O SUS é ruim? Pois saiba que é bem melhor do que parece

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Meu genro Isac chegou às portas do hospital da Escola Paulista de Medicina, em São Paulo, nas primeiras horas da manhã da última terça-feira (23). A fila dobrava o quarteirão e ele mal se aguentava em pé. Havia dois dias que passara a sentir formigamentos nos membros superiores e inferiores, dificuldade para movê-los e até para respirar, além de fraqueza extrema.

Por ser jovem (34 anos) e estar em excelente forma física – até por conta de ser fisioterapeuta e de já ter sido professor de academias de ginástica –, nunca se incomodou em pagar um plano de saúde para si, preferindo pagar para a esposa e para a filha nascida recentemente. Assim, nada mais lhe restava além de hospitais financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Por ser profissional da área de saúde, o rapaz já intuía o diagnóstico que lhe seria dado logo em seguida: Síndrome de Guillain Barré. Antes de prosseguir, pois, vale reproduzir explicações sobre essa doença extraídas de artigo publicado no site do médico Drauzio Varella.

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“A síndrome de Guillain-Barré, também conhecida por polirradiculoneuropatia idiopática aguda oupolirradiculopatia aguda imunomediada, é uma doença do sistema nervoso (neuropatia) adquirida, provavelmente de caráter autoimune, marcada pela perda da bainha de mielina e dos reflexos tendinosos. Ela se manifesta sob a forma de inflamação aguda desses nervos e, às vezes, das raízes nervosas.

O processo inflamatório e desmielizante interfere na condução do estímulo nervoso até os músculos e, em parte dos casos, no sentido contrário, isto é, na condução dos estímulos sensoriais até o cérebro.

Em geral, a moléstia evolui rapidamente, atinge o ponto máximo de gravidade por volta da segunda ou terceira semana e regride devagar. Por isso, pode levar meses até o paciente ser considerado completamente curado. Em alguns casos, a doença pode tornar-se crônica ou recidivar (…)

A síndrome de Guillain-Barré deve ser considerada uma emergência médica que exige internação hospitalar já na fase inicial da evolução. Quando os músculos da respiração e da face são afetados, o que pode acontecer rapidamente, os pacientes necessitam de ventilação mecânica para o tratamento da insuficiência respiratória (…)”

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Apesar da longa fila e da torturante espera no meio da rua até chegar ao atendimento na sala de espera daquele hospital, em poucas horas o rapaz já estava sendo atendido nos corredores repletos de pacientes em macas da unidade de emergência.

Não é bonito de ver o pronto atendimento dos hospitais públicos brasileiros. Pelo contrário, é chocante. Meu genro presenciou a morte de uma paciente na maca ao lado da sua, enquanto os jovens médicos tentavam, desesperadamente, revivê-la.

Pessoas amputadas, pessoas gritando de dor, parentes em desespero… Não é nada bonito. Muito ao contrário, induz quem vê aquelas cenas a considerar o SUS um sistema caótico e ineficiente.

A imagem que as unidades de emergência dos hospitais públicos – mesmo os de grande porte, como o hospital supracitado – passam à sociedade, porém, induz a uma visão errônea, como o blogueiro pôde comprovar ao acompanhar o que de fato acontece nesses locais.

Sim, o pronto atendimento dos hospitais públicos é caótico e maltrata quem está sofrendo. Não há conforto na porta de entrada. Mas, lá dentro, há medicina, sim. E de um nível que pode compensar a falta de “hotelaria” nessas instituições.

Um dos fatos mais interessantes sobre a vantagem do SUS sobre a medicina privada dos planos de saúde é a questão dos exames. Pude fazer essa comparação porque minha quarta filha, Victoria, padece de uma grave enfermidade neurológica e frequenta intensamente hospitais paulistanos tidos como “de excelência”, sobretudo o hospital Santa Catarina.

Para os médicos avaliarem o estrago que a doença promoveu em meu genro ele teve que fazer uma bateria de exames a partir do momento de sua admissão via SUS no hospital da Escola Paulista de Medicina. Exames caros, como tomografia e outros.

Se o rapaz tivesse um plano de saúde caro como o de minha filha (citada acima), todos aqueles exames exigiriam muita burocracia e muita briga porque os planos de saúde regateiam “autorização” para exames e procedimentos dispendiosos.

No SUS, não. É feito tudo que precisa ser feito e a família do paciente não tem que brigar como acontece com planos de saúde, tendo que ameaçá-los de processos ou até tendo que mover tais processos para obter o que tentam não oferecer apesar de serem obrigados por lei.

Para que se tenha uma ideia, em 2009 a minha filha Victoria só conseguiu fazer um determinado procedimento em um hospital “de excelência”, da rede credenciada do caríssimo plano de saúde, porque fui à Justiça. Mas entre o vai e vem para chegar à decisão judicial passaram-se 45 dias, com a menina exposta a infecção hospitalar etc.

No SUS, não teria havido esse drama.

Mas o que mais me surpreendeu nesse episódio do meu genro foi o tratamento que passou a receber após os médicos decidirem por sua internação.

Em primeiro lugar, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na qual foi internado não perde em nada para as dos tais “hospitais de excelência” da rede privada. Ao menos em recursos clínicos, estrutura, atendimento dos médicos etc. Só não tem luxo – televisão, frigobar, refeições em bandejas elegantes etc.

Vagando pelos corredores do hospital, surpreendi-me com a limpeza, com o foco dos profissionais, enfim, com uma qualidade da instituição que o atendimento emergencial esconde.

Além disso, surpreendi-me com a educação e a atenção dos profissionais. No primeiro dia da internação do meu genro, ele estava cercado de profissionais atenciosos e simpáticos.

Mas não é só. O tratamento da Síndrome que acometeu o rapaz requer imunoglobulina humana, que, claro, os planos de saúde têm que fornecer. Mas isso porque são pagos. E caros. Além disso, devido ao alto custo daquele medicamento, na saúde privada os planos de saúde provavelmente dificultariam o fornecimento – já passei por isso com a minha filha.

Imunoglobulina humana é um medicamento caríssimo. Em pesquisa na internet, descobri que custa cerca de mil reais cada dose.

Meu genro precisava de 30 doses, que, somadas, dão para comprar um carro popular zero quilômetro. O hospital não tinha, mas o SUS disponibiliza. A única dificuldade é que a família do paciente tem que ir buscar em unidades de fornecimento de medicamentos – vide, no alto da página, foto da caixa de isopor com as 30 doses que obtive para o rapaz.

Não é por outra razão que, hoje, enfermos de países vizinhos vêm ao Brasil buscar socorro no SUS. Apesar da falta de conforto em nosso sistema público de saúde, em outros países – inclusive em países ricos como os Estados Unidos – quem adoecer e não tiver um plano de saúde até pode obter atendimento, mas se endivida até o pescoço.

Falta muito para o SUS oferecer, além da boa medicina que já fornece, também um mínimo de conforto. Todavia, é um sistema que funciona. E funciona tão bem que, mesmo pagando um caro plano de saúde, é bem provável que, se o problema de que você padecer for muito grave, talvez tenha que terminar o tratamento no sistema público.

É uma obrigação deste que escreve divulgar este relato para que aqueles que têm uma ideia errada do SUS reflitam se vale mesmo a pena pagar fortunas por planos de saúde privados se você tem direito a um sistema que, apesar do déficit de conforto, funciona bem.

Até porque, a filosofia exclusivamente capitalista do sistema privado pode vir a ser fatal para o paciente. Ao regatear “autorizações” para exames e outros procedimentos clínicos, os planos de saúde podem até matar o paciente. No SUS, você não correrá esse risco.

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188 Comentário

  1. Já era hora de criar coragem e dizer que tanto na educação, como principalmente na saúde , o atendimento publico está muito melhor. A quem interessa difundir esta versão de que só na rede particular se tem um atendimento decente?
    A grande imprensa consegue a proeza de achincalhar a saúde publica, quando se refere ao governo federal, e se calar no que tange , por exemplo, ao governo de São Paulo.
    Como consequência, temos uma saúde extremamente elitizada, com hospitais e profissionais de primeiro mundo cobrando valores absurdos, fruto desta descrença bastante infundada, no serviço publico. Tal situação , não encontra paralelo nas principais economias do mundo, com exceção dos EUA.

    • Seu Oswaldo Pereira Marques faleceu em 18 de dezembro de 2010, aos 69 anos, dez anos depois de receber socorro na emergência de um hospital público de Brasília e, removido para outro hospital – também público -, foi submetido a um tratamento caríssimo do coração. Os pós-operatório, nem se fala. Após as cirurgias, sim, ele sofreu algumas sofisticadas intervenções, “seu” Osvaldo permaneceu um bom tempo internado, até receber autorização médica para voltar para casa. Mesmo assim, o médico ligava todos os dias, perguntando se o seu quadro evoluía bem, além de passar novas recomendações.

      • Acho que quem já enfrentou um hospital público sabe do que fala quando diz que, apesar das precárias condições, dos desvios sem fim das verbas e de alguns profissionais que não deveriam estar ali, o sistema funciona. Se não funcionasse, teríamos milhares de mortos diariamente – basta lembrarmos da África, por exemplo.

        Sempre costumo dizer a interlocutores que a saúde no Brasil tem 3 problemas: 1) péssima gestão, incluindo falta de comunicação e administração entre os 3 entes federativos, falta de fiscalização e desdém com a aplicação dos recursos públicos; 2) corrupção, com notórios desvios de verbas; e 3) desvalorização da profissão, com alguns profissionais sendo submetidos a extenuantes cargas de trabalho para ganharem verbas irrisórias enquanto outros utilizam o cargo como “cabide”.

        Isto posto, é bem salutar dizer que o SUS é um dos melhores sistemas de saúde do mundo. O caos notório e a má administração e condição dos hospitais é uma realidade, mas não engloba todo o sistema que permite a milhões de pessoas serem atendidas sem necessidade de estrangular os já escassos recursos. É bem verdade que milhares ainda falecem por mau ou inadequado atendimento, que remédios e equipamentos se perdem aos montes, mas isso é fruto de gestões péssimas ou deliberadamente inadequadas, que não retiram em absoluto a perfeição do sistema se fosse executado da forma ideal.

        • Rafael Wuthrich, o Sr. disse tudo, é, mas infelizmente ainda tem alguns lugares que não é dada a devida atenção ao doente, e além de tudo falta médicos e equipamentos.

    • a melhor saúde publica do mundo fica na inglaterra!!! é gratuita e de qualidade!!! nos estados unidos o paciente tem que pagar pela assistência médica, só que ao contrário daqui no brasil o valor do plano é mais barato que aqui no brasil! aqui no brasil pagamos altos impostos para o goveno, tudo tem um alto custo! pagamos altos impostos em alimentos vendidos nos mercados, veículos, pedágio, remédio, iptu, imposto de renda, ipva, dpvat, multas de transito!!! o governo lucra bilhões de reais através desse impostos! portanto sobra muito dinheiro pra roubar e sobra pouco dinheiro para investir mais na saúde publica!!! e você defende o sus porque nunca precisou ficar 10 horas em uma fila interminável esperando por atendimento é muito angustiante!!! é terrível!!!
      muitos ficam nervosos partem para a briga, ou vão embora sem serem atendidos!!!
      filho de politico e de rico vai pro exterior se consultar com medico, eles não usam o sus!!! eles nunca passaram por isso em toda a vida deles é um drama sem fim!!!! depois quando chega as eleições sabem ficar beijando filho de pobre, vão na perifieria pedir voto isso eles sabem!!!

  2. Eduardo, duas aupairs alemãs que ficaram em minha casa tiveram pequenos problemas de saúde e foram muito bem atendidas, sim, teve fila e foi demorado, mas nada difere dos planos de saúde particular, por volta de 45 minutos e elas não pagaram um tostão que fosse… Já tomei muito chá de cadeira em consultório particular… Minha mãe levou cerca de 3 meses (entre exames, idas e vindas) pra ser operar a catarata em Louveira, onde eu morava, o tempo médio em Sp era de 1 ano, ela aproveitou. Lá o posto de saúde é novinho, muito bem aparelhado e como vc fiquei impressionada com o atendimento, muuuuito bom, quase não acreditei, são gentis e atenciosos… Eu, que no Bradil tinha um super plano de saúde comecei a usar o Sus de Louveira. Pra não precisar me deslocar pra Sp para uma simples consulta, não me arrependo, minha filhas fez fonoaudiologia e deu tudo certo… A filha da minha empregada tinha os dentes da frente todo estragados, hoje tem um belo sorriso, graças ao Sus, nada mais justo, já que paga impostos… Ainda tem muito o que melhorar, mas naquela cidade o SUS funciona que é uma beleza… Moramos na Alemanha e aqui, uma vez que vc opta por um plano de saúde privado, não pode voltar a usar o sistema Público de Saúde, a menos que seu nível salarial caia a ponto de vc viver de assistência social, caso contrário tem que continuar pagando. Decidimos que não passaremos nossa velhice aqui pois nenhum aposentado da classe trabalhadora consegue pagar mensalmente mais 1000,00 euros de plano de saúde, isso é o valor que pagamos hoje, preço que tende a crescer conforme envelhecemos… Outro detalhe interessante que vi na tb aqui outro dia, os médicos estão deixando de atender as pequenas comunidades e querem trabalhar em grandes centros, fazer especializações, isso te lembra alguma coisa? Do jeito que vai logo teremos médicos cubanos aqui tb! Grande abraço e muita saúde pro teu genro e toda sua família !

  3. Sou testemunha recente de o quão injustas são as críticas ao SUS. Portadora de cancer fuiu alvo de um tratamento excelente, de um cuidado e atenção nota mil seja por parte daas póprias atendentes, dos médicos e dos carinhosíssimos auxiliares de enfermagem que aplicam os quimioterápicos (QUE CUSTAM AOS COFRES DA UNIÃO CERCA DE 15 MIL REAIS CADA UM) , atenciosos com todos os pacientes (centenas por dia)), a esmagadora maioria muito pobre e vinda de lugares distantes. A refeição servida é ótima, com frutas, sobretudo peras, café com leite, páes enormes, manteiga, queijo e podendo ser repetida. Mesmo durante a greve do Hospital, esse setor não parou em dia algum. O que é preciso é uma fiscalização rigorosa nos gestores e na aplicação das verbas federais (que não são poucas) pelos governos estaduais e municipais, pois aí é que está o ralo.

  4. Recentemente estive numa UPA e fiquei positivamente surpresa. Ao contrário do que se houve diuturnamente, principalmente nos meios de comunicação, as instalações estavam em perfeito estado, havia ar condicionado e internamente, uma boa coordenação dos trabalhos, com atendimento rápido e de qualidade. Surpresa, porque em função do bombardeio de informações, como muitos, tinha a impressão negativa sobre a qualidade do serviço público de saúde. É lógico que nem tudo é sempre 100%. Nos atendimentos emergenciais, como você mesmo menciona, precisa melhorar bastante. Mas essa experiência serviu para reforçar o seguinte: antes de sair por aí reproduzindo o que a mídia divulga, é melhor fazer o teste de são tomé.

  5. Tem muita fila porque todo mundo tem direito… antes do SUS, não; só com carteirinha do INSS, ou seja, quem trabalhava com carteira assinada e até 12 meses (ou eram 06) depois do último emprego… os outros, incluindo rurais, domésticas, diaristas e outros, não iam prá fila – morriam em casa, a não ser que a caridade pudesse ajudar…
    E em outros países parece que não é muito melhor não – vide o documentário do Michael Moore sobre o sistema americano… o escritor M. Scliar (que era médico) viu de perto o serviço público de Saúde em Paris e testemunhou que também tinha fila e a pessoa não conseguia colocação em hospital logo ou perto de casa… No Canadá, a política é não liberar exames de laboratório ou similar desde logo, não – e aí a coisa engrossa…
    Podemos -e vamos, como dizia a fadinha – melhorar…

  6. Fico extremamente chateado quando são mostrados somente estes “retratos” de corredores cheios, familiares desesperados…

    Sofri um acidente de moto em 88 em Cubatão/SP, fui atendido no Hospital Municipal, que na época era chamado levianamente de açougue, até hoje não tive um atendimento parecido… minha ficha de entrada foi efetuada somente após meu atendimento e eu estava bem estragadinho(rsrsrs) mas andando e lúcido…

    Foi comentado acima sobre este documentário do Michael Moore: http://www.youtube.com/watch?v=VoBleMNAwUg

    Quem não assistiu, não deixe de ver!

  7. Grande Eduardo. Parabéns pela coragem de ir contra a maré. O SUS funciona sim, e muito bem, relevados esses contratempos que você mencionou. E o atendimento dos hospitaiis particulares via planos de saúde nada fica a dever ao do SUS, em matéria de demora e desconforto. Além da falta de humanidade. Relato dois casos para ilustrar: contratei um eletricista para instalar um ar condicionado aqui em casa. Moro em Governador Valadares e quem conhece a cidade conhece o calor que faz aqui. Pois bem, o rapaz, com evidente excesso de peso, teve que subir no telhado, apesar das nossas advertências sobre o perigo. Não deu outra: o coitado caiu do telhado. Desesperados ligamos para os bombeiros que prontamente vieram socorrer o rapaz e o levaram para o Hospital Regional de Gov. Valadares, onde foi atendido imediatamente. Medicado contra a dor que sentia, ficou aguardando para que fosse feita uma radiografia do local que doia, na costas. Demorou bastante, mas a radiografia foi feita, e não revelou nada grave. Fui falar com o médico que atendeu o rapaz para saber quando ele seria liberado, mas o médico, olhando para a radiografia, disse que não estava convencido e determinou que fosse feita uma ultrassonografia. Demorou mais um bocado, mas o ultrassom foi feito e indicou que o rapaz sofrera uma fissura em uma das vértebras lombares. Foi o apuro do médico que evitou que aquela fissura tivesse consequências mais graves. O outro exemplo: Estava de pé numa calçada quando vi um homem que vinha caminhando parar e subitamente desabar no chão. Corri e vi que ele havia batido a cabeça no chão ao cair e estava sangrando. Além disso, estava com os dentes cerrados e espumando. O fato ocorreu quase em frente ao Hospital São Lucas, aqui em Goval, e para lá corri e pedi ajuda. Dos atendentes ouvi que eu tinha que chamar o SAMU. Disse a eles que as pessoas já estavam fazendo isso, mas que ali no hospital devia ter algum médico ou enfermeiro que desse assistencia inicial, emergencial, ao coitado lá na rua, porque ele estava sangrando. Ninguém, mas ninguém mesmo me deu bola. Felizmente, o SAMU levou menos de 5 minutos para chegar, e os paramédicos imediatamente trataram o sangramento na cabeça, puseram o homem num maca e o levaram para o Hospital Regional. Pode ver, por ai, a diferença. Mais uma vez, parabéns pelo post.

  8. Só critica o SUS quem nunca precisou dele, ou então teve muito azar. Além dos atendimentos nos hospitais públicos, o SUS arca com tratamentos caríssimos feitos por hospitais particulares.

    Para tratamentos de alta complexidade e de custo elevado os custos são geralmente repassados ao SUS.

    O problema do SUS é não ter sido aprovada a CPMF no governo Lula, que havia sido criada no governo FHC, para ajudar no financiamento da Saúde, mas a oposição, para boicotar o governo Lula boicotou melhorias na Saúde. Mesmo assim os governos Lula e Dilma ampliaram em muito os atendimentos do SUS.

    Quem usa o SUS, o aprova.

  9. Não tenho plano de saúde. Sou usuário do SUS desde 2009. Passei a utilizar, quando meu pai, já falecido, que pagava uma plano caríssimo, foi jogado para escanteio quando passou a ser inviável economicamente, depois de 60 dias de internação.

    A unimed passou a colocar um monte de empecilhos para continuar o tratamento e fomos forçados a aciona-la na justiça. A decisão judicial saiu após sua morte, setembro/2009, e o plano foi condenado a indenizar a família por uma série de crimes.

    Após 61 dias de internação, meu pai passou a utilizar o SUS e foi muito muito muito muito (poderia digitar mais uma infinidade de “muitos”) bem atendido durante 8 meses.

    Detalhe, não só meu pai foi atendido com excelência e compromisso mas todos os enfermos que passamos a conhecer durante todo o período (8 meses) que meu pai esteve no hospital público Odilon Berenger em Belo Horizonte.

    Também era notório o grande número de paciente de classe média que ali estavam. Entretanto, o que me chamou atenção era a falta de tranqüilidade e humildade dos parentes desses doentes egressos da classe média que se viam obrigados a freqüentar o hospital público para visitas ou mesmo para acompanhar seus doentes. Pareciam, claramente, ter o propósito de não travarem diálogos com os demais e o pior, faziam o possível para não serem notados nem flagrados por algum eventual conhecido dos meios sociais que normalmente freqüentavam. Sempre mantinham a cabeça baixa, não conversavam (mesmo entre eles) e preferiam não transitar nos corredores nos horários de muito movimento. Tudo para não serem notados e/ou reconhecidos.

    Um horror!!!! (parafraseando Paulo Henrique Amorim).

    Apesar do preconceito e da tentativa de desconstruir a saúde pública por parte daqueles interesses que todos nós já conhecemos, tenho notado que quase ninguém, inclusive da classe média, em cidades de médio e pequeno porte, sou de montes claros-MG, despreza o SUS quando necessitam de atenção médica.

    Eu só gostaria que todos esses usuários que se mantêm na sombra (por vergonha e preconceito), saíssem em defesa da nossa saúde pública. Conheço vários, conheço muitos.

    Chego a dizer, também, que de uma forma ou de outra, 90% dos brasileiros utilizam direta ou indiretamente o sistema de saúde pública. Só não assumem nem se deixam serem flagrados no ambiente que eles tanto rejeitam e desprezam.

    Preferem manter segredo. Ainda acham socialmente humilhante utilizar um ambiente para os “derrotados”, um ambiente para a criadagem…

    Uma dica, um pré-requisito para qualificar um médico hoje no Brasil, é que se ele dedica ou não, pelo menos uma parte da semana à medicina pública. Um médico da rede pública seguramente é mais humano, e isso importa muito, que um médico cujo habitat natural seja as clinicas, consultórios e hospitais mercantilistas.

  10. Obrigada, Edu, por publicar meu comentário. Fiquei emocionada, porque sempre tive um desejo imenso de divulgar a situação que vivi e continuo vivendo, pois ainda estou frequentando o Hospital (do Andaraí), no Rio, e continuo sendo alvo e muitos outros pacientes também, de todo cuidado e carinho. Ao voltar depois de tratamento externo, fui recebida com muitas manifestações de alegria e ternura. E minha amiga que foi operada no setor de cirurgia geral, durante a greve, só tem elogios aos nédicos e enfremeiros.
    Tenho “panfletado” papeletas com os principais sites de esquerda, entre os quais o seu, naturalmente, para fazer frente a lavagem cerebral desses meios de comunicação vendido$ e partidarizados.
    Um terno abraço para você e sua equipe.

  11. Eduardo,

    A ala pediátrica de um hospital público aqui em Salvador, Bahia, foi totalmente reformada a partir de uma parceria com a Casa Cor. A pediatra de meu filho foi uma das batalhadoras por esta reforma e considero ela (Dra. Helita Azevedo) um exemplo de profissional dedicada à profissão. Esta se mantém fiel ao juramento de Hipócrates com absoluta certeza. Segue um link sobre o feito realizado: http://www.walterpinheiro.com.br/noticias/parceria-promove-reforma-da-pediatria-do-hospital-roberto-santos.html?doing_wp_cron

  12. O que faz com que o SUS não funcione em alguns momentos é a falta de compromisso de alguns profissionais e gestores incompetentes.

  13. Aqui no meu Cearazão tem hum hospital público de excelência na área de cardiologia: o chamamos Hospital de Messejana, em razão do bairro onde se localiza. Depois do relato acima, se confirma a minha desconfiança em relação à forte pressão que sofre Dilma em relação ao Pré-sal: É que ele será a redenção para a área de educação e saúde do país, e os donos de “planos” de saúde e os que exploram (sentido estrito) a educação, estão alvoroçados ante o anúncio de polpudas verbas que serão direcionadas a esses dois setores. Tá explicada a ofensiva contra a trabalhista.

  14. Caro Edu, tenho uma visinha que tem problema cardíaco, um certo dia, ela estava sentido fortes dores e pediu ao marido que o levasse para atendimento de emergência, ela tem um bom plano de saúde, e o marido levou para um hospital que até pouco tempo, era o melhor e o mais bem equipado (o hospital da elite), ela esperou por quase uma hora pelo atendimento (55 minutos) e nada, não suportando a forte dor, pediu que o marido o levasse para uma “UPA” (hospital municipal), assim que ela desembarcou do carro, a atendente a levou imediatamente para o atendimento medico, e foi prontamente atendida e medicada pelo medico, e esse afirmou se ela passasse mais 10 minutos morreria, ela já tinha sido atendida em uma vez anterior nessa UPA, e foi bem atendida, quando precisou do atendimento pelo plano de saúde que paga caríssimo, quase morre, devido a longa espera pelo atendimento, dia desses, um familiar que possui um plano de saúde, e tem convenio com esse mesmo hospital, telefonou para fazer um exame, e a atendente disse que só tinha vaga para 45 dias depois, ele depois telefonou de outro telefone, e disse que queria fazer o mesmo exame, e que pagaria em dinheiro vivo, e a atendente disso que ele fosse, rapidamente, porque a menos de 01 hora existia uma vaga, lá chegando, ele se fez de desentendido e disse, aqui aceita o plano de saúde, e deu o cartão, e a atendente não teve como recusar o atendimento, afinal, o hospital não está ganhando do mesmo jeito, a ganancia é que é demais, há médicos que ganha em apenas 02 horas mais de R$ 2 mil reais, essa é a razão que os médicos não querem ir trabalhar no interior, há prefeituras que paga R$ 15 mil reais mensal livre a um medico, e mesmo assim não consegue nenhum medico, e um promotor ameaçou prender o prefeito.

  15. o sistema único de saúde é um lixo!!! verdadeiro descaso! muitos ai que ficam elogiando o sus é porque devem ser parente de politico ou tiveram o QI para passarem na frente dos outros!!!
    aqui no brasil as pessoas morrem nas filas dos hospitais, para ter um atendimento imediato a pessoa tem que morrer primeiro para depois ser atendida!!!
    claro que tem muitos bons profissionais no sus! só que eles são desvalorizados, tem uma alta carga horária de trabalho! muitas vezes não tem estrutura, nem luva! e o culpado de tudo é a má gestão do governo, prefeitos, vereadores!!! diretores de hospitais!!!
    quando uma verba é destinada a um referido hospital, na metade do caminho o dinheiro é desviado!!! existe também muita burocracia para consertar um equipamento, também para comprar novos equipamento é uma década!!! o material hospitalar usado pelos médicos é super faturado e de péssima qualidade!!! porque as autoridades preferem pegar o lixo de material da pior empresa licitada!!!
    vejo que policiais para fazerem a segurança nas ruas tem de sobra agora quando é necessário colocar mais médicos para trabalharem é uma burocracia!!! o povo precisa de mais estrutura nos hospitais! também precisamos de mais médicos nos hospitais de variadas especialidades! o que existe nos hospitais atualmente são equipamentos que estão sucateados!!! com tanto impostos que o povo paga para o governo, e com tanto dinheiro roubado a saúde deveria de ser referência mundialmente!!!

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