À época da fraude fiscal, Globo anunciava dificuldades

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Entre 2001 e 2002, a Globo Comunicações e Participações Ltda. (Globopar) operou um esquema financeiro para adquirir os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 que terminou sendo considerado fraudulento e criminoso pela Receita Federal, que a autuou.

A Globopar adquiriu uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas que cerca de um ano depois foi dissolvida, e os recursos apurados na operação foram usados pela Holding da família Marinho para pagar por aqueles direitos de transmissão.

A Receita representou com fins penais por aquela operação ter gerado evasão do pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), entre imposto principal devido, correção e multa. No total, a autuação somou mais de 600 milhões de reais.

Tudo isso ocorreu em uma época em que as notícias sobre os problemas financeiros das Organizações Globo se espalhavam pela imprensa brasileira e mundial.

Em outubro de 2002, a Globopar, então acionista da operadora de TV a cabo Net – da qual, futuramente, venderia a participação, para o grupo de comunicação mexicano Telmex – anunciou que iria renegociar novos prazos para quitar dívidas geradas por aquela participação societária.

À época, especialistas do mercado consideraram a medida como uma espécie de “concordata branca” da Globo.  O anúncio de suas dificuldades ocorreu no primeiro dia de operações do mercado financeiro após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência.

Naquele mesmo mês, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ainda presidente do PT, deputado José Dirceu, tratou da situação financeira dos grupos de mídia, incluindo a imprensa escrita.

Naquela entrevista, Dirceu afirmara que, apesar de a situação da imprensa nacional ser “preocupante” e merecer “ser analisada com cautela pelo novo governo” – o qual, pouco depois, passaria a integrar como chefe da Casa Civil -, não se pretendia utilizar recursos do BNDES para prestar socorro nem à Globo nem a outros veículos da mídia eletrônica ou impressa que se endividaram em dólar durante o governo Fernando Henrique Cardoso e que, com a maxidesvalorização do real, haviam ficado em situação econômica “preocupante”.

Eis, assim, a razão pela qual o governo Lula se tornaria “inaceitável” para esses grandes grupos de mídia: por se recusar a ajudar Globo, Folha, Veja, Estadão e companhia limitada a saírem do buraco em que FHC os meteu ao promover, no primeiro mês de seu segundo governo, a desvalorização do real que garantira, durante a campanha eleitoral de 1998, que não faria.

Parece difícil entender por que esses grupos de mídia defendem tanto um político que os meteu em uma fria como a descrita acima – FHC. A explicação é simples: se José Serra tivesse vencido Lula em 2002, o BNDES teria sido muito mais generoso com a Globo.

Isso sem dizer que as manobras do grupo empresarial da família Marinho para sair do buraco – as quais, tudo indica, passaram pela fraude fiscal – não teriam sido coibidas pela Receita, caso o PT não tivesse sido eleito e abandonado os barões da mídia à própria sorte.

Leia, abaixo, matéria de O Globo de 29 de outubro de 2002 sobre as próprias dificuldades financeiras.

—–

“Desvalorização do real faz Globopar reavaliar sua estrutura de capital”

 copyright O Globo

 29/10/02

“A Globo Comunicações e Participações S.A. (Globopar) anunciou ontem que vai reavaliar sua estrutura de capital, devido à desvalorização do real e da deterioração das condições econômicas no Brasil. A Globopar, controlada pela família Marinho, tem participações acionárias nos setores de televisão a cabo e via satélite, programação para TV por assinatura, editora de revistas e livros, gráfica e internet. As operações da TV Globo, da Infoglobo (que edita os jornais GLOBO, Extra’ e Diário de S.Paulo) e do Sistema Globo de Rádio são diretamente controladas pela família e administradas independentemente da Globopar.

Nesse processo de reavaliação, a Globopar e algumas de suas empresas controladas estão procedendo a uma revisão de seus planos de negócios, com ênfase na melhora da geração de caixa. Ao mesmo tempo, a Globopar e algumas de suas empresas controladas, a partir de hoje, reescalonarão o fluxo de pagamentos de suas obrigações financeiras. A Globopar espera dar novas informações sobre o processo nos próximos 90 dias.

A TV Globo é garantidora de parte das dívidas da Globopar, que já começou a conversar com alguns de seus credores. A Globopar contratou a Goldman Sachs & Co. e Houlihan Lokey Howard & Zukin Capital para o processo de reavaliação e atração de investidores. Debevoise & Plimpton e Barbosa, Müssnich e Aragão estarão prestando assessoria jurídica à Globopar. Já o Unibanco vai assessorar a Globopar com relação ao mercado brasileiro.

Membros da família Marinho investiram mais de US$ 170 milhões na empresa e em suas controladas nos últimos seis meses. Apesar do forte apoio financeiro de seus acionistas, a contínua desvalorização do real e a significativa redução de crédito para empresas brasileiras afetaram a dívida que a Globopar tem em dólares. Além disso, o prazo de retorno dos investimentos nos negócios de TV por assinatura se mostrou mais longo do que o esperado.

Apesar dos esforços da empresa e de seus acionistas para gerenciar a dívida da Globopar, por meio de significativos aportes de capital, a deterioração do ambiente macroeconômico evidenciou a necessidade de reavaliar o cronograma de pagamento da dívida da Globopar. Estamos trabalhando para rever nossos planos de negócios e tomar medidas para reduzir custos e aumentar o fluxo de caixa líquido. Esses esforços servirão como base para as conversas que pretendemos ter com os credores, disse Ronnie Moreira, presidente da Globopar.

A TV Globo não deve ser afetada de forma negativa pelo processo de reavaliação da Globopar. Segundo Roberto Irineu Marinho, presidente da TV Globo, a performance da TV Globo continua sólida, apesar das difíceis condições econômicas atuais. A programação da TV Globo permanece com os maiores índices de audiência e a empresa continua revendo suas operações para melhorar sua geração de caixa, mantendo a posição de líder baseada na alta qualidade de suas produções nacionais.

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78 Comentário

  1. Fora que em sua primeira entrevista como ministro , José Dirceu disse que dinheiro do BNDES serviria apenas para fomentar desenvolvimento e não para “tapar buracos”.
    Acho que isso deixou os Marinho, Frias e Civitas mais amedrontados ainda…

    • E furiosos

    • Aí o BNDES colocou dinheiro nas Teles e o governo tratou de salvar a Globo com quase 1 bi em verba publicitaria.

      Típico Zé Dirceu: no discurso é bonito, na prática…

      • amigão isso já estava fechado antes dos tucanos deixarem o poder, se o PT mexesse nesse vespeiro bem no começo do governo Lula, seria derrubado 24 hs depois.

        • Então nós vivemos em um país de mafiosos, onde o presidente se borra de medo. Se o Lula cairia em 24 horas, ele assumiu a presidência para que? Então o presidente e seus ministros não mandam nada! Ninguém passa a mão na minha cabeça quando eu devo. se eu pago minhas contas devidamente, Mas se fico desempregado como já aconteceu e tenho divida e não pago, meu nome fica sujo por cinco anos e mesmo depois disso ainda continuo sujo. Se não pago o aluguel sou despejado, e se sonego imposto posso ser preso, isso tudo por que sou honesto, mas se eu fosse um picareta, ai tudo seria diferente, teria vários privilégios. Esse país só é bom para quem não presta, os privilégiado é sempre uma minoria. Vê na favela, existem milhares de pessoas de bem, mas quem manda é uma minoria fora da lei. E viva o Brasil!!!!

          • Jorge, vc tem que considerar que o país estava quebrado e o Lulopetismo não tinha os tais 90 e tantos % de aprovação…..se o Lula ferrasse com a Globo naquele momento seria derrubado pela oposição aliada ao PIG.

        • E 10 anos depois do governo do PSDB, a Globo continua recebendo quase 1 bi do governo. Daqui a 20 vai continuar recebendo isso e a culpa ainda será do PSDB…é melhor varrer que assumir a bronca, né?

          • Rodrigo, pela 1a vez nesse espaço concordo contigo….por mim deixaria esses caras às mínguas.

      • E ajudou a criar a bolha do Eike Batista…

        • O caso do Eike se refere a investimentos no setor produtivo e o BNDES tem todas as garantias que o mercado bancário exige, ou seja, o risco de perda é mínimo. Esse fato das empresas X pode ser explicável por 2 razões principais; 1- o governo deixou o filé mignon dos leilões para a Petrobrás (o que está certíssimo), diminuindo o interesse das transnacionais. 2- é um caso típico de capitalista agressivo que navegou na onda do boom das bolsas….mas fique tranquilo, porque se teve alguém que perdeu, foi o próprio Eike e alguns tubarões do mercado financeiro….pois bagrinhos no Brasil não investem em Bolsa e fundos de pensões diluem seus investimentos em muitas cestas reduzindo seus riscos.

      • Argumenta Rodrigo Leme a tese do Machado

      • Que o diga o Requião. Nunca vou entender a paixão por Dirceu dos petistas de SP. O homem que disse que a globo era a emissora do governo. Teve uma bela trajetória política. Se perdeu quando teve o poder. Falar até papagaio fala. Fazer são outros quinhentos.

    • e deu neste ódio irracional contra Zé Dirceu……………….naquela montagem picareta da AP470……e o JB fez o trabalho sujo á serviço da rede bobo…………….lamentável.

  2. Excelente Edu! É assim que se faz uma pesquisa e análise jornalística! (e sem ser formalmente um jornalista!). Parabéns.

  3. Fernando Ferro (PT-Pernambuco), aquele que cunhou o PIG, pede em vídeo que Jabor e Merval, os paladinos da ética do PIG, façam suas manifestações indignadas contra mais esse crime (sonegação) do canal da máfia contra o povo brasileiro. Vai esperar sentado.
    CPI nela !! Ley de Medios nela, acorda Dilma !

  4. Prezado Eduardo:
    Eu não tenho nenhum documento que comprove o que for dizer a seguir, mas tenho na memória que o governo LULA andou ajudando as empresas de mídia que estavam em dificuldade. Lembro-me de que o dono de um dos grupos concorrentes chegou até a dizer que empréstimo daquele jeito ele tambem queria. Acho que foi um dos donos do grupo Bandeirante.

  5. Edu, mas houve um emprestimo do BNDES que salvou a globo.

    • Sabe de que ano foi? Não me lembro…

      • Grande Edu
        Veja (credo) isso: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/10578_O+BILHAO+DA+GLOBO
        ISTOÉ DINHEIRO
        Nº EDIÇÃO: 238 | 20.MAR.02 – 10:00 | Atualizado em 31.07 – 05:21
        O BILHÃO DA GLOBO
        BNDES injeta recursos na maior empresa de tevê a cabo do País e desperta reações negativas…
        Grande abraço e, firme aí!!!
        Zécarlos

        • Ao amigo navegante de maionese em 2002 o governo era do FHC!
          O FATO OCORREU EM 12 DE MARÇO DE 2002!
          O presidente do BNDES era Eleazar Carvalho Filho, Economista PSDbista de carteirinha.
          Colocar Palocci e Dirceu nesta barafunda e até mesmo Lula só sendo muito amador.

      • o pt teve a faca e o queijo nas mãos nesse periodo em que poderia ter securitizado a divida monstruosa da globo, que hoje junto ao bndes, gira em torno de 2 bilhões de dolares, teriamos hoje, uma empresa saudavel e publica de entretenimentos, mas, alguém, talvez palocci ou o proprio dirceu, tenham sentido medo de efetivar essa operação.esse debito está vivo e vencido,portanto o governo novamente tem toda a possibilidade de fazer tarde uma coisa que poderia ter sido feita em 2003.
        reinaldo carletti

      • Não tenho certeza, mais acho que foi em 2002. Não sei se foi o Palocci ou Zé Dirceu quem intermediou, o que sei é que o governo estava com a faca e o queijo na mão para enquadrar a Globo, mais preferiu alimentar o monstro, como faz, através da SECOM, até hoje. A maior parte do PT e do governo morrem de medo da globo, os Senadores do PT, então, nem se fala, aliás… o PT tem Senador?????????????????????????

        • Jose Carlos tem o link dessa entrevista de um ex integrante da ABERT sobre a negociação com o BNDES.

          Dennis Munhoz | Portal Negócios da Comunicaçãoportaldacomunicacao.uol.com.br/graficas-livros/7/artigo202528-1.asp‎Em cache”Ao financiar dívidas, BNDES colabora para manter o monopólio da Globo” … abra linhas de crédito para o financiamento das dívidas do setor de comunicação. … o BNDES poderia ajudar as empresas de comunicação, fala da concorrência no …. a declaração do ministro José Dirceu de que o setor da comunicação é uma …

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            ENTREVISTA

            Dennis Munhoz
            “Ao financiar dívidas, BNDES colabora para manter o monopólio da Globo”

            Desde o final de fevereiro, quando abandonou a vice-presidência da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Dennis Munhoz, presidente da Rede Record de Televisão, assumiu uma frente de batalha para impedir que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) abra linhas de crédito para o financiamento das dívidas do setor de comunicação. Segundo Munhoz, o único beneficiário desse projeto seria a Rede Globo de Televisão, que é a maior devedora brasileira do setor da comunicação – valor estimado em R$ 6 bilhões. Nesse raciocínio, ele é acompanhado pelas direções do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) e da Rede TV!.

            Em janeiro de 2003, Munhoz passou de vice a presidente da Record, função até então ocupada pelo criador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo. O atual presidente, que também é evangélico, garante que a emissora é laica. E mais que isso, que a igreja participa dos negócios da emissora apenas no papel de cliente, já que paga para fazer uso do horário da madrugada. Nessa conversa, Munhoz diz de que forma o BNDES poderia ajudar as empresas de comunicação, fala da concorrência no setor e faz projeções para a Rede Record.

            NEGÓCIOS DA COMUNIÇÃO – Como foi aquela audiência dos representantes de TVs na Comissão de Educação do Senado?
            DENNIS MUNHOZ – Foi muito parecida com a do ministro Luiz Gushiken [ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica] e do doutor [Carlos] Lessa [presidente do BNDES]. O senado não tinha informações sobre o assunto, então tentamos explicar o que estava acontecendo. As três grandes redes, que somos nós, o SBT e a RedeTV!, foram claramente contra o dinheiro do BNDES para pagamento de dívidas. A Globo e a Bandeirantes se manifestaram favoravelmente ao empréstimo para o pagamento de dívidas. A diferença essencial é essa.

            NC – Mas houve um posicionamento do BNDES mais claro, dando um indicativo de que não era o que se pensava, os valores também não eram os que se especulava.
            DM – O projeto apresentado pela Maria Silvia [Bastos Marques, da consultoria financeira MS&CR2, contratada no fim do ano passado para calcular a dívida da mídia brasileira, estimada em R$ 10 bilhões] para o BNDES, foi a única informação passada para nós. E é esse projeto que está no BNDES.

            NC – O fato de o BNDES ter exigido garantias de condições de pagamento, não altera o cenário?
            DM – O que precisa ficar claro para a opinião pública é que estão tentando desvirtuar o assunto. É um plano de financiamento via BNDES que, do jeito que ele está estruturado, favorece apenas uma única emissora, que é a Globo. Porque para o endividamento, a liberação da verba deixa para trás uma série de obstáculos. Você apresenta o balanço onde consta a dívida e pronto. Para investimento – ninguém fala até hoje qual é o dinheiro que há para investimento -, você tem que seguir todas as normas, apresentar certidões, projeto, garantias etc. Existe uma facilidade maior para o equacionamento da dívida, do que para a liberação de verba para investimento.

            NC – É onde está a polêmica.
            DM – Exatamente. Todos nós somos favoráveis ao dinheiro do BNDES para investimento, geração de emprego, de conteúdo, compras de equipamentos etc. Vem aí a TV Digital, que vai consumir muito dinheiro. Ninguém esta em condição de gastar agora com isso.

            NC – O próprio Nelson Sirotsky [diretor-presidente do grupo gaúcho RBS] disse à revista [leia página 34] que é uma forma de preconceito o BNDES nunca ter investido em comunicação.
            DM – Acho que o dinheiro para investimento na mídia é bem-vindo. Existe um preconceito mesmo. Por que a mídia nunca recebeu esse dinheiro para investimento? Agora, a partir do momento que um banco paga a sua dívida, tem uma diferença muito grande. E foi o que eu comentei com eles. Qual é a garantia? A partir do momento que você libera dinheiro para investimento, você tem toda perspectiva de geração de emprego e de conteúdo. Agora, se você usa o dinheiro para pagar sua dívida, quem pegou esse dinheiro não tem comprometimento social de gerar um único emprego. Ele vai pegar esse dinheiro e, se daqui a seis meses ele tiver em dificuldades de novo, ele vai demitir.

            NC – Que condições o sr. consideraria ideais para que se começasse uma boa conversa?
            DM – Falar exclusivamente de investimento. Porque falta dinheiro para quase tudo no Brasil, para educação, para saúde, para segurança pública. Quer dizer, o pouco recurso que se tem deve ser dirigida para investir.

            NC – E onde a Record investiria esse dinheiro?
            DM – Não é só a Record. Acho que com advento da TV Digital, com estúdios, equipamentos digitais, teledramaturgia. Todas as emissoras, sem exceção, estão interessadas nisso.

            NC – Porque sua saída da Abert veio apenas quatro meses após a entrega do pedido ao BNDES?
            DM – É que a coisa começou errada. O SBT não fazia e não faz parte da Abert. Mas nós, a Record e a Rede TV!, que estávamos na vice-presidência da Abert, não tivemos conhecimento desse projeto apresentado pela Maria Silvia. Ela foi contratada, elaborou um projeto, apresentou ao BNDES sem que nós tivéssemos ciência dele.

            NC – Quer dizer que ninguém olhou antes?
            DM – Não. Nós cobramos esse posicionamento do Paulito [Paulo Machado de Carvalho Neto, presidente da Abert]. Depois de muita insistência, ele trouxe a Maria Silvia aqui para conversar com a gente e ela nos mostrou [o projeto]. Eu falei: “Quem falou que a gente concorda com isso aqui?”. “Ah, mas isso é um anseio do setor”, ela disse. E eu falei: “Que setor? Quem te falou isso? Onde você colheu esses dados?” E o que mais me causou estranheza, também, foi que na última reunião que eu participei da Abert, quando eu decidi pela minha saída, eu perguntei a todos os vice-presidentes que estavam presentes nessa assembléia e nenhum disse ter ciência desse plano.

            NC – E a Globo estava presente?
            DM – O representante da Globo estava presente.

            NC – E disse que não conhecia o plano?
            DD – Disse que também não conhecia o plano. E eu indagando a Maria Silvia falei: “quem conhecia isso aí?” E ela: “o presidente conhecia”. Depois o Paulito veio me explicar que ele conheceu algumas horas antes de ser entregue. É incoerente, não pode acontecer dessa forma.

            NC – Sua saída é irreversível?
            DM – Sem dúvida. Nós voltamos para a Abert em meados de 2002, esperando ver a entidade atuar como uma associação e não para atender anseios de uma única emissora.

            NC – O senhor pretende montar uma dissidência junto com outras emissoras?
            DM – Nós já temos a Abratel [Associação Brasileira de Radiodifusão e Telecomunicações], a que nós continuamos filiados, a RedeTV também. E agora nós estamos tentando viabilizar junto com o SBT uma nova entidade.

            NC – O senhor concorda com a declaração do ministro José Dirceu de que o setor da comunicação é uma questão estratégica e de Estado?
            DM – Concordo, é estratégico. Na Comissão do Senado tudo mundo bateu muito nessa tecla, mas estão chovendo no molhado. Não é porque ele é um setor estratégico que você tem que pagar a dívida dele. Você tem que investir nele, acreditar, preservar o capital nacional, manter a geração de conteúdo nacional.

            NC – Mesmo sob a hipótese de ver quebrar uma emissora que é uma potência?
            DM – Não quebra. E as palavras não são minhas, são do Evandro [Carlos de Andrade, diretor-geral do Departamento da Central Globo de Jornalismo, morto em maio de 2001]. Ele falou que a Globo tem condição de pagar a dívida dela. Se tem, por que o recuso do BNDES tem que ir para lá?

            NC – O sr. concorda com essa avaliação de que para a Globo é fácil sair da crise?
            DM – Não é fácil. Ela precisa se adequar a uma nova realidade, uma realidade que ela nunca trabalhou. Ela deve hoje aproximadamente R$ 6 bilhões de reais, mas tem um faturamento anual de R$ 3 bilhões e apresentou um lucro líquido, no ano passado, de R$ 800 milhões. Com esses números, não é tão difícil sair da crise.

            NC – O que eles deveriam fazer?
            DM – Têm que abandonar atitudes monopolistas que geram a dívida. Não dá mais para pagar US$ 240 milhões de dólares numa Copa do Mundo, não dá para contratar artistas por três, cinco ou dez vezes o valor do mercado e não utilizá-lo, não dá para manter todos os escritores de novela sob contrato e utilizar apenas um. Senão, daqui a três anos, a dívida está igual.

            NC – É possível mudar essa tradição brasileira em que o Estado sempre aparece para socorrer em momentos de crise?
            DM – Tem que mudar. Os senadores eles mesmos concordam que muitos desses empréstimos, para os bancos, para o setor energético, foram mal feitos e deram prejuízos ao banco e ao país.Inclusive o próprio Tribunal de Contas da União analisou o aporte de R$ 360 milhões do BNDES para a Net, feito no final de 2002, e publicou o resultado no Diário Oficial da União de 15 de março. Lá aponta uma desvalorização do dinheiro que o BNDES colocou nessas ações da Net de 99,9%. Aqueles R$ 360 milhões que representavam 20% da Net, da Globo Cabo, hoje não representam nem 1 milhão. É um prejuízo terrível. Inclusive a orientação final do TCU é que o BNDES tomasse cuidado e não emprestasse mais dinheiro nessas condições para essa empresa que causou um tremendo prejuízo ao erário público.

            NC – Sem uma linha de financiamento da dívida da Rede Globo, o senhor acredita que muda o quadro da concorrência a curto prazo?
            DM – Muda, em curto ou médio prazos. A Globo detêm hoje 50% de share [participação no mercado, na audiência] e 80% de verba publicitária da Brasil. Então ela tem hoje 30 pontos percentuais a mais do que, teoricamente, mereceria pela audiência que tem. Uma empresa com 80% da publicidade, que fatura R$ 3,2 bilhões por ano, e tem lucro de R$ 800 milhões, até que me provem ao contrário, essa empresa não precisa de ajuda. Quer dizer, se ela precisa de ajuda, as outras quatro então…

            NC – E a Record não tem dívidas?
            DM – Ela não deve para nenhum fornecedor nem para bancos. Tem alguns contratos renegociados que estão sendo cumpridos rigorosamente. Mas a Record não tem dívidas.

            NC – Nem dívidas fiscais?
            DM – Nós aderimos ao Refis, em 2000, mas também está sendo pago normalmente. Mas o Refis é uma recuperação fiscal, estamos pagando para o governo, não recebendo dele. E, na época, aderiram mais de 140 mil empresas. Quer dizer, não foi feito um plano para meia dúzia.

            NC – O sr. confirma a informação de que a Igreja coloca mensalmente R$ 6 milhões na Rede Record?
            DM – A Igreja Universal do Reino de Deus é uma cliente importante da Rede Record, como é uma cliente de outras emissoras. Ninguém comenta, mas ela tem horário na Bandeirantes, na Gazeta, em alguns estados ela loca horário na RedeTV! também.

            NC – Ela é fundamental no balanço?
            DM – Ela ocupa um espaço e paga por esse espaço.

            NC – Mas qual o percentual disso?
            DM – Isso o contrato não permite divulgar.

            NC – É a principal fonte de faturamento?
            DM – Não, não é a principal.

            NC – Como o senhor vê as outras emissoras de grupos religiosos?
            DM – Estão crescendo. Hoje mesmo eu vi que algumas entidades estão tentando uma televisão a cabo evangélica. A televisão vem passando por uma modificação muito grande. Eu acho que hoje as igrejas evangélicas, e as outras igrejas também, são clientes importantes para a manutenção da televisão. Ela ocupa um espaço como de um programa de vendas.

            NC – Gostaria que o sr. fizesse uma análise da qualidade das emissoras concorrentes e falasse das estratégias e projetos que vão adotar.
            DM – A gente visa ao segundo lugar e estamos trabalhando para isso. Investimos pesado na novela [Methamorfhoses], vamos começar com um programa dominical no final da tarde, renovamos o pacote dos eventos esportivos e de filmes, investimos na programação. E se o mercado publicitário apresentar algum crescimento, a Record vai crescer porque nós temos todos os produtos que o mercado publicitário busca, o infantil, a novela, o jornalismo e o esportivo.

            NC- Mas cresce dentro dos 20% ou cresce avançando nos 80% da Globo?
            DM – Avançando nos 80% da Globo. Nós apresentamos um crescimento agora nesse primeiro trimestre de praticamente 20% em relação ao mesmo período do ano passado. É um crescimento publicitário real.

        • Em 2002 era governo FHC. Foram eles que “emprestaram” este dinheiro a globo?

        • Se foi 2002 como é que o Dirceu poderia fazer alguma coisa ou não consegue enxergar a “compra” da Globo por FHC. Por isto a vitória de Lula foi magnânima!!!

  6. Pior que emprestar dinheiro à Rede Globo foi emprestar dinheiro ao grupo do Eike. Mais de 10Bi, será que retorna alguma coisa para o erário?

  7. A Rede Bobo é corrupta e vingativa.

  8. Parece curioso que esse editorial do jornal tenha saído logo após o segundo turno da eleição, que, se não me engano, ocorreu no dia 27/10. Soa como um recado, talvez. Reafirma o tempo inteiro a sua liderança em termos de audiência, o que significa uma espécie de “aviso aos navegantes”, cuja nau passaria a ser conduzida por novas mãos logo depois. É provável que, se o resultado da eleição tivesse sido outro, nem haveria necessidade de vir a público fazer esse tipo de declaração.

  9. Mudando de assunto. Infelizmente para mim chega, enchi o saco, não da mais para defender este governo covarde. Acabei de saber que o canalha do Mercadante anunciou o recuo na obrigatoriedade de mais 2 anos no SUS para os cursos de medicina. Mais um recuo neste governo covarde. para mim chega tchau um abraço à todos.

  10. Sabe uma coisa que poderia me surpreender, mas que não me surpreende?

    É a Globo com todas estas dificuldades financeiras, devendo essa quantia de mais de meio bilhão ao fisco e seus donos posando em revistas como membros do seleto grupo de endinheirados a nível mundial.

  11. é assim vamos deixar a Globo naufragar igual ao Titanc

  12. Parabéns, Edu! Matou a charada!

  13. Eu li, não lembro onde, que a Miriam Leitão, com suas análises primárias sobre economia, havia prometido ao execrável Roberto “Participamos da Revolução” Marinho, que o sociólogo deles, o FH, não mexeria no câmbio. O velhote acreditou e se f…

  14. Mobilizar o Brasil inteiro para exigir que os Marinho paguem a dívida, atualmente em cerca de R$1,2 bilhão, que têm com a Receita Federal e, independentemente disso, respondam criminalmente por ilicitudes que podem chegar a sonegação fiscal, formação de quadrilha, evasão de divisas, assassinato e suborno; é hoje a uma das mais importante bandeiras da Sociedade Civil contra o recrudescimento fascista que assola o país e ameaça a continuidade do modelo sócio-econômico progressista implantado neste país desde a vitória de Lula, o qual vive ameaçado pela ampliação dos obstáculos à reeleição de Dilma, que ocorreu após essa ofensiva, a qual tem na Globo a comandante, ao menos no plano interno, de suas ações(externamente é óbvio que a CIA comanda). As “manifestações” dos mauricinhos da classe média, caracterização concreta dessea nova ofensiva reacionária, não teriam atingido a amplitude que tiveram(que não é nada se comparada à população do país, ausente desse circo, mas é grande se relacioonada à real dimensão da classe que participou desses atos, que constitui-se numa minoria insignificante)se não fôsse a ação da ditadura midiática, leia-se Globo à frente. Ainda que os mauricinhos tenham usado suas debiloides “redes sociais” e a militância paga pelos papais, nada disso teria atraído a maior parte do contigente de pessoas que, ainda que sendo de classe média, não se constituem em oposição radical ao Governo e estavam ali como massa de manobra, guiadas por um modismo que deveu sua existência à esfera de atuação da Globo, ou seja, o monopólio da opinião e da informação nas mãos de uma emissora que detém sozinha mais da metade de toda a audiência midiática do Brasil. É essa aberração totalitária, não existente em nenhum país democrático do mundo, que garante perseguição e sabotagem contínua a todos os programas progressistas dos Governos Lula e Dilma(acabamos de ver o triunfo parcial de mais uma sabotagem. A chiadeira classista dos criminosos de jaleco, os médicos, amplificada pela Globo, acabou por fazer o Governo Dilma covardemente recuar da exigência de dois anos de prática no SUS para a conclusão do curso de Medicina, uma medida maravilhosa que devolveria minimamente ao país o estuido gratuito que os bandidos de jaleco têm em Universidades públicas. Contudo, graças à máfia global e à covardia de Dilma, mais uma medida fundamentral para a construção de um outro Brasil foi destruída, deixando-nos temerosos de que até o maravilhoso Prgrama Mais Médicos acabe sendo extinto antes de começar devido à sabotagem global). E tudo isso só piorará em 2014, quando o desespero da direita diante da iminente vitória de Dilma, que apesar dos abalos recentes continua favorita, levarem aGlobo a uma saraivada de baixezas para derrotar a Presidenta por bem ou por mal. Assim, não travamos somente uma guerra fiscal-jurídica ao levar ao país o conhecimento sobre esse crime da globo(um numa lista de milhares,inicada desde a fraude que levou ao surgimento da Globo, construída com dinheiro do grupo estadunidense Time Life, desrespeitando as leis brasileiras que proibiam esse tipo de recurso estrangeiro nas comunicações), mas principalmente uma luta política ao iniciar com essas denúncias o emparedamento de um dos principais agentes golpistas da direita e a conscietização dos brasileiros sobre o horror que representa para a democracia o monopólio da Globo.

    • “`É hoje a uma das mais importante bandeiras da Sociedade Civil contra o recrudescimento fascista que assola o país ”

      Qualquer semelhança com o samba do crioulo doido não é mera coincidência.

      • José Merdatéia : O único “samba do crioulo doido” que vivemos é a desordem que a direita e os canalhas que a servem como lacaios, gente da tua laia, tentam promover no país para “vencer” através da sabotagem as eleições de 2014, nas quais vocês já sabem que serão flagorosamente derrotados. Aliás, esse termo racista que você empregou é bem a cara dos teus donos, a classe dominante reacionária e atávica que tenta impedir o desenvolvimento do Brasil e a construção de uma Sociedade mais justa para corrigir os horrores que vocês impuseram historicamente à nossa população. Se você não sabe o que é “recrudescimento fascista”(deve ser algo complexo demais para uma cavalgadura como você compreender), vou te dar um exemplo : um bando de filhinhos de papai “protestando” sem qualquer motivo real, a não ser o ódio e o preconceito social que os move, numa Sociedade que retirou 50 minhões de pessoas, uma Espanha, da miséria em dez anos; levou seu IDHM, que evoluíra de 0,85 para 0,70 nos dez anos anteroiores; melhorar de 0,70 para 0,57 nos dez anos de Governo lula; e tornou-se uma potência em ascensão num mundo que atravessa a maior crise capitalista de sua História; tem nessas “passeatas” da classe dominante um exemplo desse recrudescimento, do ódio irracional dos privilegiados ou dos “aspirantes ao privilégio”(que são ainda mais burros, pois nem são privilegiados, mas acreditam sê-lo e defendem interesses que não são seus, mas de quem os ferra há 500 anos; idiotas como você)contra a construção de uma Sociedade mais justa, igualitária e independente, que está-se realizando no Brasil apesar de vermes como você tentarem sabotá-lo. Você é digno de pena, além de entrar num espaço como este não para debater(já que não tem capacidade para isso, não tem ideias, dedicando-se mediocremente a atacar aqueles que pensam; evidentemente, recebendo um belo salário do PSDB para fazê-lo, prostituindo-se como o faz todo capacho); ainda usa sua “profissão” para defender os interesses de quem te ferra há quinhentos anos, te depreza, e passaria por cima de você se te encontrasse na rua. Você é uma fraude, desprezível e causa-me nojo!

        • José Merdateia é ótimo. Só uma pergunta; você escreveu todos estes insultos antes do gardenal ou depois ?

  15. Espero ansiosamente o dia em que aparecerá um brasileiro com coragem para enquadrar a rede globo de fraudações.Quanta falta faz o Brizola. O grande problema é que a PF é comandada pelo PSDB,e como tal não encontrará provas para condenar à Globo, apesar de todas as evidências provarem o contrário.

  16. Falar agora, após 11 anos e com o sucesso financeiro alcançado pelo país, é fácil…..quem em sã consciência teria força e coragem de quebrar os Marinho ou estatizar a Globo ??
    Edu, esse post é muito importante para se entender a história desse país, pois explica porque a Globo e o PIG até pegou leve no primeiro ano do governo Lulopetista.

  17. Edu,

    Neste caso, os iguais se atraem.
    Ou como se diz lá em Boituva “È tudo farinha do mesmo saco”

  18. A Globo tem que fechar, não Paga o Ecad, tem uma divida enorme no Ecad, tem o BV que é ridiculo, e tem a Receita, e quer $$$$ no BNDS por que os irmãos marinhos não utilizam suas fortunas, calculado em $26 milhoes de dolares.

    • Tem o outro lado, que está na Internet (MEMÓRIA GLOBO).

      BNDES e Renegociação da Dívida
      2004

      No início da década de 1990, com a política econômica baseada no Plano Real, o Brasil conseguiu estabilizar a moeda e diminuir drasticamente a inflação. A economia foi aquecida, e o mercado publicitário dobrou de tamanho entre 1995 e 2000. O PIB também acompanhou essa tendência de crescimento até 1998, quando começou a desvalorização do real. Em 1995, um dólar valia 0,9177 reais; no final de 1999, já valia 1,8157 reais; em 2001, 2,3523 reais; e, nas eleições de 2002, superou a barreira dos 3,80 reais.

      Ainda no início daquela década, a partir de um cenário favorável e de promissoras previsões feitas por diversos analistas econômicos, as Organizações Globo decidiram investir fortemente, através da Globopar, no mercado brasileiro de TV por assinatura. Foram feitos investimentos da ordem dos 1,7 bilhão de dólares em infraestrutura, através da Globo Cabo, e na produção de conteúdos, através da Globosat. Para tanto, tomaram-se empréstimos em instituições nacionais e negociaram-se bonds no mercado de capitais. Até aquele momento, se comparada com os valores que chegaria a atingir, a dívida do grupo era relativamente pequena, da ordem dos 100 milhões de dólares.

      A decisão de acessar o mercado de capitais e captar dívidas de mais longo prazo foi feita, e a empresa mais madura e rentável do grupo, a TV Globo, passou a ser a garantidora das dívidas da Globopar, assim como de algumas dívidas da Infoglobo, empresa responsável pelos jornais O Globo, Extra e Expresso. O que parecia ser um processo normal de endividamento, relativo a um ciclo de investimentos, revelou-se trágico. Primeiro, porque o mercado de TV por assinatura no Brasil, ao contrário do que ocorrera em outras partes do mundo, não cresceu na velocidade e no tamanho desejado; e, o que é pior, a estabilidade da economia brasileira foi comprometida por sucessivas crises internacionais, que levaram a uma desvalorização do real frente ao dólar. Como a maior parte da dívida fora contraída na moeda norte-americana, isso significou o colapso da estrutura de capital das Organizações Globo.

      Juntamente com a renegociação da dívida da Globopar, os acionistas decidiram rever a maneira como o próprio grupo estava organizado. Foi, então, formado um comitê que atuava em duas frentes: na negociação das dívidas e na promoção da reestruturação das Organizações Globo. Uma das prerrogativas do comitê era proteger as empresas do grupo, de modo que suas operações não fossem comprometidas pela crise da Globopar. Tanto a renegociação quanto a reestruturação eram comandadas pelo presidente do grupo, Roberto Irineu Marinho, que fora escolhido para estar à frente dos dois processos pelos outros acionistas.

      Para auxiliar na renegociação, a equipe da Globopar contou com dois assessores financeiros e dois assessores legais: o Houlihan Lokey Howard & Zukin Capital, um banco de investimentos norte-americano especializado em processos de reestruturação, e a Goldman Sachs, com quem o grupo mantinha uma relação de longa data. A assessoria jurídica foi contratada junto aos escritórios da Debevoise & Plimpton e do Barbosa Müssnich & Aragão.

      O primeiro passo na reestruturação foi o retorno do grupo ao seu negócio base, isto é, a produção de conteúdos, e a consequente saída do ramo de distribuição de TVs por assinatura. Foi, então, diminuída a participação na Sky, desobrigando as Organizações Globo de realizar investimentos futuros na empresa. Em seguida, a mesma medida foi tomada em relação à Globo Cabo (que passou a se chamar Net Serviços), negociada com a Telmex.

      Até outubro de 2002, as Organizações Globo tentaram de todas as maneiras sanar suas dívidas sem declarar moratória. Os próprios acionistas se empenharam nessa tarefa, chegando a colocar diversos ativos à venda, inclusive a rede de afiliadas, de propriedade dos netos de Roberto Marinho. Foram vendidos também bens e propriedades pessoais da família. A capitalização decorrente desse processo, porém, não foi suficiente para reverter o quadro de crise. Apesar da mobilização, sobreveio uma nova desvalorização do real, em parte decorrente da grande instabilidade que as eleições presidenciais daquele ano representaram para a economia brasileira. Uma crise de liquidez sem precedentes levou as Organizações Globo a entrar em default.

      Declarada a moratória em 28 de outubro de 2002, o grupo montou um comitê de negociação para tratar com os credores uma solução para a crise. Estes credores constituíam-se, basicamente, em dois grupos: os credores internacionais, em maior número, uma vez que os títulos da dívida foram negociados no mercado de capitais, e os bancos nacionais.

      Dado o volume da dívida, estimada em 1,7 bilhão de dólares, pode-se imaginar a enorme pressão da parte dos credores, que pretendiam, inclusive, contratar um especialista em mídia para cuidar da TV Globo. Preservar a gestão da emissora dependia da credibilidade do seu modelo de negócio. Isto só foi possível após a realização do due diligence – ou seja, uma auditoria completa dos dados contábeis, fiscais, jurídicos e operacionais do grupo – por uma empresa contratada pelos credores. O resultado dessa auditoria foi extremamente positivo para a imagem da TV Globo, classificada como um negócio bem gerido e altamente rentável. Ao mesmo tempo em que a auditoria revelava a rentabilidade do modelo de gestão da TV Globo, a própria equipe da emissora preparou uma apresentação, realizada no Projac em abril de 2003, mostrando aos credores todos os detalhes sobre o funcionamento das Organizações Globo.

      Nesse processo, merece destaque a liderança de Roberto Irineu Marinho, que recusou assento aos credores na direção da TV Globo, entendendo que deveria preservar a gestão da principal empresa do grupo. O tempo mostrou que o diretor-presidente estava certo, e a emissora registrou os melhores índices de audiência em toda a sua história justamente durante o processo de renegociação. Este fato, aliado ao “contrato moral” proposto pela empresa, que se comprometeu com o pagamento integral da dívida em troca do seu não acionamento legal, contribuiu decisivamente para consolidar o clima amigável nas negociações.

      A fusão da Globopar e da TV Globo, constituindo a Globo Comunicação e Participações (GCP), foi outro passo importante na direção da reestruturação do grupo. Além disso, a sensível melhora na situação macroeconômica do país também contribuiu significativamente para que a Globo consolidasse sua nova estrutura de capital e sanasse suas dívidas.

      Com o pagamento integral dos bonds no mercado internacional e o refinanciamento da dívida com os bancos brasileiros, em 20 de outubro de 2006, estava resolvida a situação financeira do grupo. A reorganização das Organizações Globo foi tão bem sucedida que rendeu ao grupo o prêmio Latin Finance 2006 de reestruturação empresarial do ano.

      Polêmica do BNDES

      Clique na imagem para ampliá-la
      Durante o processo de negociação das dívidas, alguns órgãos da imprensa divulgaram que o BNDES teria realizado um empréstimo para salvar a Globopar. Esse empréstimo nunca aconteceu. Até porque as Organizações Globo – como foi explicado – conseguiram renegociar e pagar suas dívidas de maneira exemplar. Mas, ignorando os fatos, em 13 de setembro de 2005, o deputado Roberto Jefferson fez acusações à Globo e críticas contundentes ao BNDES em entrevista à Folha de S. Paulo e também na tribuna da Câmara. Ele acusava o banco de ter realizado um empréstimo de R$ 2,8 milhões para salvar a Globopar. No dia seguinte, o BNDES distribuiu nota à imprensa dizendo ser improcedente a afirmação de que o banco liberou crédito para a Globopar. Embora a Globopar fosse uma empresa radicada no Brasil, e por isso tivesse o direito de pleitear créditos ao BNDES, tal pleito não ocorreu. A Globopar não pediu, e o BNDES não concedeu o alegado crédito, conforme atesta nota publicada no site do banco e em jornais da grande imprensa, como O Globo e a Folha de S. Paulo.

      O boato de que o BNDES teria emprestado dinheiro para salvar a Globopar provavelmente está relacionado a dois episódios. O primeiro diz respeito ao fato de que o BNDES – sócio da Globo Cabo desde 1999 – acompanhou o aumento de capital realizado por todos os sócios da empresa em 2002. O banco injetou mais R$ 156 milhões, e a operação – que em outras circunstâncias seria considerada corriqueira – acabou gerando polêmica.

      O segundo episódio ocorreu em 2003. Naquele momento, a crise que abatia as Organizações Globo também era vivida por outras empresas de comunicação do país. Estima-se que, só no ano anterior, o prejuízo do setor tenha alcançado a casa dos R$ 7 bilhão. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, rádios, TVs, jornais, revistas e agências de notícias foram obrigados a demitir pelo menos 17 mil empregados naquele ano. As empresas de comunicação foram diretamente afetadas pela crise de desvalorização do real, pois – apesar de ter suas receitas geradas em moeda nacional – a maior parte das suas dívidas estavam indexadas ao dólar. Além disso, houve no período, como reflexo da situação de instabilidade econômica, uma queda significativa de verbas publicitárias.

      Em função disso, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), uma das principais entidades representativas do setor de mídia no Brasil, pleiteou em 2003, junto ao BNDES, um programa de financiamento ao setor. Mas o pedido gerou polêmica, e o debate sobre a questão chegou ao Congresso Nacional em 25 de março de 2004. Nesse dia, foi realizada uma audiência pública na Comissão de Educação do Senado, com a participação do vice-presidente do BNDES, Darc Costa. Durante os debates, representantes das redes Globo e Bandeirantes defenderam o financiamento para a reestruturação das empresas de comunicação, enquanto os das redes Record, Rede TV e SBT se alinharam para que o crédito com recursos do BNDES fosse aberto apenas para investimentos. Diante das diferentes visões, a linha de crédito para o setor jamais foi aprovada.

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  19. Olha isso Edu. Olha o video q esta no link. Revoltante!!

    Preso fica cego e tetraplégico após tortura por agentes penitenciários

    http://terramagazine.terra.com.br/blogdaamazonia/blog/2013/07/31/preso-fica-cego-e-tetraplegico-apos-tortura-por-agentes-penitenciarios/

  20. Edu, desculpe um aparte fora da pauta.
    Já é de seu conhecimento a decisão do Juiz Dr. Marcus Vinícius Pereira Jr., da comarca de Currais Novos, RN, bloqueando as verbas de publicidade daquele Estado para atendimento prioritário à área da Saúde? A base jurídica é o artigo 461, parágrafo 5º do Código de Processo Civil. Acabei de ler no Conversa Afiada do PHA, Decisão como essa é que o Lula deveria ter tomado no primeiro dia útil após assumir a Presidência da República no primeiro mandato. Abraços e, novamente, desculpe a fuga ao tema.

  21. Bomba, bomba, bomba: “a Globo mente e o povo desmente”.
    Mais uma manipulação do PIG é desmascarada, vejam o link a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=CxV3Wtm0pjo

  22. velho de 7 décadas
    acompanhei tantas transformações
    na quantidade e durabilidade dos humanos
    na aperfeiçoamento & extensão dos mecanismos de suas habilidades
    com tecnologia de ponta difundida em redes cada vez mais extensas
    que fico surpreso ao constatar a continuidade dos prognósticos
    mutuamente excludentes (isso OU aquilo)
    porque as incógnitas aumentaram & se espalharam
    formando uma confusão
    dificilmente apontando ÚNICA direção
    na CONSTANTE transformação

  23. Já está mais do que na hora de o governo retaliar os ataques piguentos. Ele tem todas as chances e um ambiente favorável para isto. Analisando bem as manifestações de junho – que foram promovidas através das redes sociais, mais precisamente falando, pelo facebook -, pode-se notar que o tiro de ataque ao governo federal – sua maior intenção – não foi exatamente o que os grupinhos direitóides queriam, pois seus amados, incluindo o PIG, foram também atacados, principalmente a globo, não apenas por sua falcatrua que promovera a evasão de divisas burlando a receita, mas também o mau jornalismo e seus péssimos programas.

  24. Excelente matéria JORNALÍSTICA, Eduardo! Isso, sim, é jornalismo investigativo.

    Tinha pra mim que a “ajuda” do BNDES à Globo tinha sido na época de Lula. Acho que era uma daquelas mentiras que são marteladas pelos tucanos em nossas cabeças e que acabamos acreditando serem verdades.

    Mas, como foi dito acima pelos comentaristas, foi em 2002, portanto no período FHC. Tem lógica: a Globo distorceu, falsificou e mentiu para apoiar FHC. E não fez isso de graça: recebeu ajuda bilionária do BNDES.

    Sem falar que a Globo tinha um trunfo: o tal filho oculto de FHC com jornalista da Globo (que, no fim das contas, nem era dele) foi usado, provavelmente, como fator de chantagem contra o príncipe dos sociólogos. Talvez a Globo soubesse, desde o início, que o filho não era dele. Mas escondeu o fato, assim como a tal jornalista.

    Então, temos uma empresa que explora CONCESSÃO PÚBLICA e que frauda o governo federal. Por muito menos, na Inglaterra, Rupert Murdoch teve um jornal fechado. E olhe que jornal em papel não é concessão pública. A conclusão deveria ser: é hora de rever a concessão da Globo.

  25. Aonde passa um boi, passa uma boiada

    Vocês se lembram do Vaccarezza ? Aquele cândido gordinho cheio de esperteza que, inacreditavelmente, hoje é líder do PTismo ?

    Pois é ..não bastasse a fracassada iniciativa de dissimulação tentada pelos “estrategistas políticos” do Planalto, aquela feita pra responder ao clamor e pressão popular, uma tal de reforma política plebiscitaria, pra agora vermos mais uma partida da tchurma de Brasília.

    Desta vez parte de onde SEMPRE esperamos que venha o GOLPE e a merd? ..da Câmara dos Despudorados.

    “Veja ilustre brasileiro o belo tipo farsesco que foi nos trazido pelo eleitorado. E no entanto, acredite, quase morreu de SEM vergonhice, salvou-o, a turma do PLANALTO” (*)

    nota – interessante que pra uma reforma política profunda, em benefício do país e não da elite caudilhesca que nos toureia, ou pra se facilitar a criação de novos partidos não se tenha tempo, já pra se remendar em benefício próprio, bem ..deixa pra lá…

    (*) do tempo do Eduardo, de colo e no BONDE, “Veja ilustre passageiro, O belo tipo faceiro que o senhor tem a seu lado. E no entanto, acredite, quase morreu de bronquite, Salvou-o o Rum Creosotado!”

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/08/1319850-pacote-da-camara-reduz-rigor-para-desvios-das-campanhas.shtml

    http://www.youtube.com/watch?v=drpbYmg21Ug

    http://www.youtube.com/watch?v=d5gu8FlDhfs

  26. O INIMIGO mora ao lado, um pouco abaixo.

    Interessante vivermos sob a égide de sexagenários que formaram seus conceitos e princípios no século passado.

    Quem daqui hoje não sabe dos perigos das DSTs, do direito à busca pelo sexo responsável, , seguro, LIVRE, do sexo mais esclarecido e ensinado, deste que tenta livrar a sociedade de doenças ou da transa IRRESPONSÁVEL, ou do conceito de que o corpo da mulher é um OBJETO de prazeres descartável ?

    Quem daqui desconhece da existência de quase uma dezena de métodos contraceptivos SEGUROS, gratuitos, massificados e usados por ampla, por maioria absoluta de pessoas espalhadas por quase todo o país ?

    ..e quem daqui hoje duvida que um ser é a SOMA de mais de um GEN, portanto, não sendo obra, propriedade, ou “bem” exclusivo de um ou de outro genitor.

    ..e mais, quem daqui hoje não sabe que o BRASIL já dá assistência e proteção legal à mulher que quer interromper a gravidez em caso de estupro, de má formação fetal ou diante do risco de se manter a gestação até os últimos dias.

    Por estas e por outras, diante de tantas inovações, procedimentos e progressos, como hoje poderíamos então defender o ABORTO em detrimento de uma política reprodutiva séria e/ou de praticas sexuais mais amplas ?

    Agora, convenhamos, com a aprovação pelo Uruguai da liberação do aborto, por aqui as pressões aumentaram, ou não ?

    ..e que não me venham dizer que este assunto afeta só a religião não !!??

    E a coisa não para por aí, como se nos dizendo que desgraça pouca é bobagem

    Vocês viram o que o mesmo vizinho esta prestes a fazer ?

    Bem, num tempo em que a sociedade criou vergonha e resolveu peitar de forma corajosa a industria poderosa das drogas ditas legais e que até pouco eram “amparadas” por direitos “adquiridos” como a do cigarro e do álcool (com a regulação da propaganda, locais de uso, limitando os pontos e formas de comercialização e venda etc)

    ..num tempo em que ficou MUITO claro o custo pra sociedade em se manter permissiva e passiva diante deste cancro que a médio prazo acarreta ao indivíduo (e a sociedade pra mante-los) de tantos custos e problemas

    ..não é que agora o URUGUAI, inclusive se contrapondo a países Europeus desenvolvidos que já concluíram que igual media pra eles foram infrutíferas ..não é que agora o vizinho resolveu LIBERAR o uso RECREATIVO da maconha ?

    ..e isso numa época em que a erva hoje é produzida em escala, modificada, turbinada, que possui em si muito mais agentes propagadores do câncer, da perda de memória e do desenvolvimento da PARANOIA

    eu hein

    nota – o legal da lei é o uso da erva esta proibido pra quem estiver dirigindo ..re re re , imagine aqui que sequer ainda consigamos conter o caso dos motoristas cachaceiros, o que poderia vir a acontecer ?

    Olha, eu não sei quanto a vocês, mas penso que diante da FALÊNCIA de muitas das propostas pra nos construirmos de sociedade mais dignas e justas (sem duvida uma difícil e NOBRE), penso que a classe política meio que desistiu, num sabe ?

    http://www.youtube.com/watch?v=ThFPt4pBYWI

  27. Edu como a solidão e o abandono é um grande problema dos idosos no Brasil, acho que essa ideia pode se espalhar e fazer um enorme bem.

    Rio de Janeiro, 1 de agosto de 2013 LAR FREI LUIZ: DireçãoAssunto: PROJETO PARA OS IDOSOS

    Prezados amigos (as) do Lar Frei Luiz, como já falei antes, gosto de fazer o bem, por isso vou dar mais uma sugestão para vocês. Os idosos abrigados no lar, muitas vezes, devem sofrer, com a falta de uma palavra amiga, por isso, gostaria que vocês criassem o blog do Vovó Frei Luiz, onde quem estiver internado, poderia contar sua história de vida, e ser adotado por um netinho virtual do Brasil e exterior, para receber um pouco de carinho de quem mora longe.

  28. Os esquerdistas safados travestidos de comunistas, socialistas, marxistas, petistas, trotquistas, stalinistas, maoistas, têm atribuído as injustiças sociais à má distribuição da riqueza! À custa deste apelo político, ungiram-se nos grandes defensores dos pobres! Porém, quando têm sido eleitos para transformarem os pobres em ricos e os ricos em pobres – como se isto mudasse alguma coisa – acabaram se transformando em estelionatários políticos que se aproveitaram do processo político democrático para dominarem o governo e se enriquecerem à custa da Nação! Acontece, que as injustiças sociais se devem à má gestão da coisa pública, exatamente o que o PT tem feito – vide a situação do Brasil nas áreas da Saúde, Educação, Habitação, saneamento básico e nas de infra-estrutura sem grandes rodovias, ferrovias, hidroelétricas e refinarias que resultaram nos índices econômicos mais dramáticos do País, a queda do PIB, o aumento dos juros e a da inflação! Além dos episódios mais grotescos de corrupções como o mensalão, a dança da pizza, os dólares na cueca, o de Waldomiro Diniz pedindo propina para o PT, o dos aloprados do Mercadante sem esquecer do assassinato de Celso Daniel! Na realidade, o PT tem gerido a coisa pública da forma a mais corrupta e incompetente, i.é, de posse do poder asquerosamente se corrompeu – vide o Lulinha, os mensaleiros, os 39 ministros da Dilma e seus 22 mil assessores, os comparsas do governo que endereçaram as obras do PAC para a DELTA e a construção dos estádios para as grandes empreiteiras, seus pagadores de propinas!
    Eugênio José Alati

    • Cão que Alati não morde.

      Queda do PIB ? Aumento da inflação e juros ?

      Colega, vc quer mesmo ser levado a sério ?

      A propósito, tá certo, eu tb esperava muito mais nos quase 11 anos de governo progressista ..mas o que vc nos diz dos PASSIVOS herdados nos outros mais de 100 anos de Republica ?

      http://www.youtube.com/watch?v=udT1xB7HeM4

  29. Eduardo gostaria apenas de fazer uma pergunta, se a rede roubô esta devendo a receita não seria caso do governo num modo geral suspender qualquer pagamento a ela ate resolver as pendencias com o fisco.
    e nao ser permitido participar de qualquer licitação do serviço pulico sera que já foi feito isto ou ela ainda além de dever essa grana toda ainda ainda passa no caixa d governo

  30. Eduardo gostaria apenas de fazer uma pergunta, se a rede roubô esta devendo a receita não seria caso do governo num modo geral suspender qualquer pagamento a ela ate resolver as pendencias com o fisco.
    e nao ser permitido participar de qualquer licitação do serviço pulico sera que já foi feito isto ou ela ainda além de dever essa grana toda ainda ainda passa no caixa d governo

  31. Eduardo gostaria apenas de fazer uma pergunta, se a rede roubô esta devendo a receita não seria caso do governo num modo geral suspender qualquer pagamento a ela ate resolver as pendencias com o fisco.
    e nao ser permitido participar de qualquer licitação do serviço pulico sera que já foi feito isto ou ela ainda além de dever essa grana toda ainda ainda passa no caixa d governo

  32. Eduardo gostaria apenas de fazer uma pergunta, se a rede roubô esta devendo a receita não seria caso do governo num modo geral suspender qualquer pagamento a ela ate resolver as pendencias com o fisco.
    e nao ser permitido participar de qualquer licitação do serviço pulico sera que já foi feito isto ou ela ainda além de dever essa grana toda ainda ainda passa no caixa d governo

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