O suicídio imagético dos médicos

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No último dia 12, a Folha de São Paulo publicou pesquisa Datafolha que deu conta de que, até então, o percentual dos brasileiros que aprovava a contratação de médicos estrangeiros para suprir a carência desses profissionais nas regiões empobrecidas tanto das cidades quanto do país, tornou-se majoritário. De lá para cá, esse apoio deve ter aumentado…

54% dos entrevistados pelo Datafolha disseram, então, aprovar o programa “Mais Médicos”, do governo federal, que, agora, acaba de bater o martelo na “importação” de 4 mil médicos cubanos.

Em junho, o índice de aprovação ao programa era de 47%. Por outro lado, diminuiu o índice de reprovação — de 48% para 40% no mesmo período.

A pesquisa também mostrou que o apoio ao programa federal aumenta ou diminui de acordo com a classe social do entrevistado. Ou seja: as pessoas de classe social mais alta reprovam mais o programa, enquanto que as de classe social mais baixa aprovam mais.

A explicação para o fenômeno é muito simples: os que não têm problemas para ser atendidos por médicos por terem maiores recursos financeiros se prendem ao aspecto político da questão e se solidarizam com uma classe laboral que, em um país como o Brasil, origina-se exclusivamente das classes sociais mais favorecidas.

As entidades de classe dos médicos, então, declararam uma guerra ao programa “Mais Médicos” que, aparentemente, seria inexplicável.

O “Mais Médicos” foi elaborado para suprir com médicos estrangeiros as regiões nas quais os médicos brasileiros não querem trabalhar, ou seja, nas periferias das grandes cidades ou nas regiões e cidades mais afastadas e empobrecidas do país. Ora, se trabalhar nas regiões mais carentes não interessa aos médicos brasileiros, por que, então, eles não querem que os estrangeiros trabalhem?

Cobrados sobre tal contradição, os médicos tupiniquins trataram de conseguir uma explicação pretensamente plausível: estão preocupados com a população, que seria atendida por profissionais “despreparados” como seriam os tais médicos cubanos, apesar de Cuba ter índices na saúde que deixam os de um país como o Brasil no chinelo.

Segundo os médicos brasileiros… Ou melhor, segundo a parcela gritalhona dos médicos brasileiros que declarou guerra o programa “Mais Médicos”, eles não trabalham nas regiões pobres porque elas não teriam a estrutura de que necessitariam para desempenhar a contento as suas funções.

A “explicação”, porém, cai por terra quando se verifica que há um impressionante volume de hospitais bem montados, com equipamentos e tudo mais de que um médico possa precisar e que só não funcionam direito justamente por falta de médicos.

Nesse aspecto, matéria recente da Agência Brasil, entre muitas outras, desmascarou a desculpa das entidades de classe dos médicos e da parte ruidosa de uma categoria que, mais adiante, veremos que tem razões muito diferentes das alegadas para não querer trabalhar nas regiões ermas e empobrecidas das urbes e do país.

A matéria relata que a diretora do Hospital Pedro Vasconcelos, da cidade Miguel Alves, no Piauí, reclama da ausência de médicos no município apesar de ele ter um hospital equipado.

Miguel Alves tem cerca de 32 mil habitantes. O hospital local tem, sim, estrutura mínima e pode, por exemplo, realizar um exame de raio-X a qualquer hora, pois o equipamento funciona 24 horas por dia. Contudo, por falta de um ortopedista em 80% dos casos há que encaminhar o paciente para a capital, Teresina, a 100 quilômetros de distância.

A diretora desse hospital argumenta que especialistas ajudariam a tratar os casos menos graves e a fazer diagnósticos mais precisos, mas o centro cirúrgico do hospital está desativado por falta de profissionais.

Nesse mesmo hospital, um outro exemplo: a sala de ultrassom está perfeitamente operacional, mas fica ociosa a maior parte do tempo. Funciona apenas uma vez por semana, no único dia em que o médico responsável pelo exame vai à cidade, quando vai.

Na avaliação da prefeita de Miguel Alves, Salete Rego, “A dificuldade de fixar médicos, especialistas e generalistas está associada ao fato de o município ter 68% da população vivendo na zona rural. Quem é urbano, dificilmente quer viver em um ambiente rural“, disse.

A assessoria do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, garante que o Ministério da Saúde tem como demonstrar que esse problema se generaliza pelo país afora: haveria, sim, hospitais, equipamentos e tudo mais para atender boa parte das populações das regiões mais carentes. Segundo o MS, pode faltar equipamento em algumas regiões, mas naquelas em que há estrutura não há médicos que queiram trabalhar nelas.

Com efeito, a falta de estrutura seria muito mais fácil de resolver do que a falta de médicos. Falta de equipamentos se resolve com dinheiro – é só comprar. Médicos, não. Mesmo pagando altos salários, os profissionais não querem se deslocar para regiões sem shoppings centers e ruas arborizadas, só para ficarmos num exemplo frugal.

E ainda vale lembrar que os médicos – ou uma parcela expressiva deles –, desmascarados, procuram jogar a culpa pelo problema no governo federal por ter idealizado o programa que levará profissionais estrangeiros aonde os brasileiros não querem trabalhar. O fato, porém, é que saúde não é atribuição só do governo federal.

Mas por que, então, os médicos brasileiros se opõem tão furiosamente a um programa que suprirá a falta deles em regiões em que não querem trabalhar? Nesse ponto, matéria recente do SBT dá uma pista. Alguns médicos chegam a se empregar em hospitais para a população humilde, sim, mas recebem sem trabalhar. Vão a esses hospitais, batem o ponto e vão embora em seguida.

Confira, abaixo, a impressionante matéria do SBT.

Eis, aí, uma das principais razões pelas quais uma parcela expressiva da categoria médica não quer “concorrência” estrangeira. Para fazer um “bico” em alguma região pobre, médicos ganham fortunas e nem têm que trabalhar de fato, atuando apenas quando não tem jeito. Não querem, pois, perder essas “tetas”.

Claro que toda a generalização é burra. E não é porque a maioria apoia alguma coisa que ela está certa. Contudo, quem de fato precisa da saúde pública sabe que faltam mais médicos no Brasil do que estrutura. Sobretudo no Norte e no Nordeste, como mostra a matéria da Agência Brasil comentada acima.  É por isso que os médicos cubanos, entre os de várias outras nacionalidades, deverão atuar, preferencialmente, nessas regiões.

As desculpas dessa expressiva parcela da classe médica, portanto, não enganam o povo. Podem enganar pessoas das classes mais abastadas, que são minoria da minoria e não dependem da saúde pública. Mas a população que precisa, que é maioria esmagadora, conforme vai tomando conhecimento do “Mais Médicos” vai apoiando o programa.

Apesar das desculpas esfarrapadas dos médicos e da facilidade com que podem ser descontruídas, essa expressiva parcela da categoria parece estar dopada pelas mentiras que propala.

O nível de falta de noção dessa parcela expressiva desses profissionais é tão grande que não faz muito tempo uma manifestação deles saiu às ruas gritando que médicos são “ricos e cultos”, como que para “avisar” o governo para que “não mexa” com eles.

Os médicos gritalhões e espertalhões, portanto, conspurcam a imagem de toda a categoria, apesar de, obviamente, haver nela gente decente e responsável.

A classe médica, com o silêncio de sua parcela ética, está cometendo um verdadeiro suicídio de imagem pública. É visível que entre a população mais humilde os médicos estão se desmoralizando cada vez mais com essa cruzada contra um programa que pode salvar incontáveis vidas.

Vale, pois, um alerta à parcela decente e responsável dos médicos – que se supõe que deve existir. Esses profissionais devem criar coragem e enfrentar o corporativismo da categoria dizendo publicamente que os gritalhões não os representam, pois o “Mais Médicos” vai fazendo cada vez mais sentido para uma maioria crescente dos brasileiros.

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220 Comentário

  1. Essa é uma das expressões mais evidentes do racismo e da falta de sensibilidade da classe mérdia brasileira.

  2. Como médico, sinto-me constrangido com a postura atual de nossas entidades de classe. Não me sinto representado por elas em relação ao mais médicos e ato médico.

    • Dr. fale isso publicamente pra não ser confundido com a minoria irresponsável

      • Faço questão de deixar claro, Aninha, sempre que tenho oportunidade. Acho que o texto do Edu foi (como habitual) muito preciso em captar a mensagem que a categoria está passando à população. Imagino que pagaremos um preço com o tempo. Abs Carlos

  3. Como sempre observamos, os “doutores CRMs” parecem dedicar um cuidado especial em manter seus jalecos sempre limpos e branquinhos, porém seus caráter e atitudes demonstrados até agora estão mesmo é precisando de uma “boa lavagem”.

  4. Sugestão para palavras de ordem das “manifestações” contra os médicos cubanos:

    “Somos ricos e canalhas,
    não cuidamos de gentalha.”

    “Nem que meu salário dobre,
    eu não cuido de gente pobre.”

  5. Caro Eduardo Guimarães, apenas gostaria de dar uma dica simples para ajudar o carregamento das suas páginas. Veja que a imagem acima das médicas mafiosas é da extensão .bmp ou bitmap com 546kb quando poderia ser em .jpg com 10 ou 12 vezes menos peso. Um arquivo de 50kb por ex. Isso é fácil de fazer, basta salvar como jpeg ou exportar para jpeg dependendo do editor de imagens que se usa.
    Quanto ao texto em si quero parabenizá-lo pois concordo totalmente com suas colocações. Abs

  6. A desculpa inicial era que não havia “infraestrutura” e “plano de carreira”.

    Depois que essa desculpa foi desmascarada, os mauricinhos e patricinhas acusaram os médicos cubanos de incompetentes.

    Como essa também não colou, agora estão dizendo que são contra o “Mais Médicos” porque os médicos cubanos são ponta de lança da “invasão” cubana. Tomara que sejam mesmo.

    EUA distribuem bombas. Cuba distribui médicos.

    Aliás, no Haiti os médicos da Cruz Vermelha caíram fora, assim como os estadunidenses. Ficaram 4 mil médicos cubanos, sustentando o sistema de saúde precário do país.

  7. Foi bom você ter avisado para que não caiamos em generalizações, há bons profissionais, eu mesmo conheço um que está trabalhando nas comunidades ribeirinhas de Belém, sou totalmente a favor da vinda dos médicos cubanos e de outras nacionalidades que vem solidariamente prestar serviços àqueles que carecem de assistência de saúde, esse bando de mercenários que cacareja nas ruas não nos representa, são inimigos do povo, tem mansões, jatinhos e tem matrícula no serviço público certamente para roubar o material dos hospitais e levar para seus consultórios chiques, cuja consulta, a mais “barata” está por cerca de R$200,00 e mais, São Paulo, por incrível que pareça, também precisa de médicos, assim como o Rio, para a periferia dessas grandes cidades, a saúde está gravemente enferma e precisa de mudanças, quem deve cair fora, são esses “médicos” das classes altas, apodrecidos pela mercantilização, até um pedacinho de gaze, esparadrapo, essas clínicas particulares safadas cobram.
    Bienvenidos todos.!

  8. Meu Caro Edu…

    o problema é que esta tal “parcela ‘ética, decente e responsável'” que você reclama é minúscula, se é que existe! A Cynara Menezes, em seu “Socialista Morena”, posta um texto muito pertinente sobre a postura do médicos brasileiros, vale a pena. De resto, o problema é de caráter, de humanidade… ou melhor, da falta de caráter e de humanidade…

    Leo Mendes Filho
    (Parauapebas/PA)

  9. É verdade, Roberto. Olha a grande diferença (que ironia do destino): enquanto a democracia americana distribui morte, à custa de milhões de dólares, “a ditadura cubana” distribui saúde pelo mundo, com parcos recursos.

  10. “Ricos” até pode ser, “cultos” jamais, já que representam nossas classes média e alta, as quais, destacam-se principalmente pela burrice, ignorância (fazer faculdade não dá cultura a ninguém)e mesquinheza espantosas e assustadoras. As patricinhas com os cartazes da foto acima, a macaquearem sua maldade e imbecilidade em letras coloridas, são um exemplo do que são essa gente e a classe a que eles pertencem(obviamente há exceções, mas por serem exceções não negam a regra, ao contrário, sua condição de minoria só confirma a afirmação), que controlam a saúde no Brasil, sendo responsáveis diretos pelos problemas terríveis que temos num país com carência gigantesca de profissionais dessa área, a qual, reitero que não é maior nessa ou naquela região, mas em todas as regiões e também dentro das cidades consideradas “desenvolvidas”, pois a matéria do SBT revela um situação caótica e canalha, médicos que aparecem, batem o ponto e não trabalham, que ocorre num Hospital público de São Paulo, poderia ocorrer num de qualquer outra capital brasileira, além do que se fizermos um estudo estatístico dos índices de saúde nas periferias das grandes cidades e interiores menos afastados, veremos que se forem retiradas as “facilidades” de deslocamento que esses locais possuem(estão próximos de grande hospitais e têm vias de acesso mais transitáveis)perceberemos que se dependessem apenas das estruturas de saúde localizadas neles mesmos(quantidade de médicos e hospitais que possuem) seus indicadores de saúde seriam semelhantes aos dos locais mais miseráveis e afastados do Brasil. Portanto, em se tratando de saúde o problema é bem mais classista do que propriamente geográfico, ou seja, o caos está ao nosso lado, na periferia de nossas cidades que vivem a mesma falta de médicos dos interiores longínquos. E se vivem esse problema é exatamente pela composição classista e visão capitalista da classe médica, oriunda das classes média e alta, que alinham ao calhamaço de preconceitos sociais intrínsecos de suas classes a uma visão mercantilista da profissão, exacerbada nas próprias Faculdades de Medicina(que são em boa parte públicas, sustentadas pelo dinheiro de todos os cidadãos, mas formam médicos oriundos das classes que mais têm recursos para custar a educação com os próprios meios), as quais ajudam a incutir nesses profissionais um completo descaso pela vida, um desprezo ao semelhante e um apego sórdido ao enriquecimento. A chegada dos médicos estrangeiros além de suprir um problema urgente, carência de médicos, ajudou a escancarar quem são de fato esses profissionais, e principalmente no que diz respeito aos cubanos, trará para o Brasil uma outra visão da Medicina, já´que teremos profissionais de QUALIDADE MUITO SUPERIOR A DOS MÉDICOS BRASILEIROS(PARA QUEM NÃO SABE, CUBA TEM NÃO SOMENTE INDICADORES DE SAÚDE EXTRAORDINÁRIOS, MELHORES QUE OS DOS EUA E ALEMANHA; MAS TAMBÉM É PIONEIRA EM PESQUISA E TRATAMENTOS DE SAÚDE, SENDO O ÚNICO PAÍS DO MUNDO QUE POSSUI, ENTRE OUTROS ÊXITOS, A CURA PARA A RETINOSE PIGMENTAR, DOENÇA DEGENERATIVA DOS OLHOS QUE LEVA À CEGUEIRA, E SÓ NA ILHA TEM ESSE PROCESSO DEGENERATIVO INTERROMPIDO, GARANTINDO A MANUTENÇÃO DA VISÃO. ALÉM DE SER PIONEIRA NA DESCOBERTA DE VACINAS), MAS QUE APESAR DA SUPERIORIDADE EM CONHECIMENTOS, TÊM UMA VISÃO HUMANISTA DA MEDICINA, SEM ARROGÂNCIA, E VÊEM SEU OFÍCIO COMO UMA MISSÃO, ALÉM DE TEREM UMA COMPOSIÇÃO PLURAL, JÁ QUE A MAIORIA TEM ORIGEM NAS CLASSES OPRIMIDAS DE ANTES DA REVOLUÇÃO, AS QUAIS GRAÇAS AO SOCIALISMO CONSEGUIRAM FORMAR SEUS FILHOS. OU SEJA, TEREMOS MÉDICOS BRILHANTES, FILHOS DE CAMPONESES E OPERÁRIOS, QUE PUDERAM ESTUDAR GRAÇAS A UMA NOVA SOCIEDADE QUE SURGIU EM SEU PAÍS, DIFERENTE DAQUELA ONDE VIVERAM SEUS PAIS, E QUE ALÉM DO CONHECIMENTO GANHARAM DESSA SOCIEDADE A INEXISTÊNCIA DE PRECONCEITOS E A PREOCUPAÇÃO COM O PRÓXIMO. Sobre os médicos cubanos, só um exemplo de sua devoção à profissão neste pequeno episódio : Conta-se que Milton Nascimento foi fazer um show em Cuba e sentiu-se mal, foi atendido e medicado por um médico cubano. Após o término da consulta, Milton quis pagar ao profissional por seus serviços, ao que o médico recusou-se a receber dinheiro, afirmando ao cantor que exercia a medicina para servir às pessoas, não por dinheiro. E ainda não entendem como o Socialismo é extraordinário!

  11. Caro blogueiro,

    Você cita que o médico brasileiro não quer ir trabalhar nas periferias mesmo quando há estrutura adequada eu, como médico, lhe explico o porquê: o vínculo oferecido por essas prefeituras é precário! O médico que se dispõe a trabalhar nessas regiões não tem nenhum, repito nenhum, direito trabalhista, sejam férias, licença saúde ou 13o salário, sequer a garantia de que vai receber os tão propagados altos salários que os prefeitos dizem que pagam, entreviste qualquer médico que trabalhou no interior e todos sem exceção já levaram calote! Por isso nenhum de nós se propõe a ser moeda de propaganda partidária! Segundo nenhum de nós é contra a vinda de médicos de Cuba, da China, Afeganistão ou da Faixa de Gaza que seja! Somos contra a NÃO revalidação dos seus respectivos diplomas! Algo que é exigido em qualquer país minimamente sério, diga-se de passagem que o Revalida é apenas uma prova teórico-pratica enquanto que em países como os EUA o processo de revalidação pode chegar a 02 anos!!! Ora se esses médicos cubanos são assim tão bons por que 90% deles foram reprovados na revalidação? Mas claro que para o governo é mais fácil acusar os médicos de mercenários e playboys do que promover uma real estruturação do SUS com concursos públicos com bom salário e boa infra-estrutura não apenas para nós, mas todos os outros profissionais de saúde!

    • Que é isso “Dr ? Carlos”? Não é bem assim… Eu resido em uma cidadezinha de 60 mil habitantes, Euclides da Cunha, na região nordeste do estado da Bahia, com várias outras cidades de menor porte ainda ao redor, portanto vou lhe falar com profundo conhecimento de causa. Para a nossa cidade e região nenhum médico de ponta aceita trabalhar. As desculpas são diversas, a mais ouvida é que a cidade não oferece opções de lazer e conforto para suas famílias, os que vêm pra cá são estagiários em sua maioria e não se conformam em ganhar menos de 8 mil reais por semana. Explico: Trabalham em regime de plantão todos os dias da semana a + ou – 2 mil reais por plantão, colocando à frente de tudo uma ganância exacerbada pelo dinheiro, querem enriquecer em 2 ou 3 anos de profissão. Como dão plantão todos os dias, não tem tempo para o sono, que é vital e sagrado, eles ficam quase sempre no conforto médico, obrigam enfermeiros e técnicos irem bem além dos seus conhecimentos e responsabilidades. E quando chega alguma emergência que eles vão atender quase sempre estão com sono e com um péssimo humor, precarizando ainda mais o atendimento.
      Com relação a estrutura hospitalar é tudo balela. Apenas falta médico.
      Amigo Carlos, vocês estão achincalhando com a profissão. Se não querem os rincões desse país é um direito de vocês, agora queiram a desgraça e a morte da nossa gente. Deixem vir pra cá Cubanos, Venezuelanos, Pré-colombianos, Incas, Maias, Astecas… Garanto pra vocês que são melhores que muitos estagiários cheios de má vontade que exercem medicina por aqui. Quanto ao revalida Dr é uma situação emergencial. E é realmente emergencial. A população menos favorecida sabe disso. Aliás, sente isso na pele.
      Dr. Ficar contra o “Mais médicos” é fazer política contra o governo e atentar contra a vida dos mais pobres.

      • Seu comentário é correto, Eliezer Batista.
        Nossa doméstica confirma que em Miguel Alves, Piauí, há um hospital montado em que faltam muitos médicos.
        Confirmo também que, no DF, médicos, que estudaram de graça na UnB, fazem residência em 2 e até 3 hospitais particulares (ao mesmo tempo) – até mesmo em UTIs (!!!) – como plantonistas, fazendo 3 plantões por dia e ganhando uma “baba”.
        Além disto, trabalham sem contrato nestes hospitais, até onde sei. Mas, não querem trabalhar no SUS. Por isso sou a favor de 2 anos de trabalho no SUS para profissionais de saúde formados em universidades federais. Penso que deveria ser mais extenso ainda o tempo e que seja a exigência estendida a qualquer universidade pública.

      • Parabéns, Eliezer. Infelizmente uma grande parte da classe médica ( não são todos, graças a Deus ), está totalmente contra o governo e fazendo campanhas mentirosas e insensatas contra o projeto. Elogio nessa oportunidade, os médicos justos e de bom senso que têm através dos Blogs, mostrado suas simpatias ao projeto do governo! Que recebam nossas congratulações!!

    • Para um advogado exercer sua profissão, tem que ser aprovado num dificílimo exame, obrigatório, da OAB. Os conselhos de medicina promovem um tipo de exame de avaliação similar, com os médicos, NÃO OBRIGATÓRIO. Poucos médicos se sujeitam a esses exames. 50% dos que se inscrevem, VOLUNTÁRIAMENTE, não comparece às provas. Dos que comparecem, VOLUNTÁRIAMENTE, mais de 50% são reprovados. Os conselhos de medicina, com seu corporativismo, não publicam o resultado desses exames. E os reprovados seguem, faceiros, exercendo sua profissão, mesmo sem o menor preparo para tal. A aversão aos médicos estrangeiros, principalmente aos cubanos, é puro medo de serem comparados.

      • Uma correção: na verdade quem promove essas provas voluntárias de avaliação médica é a AMB e não os conselhos de medicina. No resto do comentário nada muda

  12. Realmente esta uma vergonha o comportamento das entidades médicas. Como conheço a classe (sou médico), não esperava coisa muito diferente. E não adianta avisar ou manifestar-se a respeito, é cegueira ideológica braba. Sem muita chance de consertar a curto prazo. Não vou sair gritando por isso, Edu. O tempo vai desmoralizar essa posição, e conheço muitos colegas (uns 30%) que vão sentir vergonha no futuro (médio pra longo prazo).
    E o pior é que isso acaba atrapalhando um proposta excelente que é a da carreira de Estado do médico, necessária e urgente. Alem de ter atrapalhado a regulamentação da profissão médica, a unica das 14 profissões da área da saúde que ainda não era regulamentada.

  13. Como faz frequentemente, voce pegou o assunto, o cercou, e de la tirou todas as conclusoes possiveis, simples e diretamente. Pra mim Nao resta mais nada a ser dito, a Nao ser para a “ala etica dos medicos” !

  14. No link, um hospital de Cuba, que deixa os do Brasil no “chinelo”, realmente não sei dizer qual é pior, mas antes de defecar com palavras perceba que o problema não são os médicos, e sim as condições! Pelo amor de Deus, um médico ganha uns R$200 pra fazer uma cirurgia pelo SUS enquanto a PRESIDENTE gasta R$3000 com maquiagem para aparições públicas e os deputados federais ganham R$ 26.723,13 pra trabalhar em toda mordomia (e olha que não são os sete dias da semana).
    Toma vergonha nessa cara de tacho, que essa manipulação só engana trouxa, que acha que essas suas palavrinhas infames sobre o elitismo de médicos são sérias.
    “parabéns pelo artigo”, me poupe!
    http://www.therealcuba.com/Page10.htm

  15. Essa guria de jaleco branco, segurando o cartaz em primeiro plano está, com uma cara de bravinha, igual a uma patricinha que foi comprar um par de sapatos, gostou e não tinha o número dela. Não está?

  16. Eduardo, sou mãe de três médicos e sogra de dois e estou muito contente com a vinda dos médicos estrangeiros. Isso já devia ter acontecido há décadas. Espero muito que o SUS seja fortalecido. Creio mesmo que será.

    Quanto ao aspecto eleitoreiro do programa, por que não? Faz parte do jogo político, uai! Felizmente é para o bem. O combate ao programa também é eleitoreiro, com a diferença que é para destruir os parcos ganhos sociais do governo Lula e do atual.

    Que venham agora os professores dos quais o país tanto precisa. Que venham instruir os brasileiros que não se dão conta que o petróleo, as estradas, os portos, os aeroportos, as comunicações, o capital , enfim, os pontos estratégicos do nosso país estão em mãos estrangeiras. Nada de novo desde 64, ou melhor, desde 1500!

  17. Os médicos têm que entender que a verba da Saúde não é única: ela é composta da verba federal, dos repasses constitucionais do governo federal a estados e municípios e das verbas próprias desses entes federativos. O atendimento também não é unitário – por ser uma responsabilidade compartilhada, cada ente tem sua própria responsabilidade. Investir no Mais Médicos, portanto, não retira dinheiro dos municípios e estados, ou seja, não pode ser responsabilizado pela eventual falta de plantonistas nas capitais. Por outro lado, a decisão é de um governo eleito, com base em opiniões de especialistas em Saúde, e não palpites de leigos ou de analistas individuais e o programa atende a uma demanda importante. Quanto aos médicos que farão parte do programa, seus currículos podem ser validados por convênios existentes entre o Brasil e diversos países e organismos – o sistema de acreditamento ou reconhecimento de diplomas estrangeiros já existe há muito tempo e obedece a normas próprias. No caso, os médicos que virão devem ter larga prática e currículo compatível com o exigido dos formandos brasileiros. São médicos com uma média acima de 15 anos de prática em missões em vários países e com especialização em doenças tropicais e atendimento domiciliar. A lama que associações e conselhos de medicina, em colaboração com a mídia tucana, estão jogando na iniciativa e nos próprios médicos que estão chegando é fruto do corporativismo e da oposição política desleal. Não há, tampouco, ‘trabalho escravo': o salário idêntico ao que foi oferecido aos médicos brasileiros que aderiram ao programa, de dez mil reais mensais, é o que será repassado à OPAS, que é quem contrata e paga os médicos – que não estão vindo acorrentados ou obrigados, diga-se de passagem.
    Chega de idiotices!!! Médicos estrangeiros sim! O Brasil é um dos países com menor índice de profissionais de saúde estrangeiros. Chega de xenofobia e politicagem barata!!!

  18. Ora.

    Dizer que o programa é emergencial é balela. O problema está aí há décadas. Nunca foi atacado. Agora, um surto…..
    Dizer que o médico é a figura central da saúde é errado. A saúde é mais que a ausência de doença. O povo não tem noção de higiene, prevenção de DST, come mal, mora mal, dorme mal.
    Fácil querer culpar o médico.
    Fácil chamar de playboys, quando os governantes se tratam diretamente com os especialistas do Sírio. Fácil para esses blogueiros qurerem mandar os outros pros rincões que eles mesmos não vão.
    Dizer que isso é um projeto é uma loucura. É um rabisco feito às pressas, nas coxas, e ideologicamente contaminado pela idolatria ao regime DITATORIAL, atrasado, de Cuba.
    Uma parceria legal os Castro- ditadores e notórios assassinos.
    Os médicos cubanos são meros funcionários do governo Cubano, que é uma “empresa” terceirizada neste ramo. Não devem ser hostilizados. Estão aí como poderiam estar em qualquer biboca do mundo. É um serviço interessante este prestado pelo Governo Cubano, de maneira inteligente, para ganhar dinheiro.
    Não deixa de ser absurdo e inaceitável o fato de que médicos batem ponto e não trabalham… É tragicômico.
    Quer serviço estatal decente? Fácil. Pague bem, carreira estável, dedicação exclusiva. Vai sobrar candidato bom. Veja que nos rincões não faltam juízes ou promotores. Carreira de estado médica é o caminho. Mas demora e o Sr Padilha (do diploma duvidoso) quer se eleger logo… E assim caminha, a passos largos, o inexorável fracasso brasileiro. Talvez sejamos assim mesmo, é nossa vocação- a derrota, a sujeira, as ruas esburacadas, os aeroportos-favela, as mentiras, a corrupção, o povo preguiçoso e como bem disse o Mino Carta, “Estupidamente festeiro”. Nos vemos no bloco dos Cubanos no Carnaval.

    • Olha, boa sorte para os médicos que vierem aqui argumentar.
      O texto está tão tendencioso, tão com vontade de amaldiçoar os médicos, que preferi ir atender os meus pacientes do convênio, ou os que eu atendo de graça, hoje já foram 3, e olha que nem é o dia em que faço atendimento voluntário. Boa sorte aos colegas, que já vejo que estão escrevendo bem.
      Gostaria de saber a carga horária da formação do colunista, pra ver se ele faz idéia do que é o tempo de estudo e formação de um médico.
      Ah, acabei de ver que a próxima paciente minha, aqui, é também atendimento voluntário.
      Como sou mercenário…

      • Meus textos sempre deixam claro que há exceções na classe médica, mas você, pelo jeito, não passa de um demagogo barato querendo atribuir aos médicos uma conduta humanista que, ao menos os médicos brasileiros, não têm. A maioria é mercenária, desumana, egoísta

  19. Argumentação bem contradizente. Se no interior paga-se fortunas gigantescas sem trabalhar, por que é que os médicos não estão lá?

  20. Respota ao Programa “Mais Médicos”
    Sou médico geriatra: 6 anos de graduação na Universidade Federal do Paraná (UFPR), 2 anos de Residência em Clínica Médica no Hospital de Clínicas-UFPR e 2 anos de residência em Geriatria no Hospital das Clínicas USP-Ribeirão Preto. Trabalho no SUS, trabalho atendendo convênio (de forma terceirizada) e atendo particular. Escrevo na intenção de esclarecer minha visão a respeito da política de saúde adotada principalmente nos últimos meses. Assim, divido o assunto em 7 partes:
    1o) Vinda de médicos do exterior: Partindo do pressuposto de que todos já saibam que o programa “Mais Médicos” já está pronto há 1 ano e meio e que não foi uma resposta às manifestações. Até porque após as manifestações, que tinham como lema “a melhora da segurança, da saúde e que condenava a corrupção”, a presidente Dilma se reuniu com 3 pessoas que nada ajudariam nesse sentido: o marketeiro, o ministro da defesa, e o ex-presidente e atualmente em investigação por improbidade administrativa Lula. Primeiramente, a maioria dos médicos estrangeiros estão também concentrados nos grandes centros. No Paraná, dos 136 médicos do programa “Mais médicos” somente 24 estão em locais onde não havia médico fixo anteriormente. Porém, a vinda de médicos não se justifica. Façamos o cálculo: há 400.000 estudantes de medicina no Brasil; dividindo por 6 (pois são 6 anos de medicina no Brasil… em Cuba é metade), para chegar ao número de médicos que se formarão neste ano, obtemos mais de 66.000 médicos. Destes, aproximadamente 1/3 (pelo menos) atuarão no SUS (em tempo integral ou em parte de sua jornada de trabalho). O número final portanto são de 22.000 médicos. O programa “Mais Médicos” quer trazer em torno de 10.000 médicos do exterior. Veja que a pergunta a se fazer é por quê esses 22.000 médicos brasileiros não vão até as áreas mais carentes do país trabalhar. Essa resposta inclui: a) falta de remuneração, a qual somente é paga nos primeiros meses e, posteriormente, quando o médico recebe, o pagamento vem com atraso; b) falta de carreira de médica (o presidente do CFM somente aderiu ao programa, pois lhe foi prometido que haveria carreira de estado para o profissional médico, o que não foi feito!); c) contrato sem carteira de trabalho ao qual o programa “Mais Médicos” da mesma forma assim o realiza; d) falta de estrutura para o trabalho. Este merece um tópico só dele, mas antes quero denunciar de que médicos brasileiros continuam sendo substituídos por aqueles do programa “mais médicos” (tenho diversos relatos comprovados).
    2o) Infraestrutura: Após o atendimento médico, em média cada médico solicita 5 exames de sangue e 1 de imagem para o paciente. Aproximadamente, a demora do Raio-X é de 1 mês, da ultrassonografia é de 4 meses, da Tomografia de 8 meses, e da ressonância de 1 ano. Se houver mais atendimentos médicos sem primeiramente a melhora da infraestrutura, o que ocorrerá é que a demora para a realização de exames será duas vezes mais lenta, ou seja, uma Tomografia, por exemplo, demorará mais de 1 ano e meio para ser realizada. Este exame é muito importante na detecção de diversos tipos de câncer. Nesse contexto, a demora no diagnóstico irá dobrar! Repassando a culpa unicamente para os servidores da saúde, o governo aprovou uma lei que obriga o início do tratamento do câncer em até 2 meses após o diagnóstico. O problema é que para a realização desse tratamento é necessário aumentar o numero de vagas no ambulatório dos hospitais, assim como o número de leitos. Porém houve redução de 42.000 leitos no SUS nos últimos 7 anos. Só no Paraná foram reduzidos 951 leitos em 3 anos, sendo 94 leitos este ano no maior Hospital do Paraná, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Entenda o caos que se instaurou na saúde: sem leitos, os pacientes mais graves virão à óbito aguardando leitos. Mas o problema não é só a falta de leitos. Falta fio de cirurgia, falta vacina no posto, falta seringa para administração de insulina, faltam eletrocardiogramas e outros meios diagnósticos, faltam medicações básicas para hipertensão, diabetes, e tantas outras doenças… enfim, falta infraestrutura. A afirmação, portanto, de que o “problema no Brasil é a falta de médicos” me parece tão absurda quanto dizer que o problema das estradas, avenidas e ruas é por falta de motorista de ônibus, de guardas ou de radares.
    3o) Diferença no tratamento médico de políticos e do povo: Políticos são tratados no Hospital Sírio Libanês e com o nosso dinheiro, pois dispõem de uma verba “astronômica” para isso. Nesse mesmo contexto, vemos as diferenças do tratamento: A presidente Dilma recebeu um medicamento chamado Rituximabe que, hoje, é um dos pilares para o tratamento do Linfoma (espécie de “Câncer” do sistema linfático); porém esta mesma presidente vetou o uso dessa medicação no SUS. Genoíno, Sarney, Lula, Dilma entre tantos outros foram sempre transferidos ao Hospital Sírio-Libanês.
    4o) À respeito do “Exame de Ordem” ao final do curso de medicina: Uma ouvinte no programa da CBN no horário do 12:00-13:00 do dia 04/11/13 referiu que deveria haver uma prova ao final do curso de medicina, tal qual há no curso do exame de ordem da OAB. Veja, essa é a forma de tentar remediar o problema e não ir na cerne dele. É o mesmo que dar cotas em universidades em vez de melhorar o ensino básico. Não se pode dar um diploma médico em qualquer faculdade ou universidade sem que o formando esteja apto para realiza-lo. Aí que está o problema. O governo deve fiscalizar as faculdades/universidades para que isso não ocorra. Caso contrario, teremos “exames de ordem” para engenheiros, pedagogos, jornalistas, arquitetos, matemáticos, geógrafos… Esse não é o caminho. Ainda, o governo diz que aumentará a vaga de graduação em medicina, porém não investiu em mestres e doutores, não deu recursos para a implementação de serviços capazes de formar bons médicos. Traduzindo, haverá cada vez maior porcentagem de maus médicos no Brasil.
    5o) Má Gerência dos Recursos: Em 2012, houve a maior redução de verba justamente na saúde com corte de 5,47 bilhões da saúde o que equivale a 6% da verba aprovada pelo congresso. Isso após derrubar, pela emenda constitucional no 29, a destinação de um percentual mínimo da receita para saúde, ou seja, eles cortaram parte do mínimo repasse que deveria ser feito para a saúde! O que já era pouco, ficou menor ainda. Só para constar o segundo maior corte foi na educação.
    6o) Exame do “Revalida”: Este exame tem o único objetivo de promover a segurança da população ao trazer médicos estrangeiros, ao querer provar que estes estão aptos, no referente a conhecimento, para tratar dos brasileiros. A maior falácia foi o discurso do ministro Padilha ao dizer que “os médicos estrangeiros não podem fazer o revalida, pois senão eles poderão atuar em qualquer lugar do país e não somente onde queremos que eles atuem, onde a população mais precisa”. Isso é o mesmo que dizer que somente poderei contratar um empregado por tempo determinado se eu não entrevistá-lo! Veja o absurdo da declaração. A forma, maneiro e onde eles vão trabalhar é definido através de contrato e não através de uma prova de conhecimentos. Esse argumento é tão absurdo que não sei nem como a mídia realmente divulgou a declaração citada sem nem rebatê-la. Quando aplicada, a estudantes brasileiros do sexto ano de medicina, 70% passa na prova, contra menos de 10% dos estrangeiros. Neste ano, dos 1.595 médicos estrangeiros que prestaram prova do Revalida, apenas 155 (9,7%) passaram. Isso nos traduz que muitos não apresentam a habilidade mínima exigida.
    7o) Quem responderá pelo erro do médico do programa “Mais Médicos”: Esse é um assunto muito ardiloso. Após constatado o erro de um médico estrangeiro, quem será o responsável? E se ele voltar ao seu país sem responder judicialmente?

  21. Jornalismo barato. É claro que a situação descrita pode ocorrer em um local ou outro mas o caro jornalista mostra-se completamente tendencioso. Não realizou nenhum contra ponto…assim fica fácil escrever….reportagem superficial…mestre do disfarce.

  22. Fico profundamente triste em ver uma reportagem como essa. Sou médico há 11 meses, recém formado por uma faculdade federal, vejo os meus pais, que trabalharam toda a vida como feirantes ainda suarem, mesmo após eu ter conseguido realizar o meu sonho. Atualmente trabalho como médico temporário do exercito e presto assistência ao SUS, através de plantões em CAIS e SAMU. E antes que me atirem pedras gostaria de chamar a cada um dos que me chamaram de mauricinho a comparecer a uma das unidades onde trabalho. Que tal? Em apenas alguns minutos já consigo lhes mostrar que mesmo trabalhando numa CAPITAL, existem medicações vencidas, falta respirador (aparelho que permite a respiração de pacientes inconscientes), e também mostro diversos pacientes que estão aguardando vagas de UTI… A reportagem acima cumpre a função apenas de manifestar a sua opinião através da crítica. Fala de uma infra-estrutura que se quer ela mesma viu… Ao contrário do que vc acha meu jaleco está sujo de sangue, já constatei alguns óbitos , alguns por falta de exames que pudessem comprovar um câncer de forma precoce, e dessa forma me sinto completamente desmotivado. Acusar por acusar é muito fácil,, mas estar na nossa pele na hora de dar a notícia de uma morte a uma mãe , todos olham para nós… Infelizmente com tão pouco tempo de formado , já começo a perceber que o Brasil não valoriza quem se capacita. E a população adora ser manipulada 1 ano antes das eleições

    Viva o marketing eleitoreiro. Destruir uma classe trabalhadora. Para se ganhar uma eleição. Esse é o PT.

  23. Minha pergunta: você é médico? Já trabalhou no interior? Se não, então acho que vc não tem condição de saber exatamente o que acontece. Eu sou médica e após 9 anos de formada, com residência em especialidade médica resolvi ir para uma pequena cidade do interior, almejando uma qualidade de vida melhor. Passei 4 anos nessa cidade, onde no inicio até material médico tive que comprar para paciente SUS. Sem reembolso! Bem, depois de quase seis meses sem salário da Prefeitura municipal, resolvi voltar, e sim depois de 16 anos na justiça consegui receber os salários atrasados! Por mais que se tenha amor a profissão, tudo tem limite, precisamos criar e educar nossos filhos, de preferencia com as mesmas ou melhores condições que fomos criados. Hoje tenho formação também em direito, conheço promotores, juízes, e funcionários do tribunal, que ganham do Estado muiiiiiito mais que qualquer médico, com vínculo trabalhista estável, plano de carreira e outras regalias, e são tratados pela sociedade com muito mais consideração e respeito. Por que?! Porque sua profissão não está sendo deturpada, destruída pela mídia, que mostra o que acontece com uma fração mínima de maus profissionais existentes em todas as categorias. Médicos até podem ganhar bem, mas para isso trabalham muiiito, se desgastam física e emocionalmente. A maioria de nós não sabe o que são todos os fins de semana livres, noites sempre em casa, natal, ano novo e carnaval sem trabalhar. Já pensaram nisso?!

    • Acredito que existam médicos decentes, mas a maioria de vocês cresce ouvindo do papai rico – só rico se forma médico, no Brasil – que irá ganhar muito dinheiro na profissão – e irá mesmo. Assim, crescem com essa mentalidade mercenária que 90% dos brasileiros, segundo as pesquisas, condenam

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  1. O suicídio imagético dos médicos | GOTADÁGUA

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