Folha tenta explicar fraude e se desmoraliza ainda mais

Buzz This
Post to Google Buzz
Bookmark this on Delicious
Bookmark this on Digg
Share on FriendFeed
Share on Facebook
Share on LinkedIn

No post anterior, relatei fraude grosseira do jornal Folha de São Paulo em matéria que pretendeu vender ao seu leitorado – composto pela fina flor de um antipetismo de classe alta que hoje se vê atucanado por falta de opções mais à direita – que o governo Dilma estaria entregando unidades residenciais do Programa Minha Casa, Minha Vida, sem água e luz.

A reportagem em questão pertence àquela categoria do jornalismo corporativo terceiro-mundista que, na eleição de 2010, tentou transformar uma bolinha de papel do tamanho de uma bolinha de pingue-pongue – atirada contra o então candidato José Serra em um comício – em um artefato de “um quilo” (segundo invenção do Jornal Nacional, formulada para ajudar o candidato do PSDB, que já caminhava para a derrota).

Exacerbar ou inventar fatos negativos contra o grupo político que comanda o país tornou-se uma verdadeira obsessão para a grande mídia. Com redações cheias de jornalistas recém-formados que praticamente trucidam uns aos outros na ânsia de acariciarem o antipetismo dos patrões, produzem-se micos como a reportagem da Folha supracitada.

A “denúncia”, publicada em destaque no alto da primeira página do jornal no último dia 16, é confusa. A matéria que a veiculou fez malabarismos para impedir o leitor de entender por que haveria gente vivendo sem água e luz em imóveis recém-entregues pelo governo federal. Assim, em uma matéria de 427 palavras, apenas 30 foram dedicadas ao que diz o título.

Eis o trecho da matéria que tenta “explicar” o título que acusa Dilma de “entregar casas sem água e luz”.

“(…) Beneficiários passam as noites a luz de velas, usam baldes com água trazida de outros locais e contam com ajuda de vizinhos que já têm água ou energia em casa (…)”.

O resto do texto contém depoimentos de meia dúzia de pessoas que viviam em barracos e que foram contempladas com casas novinhas, bem construídas e que os novos moradores poderão mobiliar e equipar com eletrodomésticos no âmbito do Minha Casa, Minha vida.

Contudo, alguns dos entrevistados criticaram a matéria da Folha, que teria distorcido suas palavras e transformado seus elogios ao programa em críticas.

Um blog baiano, de um morador da cidade de Vitória da Conquista (BA), onde o governo federal estaria entregando “casas sem água e luz”, noticiou que uma das pessoas entrevistadas pela Folha pretende processar o jornal por distorcer suas palavras sobre o Minha Casa, Minha Vida – que essa pessoa diz que elogiou – e por usar sua imagem sem autorização.

A matéria foi tão escandalosa, a fraude que a Folha praticou foi tão grosseira que, apesar de se negar a reconhecer a natureza desonesta do que publicou, sua ombudsman, Suzana Singer, teve que voltar à questão do antipetismo do jornal em que trabalha.

Os três primeiros parágrafos da crítica de Suzana são mais do que suficientes para explicar a fraude que o dito “maior jornal do país” levou para o alto de sua primeira página:

—–

A Folha acusou a presidente Dilma de entregar casas sem água nem luz no interior da Bahia. O jornal mostrou, na quarta-feira, que parte das moradias inauguradas em Vitória da Conquista, no programa Minha Casa Minha Vida, estavam no escuro e a seco. Os moradores usavam velas à noite e enchiam baldes nas casas dos vizinhos.

Bastava ler o “outro lado” para concluir que a acusação não fazia sentido. O Ministério das Cidades explicou que as casas foram entregues com instalações elétricas e hidráulicas e que cabia ao beneficiário do programa pedir a ligação dos serviços às empresas de distribuição do Estado.

Acontece o mesmo com quem compra um imóvel sem ajuda federal: é a pessoa que, depois de receber as chaves, aciona o fornecimento de água, luz, gás, telefone (…)”.

—–

Parece brincadeira, mas não é. Se você for um milionário e comprar uma cobertura recém-construída nos Jardins paulistanos, por exemplo, terá que esperar tanto quanto os pobretões do conjunto habitacional de Vitória da Conquista, na Bahia, para ter água, luz e telefone ligados.

A matéria é tão grosseiramente falsa que desmonta a si mesma. A ombudsman da Folha diz exatamente isso, mas com outras palavras:

—–

“(…) Os casos relatados indicavam que nem havia um problema exagerado de demora na entrega desses serviços. Apenas uma dona de casa esperava a instalação de luz havia oito dias, três a mais que o prazo dado pela companhia elétrica (…)”

—–

Apesar do que diz a ombudsman, colunistas e blogueiros ligados à grande mídia e ao PSDB, tais como Reinaldo Azevedo, da Veja, e Josias de Souza, da Folha/UOL, entre dezenas de outros, tentaram reforçar a insinuação de que Dilma estaria entregando casas sem ligações de água e luz que pudessem ser acionadas como em qualquer outro imóvel novo.

Não seria necessário o governo rebater a matéria se a Redação da Folha tivesse jornalistas em lugar de bajuladores que se matam entre si para agradar o patrão. O filtro jornalístico, se existisse nesse jornal, deveria ter “derrubado” a matéria, como diz a ombudsman:

—–

“(…) Diante das explicações dadas pelo governo e pelas concessionárias de serviços estaduais, o jornal deveria ter derrubado a reportagem. Não adianta registrar burocraticamente o ‘outro lado’, como prega o ‘Manual da Redação’, mas insistir numa acusação vazia (…)”.

—–

Você que vive acusando blogueiros como este que escreve de serem “pagos pelo governo”, note que Suzana Singer, ex-secretária de Redação da Folha, responsável por muitas matérias contra o PT na década passada, reproduz o diagnóstico desta e de outras páginas sobre matéria que a mesma Folha insiste em manter: tratou-se de uma “acusação vazia”.

Sim, você leu bem: a Folha insiste em manter a acusação a Dilma. Cobrada pela ombudsman, a Redação do jornal oferece uma explicação estarrecedora e que, além de má fé, exala burrice. Veja a explicação da Folha, que Suzana relata:

—–

“(…) A Redação não concorda: ‘a informação de que as casas foram entregues sem água nem luz é relevante por mostrar a pressa com que o governo tem organizado essas inaugurações, por motivos obviamente eleitorais. O objetivo da reportagem era mostrar isso e não culpar a presidente pela falta de água e luz’, diz a editoria Poder (…)”.

—–

Dissequemos, pois, essa “explicação”.

1 – Onde está a “pressa” do governo em inaugurar um dos muitos conjuntos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida que terá para entregar até o ano que vem se a água e a luz de QUALQUER imóvel têm que ser ligadas em nome do morador desse imóvel?

2 – Por que o governo entregaria imóveis novos a pessoas paupérrimas ligando antes a água e a luz, gerando contas para os novos moradores pagarem assim que entrassem? Eles teriam que pagar pelo que não consumiram, ora.

3 – Por que Dilma teria “pressa” de inaugurar qualquer coisa se estamos a um ano da eleição de 2014 e há uma imensidão de obras – inclusive do Minha Casa, Minha Vida – para inaugurar?

Ao fim, para aqueles que têm cérebro – e honestidade nesse cérebro – a fraude jornalística da Folha mostrou que o programa Minha Casa, Minha Vida é muito bom, pois tudo o que encontraram para criticar nele foi o que jamais poderia ser criticado porque existe em qualquer imóvel que alguém compre ou alugue.

Tags: , , , , , , ,

100 Comentário

  1. Deu ruim mesmo, que coisa ein cara!
    Vergonha da folha!

Trackbacks

  1. Folha tenta explicar fraude e se desmoraliza ai...
  2. Folha tenta explicar fraude e se desmoraliza ainda mais | EVS NOTÍCIAS.
  3. Folha tenta explicar fraude e se desmoraliza ai...
  4. Ao tentar explicar sua farsa, Folha se desmoraliza ainda mais | novobloglimpinhoecheiroso

Leave a Response

Please note: comment moderation is enabled and may delay your comment. There is no need to resubmit your comment.