho de 2013, que conferiu aos delegados o mesmo tratamento protocolar de magistrados, membros da Defensoria Pública e do Ministério Público. Embora possa soar como bobagem o fato de o delegado ter que ser chamado de Vossa Excelência como os juízes, não existem palavras vãs e elas irradiam ideologias e projetos políticos. Daí, já se vê que há uma estratégia política clara de ampliação do poder da PF a ponto de querer se tornar um novo Ministério Público.

    Se o quadro atual guarda semelhanças com 2008 por que o ministro Gilmar Mendes não se insurge de forma veemente contra essas novas ações da PF?

    O ministro Gilmar fez um bom trabalho nos mutirões carcerários, mas na seara política sua indignação é seletiva. Quando os acusados são ligados ao campo da esquerda, o que se vê é um perfeito conservador punitivista, com decisões que retrocedem em matéria de direitos fundamentais e garantias individuais.

    Basta analisar o posicionamento dele no julgamento da AP 470 e seus pronunciamentos públicos. Uma pena, pois o ministro poderia fazer frente ao absurdo estado das coisas, se tivesse um mínimo de coerência. É o caso de típico de um garantista de conveniência ou um punitivista seletivo.

    Ficamos sabendo ontem que a Polícia Federal, que age sempre abertamente contra figuras de governos petistas, escondeu o nome do senador tucano José Serra que constava no relatório da perícia do celular do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. Que tal essa diferença de tratamento?

    Muito boa essa observação. Na época da campanha presidencial, uma página da rede social formada por integrantes do órgão fez campanha veemente contra a presidenta Dilma, inclusive com manifestações de ódio contra o PT. Nada foi feito.

    Existem pessoas que acham que ideologia é um conceito ultrapassado, ledo e terrível engano. A PF se tornou um aparato estatal poderoso, seletivo e que desrespeita direitos individuais sem qualquer controle. Quando o diretor-geral deu uma entrevista ao Estadão, ela foi elogiada no plenário da Câmara pelo Bolsonaro Filho e por outros parlamentares de posições ideológicas semelhantes. Se isso não é uma sintonia ideológica, não sei o que é. Desde o início dessa operação, existe um tratamento seletivo. Aliás, na AP 470, o próprio STF atuou dessa forma, isso fortaleceu um método de ação política que hoje tem foco preciso e determinado.

    Como garantir que a Polícia Federal aja de forma igual para petistas, tucanos, peemedebistas, todos os cidadãos enfim, e, ainda, sempre dentro da legalidade?

    Na minha opinião, três ações seriam importantes. Uma primeira é por freio à legislação que amplia o estado policial. Uma segunda é possibilitar a participação da sociedade e criação de ouvidoria externa com poderes amplos. A terceira é deixar de ser subserviente e de fato ter uma ação política no órgão que faça com ele se conforme a Constituição da República de 1988. Ou seja, que se torne um órgão da democracia e não que nos faça lembrar tempos sombrios da história recente. A PF caminha para ser uma nova PIDE, ingovernável. E isso é extremamente perigoso.

  2. “Republicanismo do PT veio para ficar; briga de Cunha é com o MP,”
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    Ufa! Enfim uma boa notícia ….ainda que com todas as resssalvas do Locatelli. Até porque, o poder de fato, autoritário, sádico e apátrida é ainda hegemônico no Brasil.
    Por tudo isso, nesse Brasil politicamente esquizofrenizado, republicanismo é uma estratégia… talvez a mais inteligente.

  3. Acho bom ser republicano agora não fazer um pente fino para a indicação e colocar pessoas contraditórias e sem firmeza de caráter como aconteceu com as indicações de Joaquim Barbosa, Fux, o próprio Toffoli aí também é bobeira e insegurança para o país. Até as pedras sabem, hoje, que o STF, com raras exceções, praticamente está dominado pela Globo, pela mídia.

  4. Eduardo
    Não podemos nos esquecer de um detalhe importante.
    A origem de 100% dos integrantes do Judiciário, MP e PF é da classe que sempre odiou o PT e qualquer outro partido de esquerda.
    Não há nenhuma isenção por parte dos integrantes dessas instituições.
    Se o PSDB retornar ao poder, voltaremos a mesma situação de antes e com amplo apoio da mídia.
    Não tenho a menor dúvida disso.
    Infelizmente.

  5. Vamos com calma. Ministério Público e Polícia Federal não constituem Poderes da República, portanto, aceitar o resultado da escolha de uma corporação pode ser chamado de deferência, mas jamais de republicanismo.
    É dever constitucional do Presidente eleito nomear o chefe da Procuradoria, logo, é claro como água que este cargo não tem equivalência de poder e está submetido tanto ao Executivo quanto ao Legislativo, e é bom que assim seja, para o bem da República.

    O caso da polícia federal é mais grave, para mim. Como corporação armada, deveria ser muito controlada pelo governo. Polícia nenhuma merece autonomia e nem confiança total da sociedade. Se um dia a PF fizer uma grande merda e alguém morrer por isso, quem vai pagar a conta é o PT, a corporação não vai assumir nada. Portanto, esse papo de republicanismo é de ministro preguiçoso, que está no cargo a passeio.

    O problema do PT é desconhecer o funcionamento do Estado. Nisso o PSDB é doutor. O PT governa um Estado criado pelo PSDB. O papel que figuras como Nelson Jobim e Gilmar Mendes do lado jurídico, e Bresser Pereira no lado administrativo, deveria ser material para muitas teses.

    Republicanismo é ter um Estado funcionando para realizar o projeto vencedor nas urnas. Na época do governo FHC, ninguém conseguiu barrar o modelo deles, por mais nefasto que fosse à sociedade e ao país. Por que o projeto eleito do PT tem que ser questionado o tempo todo? A mídia já não é suficiente? Não se iludam, a mídia sozinha não tem este poder todo, e o resultado das eleições mostra isso. O que estamos vendo é que, parte do Estado, como MP e Judiciário, entraram na disputa pelo poder sem ter voto, e acabam se aliando à mídia e agravando a criso política que deveria estar restrita ao Congresso; lá é o lugar da política, de se quebrar o pau. Como é que podemos disputar politicamente com MP e Judiciário? Isso é impossível e não é republicano.

    • Que sabedoria e poder de síntese, Arthemísia! Em poucos parágrafos resumiste uma questão complexa. Eu gostaria de ter escrito um comentário como este teu. Parabéns!

  6. Olhaí: Ministro Fux, do STF, acaba de enterrar a Operação Satiagraha. Daniel Dantas, o herói da privataria tucana, agradece emocionado. Quem nomeou Fux?

    • Foi o republicanismo insensato do Governo Dilma?

      Republicanismo insensato que favorece de forma nada republicana o PIG e os udenistas que estão no Judiciário e no ministério público.

  7. o republicanismo de de lula e dilma é louvável em muitos casos, porém esconde boa dose de covardia também. policiais federais usam fotos da presidente como alvo de tiro e a presidente ou o ministro da justiça não emitem nenhuma posição, nem tomam nenhuma providência. Não considero isso republicanismo.

  8. Republicanismo sensato tudo bem, mas republicanismo insensato, que dá toda verba publicitária do Estado para as organizações mafiosas da famiglia Marinho é burrice. É este republicanismo insensato que o Governo Dilma vem realizando, pois não cobra do ministério público, do judiciário e da imprensa mafiosa do PIG que se mantenham no mesmo republicanismo que o Governo Dilma tem que se manter.

    Não é nada republicano dar toda a verba publicitária do Estado para apenas quatro ou cinco famiglias do PIG. Esta verba publicitária tinha que ser pulverizada para todos os meios de comunicação do país, promovendo a diversidade regional, cultural e ideológica do Brasil.

    Também não é nada republicano a não atuação do zé da justiça, o Zé Devagar Quase Parando Cardozo. Ele ainda é ministro da justiça (ou não assumiu ainda)?

  9. Pode ser republicano, mas só indica pessoas erradas, que não são republicanas, são verdadeiros senhores de uma república das bananas, cade o supremo que não investigou o mensalão mineiro?, o Janot por algum acaso está investigando o Aecim? na realidade os indicados do PT no Supremo, Policia Federal e ministério público, hoje representado por Janot, contiuam “brindando”, ou melhor, blindando o PSDB, mesmo porque isso não vem ao caso

  10. Republicanismo até certo.
    Agora, nomear inimigos do governo é sandice pura.
    Veja o que esses moleques lá do Paraná estão fazendo com essa operação lava jato.
    E a PF da mesma forma.
    Os ditos servidores públicos que botam o retrato da presidenta como alvo, chamando-a de “anta” são, no mínimo desordeiros e deveriam ter sido punidos pelo PGR e afastados desse processo.
    O chefe da PF, após a entrevista ao PASQUIM em estado terminal lá de SP também.
    No mínimo demitido do posto pelo ministro.
    Neste caso pelo chefe, o inepto ministro da pasta dita da justiça.
    Aliás, como afirmou o Ciro Gomes, com esses auxiliares a presidenta vai muito mal.
    Nos meus 74 anos eu nunca vi um ministério tão ruim. Na casa civil então cada um pior do que o outro.
    Espero que a presidenta não cometa o mesmo erro mantendo esse “janota” como PGR. Esse corporativismo precisa acabar definitivamente.

  11. Com os governos do PT o Brasil vive a sua fase mais democrática, republicana, transparente, o maior combate a corrupção e de representação popular de todos os tempos!

  12. Lamento informar que este raciocínio exposto no artigo é apenas uma crença; a realidade é bem outra. A PF hoje não tem comando; o ministro da justiça é apenas um espantalho, que recebe salário da União. O que dizer de uma instituição em que agentes treinam tiro ao alvo com a caricatura da presidente Dilma? O que dizer de uma PF em que alguns delegados difamam e desrespeitam a chefe de Estado, declarando apoio político ao candidato que concorreu com Dilma em outubro de 2014? E o que dizer de um instituição como o MP, que não é controlada por ninguém e na qual um venenoso Timbó, que está sujeito a advertência e punção administrativa por atrasar investigações e processos, na marra, desrespeitando a hierarquia e atribuição funcional abre processo criminal contra o ex-presidente Lula? As escolhas e Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Rosa Weber e Carmen Lúcia, para o STF, foram acertos ou erros?. Essa é fácil responder: ERRO CRASSO.

  13. A “Opinião do blog” foi infeliz. A extensa e objetiva análise que se lhe seguiu foi brilhante. Republicanismo, no sentido correto, implica funcionamento dos órgãos públicos cingido à autonomia que lhe determina a lei. Além disso, a subordinação desses órgãos aos Poderes de Estado, conforme determinação constitucional, é um imperativo inescapável para a existência de uma democracia saudável.

    Todos os comentários seguintes têm seu valor específico; partiram de pessoas esclarecidas, democráticas, verdadeiramente republicana. Com destaque para a admirável objetividade das observações de Arthemísia.

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