Lula, Valério, Cristo e Barrabás

 

Os medíocres não hesitarão em tentar ridicularizar o que entenderão como “comparação entre Lula e Cristo” que este texto estaria pretendendo fazer. Até porque, desacostumados a pensar, não vão ler o que será dito a seguir, limitando-se a comentar o título acima.

É óbvio, no entanto, que não se está comparando um simples político com aquele que, na pior das hipóteses, é o maior personagem da história da humanidade. O que se fará aqui será, usando metáfora histórica, apontar o absurdo da situação criada pela mídia e pela oposição federal.

Como já se pode notar, o assunto é a nova investida da imprensa golpista – aquela que gerou o golpe militar de 1964, entre outros – para conseguir no Judiciário o que seus despachantes na política não obtiveram nas urnas.

Não surpreendeu, pois, que o Estadão não tenha esperado nem uma semana após o fim da eleição para requentar o que a direita midiática já havia sinalizado, nas páginas de Veja, que faria caso o eleitorado não lhe sorrisse.

Apesar de mídia e oposição relativizarem o desprezo que o eleitorado dedicou àquilo que pretendiam que fosse uma bomba atômica – e que se revelou um traque –, essas forças do atraso sabem muito bem que o brasileiro lhes fechou a porta na cara.

Assim que parecem ter se convencido de que a única saída para terem alguma chance de retomar o poder através de algum José Serra da vida – ou, no limite da imprudência, através do próprio – será anulando aquele que julgam ser responsável por mantê-los longe do poder.

É nesse ponto que, de alguma maneira, tal situação parece emular o texto bíblico, na narrativa sobre Jesus Cristo e Barrabás.

Cristo fora acusado pelos sacerdotes judeus perante Pôncio Pilatos, o governador da Judéia, que, após interrogá-lo, não encontrou motivos para sua condenação. Mas como a “opinião pública” vociferava contra o prisioneiro e lhe exigia a crucificação, Pilatos mandou flagelá-lo e depois exibi-lo ensanguentado, acreditando que a multidão se comoveria e julgaria aquele flagelo suficiente para lhe saciar a sede de vingança contra quem ousara criar a “insanidade” sobre igualdade entre os homens. Pressionado, Pilatos mandou trazer um condenado à morte, tido como ladrão e assassino, chamado Barrabás, e ofereceu à “opinião pública” o direito de escolher qual dos dois acusados seria solto e qual seria  crucificado.

Lula não é Cristo, não é santo – nem demônio –, mas a direita midiática quer trocar um homem que tirou o Brasil do fundo do poço, que deu dignidade ao povo, que promoveu igualdade como nenhum outro governante, que fez o país ser respeitado como nunca, por um ladrão, um sujeito que envolveu de petistas a tucanos em suas artimanhas criminosas.

Eis a escolha que a direita midiática apresenta ao Brasil: livrar Marcos Valério da cadeia e colocar Lula em seu lugar, tal como foi feito com Cristo e Barrabás.

A diferença é que se o povo tivesse que escolher por certo tomaria a decisão certa, invertendo a metáfora histórica.  Não há dúvida, porém, de que, como a decisão não caberá ao povo, mas ao conluio entre imprensa, políticos, Judiciário e Ministério Público, a história tende a se repetir.

A menos, é claro, que a “turma do deixa-disso” que infecta o PT resolva parar de colaborar com o script do golpe que se desenha à vista de todos. Contudo, em um momento em que a direita midiática mostra que, na falta de votos, optará de novo pelo golpismo, vemos o colaboracionismo petista agindo a todo vapor.

Ou não seriam colaboracionismo as palavras da chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que coonestam a farsa do mensalão, ou a covardia do presidente da Câmara, Marco Maia, que engavetou a CPI da Privataria, que dispensaria ao STF o “Domínio do Fato”?

Tags: , , ,

184 Comentário

  1. O artigo não incluiu o Sinédrio, atualmente revestido pela toga negra que impede a visualização do sangue servido diariamente em seus banquetes antropofágicos em nome de uma democracia falida, aliás, em seu próprio berço, a Grécia. E nenhum partido nascido deste sistema será capaz de mudar o terrível fato de que, no Brasil, há urgente necessidade de seres pensantes. Pilatos agiu como um covarde submetido ao poder do Sinédrio, os atuais sionistas, os quais, como uma praga de um deus vingativo, sobrevive como acusador, julgador e carcereiro, diante de olhos cegos e ouvidos surdos de ignorantes que não conseguem atar os fios dos acontecimentos à história dessa deformidade à qual denominam justiça. O que ninguém quer aceitar é o fato de que o Brasil Nação já está mais do que maduro para construir uma nova constituição, sem a participação desses clãs primitivos, cuja única finalidade é reproduzir conflitos e perseguir rebeldes. O PT é apenas um par-ti-do desse corpo disforme chamado Brasil, cujas incisões são mantidas pela medicina da morte nos ritos de juramentos dos hipócritas. O Brasil ésta governado por sociopatas e os sociopatas mantém em suas garras as chaves das cadeias, sejam as midiáticas, sejam as educacionais e destas, às cadeias que os aprisionam a par-ti-dos políticos. Jesus afirmou que “pelos frutos” conhecereis a árvore, todavia, os brasileiros perderam não só a capacidade de ver, como seu paladar não mais consegue distinguir a origem dos sabores incômodos que transforma a vida de milhões em uma angústia diária. Todavia, todos conduzem a bandeira do capitalismo-demo-crático-católico-apostólico e anônimo. Veremos.

  2. Olá, só penso o seguinte pq o PT não ataca a mídia e faz a lei de medio como a Argentina?
    Longe de mim de defender o PSDB, acho um partido retrógrado e lesa pátria, mas o PT também deixa muito a desejar , especialmente ma parte de não confrontar a mídia e esperar sempre dos partidários.
    Acho que Lula já e bem grandinho para se defender sozinho, como seu amigo Chaves e Morales

Leave a Response

Please note: comment moderation is enabled and may delay your comment. There is no need to resubmit your comment.