Golpista da Veja confunde ensino com apologia à ditadura

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Um vídeo se alastrou pela internet a partir do último dia 31 de março. Foi feito pelos alunos da Faculdade de Direito da USP, instalada no Largo de São Francisco, em São Paulo, desde 1903. Este post não se destina a divulgar esse vídeo, mas a expor fatos que sucederam sua divulgação.

O vídeo mostra protesto feito por estudantes contra o professor Eduardo Gualazzi, quem, no dia do aniversário do golpe de 1964, em vez de dar aula resolveu afrontar não só os seus alunos, mas o próprio Centro Acadêmico XI de agosto.

Para quem não sabe, o Centro Acadêmico XI de Agosto é o órgão representativo dos estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e recebe o nome “XI de Agosto” em homenagem à data da lei que criou as duas primeiras faculdades de Direito do Brasil, uma em São Paulo e outra em Olinda.

O XI de Agosto é o mais antigo centro acadêmico de Direito do país. Teve participação decisiva nas mais relevantes campanhas políticas nacionais, principalmente nos movimentos de defesa do Estado Democrático de Direito contra a ditadura militar que brotou do golpe de 1964.

O professor Gualazzi cometeu um desatino ao levar para leitura em sala de aula um texto de sua autoria intitulado “Continência a 1964”. O texto exalta a ditadura militar justamente em uma instituição cuja história se confunde com a luta contra essa ditadura.

A ligação da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco com a luta contra o regime militar é tão forte que, enquanto Gualazzi fazia apologia àquele regime em sala de aula, o próprio reitor daquela instituição, José Rogério Cruz e Tucci, participava de protesto contra a ditadura a algumas centenas de metros daquela Faculdade.

A intenção de Gualazzi, portanto, foi claramente a de provocar. O que ele estava fazendo, quando sua “aula” foi interrompida pela manifestação dos alunos, não era ensinar. O texto que lia não continha fatos históricos, mas a sua opinião sobre a ditadura.

Professores dão opiniões em sala de aula em todos os níveis de ensino. Isso é comum. Todavia, qualquer professor que disser opiniões em classe corre sérios riscos.

Conto uma história para explicar como é perigoso um professor confundir suas opiniões com a matéria que é pago para ensinar aos seus alunos.

Há alguns anos, uma de minhas filhas, durante aula na faculdade, ouviu de uma professora críticas duras a blogueiros de esquerda e, surpresa das surpresas, também ouviu o nome de seu pai ser incluído na acusação de que tais blogueiros seriam “pagos pelo governo”. Obviamente que ela protestou com veemência na mesma hora e, depois, fez queixa formal da professora, que foi advertida pela faculdade.

Apesar de o vídeo em questão já ter sido muito visto, vale explicar, para quem não viu, que os estudantes organizaram um protesto à altura da ousadia do professor de afrontar não só a eles, mas à própria instituição em que leciona.

O protesto começou do lado de fora da sala de aula. Estudantes simularam gritos de pessoas sendo torturadas e depois entraram cantando em classe, todos vestindo capuzes iguais aos que eram colocados nos presos políticos que a ditadura torturou e/ou matou.

Quem quiser ficar em cima do muro pode dizer que os dois lados erraram. Ainda assim, terá que reconhecer que quem cometeu o primeiro erro foi o tal professor Gualazzi. Contudo, à luz do amplo repúdio (inclusive internacional) à ditadura militar iniciada em 1964, é difícil qualificar a reação dos alunos como um erro. Foi mera reação a uma afronta.

A razão deste post é a de rebater uma versão distorcida desses fatos que está sendo alardeada pela revista Veja através de seus colunistas, entre os quais Rodrigo Constantino. Ele publicou um post em seu blog, hospedado no portal da revista, em que afirma que o tal professor da USP foi “impedido de criticar o comunismo”.

Abaixo, o comentário de Constantino no portal da Veja:

—–

Vejam como agem os comunistas, esses seres jurássicos que ainda procriam e se espalham, colocando em xeque a teoria da evolução darwinista. São tolerantes, democratas, a favor do debate aberto. Só que não! São autoritários, intimidam quem pensa diferente, querem calar o contraditório no grito. Impediram uma aula sobre as tiranias vermelhas e o contexto de 1964. Invadiram a sala e humilharam o professor. É apenas assim que sabem agir: covardemente e em bando

—–

Ao fim deste post, o leitor que ainda não assistiu o vídeo em questão poderá assistir. Quem assistiu, sabe que o texto do professor Gualazzi não se destinou a criticar o comunismo e sim a fazer apologia da ditadura militar. O próprio título do texto (“Continência a 1964”) diz tudo.

Chega a ser bizarro que alguém que, como Constantino, apoia um regime cuja principal característica foi a censura por meios violentos se queixe do que enxerga como “censura”.

Aliás, o regime que Constantino defende não se valia de manifestações teatrais para censurar. Preferia métodos mais “eficientes”, tais como torturas, estupros, assassinatos. Sevícias inclusive a crianças e adolescentes diante dos pais, a esposas diante dos maridos etc.

Concluo externando a opinião deste blog sobre a iniciativa dos alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. É mais do que necessário que todos quantos possam não percam a oportunidade de denunciar a ditadura militar. Este país não pode mais conviver com apologias a um crime de lesa-humanidade como foi aquela ditadura.

Cada cidadão consciente dos horrores daquele período terrível de nossa história deve tomar para si a obrigação de não permitir que exaltem aquele processo criminoso desencadeado neste país há meio século. Pesquisas recentes sobre o que pensam os brasileiros mostra que estão divididos sobre o que aconteceu neste país. É inaceitável.

A ausência de denúncias contundentes sobre a violação da democracia e dos direitos humanos durante cerca de duas décadas é o que faz quase metade dos brasileiros julgarem de forma tão equivocada a ditadura militar.

Este blog, pois, exorta a todo aquele que sabe a verdade a que não aceite, de modo algum, apologias de quem quer que seja à ditadura. Pode ser amigo, parente, colega de trabalho etc. Se fizer apologia da ditadura deve ser contestado prontamente, mesmo ao custo da ruptura ou do esfriamento de sua relação com aquela pessoa.

Este blogueiro tem dito nas redes sociais que não tem o menor interesse em manter amizade ou qualquer outra relação com pessoas que apoiam o regime militar de 1964. Hoje há muita informação. Todos sabem dos crimes cometidos naquele período. Quem apoia aquilo, portanto, não presta. Não vale a pena manter relações com alguém assim.

*

Assista, abaixo, ao vídeo citado no post

 

 

*

Interpelação de Gilmar Mendes

Informo que no último dia 31 de março foi protocolada no Supremo Tribunal Federal a ação inicial contra o ministro Gilmar Mendes. Por instruções dos advogados, por enquanto o Blog não divulgará publicamente o teor da inicial. As pessoas que participam da ação receberão por e-mail cópia do processo.

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211 Comentário

  1. O pior não é a defesa do golpe e das atrocidades passadas, embora isso já cause náuseas. O pior é que esse discurso criminoso tem objetivo claro de preparar terreno para outro golpe, para outra ditadura, para outras atrocidades…

    • Edi Passos, você tem toda razão. Repete-se a velha tática fascista, de criar fantasmas para assustar os burros e desinformados (“perigo comunista”, etc.) e consegui preparar o seu apoio cego e indiscriminado a golpes perpetrados sob a desculpa de “salvar a Pátria”, quando querem é enterrá-la de novo.

    • Você acertou na mosca!

  2. Bizarro! A gigantesca gravata borboleta e as falas iniciais do professor me fizeram supor tratar-se de uma montagem dos alunos. Difícil acreditar que numa instituição de ensino- no congresso é até compreensível,- abrigue coisas tão risíveis.

    • Eu tambêm achei que era encenação pelos mesmos motivos

    • Pois é, agora ficamos sabendo que o professor Hariovaldo Prado dá aulas na Faculdade de Direito da USP. Devido a intervenção da garotada, ele inclusive deixou de ler a ultima parte de seu texto, em que explanaria sobre os perigos do comunismo búlgaro, que sabemos está em vingencia no Brasil

  3. Eduardo Guimarães…

    Você é o orgulho de todas as cidadãs e cidadãos conscientes desse País.

    Homem de fibra, honesto, íntegro, guerreiro e companheiro até a medula.

    Às vezes fico imaginando como seria a rede sem você… Daí, tenho vertigens.

    Obrigado, Edu.

    • Nossa! Ui! Quando eu era criança pequena la em Barbacena, quando um moleque puxava o saco de outro de forma, assim, digamos, tão apaixonada a gente chamava de “coxinha”.

      • Todo puxa-saco bajula para auferir alguma benesse.

        Eu não fujo à regra.

        Minha torpe intenção é estimular o Eduardo para que continue seu profícuo trabalho frente ao Blog da Cidadania e do MSM.

        Confesso que também sou muito puxa-saco do Lula e só não puxo saco da Dilma porque ela não tem.

  4. o pior da ditadura foi interROMPER a crescente participação POLÍTICA & CULTURAL de estudantes, operários, camponeses, funcionários, cineastas, compositores, dramaturgos… duma maneira criativa, PESSOAL.
    arREBANHANDO os favoráveis e encurRALANDO os contrários, inauguraram esse clima de TORCIDAS desORGANIZADAS que infesta atualmente qualquer debate, INCLUSIVE torcidas que se trucidam na rua, herdeiras da atuação ARMADA de governar com controle militar.
    para mim, que fui censurado por ESCREVER criticando os 10MANDOS de 25 anos de AUTORITÁRIOS NO COMANDO, o que mais resiste & persiste, é a forçação de barra de querer “prender” “arrebentar” quem DISCORDA DOS “donos do VERDADEIRO BRASIL”…

  5. Alguns comentaristas por aqui tem defendido o suposto “direito natural” do professor Gualazzi de fazer apologia da ditadura militar em sala de aula sem ser molestado. Mas vamos supor que ele tivesse feito apologia do racismo, por exemplo. Pelas atuais leis brasileiras, ele poderia até ser preso. Fosse em um passado não tão distante, porem, militantes ou simpatizantes do movimento negro não iam deixar barato, assim como fizeram os estudantes do XI de Agosto. Mas o professor não correria risco de ser preso, por ausência de legislação adequada. Alguns articulistas da mídia reacionária talvez até escrevessem artigos execrando os militantes pelo cerceamento da “sagrada liberdade de expressão do professor”, sem no entanto questionar a bestialidade do racismo. Assim como hoje alguns escrevem, sem questionar a bestialidade da ditadura militar.
    Pois bem, duas conclusões parecem óbvias: (i) o Brasil precisa de uma legislação que criminalize especificamente a apologia de golpes e ditaduras militares ou assemelhadas; (ii) é preciso lutar por isso. Parabéns aos estudantes do XI de Agosto.

    • Perfeito, Nelson. Sobre seu comentário, escrevi post nesse sentido há alguns dias. Veja http://www.blogdacidadania.com.br/2014/03/pela-criminalizacao-da-apologia-a-ditadura-militar/
      Aliás, vale comentar que nos EUA é permitido usar racismo explicitamente “em nome da liberdade de expressão”

      • Apesar disso os EUA são o único país de minoria negra no mundo que elegeu um negro para a presidência da república e é lá o lugar em que os negros têm maior possibiliade de ascensão em todo o planeta . Aqui no Brasil a nomeação de um negro para o Supremo com um brilhante currículo com Joaquim Barbosa foi festejada pela esquerda até o momento em que ele, como relator, foi o indutor da condenação dos corruptos mensaleiros petistas. Nesse momento caiu em desgraça perante os esquerdistas falsos defensores a igualdade racial, que a todo momento fazim questão de lembrar-lhe que a cor da pele fora a única razão para nomeação para o Supremo, esquecendo (como o próprio JB disse em entrevista a Roberto Dávila, na Globonews) do seu currículo, bem melhor que o de Tóffoli, por exemplo. É hipocrisia achar que aqui, somo melhores do que nos EUA porque aqui não permitimos que se use o racismo explicitamente em nome da liberdade de expressão.

    • Assino embaixo, Nelson. Desmontaste esse argumento de “liberdade de expressão”. O professor teve toda a liberdade para cometer tal texto. E também para lê-lo, o que transformou o que deveria ser uma aula em proselitismo puro e simples. Terá o professor o direito de adotar “Mein Camp” como leitura de sala de aula?
      Por isso a manifestação dos alunos foi não apenas legítima, como necessária. Estudantes de uma faculdade de direito em que um professor defende a ilegalidade, que assim não procedessem, não estariam aprendendo nada.
      E foram de extrema criatividade. Uma intervenção artística inteligente e educadora. Essa é a juventude que o Brasil precisa.

  6. Acho o golpe de 64 abominável, mas a questão aqui é outra, o centro acadêmico XI de agosto assim como os movimentos de guerrilha, foram pouco efetivos na luta contra a ditadura e arrisco mais, só pioraram as coisas. Também acho ingenuidade da sua parte crer que um professor não emite opiniões, ele faz isso o tempo todo, de um jeito mais ou menos explícito mesmo que ele tente ao máximo manter a neutralidade…. deveria ler mais leonti’ev – atividade e consciência, entre o objeto e aquele que o observa, sempre existe um motivo… Marx nunca deixou a subjetividade de fora…
    O que eu to tentando dizer é que precisamos ser mais estratégicos, o discurso desse tal professor apesar de ser babaca, compõe esse caldo grosso que chamamos democracia….
    Eu particularmente morri de rir vendo o vídeo, cena caricata, um senhor de idade com uma linda gravata borboleta gesticulando com as mão em loopy e pronunciando um juridiques mais arrastando do que o do Marco Aurelio de Melo huahuuabuauh sinceramente, ele que se foda…. mas é justamente essa intransigência que dá argumentos para que por exemplo o Menino Maluquinho fale suas bobagens… O povo meu caro, esse sim teve papel fundamental, o Lula fazendo greve com 150.000 pessoas em 1978 ou 1979, não lembro bem, estive lá mas era muito pequeno…. do paço de São Bernardo para o Zélao na faria lima pra tomar um caldo de mocotó junto com quem tava fazendo a história…

    • Respeito sua opinião, até porque é só uma opinião, mas na minha opinião o professor não poderia dar sua opinião como se fosse uma aula sendo ministrada, até porque não faz parte do curriculum acadêmico de direito a matéria opinião reacionária.

      Veja bem que ninguém está cerceando o direito do professor ter opinião, até porque, todos temos opinião, mas o professor deveria se restringir a dar sua opinião apenas às pessoas de suas relações e nunca dentro do ambiente escolar.

      • veja bem, posso estar engando, mas o que ele pretendia fazer era a defesa de um texto escrito e posteriormente publicado… não quero ser leviano, não sei exatamente se este texto tem respaldo cientifico ou não, e nem do que ele dá aula…. não consigo dizer se fazia parte da estratégia de ensino dele ou não… eu por exemplo abro minha aula de avaliação de pessoas com um texto escrito por mim sobre percepção, nele crítico selecionadores em Recrutamento e seleção que desconsideram a história do individuo como um todo antes de tomar decisões, tenho um visão mais social do trabalho, enquanto que outros defendem uma corrente mais pragmática que foca o desempenho indiferente da história passada… entende, é uma construção que se dá por opiniões baseadas na ciência, ou na pseudociência se preferir, mas o caso é que nós acadêmicos escolhemos este método, e caso vc queira efetivamente desconstruí-lo tem que ser de dento e não de fora, já dizia Bakumim… vc pode agrumetar, o conhecimento nas universidades é orgânico, nada de diferente consegue entrar, eu particularmente discordo, encontro possibilidades de resistência em inúmeras situações e acho que o que aconteceu na Sãofran foi só farra, até admito que não fiquei com pena do maestro e que gostei, mas isso não faz bem pro livre dialogo… esse método cientifico que escolhemos como humanidade faz o ser humano viver mais tempo e melhor, pode argumentar, os recursos naturais estão acabando, mas perceber que é esse método de construção que ó que traz as soluções… espero ter contribuído…

        • olhá só como o debate é importante, apesar de não concordar com todas as opiniões do Eduardo, gosto do seu trabalho pois ele faz bem feito, minucioso… encontrei aqui mesmo no blog o conteúdo do texto do professa, foi justamente uma aula proferida em 1964, veja só que excelente momento para rebater os argumentos do professor com um debate verbal estruturado, ou até mesmo escrevendo um artigo científico, agora, é que nem greve e estudante na USp, sempre acaba nas férias huhuuhua ai todo mundo vai pra casa e já era… la fiesta……

          • A cadeira dele é Direito Administrativo. Não cabia aquele texto não, mesmo que ele julgasse a excrescência como sendo bibliografia de aula. Aula errada.

      • Meu Caro Wilson,
        Mais claro e simples é impossível!
        Abraço
        Maria Antônia

        • Obrigado pelo apoio Maria Antônia.

          Mas veja se a opinião deste que se intitula “só uma opinião” não é um tanto quanto nebulosa.

          Ele diz, resumindo, que não sabe se o referido professor estava fazendo a defesa de um texto ou se estava ministrando aula.

          Primeiro: quem não sabe não deve omitir opinião, ao menos onde existem pessoas que pensam, e isto para não correr o risco de ser ridículo.

          Segundo: tá na cara que o senhor “só uma opinião” não viu o vídeo (deve ter ficado com preguiça) se tivesse visto perceberia que o professor estava sim pretendendo ensinar suas estultices.

          Terceiro: salta aos olhos que o senhor “só uma opinião” é no mínimo colega do professor boçal reaça, isto, se não for o próprio.

          Um grande abraço, companheira Maria Antônia.

    • “Zélão, O Rei do Caldo de Mocotó”, patrimônio histórico de SB.

  7. Concordo com a veja!

  8. Usar o direito democrático de se expressar pra defender um regime que teve como característica principal o cerceamento da própria democracia, sinceramente, não faz o menor sentido. Parabéns aos estudantes!

  9. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

    II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
    III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, …

    Eis o que diz a Constituição. Esses princípios regem o que se denomina liberdade de cátedra.

    Ah! Quer dizer que racismo tambem pode? Racismo é crime, inafiançavel.

  10. Os trolls estão fazendo a festa no blog.

    Em vez de discutir o assunto do post as pessoas discutem o que os trolls querem.

    Não estão percebendo que não importa o quanto vocês entubem os safados com argumentos contundentes e fatos concretos, eles vão voltar e postar as mesmas mentiras de novo e de novo?

    Afinal, eles são PAGOS para isso. Ou vocês acham que eles postam essa enorme quantidade de trollagens de graça.

    Mesmo sendo em número muito maior, os comentaristas do blog ficam a reboque dos trolls, pois não recebem para postar, como acontece com essa tucanalha biônica que entra pra desvirtuar a discussão e acaba conseguindo.

    Só há uma maneira de evitar a trollagem: uma mediação rigorosa dos comentários.

    Caso contrário é melhor ignorar as provocações pois responder a eles, só alimenta os trolls.

    O Eduardo abriu um post para falar na ditadura no Brasil e todo mundo fica debatendo Cuba. Isso é ficar à reboque da trollagem.

    Não sei por que o Eduardo libera tantos comentários que além de ter clara intenção de desviar o assunto, são tão repetitivos. Como o blog é dele, ele decide. Mas da forma como está fica difícil debater o assunto do post.

    • Você tem razão, Ruy. Eu não consigo deixar de achar que é preciso algum contraditório, ao menos – desejaria que fosse mais. Tenho que apelar para publicar essas cretinices, sem argumentos, restrita a ironias… Infelizmente não tem mais nada para se contrapor. Eu acho chatérrimo que uma caixa de comentários só contenha comentários concordantes. Não existe consenso nas questões que abordo. Mas infelizmente os discordantes chegam aqui com insinuações, ironias, insultos, mas nunca com um contraponto inteligente. É uma pena. Há argumentos para rebater tudo que digo. Acho que posso rebatê-los, gostaria de tentar, mas esses caras que vêm aqui comentar não conseguem argumentar. Só usam essa tática diversionista que você cita. Enfim, temos que refletir. Eu acho que fica meio difícil ter comentários só concordando. Não é que fica difícil, fica chato, fica falso. É preciso debater. Não tenho medo de debater direito, em bom nível, com respeito. Mas é uma chuva de provocações que fazem a gente mesmo às vezes ser também ignorante, porque satura ler só o baixo nível. Enfim, vamos como vamos. Este blog começou em 2005. Já são 9 anos que é assim. Acho, porém, que apesar de tudo isso temos conseguido, aqui, fazer muita coisa. O post que estamos comentando prova isso.

      • Edu…

        Ruy Acquaviva é meu peixe, mas desta vez tenho que discordar dele.

        Excetuando-se um ou outro troll, pau mandado ou reaça que vez por outra exagera, no geral o debate está bom.

        Vou dar um exemplo: a resposta que você deu, Eduardo, para o José Renato às 02/04/2014 • 14:36 foi muito esclarecedora. Até didática porque ensina como responder a tal questionamento puramente capcioso.

        Se o Bolog é “Da Cidadania”, então, está cumprindo muito bem o seu papel.

        Um abraço.

      • Meu caro Wilson,

        Concordo com você e Eduardo quanto a manter os reaças postando suas asnices, mas hão de também concordar que depois bate um cansaço mental dos infernos! A carga de energias deletérias é para rinocerontes! Pela quantidade de respostas que o Eduardo deu ontem, se fosse eu estaria acamada hoje.
        Abraço
        Maria Antônia

        P.S:. Wilson eu procuro não responder a quem não coloca um nome pelos menos de mentira para se direcionar um diálogo. Já é difícil lidar com a covardia, com as sombras é mais difícil ainda!

        • Nove entre dez reacionários não usa nome, Maria Antônia.

          Mas até entendo que se escondam. As coisas que eles dizem são mesmo vergonhosas.

          Abração, companheira.

    • Veja acima, coloquei o artigo da constituição que versa sobre a liberdade de pensamento e, em outras palavras, a liberdade de cátedra.
      O texto do Eduardo mostra que, em sua opinião, nada que seja favorável ao período de ditadura deveria ter livre manifestação, daí seu apoio à interrupção da aula do modo como foi feito.
      A constituição, que é passível de interpretação, garante o livre tráfego de idéias.
      A meu ver, ao contrário do entendimento do Eduardo o qual respeito, é importante que se veja o golpe de 1964 sob outro prisma, por alguem que procure salientar aspectos que lhe pareceriam favoráveis, e aqueles que discordarem que o façam através de argumentos, pois o papel da universidade é esse mesmo, o da construção e disseminação do conhecimento.
      Acho que a interrupção desvairada da aula não trouxe nada de positivo, não contestou o que vinha sendo dito, ao contrário, acabou até por corroborar, em parte.

      • Se o que você está falando está correto, então por que o professor reaça não ficou para debater e ao invés disso preferiu bater as asinhas com sua gravatinha borboleta?

      • Tenha a santa paciência…

        É evidente que o professor NÃO estava debatendo a ditadura. Ele a estava comemorando, celebrando. Se as pessoas tem o direito de ouvir os diversos lados HOJE (já que não tinham durante a ditadura), isso NÃO significa que elas tenham a obrigação de ouvir calados um imbecil qualquer celebrando o crime.

        A celebração do crime NÃO é informação, não é debate. É um monólogo viciado e estúpido, e não uma avaliação honesta e imparcial de um momento histórico.

        Os alunos usaram a sua liberdade de expressão no mesmo momento que ele, pra condenar o que ele celebrava, ponto. Se tivessem feito isso enquanto o infeliz tentava debater de forma séria e imparcial, vc poderia usar esse argumento, e eles estariam errados.

        Mas não foi o caso, o que torna o seu argumento imaterial.

        • De novo, vejam o que reza a Constituicão:

          Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

          II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
          III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, …

          Opiniões que invoquem nazismo ou racismo constituem crime inafiançavel, falar a favor de 1964, por menos que se goste, não é crime, e isso não é opinião minha, é o que manda a lei.

          • Cara, não é difícil compreender a questão, aqui.

            O caput diz: “o ensino”.

            Ele não diz “as celebrações”

            Ele não diz “a apologia”.

            Ele não diz “a propaganda”.

            Ler um artigo enaltecendo e celebrando algo – no caso um crime como foi o golpe e a ditadura militar – não é “ensino” em lugar nenhum do mundo.

            Todos os incisos estão condicionados pelo caput do artigo. O livre intercâmbio de ideias, por exemplo, diz respeito ao intercâmbio de ideias com o fim de ensinar. Não com o fim de convencer, nem de fazer propaganda, nem de celebrar crimes.

            Repito o que escrevi: se o infeliz estivesse ensinando – ou seja debatendo com honestidade e imparcialidade o tema – e os alunos fizessem o que fizeram, os alunos estariam errados.

            E, novamente, não foi o caso.

          • Errado. Veja o que diz o Código Penal Brasileiro:

            “Art. 287 – Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime: Pena – detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, …”

            Os facínoras golpistas de 64 “passearam” por quase todos os tipos penais então vigentes, começando pelos crimes contra a ordem constitucional, passando pelos de traição, usurpação, peculato, calúnia, injúria, difamação, prisão arbitrária, lesões corporais, tortura, estupro… e chegando aos homicídios qualificados e às ocultações de cadáveres. Portanto, quem os defende e aplaude publicamente está, no mínimo, cometendo o crime tipificado no citado artigo 287.

        • Perfeito, Pierri!

          • É isso aí!

            O artigo 287 só valia na minha lomba, quando me taxavam de “subversivo”?

            Código penal pros reaça também! E dá-lhe Vejas e Sherazêdas…

  11. Acho engraçado como tem gente que defende a liberdade de expressão, mas só quando interessa pra eles.

    Oras, mesmo supondo, pra fim de argumentar, que o professor teria o direito de se expressar, os alunos tinham exatamente o MESMO direito.

    Liberdade de expressão não significa obrigação de ouvir calado. significa apenas que ninguém pode ser obrigado a parar de se expressar.

    Se o infeliz quer defender a ditadura, beleza. Eu tenho toda a liberdade de expressão de me expressar no mesmo momento que ele, ponto.

    Pode-se dizer que é falta de educação ou intolerância com quem tem uma opinião diferente, mas não se pode dizer que é um afronta a liberdade de expressão.

    Agora, ele NÃO tinha o direito de defender a ditadura por dois óbvios motivos:

    1) era uma sala de aula, ele é um funcionário público contratado pra ministrar a matéria e essa matéria não era a defesa da ditadura militar. Ele tem a liberdade de cátedra de expor sua opinião sobre o tema de sua aula e não sobre qualquer assunto.

    2) a ditadura foi um golpe e, portanto, foi um crime. Defender o golpe é fazer apologia a um crime. E isso NÃO está coberto pela liberdade de expressão – e antes que os colonizados falem besteiras, o Brasil não é colônia dos EUA e não segue a mesma legislação e nem os mesmos princípios, FELIZMENTE!

    Mas tentar impor uma obrigação de ouvir a quem defende as teses caras à direita e chamá-la de “liberdade de expressão” é simplesmente ridículo. É muita cara de pau.

  12. …tanta coisa muito mais importante pra se falar e da atençao… golpe de 64!! Fala sério?!?!?!

  13. Tenho vontade de dar um abraço em todos esses estudantes.

  14. Não faz muito tempo, ele elogiava um estudante que teria se recusado a fazer um trabalho escolar sobre Karl Marx em nome da luta pela liberdade e democracia.

  15. O que esperar de um sujeito que usa uma gravata borboleta igual a de um palhaço de circo?

    https://www.youtube.com/watch?v=giwVoFkNEjs

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