Petistas críticos a escolhas de Dilma quiseram “refundar” PT devido ao mensalão

Buzz This
Post to Google Buzz
Bookmark this on Delicious
Bookmark this on Digg
Share on FriendFeed
Share on Facebook
Share on LinkedIn

refundação

 

 

Dilma Rousseff definitivamente está atravessando um inferno astral. Concomitantemente a propostas de impeachment por parte de opositores e da mídia, a manifestações pedindo “intervenção militar” e a ameaça de sofrer um golpe no TSE via devassa em suas contas de campanha, está enfrentando artilharia “amiga” em seu próprio partido.

Segundo reportagem da Folha online, a corrente do PT que tem criticado duramente a presidente da República por convidar Joaquim Levy para substituir Guido Mantega no Ministério da Fazenda é a “Mensagem ao Partido”, cujos principais expoentes são o governador Tarso Genro e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso.

Em 2005, pouco após o estouro do escândalo do mensalão essa corrente fez mea-culpa e propôs “refundar” o PT. O presidente do partido era Tarso Genro, pai da ex-candidata a presidente pelo PSOL Luciana Genro. Em outubro daquele ano, Genro convocou ato no Rio de Janeiro para inaugurar a “refundação”.

Genro tornara-se presidente interino do PT devido à queda abrupta de José Genoino. Além de defender a “refundação” do partido, afirmava que Lula não se reelegeria no ano seguinte e passou criticar José Dirceu e o então ministro Antonio Palocci.

A proposta de refundar o PT ficou boiando no cenário político durante uns dois anos, até que, em 2007, integrantes da corrente petista Campo Majoritário, adversária da “Mensagem”, reuniram-se em um hotel em São Roque (SP) e rechaçaram a tese de “refundação” do partido, lançada de novo naquele ano pelo agora ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro.

Entre os presentes ao ato contrário à “refundação” estava o deputado cassado José Dirceu.

Em 2012, após a condenação arrasadora dos réus do mensalão, Genro e seu grupo defenderam que o PT colocasse fim à “agenda de solidariedade” a José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e João Paulo Cunha.

Genro tinha um aliado ao duro ataque aos “mensaleiros”, o então deputado estadual Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre, que defendia “punições” aos réus do mensalão e a mesma “refundação” do PT.

Em setembro do ano passado, o atual governador do Rio Grande do Sul voltou a defender a “refundação” do PT, tese que pautou a criação da corrente “Mensagem ao Partido”, em 2005, ainda no auge da crise política vivida pelo governo Lula.

A postura colaboracionista de Genro, porém, não o ajudou eleitoralmente. Este ano, não conseguiu se reeleger para um segundo mandato à frente do Executivo gaúcho.

Na semana passada, a corrente “Mensagem” encampou a tese da mídia e do PSDB de que, ao nomear como novo ministro da Fazenda Joaquim Levy, a presidente Dilma irá praticar “estelionato eleitoral”, pois o possível novo ministro seria “a mesma coisa” que Armínio Fraga, que abraçou a proposta de Marina Silva de tornar “independente” o Banco Central.

Até o momento, porém, não se tem notícia de que, tal qual Fraga, Levy tenha proposto independência do BC ou que o salário mínimo pare de “subir muito”. E tampouco propôs levar a inflação para 3%, o que, durante a campanha, Dilma disse que provocaria um desemprego de até “quinze por cento”.

Ainda segundo a Folha, na última segunda-feira lideranças do PT saíram em defesa de Dilma e suas prováveis escolhas ministeriais. O líder do partido no Senado, Humberto Costa, afirmou que “Estão tentando disseminar um ambiente de mal-estar entre Levy e o PT” e garantiu que a escolha de Dilma está feita.

Segundo Costa, a presidente é a responsável pelo “modelo de governo de estabilidade para o país” e de “desenvolvimento inclusivo”. Além disso, pregou que “morram na véspera os pessimistas”.

O Senador pernambucano disse que Levy “nem chegou ainda à Fazenda” e que, “quando chegar, será (…) guardião do modelo de desenvolvimento para o Brasil que já é largamente experimentado”, “exitoso” e “reconhecido”. Uniram-se a Costa o deputado José Guimarães, irmão de José Genoino, e o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC).

Tags: , , , , , , , ,

99 Comentário

  1. Vamos separar as coisas. José Eduardo Cardozo é um canalha e também nunca tive muita simpatia pelo reticente Tarso Genro. Por sinal, só soube ao ler este texto que propôs jogar José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha à própria sorte, descoberta que transforma minha “pouca simpatia” em repugnância. Contudo, não é porque eles defendem essa tese por oportunismo(e tenho certeza que o fazem por esse motivo. Se fossem sérios sequer pronunciariam-se em público sobre a provável nomeação de Levy; são do PT e deveriam ter a disciplina de apoiarem publicamente o seu grupo político, deixando para lavar roupa suja internamente). Não é porque a crítica à nomeação de Levy é usada por oportunistas que pretendem atacar seus inimigos internos dentro do PT; ou que é evidente que Levy não atuará de forma semelhante a Fraga dentro do Governo Dilma, a composição essencial do Governo jamais possibilitaria essa atuação; que essa crítica seja errada indiscutivelmente. Afinal, como já disse embora Levy não vá jamais ser um Fraga dentro do Governo Dilma, sua nomeação representa sim um retrocesso dentro da composição de forças que o Governo administra que, neste momento e na encruzilhada que vivemos(onde podemos saltar para quebrar as amarras estruturais de nosso atraso ou retroceder)é um erro político enorme. Saber-se que Levy não será um Fraga é pouco se pensarmos que ele não será um Beluzzo ou um Celso Furtado e que é disso o que necessitamos nesse momento para não termo um Fraga no futuro. É essa a batalha que temos que vencer

    • que me desculpe a minha ignorancia , eu tambem nao sabia de nada disso , que malcumunou contra os injustiçados do mentirao. eu ate elogiei o tarso muitas vezes , mas essa ai eu nao sabia. agora , ate os blogs progressistas estao divido entao , porque ate uma lista contra essas nomeaçoes estao circulando na internet, tem que haver um concenso. porque muitos estao defendendo e outros execrando.

      • Não será possível obtermos um consenso entre os blogueiros, pois, evidentemente, cada um deles tem sua própria interpretação da política e daí as divergências. Mas é admirável a lucidez política do Eduardo. Ele é de um bom senso e de um equilíbrio emocional na análise das situações políticas que chega a ser surpreendente. Esta maturidade política aliada a um alto grau de informação permite que seus artigos sejam bons faróis para que possamos, nós, nos orientar. Eu cheguei a ler a carta (ou nota?) de Tarso em que ele declara, explicativamente, que os “mensaleiros” (leia-se Dirceu e Genoíno) deveriam parar de “atrapalhar” o PT exigindo o que lhes era de direito, por exemplo, prisão domiciliar e, sobretudo, julgamento jurídico e não, simplesmente, político.
        A escolha dos ministros ( e isto é elementar) depende, em grande medida, das forças que se tem. Muitos de nós gostaríamos que a empregada que temos em casa, além de cuidar das crianças, fosse também uma excepcional cozinheira. Resta saber se temos dinheiro em caixa para pagar alguém com estes atributos e se temos, nas despensas, os mantimentos necessários. Há tantos provérbios na língua brasileira para ridicularizar quem sonha com o que não pode que não há porque repetir nenhum aqui.

      • Não é verdade!!!

        Tarso Genro é um dos petistas mais honrados e que respeita o eleitor petista. Ele critica com razão o fato do PT ter abandonado a mobilização pela acomodação da governabilidade, o mensalão (mesmo distorcido pela mídia) é o simbolo dessa nova postura petista.

        Não estou criticando o PT, eu me tornei petista depois do mensalão, por causa da hipocrisia e pela tentativa de golpe/impeachment, quando o PT era queridinho da mídia eu era crítico do partido, votei no Lula em 2002 (1º e 2º turno) por insatisfação ao meu país, se votasse em 1989 seria no Brizola (não sei se votaria em Lula no 2º turno, acho que em branco).

        Lula não respeitou a esquerda quando em 2010 montou um arco de aliança infinito, era o momento de aproveitar os 80% de popularidade e PIB de 7% para multiplicar a esquerda no parlamento. Iam inventar desculpa que sem reforma política e campanhas caras é impossível, bobagem, povo consciente e politizado ninguém compra, vocês preferem o PT com 88 deputados em vez de 130?????????

        Felizmente parece que o Lula vem fazendo autocrítica, Haddad foi um excelente legado lulista.

        • Quando é que o PT foi “querinho da mídia”? Acompanho sua história desde o começo e nunca vi isso

          • Me fiz essa pergunta também…quando foi assim? No máximo, tolerado!

          • Houve uma época em que ser petista era chique Eduardo.

            Quando o casal Suplicy estava no auge, quando Cristovam Buarque abria pontes com os tucanos (mesmo quando o PSDB já era neoliberal).

            Quando a direita temia Brizola e via nos petistas libertários ou religiosos um mal menor, a direita apostava no amadorismo, sectarismo e pouca experiência dos petistas para evitar o PDT.

    • Tarso Genro foi vítima do Voto Obrigatório (que a inocente esquerda brasileira diz defensora).

      Mesmo com um grande governo no Rio Grande Do Sul e desempenho econômico acima da média nacional ele perdeu para um adversário folclórico.

      O voto facultativo melhora a qualidade do voto, vota quem tem consciência política.

      A era de democratizar o voto acabou, estamos na era da qualificação do voto, sem voto obrigatório não teríamos na mesma eleição incoerências (votar no PT para presidente, para deputado no empresário ou pastor do partido de centro-direita, isso dificulta a governabilidade).

      Quando não se pode votar no Tiririca para debochar desse sistema, apesar de bom deputado o humorista não teria a mesma grande votação no voto facultativo.

      • Filipe, não estamos num país desenvolvido culturalmente, com democracia consolidada (discordo totalmente das afirmações do Lula que diz que está, não está enquanto houver uma direita predatória e primitiva como esta) pra ficar pregando isso. Sinto, mas sem o voto obrigatório o povo não iria participar do processo político como aprendizado. Ainda levará muito tempo pra fazer uma transição disso.

        Tarso Genro não perdeu por isso, perdeu pelo que foi descrito no texto, ele foi um dos cabeças da bananização do PT, de transformar o partido em saco de pancadas, e agora veio a fatura pra ele pagar e está pagando.

        Nutria respeito por ele, mas depois dessa, já era. Se há uma coisa que não tolero é gente corroendo o partido por dentro com esse discurso moralista e oportunista ridículo de “refundação” porque querem se livrar do Dirceu, Genoino e cia por desafetos pessoais. Só o fato do tal Cardozo fazer parte dessa “Mensagem ao Partido” já diz a quanto anda esta palhaçada que desmobilizou o PT nas áreas de influência disso, SP e RS.

        Eu vi como o pessoal dessa “Mensagem” age, soltando indiretas, vídeos pontuais pra ver “se cola” (soltaram um do Olívio Dutra metendo o pau no caso do Mensalão mas pra apoiar a tese da Globo, Barbosa e cia). Sinto muito mas esse pessoal definitivamente não me representa, essa covardia deles fede e enoja, levou o PT ao maior fiasco em vários estados. Como não sou muito de “paz e amor”, eu faria um expurgo ‘democrático’ no PT desses caras, mas só em alertar o povo de que estava havendo este movimendo de bananização do PT já é um começo.

        • Bobagem essa história de que não somos desenvolvidos. Com o voto facultativo a Dilma seria reeleita no 1º turno segundo Datafolha.

          Voto obrigatório existe desde 1932, ele foi importante até a redemocratização mas deveria ter acabado apos a constituinte quando a democracia estava no auge, no início a participação popular cairia mas depois aumentaria com a qualidade dos eleitos (melhor exemplo é a Venezuela). Vamos parar de subestimar o povo.

          Melhor um Tarso Genro/Olívio Dutra na mão do que um Palocci, Paulo Bernardo ou Vacarezza. José Eduardo Cardozo é um morto-vivo, mas se você não sabe o Haddad faz parte da “Mensagem” então não generalize…

  2. ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

    ****

    *************.

    * . . . . **** . . . . Lei de Mídias Já!!!! **** … “Com o tempo, uma imprensa [mídia] cínica, mercenária, demagógica e corruta formará um público tão vil como ela mesma” *** * Joseph Pulitzer. **** … … “Se você não for cuidadoso(a), os jornais [mídias] farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo” *** * Malcolm X. … … … Ley de Medios Já ! ! ! . . . … … … …

  3. Essa história de fogo amigo é foda.

  4. A Dilma comete uma traição dessas e devemos aceitar?????

    Não há necessidade de um ajuste como 2003 pela situação econômica do país ser muito melhor e o PT não apaziguar mais os movimentos sociais.

    Nelson Barbosa é aceitável, Dilma deveria nomear-lo para a Fazenda, já que é um gestor e formulador de políticas públicas brilhante, dizem até que junto com a Dilma é um dos “pais” do Minha Casa Minha Vida.

    Joaquim Levy não acrescenta nada, o PT tem que reagir, Levy comandando a economia pode antecipar o fim do governo Dilma e realizar o sonho conservador de “enfraquecer” o PT.

  5. Tudo bem, o Levy pode até atender parcialmente e de forma mais imediata às expectativas do mercado, mas não vai atender sempre…acho que Dilma deu uma détente no confronto. Precisava mesmo. Até onde iríamos no tencionamento? Ganhamos a eleição, um combate, mas o inimigo não saiu fraco dele. Ganhamos por pontos, não foi nocaute…e já queriam revanche…agora essa pressão interna nesse nível, atendendo à expectativa da mídia que não se furta de derramar a gasolina e jogar o fósforo de longe…é antecipar crises e promover a cizânia. Acho que a indicação de um ortodoxo não é novidade em nossos governos. É claro que teremos algumas medidas ortodoxas…e nenhuma doutrina ou escola, não se sustentaria sem ter alguma coisa que de algum modo comprove ser eficaz em alguma circunstância. Quero dizer que na atual circunstância em sentimos que a crise se manifesta para lá da marolinha que manifestou até há pouco, se dermos uma frenada agora, deve ser bem melhor do que ter de derrapar lá na curva. É melhor que se conceda um pouco, mas mantendo o controle da situação de tal modo que teremos medidas ortodoxas tomadas por dentro do projeto neo desenvolvimentista. Pior seria, perdermos a oportunidade de fazer isso com tranquilidade e depois ter de sacrificar esse projeto e sucumbirmos completamente à ortodoxia,

  6. Votar não é dar confiança a alguém fazer algo? Eu confiei que Dilma faria o melhor pelo nosso país porque já mostrou que sabe fazer…meu povo, não sou muito inteligente, mas acredito que ficar metendo o pau em cada decisão que ela toma agora não é o mais inteligente a se fazer no momento…vocês não acham que já temos oposição suficiente (e com métodos nada honestos)??? Vamos ter que confiar e tomar posse, depois a gente critica. É assim que penso e sinto. Tá ficando muito cansativo e desgastante essas brigas internas nesse momento.

  7. Ressalva: A presidenta é o tipo de pessoa que precisa de um estímulo dos fãs.

    Viram durante a campanha?

    Apanhava, apanhava, e não reagia.

    Quando os fãs chacoalharam ela, reagiu.

    É verdade que o chacoalho foi tão forte que ela é outra pessoa, agora.

Trackbacks

  1. Petistas críticos a escolhas de Dilma qu...

Leave a Response

Please note: comment moderation is enabled and may delay your comment. There is no need to resubmit your comment.