Dilma não vai entrar em um jogo que só interessa à direita

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golpista

 

O Brasil é um país rico. Tem um dos maiores mercados internos do planeta, uma indústria altamente dinâmica e diversificada, uma verdadeira montanha de dólares estocados (colchão cambial) e uma das maiores reservas de petróleo ainda por explorar. Talvez por isso o país esteja resistindo a um crime de lesa-pátria poucas vezes visto.

Se este país não fosse tão rico e se a sua economia não tivesse sido reorganizada ao longo da primeira década do século XXI, com todas as crises políticas que vem vivendo por certo já teria afundado em uma crise econômica, com explosão inflacionária, desemprego em massa, arrocho salarial e uma profunda recessão.

Estamos vivendo essa crise política ininterrupta há um ano e seis meses. As ruas das grandes cidades, de uma hora para outra, viraram palco de protestos de milhares de pessoas de variadas orientações políticas e ideológicas. E, ao contrário dos protestos esparsos de outrora, os da atualidade não têm pauta definida, limitando-se a bradar “contra a corrupção”.

À exceção dos protestos dos sem-teto de São Paulo e alguns poucos similares, esses atos que infernizam o país há um ano e meio são de cunho meramente político. Buscam apenas desgastar o governo Dilma Rousseff, que, ainda assim, acaba de obter nas urnas o apoio da maioria dos brasileiros.

O que se espera de democracias maduras é que os conflitos políticos cheguem a se exacerbar durante processos eleitorais, mas que, manifestada a vontade popular nas urnas, essa vontade passe a ser respeitada. Em situação de normalidade democrática, passadas as eleições os governos recém-eleitos chegam a desfrutar de uma “lua-de-mel”, ou seja, os derrotados no pleito esperam um tempo decente para retomar os ataques políticos.

Como se sabe, não é o que está acontecendo. Desde a redemocratização de fato, em 1989, nunca se viu uma guerra política desse calibre um mês após uma eleição presidencial.

Desde a primeira semana após a votação em segundo turno vem ficando claro que os derrotados se recusam a aceitar a vontade da maioria expressa na eleição. As urnas nem haviam sido apuradas, em 26 de outubro, e “analistas políticos” falavam em “impeachment” de Dilma nas televisões.

Abriram-se, então, várias frentes de questionamento ao mandato popular concedido pela segunda vez à presidente. A guerra no Congresso em torno do que a imprensa chamou de “manobra fiscal”, ou a devassa das contas da campanha petista anunciada e levada a cabo na Justiça Eleitoral, têm objetivos inconfessáveis.

Neste sábado, por exemplo, foram convocadas novas manifestações contra a presidente da República. A convocação partiu do adversário que ela derrotou nas urnas há 40 dias.

Ignorando o envolvimento de seu partido em denúncias de corrupção, Aécio convocou a voltar à rua hoje o que a Folha de São Paulo chamou de nova militância – bandos de extrema-direita que pedem volta da ditadura militar. O objetivo escancaradamente anunciado é o de não deixar diminuir a “mobilização” contra o mandato popular da adversária.

A intenção da oposição e dos maiores grupos de mídia vai ficando bastante clara. A recusa oposicionista em aprovar a mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias, arrancada a fórceps pela base aliada, e as seguidas obstruções no Congresso a todas as matérias de interesse do governo, revelam a intenção de paralisá-lo.

Declaração recente de Aécio Neves no sentido de querer a presidente da República “no chão” significa, por exemplo, fragilizar a relação do governo brasileiro com a comunidade internacional.

Em um quadro político como esse, mesmo com uma equipe econômica “palatável” aos grandes empresários e ao mercado financeiro, não é difícil supor que a grande aposta nessa equipe, de que faria com que os investimentos privados fossem retomados, será frustrada. E sem investimentos não haverá crescimento econômico.

Antes da eleição presidencial, grandes empresários congelaram investimentos de forma a criar uma situação de estagnação econômica que pudesse favorecer a eleição do candidato desse setor da sociedade, o candidato do capital, que quase foi Marina Silva e acabou sendo Aécio Neves.

Houve, também, empresários que pararam de investir por medo do cenário político e do terrorismo econômico da mídia, mas os maiores empresários e investidores pararam de investir para frear o crescimento e dar discurso à oposição.

Agora, com a reeleição de Dilma materializada e com a recusa da oposição e de setores da mídia a aceitar a vontade das urnas, o que pode ocorrer, apesar da equipe econômica “palatável”, é haver medo generalizado de investir, até porque surgem dúvidas quanto à continuidade de um governo que todo dia está sofrendo ameaças de ser derrubado.

O PSDB e os grandes grupos de mídia querem a paralisia do governo a fim de afundar a economia. Anseiam por recessão e desemprego de forma a facilitar um processo de impeachment ou, na melhor das hipóteses, que o país permaneça em crise pelos próximos quatro anos, sem crescimento, com aumento dos problemas sociais e econômicos, de forma a garantir a retomada do poder em 2018.

O Brasil, pois, está sendo sabotado em benefício dos interesses políticos de grupos que, apesar do crescimento oposicionista nas eleições deste ano, ainda não foram capazes de retomar o poder. O sofrimento que essa sabotagem irá impor ao povo é objeto do desejo do PSDB, do DEM, do PPS, do PSB e da grande mídia.

Nesse momento, Dilma, solitariamente, terá que decidir se aceita a guerra aberta que a oposição deseja, com tudo que implica, ou se vai contornando a situação.

Porém, essa reação à altura de Dilma e do PT, amplamente desejada pela militância que apoia a presidente e seu partido, implica em riscos. Por certo que sob a liderança do governo e de sua titular a reação levaria à rua movimentos sociais, sindicatos, enfim, todas as forças que compõem a esquerda. Porém, é preciso refletir sobre tal caminho.

Se você fizer hoje uma caminhada diurna pela avenida Paulista vestindo uma camiseta vermelha, mesmo que não seja uma camiseta do PT com absoluta certeza ouvirá insultos. Se a caminhada for noturna, a chance de agressão física será enorme.

Imagine agora, leitor, se na próxima vez que a oposição levar seus bate-paus para empastelar o Congresso o PT fizer o mesmo, levando movimentos sociais como MST ou CUT para enfrentá-los. Eis que veremos inaugurada uma guerra civil no país. Compatriotas irão se digladiar. Talvez até a tiros. Poderia haver mortos e feridos.

Quem tem visto a truculência dos fascistas de extrema-direita que devem voltar hoje às ruas de São Paulo não tem dúvida de que se uma manifestação como essa deparar com outra de viés político-ideológico inverso, sangue irá correr.

Esse, aliás, é o objetivo claro da direita tucano-midiática. Havendo um caos dessa magnitude dirão que Dilma perdeu o controle do país e não tem mais condições de governar. Eis por que as provocações de Aécio e da mídia não param. Querem que a esquerda entre no seu jogo e o país mergulhe no caos, com violência nas ruas e a economia afundando.

É hora, pois, de manter a cabeça fria. O grupo político que está promovendo esse clima no país é composto por facínoras, hipócritas, capazes de acusar os adversários de corrupção apesar de serem protagonistas de incontáveis escândalos, os quais só conseguem abafar graças ao apoio da mídia corporativa, que lhes proporciona blindagem.

Há momento de atacar e de defender. Se o adversário quer reação, há que negá-la. As provocações de Aécio e seus comparsas não estão sendo premiadas por Dilma porque pretendem convulsionar o país a poucas semanas de a presidente tomar posse do segundo mandato. Não seremos ingênuos fazendo o jogo desses vagabundos.

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159 Comentário

  1. Você sugere o que, então? Apanhar calado!!!!!! Discordo frontalmente dessa sua posição passiva, afinal, o Brasil não é São Paulo. Moro em Recife e até ontem mantive meu carro LOTADO DE ADESIVOS DE DILMA SEM QUE JAMAIS OUVISSE SEQUER UMA CARA FEIA AO MEU GESTO(E AI DE QUEM FIZESSE ESSA CARA FEIA!!!) TIREI-O QUANDO QUIS E APENAS POR RAZÕES ESTÉTICAS. O BRASIL NÃO É SÃO PAULO, ALIÁS SÃO PAULO PODE SER TUDO(PARA MIM NÃO PASSA DE UMA CARICATURA MUITO PATÉTICA DOS EUA), MENOS O BRASIL. Se nessa sua terrinha poderia haver confrontos, garanto que na maior parte do Brasil os que apoiam Dilma fariam manifestações sem serem incomodados. Claro que há antipetistas aqui, mas eles ficam no armário(no máximo colocam adesivos contra a Presidenta em seu carros, ainda assim é difícil encontrar carros com esse tipo de a ataque). Bancar o pacifista é que só estimulará a direita a ficar ainda mais afoita(você conhece aquele poema de Maiakovisk?). Nossa reação em conjunto, organizando passeatas de apoio a Dilma em todo o Brasil, é que os deixará amedrontados, acompanhadas por declarações públicas da Presidenta; que tem que para de ficar amedrontada dentro do palácio; chamando A MÍDIA DE GOLPISTA, JUNTAMENTE COM AÉCIO NEVES E O PSDB, E ACUSANDO A POLÍCIA FEDERAL E O MP DE INSTRUMENTALIZAREM A LAVA JATO, ATRAVÉS DO VAZAMENTO ILEGAL DE PARTE SELECIONADAS DE UM PROCESSO QUE ESTÁ EM SEGREDO DE JUSTIÇA. Essa é que tem que ser a postura. É revoltante ouvir de um blogueiro de esquerda a “sugestão” de que devemos ficar calados, como o advogado de um vídeo mostrado aqui; ouvindo insulto de fascista e vendo-os relincharem suas asneiras pela rua. Fascista que falar merda comigo sentirá uma reação pior. Aliás, já discuti com muito fascista no trabalho(o máximo que os daqui fazem é repetir as asneiras da Globo contra o PT)e deixei-os calados, chamando-os de retardado para baixo. A falta de reação foi que garantiu o sucesso do golpe de 64 e também do golpe de 54(afinal Getúlio suicidou-se para impedir um golpe e ainda assim a direita conseguiu voltar ao poder através do vice, Café Filho, durante dois anos antes das eleições). Em ambas as situações era possível reagir, como fez Brizola em 61 com a campanha da legalidade. Temos que ir para a rua, chamando o PSDB de uma corja de ladrões que roubaram este país desde as privatizações; denunciando que Aécio neves é um bandido(cheio de escândalos, que vão da Lista de Furnas até as fraudes na construção do novo Palácio do Governo em Minas)e um drogado; denunciar as fraudes da Globo e seu apoio à ditadura militar; chamar os fascistas que atacam o Governo de fascistas; dizer que a direita quer dar um golpe de estado para entregar o petróleo aos EUA, que estão por trás de tudo isso, desde as “manifestações” dos mauricinhos em junho. É isso que temos que fazer, espero apenas que um comando organizado; se não for o PT, que sejam os movimentos sociais e a mídia alternativa; convoque essas manifestações de apoio à Presidenta para ir à s ruas. Lula não caiu em 2005 porque chamou o povo para lutar; colocamos adesivos “mexeu com Lula, mexeu comigo” e fomos para as ruas. Temos que fazer o mesmo com Dilma e incendiar este país, garanto que juntamos mais gente graças ao apoio dos movimentos sociais. O que não dá é esperar que o golpe aconteça apostando na “legalidade”(como fez Allende no Chile). A verdadeira legalidade é conquistada. Temos que conquistá-la agora e não nos escondermos feitos frouxos. Vamos para o pau contra essa direita. Eles são moles e vão recuar, como fizeram em 2005. Mostremos nossa força nas ruas deste país e deixemos o PSDB e quem o comanda tremendo de medo. Se não agirmos agora, só veremos a direita destruir o Brasil. Devemos articular essa ação o quanto antes., se não quisermos ver o golpe posto em prática pelos fascistas. Não dá para esperar ou para ficar achando que a passividade resolve, passividade é fazer o jogo deles. Se atacarmos eles vão tremer. Vamos mostrar que também sabemos nos organizar.

    • Concordo, este negócio de ser frouxo não é pra mim, tenho 60 anos, é lógico que tenho de evitar certos confrontos físicos, mas é duro ver um bosta dizer impropérios contra sua pessoa e aguentar calado, tenho quase certeza que revido.

    • estou com você e não abro, companheiro!

    • Caro Eduardo,
      Precisamos SIM fazer o contraponto! Vocês Blogueiros aguerridos talvez não tenham total ciência disso, mas são (junto conosco – comentaristas – militantes nas redes sociais ) os verdadeiros sustentáculos da democracia no status quo vigente no Brasil.
      Imagino que a Inteligetsia do goveno (Dilma à frente, com apoio do LULa) esteja adotando “o prudência e caldo de galinha” conforme tua análise, até o dia da posse, e esperem que a manifestação de apoio de seus eleitores se dê justamente nessa ocasião. Mas o papel dos BLOGUEIROS LIVRES na minha opinião tem que continuar sendo de VANGURDA e de proposição de CONTRAPONTO (imagino o que é morar em São Paulo nesse momento histórico do país e por isso respeito muito sua ponderação)! Todos sabíamos da tese do sangramento desde o FHC (Cerra) contra o Lula. A diferença é que hoje esse “sangramento”ultrapassou o terreno da mídia golpista que publica nas primeiras páginas de seus jornais os factóides, com o intuito de chancelar o discurso anti-PT e anti-corrupção que levaria a um fato justificável diante da opinião internacional, para o pedido do impeachment (tudo feito conforme o manual de golpes brandos da CIA). Além da mídia (PIG) agora eles têm juízes tucanos agindo coma maior desfaçatez ( lembram o que o MORO escreveu para ao voto da Juíza no STF???) E o que tem dito o GILMAR (HC para o DANTAS 2x) sobre o PT e DILMA para sempre a FOLHA? Po causa de uma matéria da Folha o JB deixou o pedido do DIRCEU para trabalhar engavetado por dois meses?? Mais recentemente também promovem as patéticas manifestações minúsculas que nas lentes do PIG ganham a dimensão que precisam para veicular a tese de que há descontentamento do “povo”, como fizeram no Congresso. Isso está parecendo mesmo a poesia do MAIAKOVSKI!!! Eles – a tucanalha – está fazendo o que sempre fizeram, mas nós não podemos/devemos deixá-los sem resposta, sem CONTRAPONTO. Tenho lido posts de BLOGIEIROS AGUERRIDOS desestimulantes!!!??? Se é consenso que o governo deve se comunicar nas próximas horas/dias, porque não pressionam, pedem reunião? Mandam carta: “Nós os blogueiros independentes achamos conveniente isso e aquilo, no lugar de escrever com medo de golpe e pessimismo? Se o cheiro ém mesmo de golpe então está na hora de chamar a militância às ruas sim, pacificamente mas muito ENFATICAMENTE para dizer em alto e bom som: NÃO PASSARÃO! Por isso concordo com outros comentaristas acima sobre agir mais na ofensiva. Nós e os movimentos organizados poderemos fazer o mesmo: sangrar o PSDB e seus pilantras – Está na hora sim de voltar a falar do PRIVATARIA TUCANA, do OPERAÇÃO BANQUEIRO, da compra da reeleição de FFHHCC, por 200mil, do TRENSALÃO paulista, do Rodo Anel, das maracutaias do ARRUDA em Brasília, do Marconi Perilo – CACHOEIRA e Demóstenes / Gilmar Mendes em Goiás, de desmacarar o Gilmar Mendes, dono de um Cursinho ilegal no DF, provável assalariado do DANTAS, que em princípio e por princípios lógicos – não tem nenhuma ISENÇÃO para julgar as contas do PT e da DILMA, visto que é publicamente contra o governo e militante do PSDB – foi indicado pelo FHC). Está na hora de voltar a de divulgar os interesses dos EUA em fragilizar a DILMA enquanto líder dos BRICS, e por conta de terem ficado fora do PRÉ-SA (CHEVRON), atentando sorrateiramente contra a soberania de nosso país e contra os 54 milhões ( seriam no mínimo 60milhões não fosse o GOLPE da VEJA – chegaram a matar o doleiro no dia 26/10, da eleição???)
      Esses senhores, FHC, Serra, Aloysio, aeCIA (Alkimin, não menos vil, não se expõem atualmente porque precisa de dinheiro para hidratar São Paulo e porque é a reserva tática para 2018) todos trabalham pela mesma estratégia a do “sangramento” e vão continuar atacando. Depois da CPI da segurança pública no RS e da CPI dos correios ( mensalão) eles já adquiriram expertise em fragilizar o PT e seus líderes. Sabem que ainda não têm o mesmo coeficiente eleitoral do LULA e agora da DILMA, para ganhar no voto ( graças à consciência política do povo – azeitada dioturnamente pela GLOBOSFERA), por isso lançam mão do judiciário, PF(que vergonha os policiais federais da lava jato do Paraná todos tucanos de carteirinha) Somando-se a isso a briga é feia junto ao empresariado, cuja maioria, em tese, estaria mais propenso a aceitar a eleição e jogar o jogo do segundo mandato da DILMA (deves ter mais informação sobre isso do que eu). No congresso, enquanto o PMDB estiver honrando a parceria o governo segue, tenso, mas com boas chances de avançar. Não entendo porque o Henrique Fontana não enfrenta de uma vez por todas o Cunha e se lança à presidência da câmara, já que a vez agora é do PT?
      Enfim, Eduardo, com todo respeito, gostaria de ver a BLOGOSFERA articulando o que fazer e não se queixando ddo silêncio da DILMA – de uma possível estratégia canja de galinha e prudência? Vamos continuar fazendo o contraponto e parar de jogar na retranca. Vamos sangrar o psdb no imaginário COXINHA. Muitos deles não são psdb e não têm convicção do que fazem e porquê fazem o jogo do anti -PT e do impeachment, ao contrário de nós que conhecemos a história recente de nosso país e NÃO VAMOS DEIXAR PASSAR golpe nenhum! Chega de mártires, Sepé Tiaraju, Tiradentes, Zumbi, Getúlio, Juscelino, Jango, Brizola e ponto. Lula e Dilma estão vivos e precisam de nós VIVOS e atuantes!

    • Sun tsu daria razao ao Eduardo Guimaraes. Nao podemos reagir a provocaçoes!!! Agir deve ser soh na hora certa.

  2. DEVOLVE, GILMAR!

    Vídeo muito engraçado. Veja: https://www.youtube.com/watch?v=WW-T9_AMgwQ

  3. A ópera do impeachment perto do primeiro grand finale
    DOM, 07/12/2014 – 10:11
    Luis Nassif

    A ópera do impeachment começa a avançar para a primeira semifinal.

    Todos os capítulos convergem para o relatório de Gilmar Mendes sobre as contas de campanha de Dilma Rousseff e do PT – que deverá ser apresentado nos próximos dias.

    São várias linhas de ação, no estilo “joga-para-ver-se-cola”.

    A linha mais próxima é a tentativa de rejeitar as contas de campanha de Dilma e do PT, conforme já antecipado aqui há vários dias.

    Como se recorda, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Antonio Dias Toffoli fez uma manobra que acabou entregando as duas relatorias ao Ministro Gilmar Mendes. O relatório de Gilmar será entregue nos próximos dias.

    Para preparar o terreno, nos últimos dias houve as seguintes manobras:

    1. Hoje a Folha traz uma pesquisa Datafolha segundo a qual 60% dos brasileiros acham que Dilma está envolvida no escândalo.

    2. Já era previsível que começassem as pressões sobre o Ministério Público e o STF (Supremo Tribunal Federal). Na semana passada, Veja esboçou o primeiro ataque, com uma nota sobre supostas negociações do PGR Rodrigo Janot com empreiteiras, visando tirar o governo das suspeitas. Não ousou mais que uma pequena nota que, já na segunda-feira, era repercutida pelo viking Aloyzio Nunes no Senado e se perdeu na balbúrdia da semana. Desde a campanha, a IstoÉ assumiu o papel de linha auxiliar dos quatro grandes. Esta semana fez uma capa sobre o tema. São ataques preventivos visando inibir a atuação do Ministério Público, no caso da operação impeachment deslanchar.

    3. Nas tentativas de inflamar as ruas, até José Serra saiu das sombras para discursar em um comício pró-impeachment, visando suprir a ausência de Aécio Neves. A mídia tratou de transformar os 800 em uma multidão.

    Ventos pró e contra

    Em cima desse vendaval, já tiveram início as manobras oportunistas.

    A Globo é o grupo decisivo nessas jogadas. Na semana passada, Dilma foi visitada por João Roberto Marinho, o mais diplomático dos irmãos Marinho.

    Na sequência, o Jornal Nacional soltou matéria favorável a Dilma, desmentindo nota anterior, nas qual supostamente um dos delatores teria implicado ela e Lula nas operações levantadas pela Lava Jatos,

    Repare que nesse jogo, os fatos pouco importam. Se não tem acordo, sai a versão. Havendo acordo, dá-se o desmentido. E o preclaro Ayres Brito sustenta que a liberdade incondicional de imprensa – inclusive abolindo até o direito de resposta – é pre-condição para o direito do cidadão à informação.

    Ontem, já circulavam notícias de que Dilma deixará para o segundo semestre a questão da regulação econômica da mídia; e não pretende mexer na questão da propriedade cruzada, para não embaralhar demais o meio campo. Pretender regular economicamente a mídia sem mexer na propriedade cruzada é o mesmo que ir a uma ópera com um protetor de ouvidos.

    Nos próximos dias, as movimentações do Congresso e das manchetes de jornal elevarão a temperatura. Depois, caberá a Gilmar Mendes medir a temperatura, para avaliar até onde poderá avançar com seu relatório.

    Conhecendo-se a falta de limites de Gilmar, a probabilidade maior é que vá longe.

  4. Perfeito, Edu

    E só para arrematar o lava-jato chegou às concessões de aeroportos.
    Inacreditável como o roteiro está sendo manobrado pela imprensa.

  5. Edu,

    o que está acontecendo que eu não consigo postar nada?

  6. IstoÉ tenta intimidar PGR e entrega esquema que livrou PSDB paulista
    Sergio Saraiva
    sab, 06/12/2014 – 23:23

    No blog do Nassif: http://jornalggn.com.br/blog/sergio-saraiva/istoe-tenta-intimidar-pgr-e-entrega-esquema-que-livrou-psdb-paulista

    A revista IstoÉ lança mão de ministro do STF para tentar intimidar o Procurador Geral da República a envolver a Presidente Dilma com a Operação Lava Jato.

    Não há como ler de outra maneira a matéria desta semana (06/12/2014) da Revista IstoÉ: “As articulações de Janot que podem livrar o governo”.

    Por ela, não há dúvidas de que Janot estaria tentando proteger Dilma e Lula:

    “Procurador-geral da República … propõe um acordo que impede investigações que possam chegar ao Palácio do Planalto”.

    A intenção é clara, grosseira mesmo, colocar o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, contra a parede. Tenta obriga-lo, a tomar uma medida de força contra a presidente Dilma sob a pena de ser considerado venal.

    No caso do mensalão, a imprensa colocou a faca no pescoço dos ministros do STF e aquele que não condenasse pública e antecipadamente os réus era considerado um ministro que “devia favores ao PT”. Só a condenação poderia provar a “independência” do ministro. A Folha chegou a fazer reportagens comparando Barbosa com Lewandowsk e tentando mostrar que enquanto o primeiro era aplaudido pela população, o segundo era execrado. Acabou em uma carta com um pedido de desculpas a Lewandowsk de um mesário que caiu na lábia de alguns jornalistas.

    Mas, e o caso atual?

    Pela reportagem, ficamos sabendo que Rodrigo Janot teve várias reuniões com representantes das empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato que investiga casos de corrupção na Petrobras. Mas de onde a IstoÉ tira tal certeza em relação às intenções de Janot? Não é do conteúdo da matéria, onde, ao contrário, se afirma que não há nada de mais nessas reuniões:

    “… em se tratando de um caso com a alta octanagem que têm as investigações da Operação Lava Jato, as reuniões de Janot com os empreiteiros não poderiam, a princípio, ser tratadas como um pecado. Trata-se de uma prática comum nas democracias mais maduras,…”.

    Tampouco é da proposta de acordo apresentada por Janot aos advogados das empreiteiras:

    ”… Janot… definiu qual o modelo de acordo interessa à Procuradoria:…quer que as empresas, seus diretores e executivos assumam a responsabilidade pelos crimes investigados. Pede que as empresas reconheçam a formação de cartel e que concordem em pagar multas recordes … sugere que na delação premiada sejam feitas menções a políticos de diversos partidos, e não só os da base aliada do governo, e que as empresas abram mão de recorrer aos tribunais superiores”.

    Termos duros, sem dúvida. Janot oferece pouco em troca:

    “… as empreiteiras continuariam a disputar obras públicas e seus dirigentes poderiam cumprir as futuras penas em regime de prisão domiciliar. Os casos dos parlamentares mencionados serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigações posteriores”.

    Onde está, então, a proteção ao Planalto? Bom, aí entra em cena um Ministro do STF que a IstoÉ não revela quem é:

    “Isso é um absurdo. Embora não acredite que seja essa a motivação do procurador, um acordo nesses termos protege o governo de eventuais investigações”, teria dito à ISTOÉ um ministro do STF na tarde da quinta-feira 4/12.

    Por que é absurdo, onde está a proteção?

    “Segundo este ministro, ao admitir a formação de cartel e apontar o nome de parlamentares que teriam se beneficiado, as empreiteiras estariam indiretamente colocando o governo na situação de vítima de um esquema montado pelos empresários e alguns agentes políticos, sem que fosse de seu conhecimento e do qual não obteve nenhuma benesse financeira ou política”.

    Dois atos falhos seriíssimos.

    Primeiro, a Operação Lava Jato destina-se a investigar a corrupção na Petrobras e tão somente. E, mesmo ninguém de fora, em princípio, sabendo do teor das investigações, já há ministro do STF fazendo ilações quanto ao envolvimento da presidência da República. Ou o ministro sabe de coisas das quais ainda não deveria saber, ou faz o papel do sapateiro indo além das próprias tamancas.

    Segundo, o tal ministro deve saber do que fala, pois descreve exatamente como o PSDB paulista livrou a cara no caso do trensalão Siemens-Alston. No inquérito enviado à Justiça Federal alguns dias atrás, a Polícia Federal conclui que houve um cartel, CPTM e Metrô paulistas foram “vítimas” de empresários e funcionários públicos inescrupulosos, nenhum político do PSDB que governa o Estado de São Paulo há 20 anos foi indiciado. Um absurdo? Onde estavam, então, o ministro e a IstoÉ?

    Quem seria ao tal ministro do SFT? Bem, é possível fazer suposições apenas, segundo o gosto ou desconfiança de cada um. Eu creio que cada homem tem um estilo próprio de se expressar. Para alguns, o estilo é quase uma marca registrada. Achei interessante a expressão carregada de indignação “Isso é um absurdo”.

    Joguei no Google “Isso é um absurdo, diz ministro do STF”, para ver quais costumam utilizar-se dessa expressão, encontrei um nome sem maiores dificuldades. Mas eu não sou de acreditar no que leio na internet.

    Já Janot, segundo a Folha, parece saber de onde veio o recado: de uma “imprensa possivelmente instrumentalizada”.

    Mudando do pato para ganso e não saindo da lagoa, a IstoÉ está uma peneira só.

    Pela semelhança de estilos entre os discursos de Aécio Neves e a matéria, “Vergonha! Depois de ser chantageado por decreto, o Congresso demonstra subserviência ao Palácio do Planalto ao aprovar irresponsabilidade fiscal do governo”, é possível que tenhamos encontrado o ghostwriter do senador.

  7. Olá Edu,
    Postei no Tijolaço e replico aqui porque achei muito esclarecedora essa matéria do 247:

    “Bilionário manda tirar do ar a página do golpe

    Site vemprarua.org.br, que estava registrado em nome da Fundação Estudar, do bilionário Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do Brasil, está agora indisponível; página foi criada por Fabio Tras, diretor-executivo da fundação; indignado, Lemann afirmou que sua entidade é “apolítica”; ontem à noite, senador Aécio Neves (PSDB-MG) convocou protestos nas principais capitais do País, fazendo tabelinha com o movimento “vemprarua”; marcha pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff sofre baixa antes mesmo de começar e Lemann estuda novas providências; vitória da democracia, embora o conteúdo agora esteja sendo direcionado para um domínio fora do País”
    Leia mais em http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/162893/Bilion%C3%A1rio-manda-tirar-do-ar-a-p%C3%A1gina-do-golpe.htm

    Como todo novo conhecimento, esse me trouxe novas dúvidas:
    -desde quando este site está no ar?
    -qual seu teor?
    -um diretor tem autonomia para criar e registrar um site político em nome de uma entidade sem que o patrão saiba e dê seu aval?
    -por que só agora o site sai do ar?
    -será que esse foi um dos motivos que fez com que os caciques do golpe não aparecessem na Paulista?

    MISTÉRIO!!!

  8. Caro Eduardo Guimarães, sua matéria esta excelente, mas respostas deverão ser dadas em momentos convenientes, a Revoada das Galinhas Verdes não foi suficiente para impedir o Estado Novo, de alguma forma o povo evoluiu e não quer cair em esparrelas deste tipo e nem entrar em ambiente que leve a um golpe similar ao de 64, o judiciário tem dado mostras que pode apoiar mas também tem resistências.
    O que tem sustentado estas ações tem como base os escândalos na Petrobras, que de forma emblemática, surgiu para afetar as Eleições Presidenciais e se arrasta de forma a causar danos à estabilidade política e ao novo mandato da presidenta Dilma Rousseff, Até o momento contra toda racionalidade possível não ha um único político exercendo mandato que esteja envolvido no escândalo da Petrobras, tudo que se fala são especulações, dai se pode inferir as seguintes indagações: O juiz Moro esta sonegando informações ao STF para reter o processo na sua alçada? Se ele está, como vai ficar a legalidade do processo? Como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e STF vão agir perante este fatos? Se não esta, porque permitiu que a imprensa vaze informações que não correspondem a verdade? Porque o STF está calado? Pode um juiz determinar que um investigado sob Delação Premiada só relate determinados crimes e não delate os envolvidos? Como um réu que já teve uma chance com a delação premiada volte a delinquir e receba o mesmo direito novamente? Porque todos os envolvido na investigação deste caso sempre tem ligação com o PSDB? Como surgiu a inserção “Dilma e Lula sabiam de tudo” no processo? Como e porquê houve vazamentos seletivos? Especificamente para a revista Veja? Tudo isto vai gerar a nulidade do Processo? Se sim, será que o objetivo é o de legalizar crimes? Se sim, qual a penalidade que os envolvidos na investigação e o juiz terão?. Estas são as perguntas mais óbvias que tem de ser respondidas por nossas instituições judiciárias, se serão ou não, só o futuro dirá, mas estão na mesa, as especulações comuns apenas criam instabilidades politicas que o Judiciário e o Juiz Moro tem a obrigação de não deixar prosperar, se estão deixando é porque tem algum interesse, a impressão é que elas confluem para os interesses do PSDB e do Senador Aécio Neves que insiste num terceiro turno e no golpe à Democracia, felizmente a população não tem atendido a esses apelos, salvo um pequeno grupo de interesses escusos da extrema direita.Estas são algumas indagações que fiz sobre o tema, e demais que estão neste debate, na esperança de dar alguma contribuição, grande abraço.

  9. Ah quer dizer que você não pode bancar o pacifista mas os recifenses não petistas tem que ficar dentro do armário. Pode tirar o cavalinho da chuva pois São Paulo faz parte do Brasil mesmo contra a sua vontade. Manifestacoes pacificas são democráticas. E São Paulo sempre foi exemplo disso. Se houve quebra quebra algumas vezes não foi praticado por quem hoje sai às ruas de verde e amarelo e não de vermelho.

  10. Trata-se de um filme ruim, a repetir – se como há um tempo atrás, se bem me recordo, na eleição presidencial de 2006,
    2006 sim, aquela em que o grande Lula moeu o sonso coroinha do Pinheirinho e do “Programa São Paulo, lata d água na cabeça”. Refiro-me ao sr. Alckmin, aquele que não moveu uma palha em beneficio de São Paulo e que se reelegeu governador com 15 milhões de votos sem precisar debater com ninguém, bastando-lhe tão somente o PIG a desconstruir e a miniaturizar os seus adversários. Voltando à lembrança, um certo togado de notável saber jurídico, o MAM, de comunicação rebuscada e de difícil compreensão para nós, simples mortais da planície inculta, pretendeu e ameaçou caçar o invertebrado Lula e, portanto cassá-lo, ele que fora eleito com maioria acachapante. Em resumo, com uma unica canetada o safo magistrado pretendia jogar no lixo os votos de quase 60 milhões de eleitores brasileiros!!!
    O filme está a repetir – se hoje, oito anos depois, com o seu congênere Gilmar, coincidentemente guindado à condição de um audacioso todo poderoso do Supremo pelo cidadão de quem se fala ter comprado a própria reeleição. Supremo magistrado a quem outro politico suspeito, adversário politico da candidata reeleita trata intimamente como “meu presidente”.
    Onde chegaremos afinal?

  11. Inimigos da própria pátria, isso é o que são os golpistas. Querem o Brasil no buraco, só para satisfazer suas vaidades macabras. Se não gostam do Brasil, por que não se mudam daqui? Garanto que não vão fazer a menor falta. A atmosfera ficará muito mais agradável sem esses indivíduos de energia trevosa.

  12. ja passou da hora de declarar guerra ao pig e ao judiciario , esses dois desgraçados estao todo dia sabotando a democracia desde que começaram os governos progressistas. entao ja passou da hora de ir para cima desses dois golpistas desgraçados. quer porque quer o golpe.

  13. Concordo plenamente…eles não tem voto, nao tem gente, não tem representatividade…a esperaçna deles é usar a força do PT para criar um contraponto (o anti-petismo)! Agora é sabedoria e maestria e avançar sobre a estrutura economica dos conservadores

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