Geraldo “dor e sofrimento” Alckmin e a “procissão do crack”

A recente ação do Denarc na “cracolândia” paulistana resume à perfeição o que está em jogo em São Paulo neste ano eleitoral de 2014, quando os paulistas terão chance de se livrar da burrice, da truculência e do preconceito dessa direita que, em 2012, já aplicara a psicótica “estratégia” no deprimente quadrilátero incrustado no centro velho da capital paulista.

Ano retrasado, também em janeiro, o então prefeito, Gilberto Kassab, e o governador Geraldo Alckmin tiveram a “brilhante” ideia de esvaziar a “cracolândia” através de um “Plano de Ação Integrada Centro Legal”. Esse “plano” previa a “estratégia” de as polícias usarem “dor e sofrimento” contra os usuários de crack. A PM, então, passou a aplicar a “operação sufoco”.

Há exatos dois anos, o jornal O Estado de São Paulo anunciou a “nova estratégia” do governo do Estado e da prefeitura. Veja, abaixo, trecho da matéria Governo quer acabar com cracolândia pela estratégia de ‘dor e sofrimento’.

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“(…) A estratégia está dividida em três etapas. A primeira consiste na ocupação policial, cujo objetivo é “quebrar a estrutura logística” de traficantes que atuam na área. Além de barrar a chegada da droga, policiais foram orientados a não tolerar mais consumo público de crack. Usuários serão abordados e, se quiserem, [serão] encaminhados à rede municipal de saúde e assistência social. Em uma segunda etapa, a ação ostensiva da PM, na visão de Prefeitura e Estado, vai incentivar consumidores da droga a procurar ajuda. Na terceira fase, a meta será manter os bons resultados (…)”

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Não tardou uma semana para a “estratégia” do então prefeito Kassab e do governador Alckmin se mostrar um fiasco. Surgiu, em São Paulo, uma bizarra “procissão do crack”. Confira, abaixo, matéria do mesmo jornal O Estado de São Paulo intitulada PM escolta ‘procissão do crack’ no 1º fim de semana de ocupação do centro.

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“(…) A estratégia de impor “dor e sofrimento” aos dependentes criou uma situação inusitada no primeiro sábado após a ocupação da cracolândia, no centro de São Paulo. Com o tráfico a todo vapor e sem conseguir cortar a rota de fornecimento da droga, restou à PM escoltar pelas ruas centrais da cidade grupos gigantescos, de até cem pessoas, em uma estranha “procissão do crack”, iluminada pelos Giroflex das viaturas noite adentro.

A perseguição aos usuários criou uma “cracolândia itinerante” no quadrilátero entre as Avenidas Duque de Caxias, São João e Ipiranga e Estação da Luz. Em alguns momentos de “folga” na caminhada forçada imposta pela polícia, os grupos paravam para acender os cachimbos e descansar. Depois de alguns minutos, voltavam a andar. Sem destino.

Em uma dessas pausas, uma moradora da Avenida Duque de Caxias, perto da Praça Júlio Prestes, atravessou a rua em meio a dezenas de dependentes e cobrou dos policiais que estavam na outra calçada que fizessem alguma coisa para tirar o “rebanho” da frente de seu prédio. “Nem vocês (PMs) estão dando conta. Antes, eles ficavam escondidos. Agora, ninguém tem sossego. Tem de achar algum lugar para levá-los”, bradava a mulher, irritada. (…)”

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A “estratégia de dor e sofrimento” e a “procissão do crack” foram obras perpetradas a quatro mãos por Alckmin e Kassab e estão entre as causas da surra eleitoral que o criador do ex-prefeito, José Serra, levou de Fernando Haddad naquele mesmo ano.

O rotundo fracasso da “estratégia” dessa direita psicótica – da qual Alckmin é mera flatulência – de impor “dor e sofrimento” a pessoas mentalmente doentes achando que ao serem torturadas acabariam fazendo o que fosse melhor para si – buscar tratamento – é produto da profunda ignorância de uma ideologia tão nefasta quanto o próprio crack.

O programa Braços Abertos, lançado recentemente pelo prefeito Fernando Haddad, buscou uma estratégia diferente, mais inteligente e que já começava a produzir resultados. Usuários de crack vestiram uniformes de garis (recebendo R$ 15 por dia pelo trabalho), foram instalados em hotéis baratos e já começavam a se deixar seduzir pelo tratamento.

O que Alckmin e Kassab não conseguiram pela força e pela burrice, Haddad estava conseguindo com humanidade e inteligência.

Politicamente, pois, o programa Braços Abertos se tornou uma ameaça à reeleição de um incompetente, truculento e estúpido como Alckmin, de forma que ele precisava sabotar o êxito desse programa, que já se desenhava. Mandou sua tropa de energúmenos impor “dor e sofrimento” (de novo) a pessoas com problemas mentais. E São Paulo que se dane.

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131 Comentário

  1. Mais uma trama montada no cabinet des Dr. Alckimin, a exemplo daquela do Pinheirinho. Josemaria Escribá ficaria orgulhoso do pupilo.

  2. Não costumo postar como anônimo mas vou falar de um parente paulistano e não quero me “entregar” para minha família coxinha.
    Nestes dias fui visitar um parente que não via a algum tempo, mora muito, muito longe do centro, seu local de trabalho. Utiliza ônibus e me dizia que com os novos corredores ganhou meia hora no trajeto e que logo irá ganhar mais meia. Com um ano de prefeitura o Haddad deu para o dito cujo, perto de 350 horas atualmente e que logo serão cerca de 700 horas anuais que ele poderá utilizar para o lazer, estudo, descansar, ficar mais tempo com a família. Incrível que ele mete o pau no Haddad, vá entender a mente destas pessoas.

  3. “Dor e sofrimento”? Parece a Operação “Shock and Awe” movida pelos Estados Unidos na invasão do Iraque. Aliás, deve ter sido justamente isso que inspirou Alckmin…

  4. O Haddad não pode desistir.
    Não desista Haddad.
    Vá em frente.
    Você vai Vencer.
    E o Povo de São Paulo ganha com sua persistência.

  5. Haddad não pode desistir. Sugiro que algo seja feito aqui. Uma corrente de apoio, Um abraço assinado para o projeto de Braços Abertos. Alguém sugira alguma ação que possamos ajudar este projeto.

  6. A eleição vai chegar mais uma vez e mais uma vez essa direita internacional vai sabotar e se utilizar do submundo e do obscurantismo.
    Nos festejos do aniversário de São Paulo a população reagiu contra os Blocs. Reagiu espontaneamente sem envolvimento do mundo político.
    O PT tem escolhido não ir para a rua, pois seria, no primeiro confronto, a vitória deles (blocs), seja quem apanhasse, pois o que eles querem é eleger o PT como o “inimigo da população” se auto intitulando representantes da população.
    Como o PT não foi, sobrou o comportamento deles para a população avaliar e esvaziar um movimento fascista e internacional para sabotar a democracia do país.
    O que está na hora de acontecer é se estabelecer uma nova diretriz para os movimentos sociais ligados ao PT, qual seja, que os movimentos contratem seguranças para impedir que os blocs se misturem às manifestações de uma ou outra classe para transformar manifestações pacíficas em violentas e assim os trabalhadores poderão resguardar o caráter pacífico de suas intenções e impedir o oportunismo dessa polícia anacrônica desse governador meliante.

  7. A direita brasileira é orelhuda. Alckmin em seu desespero segue qualquer idéia que lhe dê uma falsa vantagem eleitoral. Por isso é que sua polícia o afundou ao desfilar de polícia ideológica. A corrupção é projeto do partido. Nisso ninguém mexe. O “Brasil de Todos Eles” é inconfessável.

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