Dilma e o controle remoto

 

É sempre preferível o ruído da imprensa livre do que o silêncio da ditadura

 

A frase em epígrafe tem sido proferida pela presidente Dilma Rousseff desde a sua posse no cargo, em 1º de janeiro de 2011. A última vez em que a proferiu publicamente foi em 7 de novembro último, na abertura 15ª Conferência Internacional Anticorrupção, logo após a mídia ter tentado destruir o PT eleitoralmente durante a campanha eleitoral deste ano.

Essa frase, que já se tornou um mantra da presidente, incomodou parcela da sociedade que apóia o governo e que está revoltada com o uso político que tem sido feito de concessões públicas de rádio e televisão, sobretudo no sentido de pressionar o Judiciário a condenar os réus da ação penal 470.

Há, ainda, outra frase de Dilma que vem desde a campanha eleitoral de 2010. Nas suas várias declarações sobre o tema comunicação, a presidente sempre disse que o único controle de mídia que ela leva em consideração é o controle remoto, de forma que quem queira possa mudar de canal de TV ou de emissora de rádio.

“Não conheço outro tipo de controle [da mídia]”, repete a mandatária sempre que alguém fala do assunto.

Sob esse espírito, Dilma, assim que assumiu, engavetou projeto de regulação da mídia deixado por seu antecessor e padrinho político, um projeto elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins após exaustivas consultas a órgãos reguladores da mídia dos países desenvolvidos e infindáveis estudos sobre as legislações desses países.

Em novembro de 2010, no apagar das luzes do governo Lula, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) promoveu o seminário internacional “Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias”. O encontro trouxe a Brasília os titulares das agências de regulação da mídia de países como Reino Unido, França e Canadá, entre outros.

Quem, como este que escreve, acompanhou aquele Seminário, sabe muito bem que a regulação da mídia que se pretende para o Brasil não difere em nada das legislações das democracias mais avançadas do planeta.

Na França, por exemplo, existe a Autorité de Régulation des Communications Electroniques et des Postes (Arcep); na Inglaterra, há o Office of Comunications (Ofcom); nos Estados Unidos, há o Federal Communications Commission (FCC). E por aí vai.

No Brasil, a mídia e sua militância dizem que esses órgãos se limitam ao papel que a Anatel exerce aqui, o que não é verdade. A Anatel regula relações comerciais, mas não fiscaliza uso político de concessões públicas de rádio e televisão e tampouco atua para impedir a formação de oligopólios como fazem as agências dos países ricos.

Só para que se possa mensurar a dimensão da anomalia comunicacional brasileira, não existe, em nenhuma parte do mundo desenvolvido, um império de comunicação como o da Globo, que, nos Estados Unidos, por exemplo, teria que ser fatiada e vendida. Há grupos maiores pelo mundo, mas não se concentram em um país só.

O império de Rubert Murdoch ou o de Carlos Slim se espraiam por vários países. Em um país só, a Globo é o maior.

Outra balela sobre a regulação da mídia é a de que seus defensores pretendem “censurar conteúdo” como na Argentina, na Venezuela ou no Equador. É balela porque nenhum desses países censurou a mídia. Em todos eles, basta ligar a televisão ou comprar um jornal para constatar que os governos continuam sendo duramente criticados.

Não foi à toa que Frank la Rue, relator especial da ONU para a liberdade de expressão e opinião, deu a seguinte declaração sobre a “ley de medios” argentina:

Creio ser o mais avançado que existe em termos de liberdade de expressão na América Latina e certamente um exemplo para o mundo”.

Dilma Rousseff não é nenhuma tolinha. Ela sabe muito bem, portanto, que as propostas de regulação da mídia que vêm sendo feitas no Brasil não contêm nenhum tipo de intenção de censura de conteúdo. Ela sabe, também, que a legislação brasileira é profundamente anacrônica, oriunda da primeira metade do século XX, quando não existiam as plataformas de mídia que existem hoje e a televisão era, ainda, um artigo de luxo.

Por que, então, a presidente se vale do escapismo sobre o “controle remoto” toda vez que se manifesta sobre o assunto regulação da mídia? Por que o governo está condenando o Brasil a continuar com uma comunicação de massas de republiqueta bananeira?

O Blog fez algumas consultas a pessoas próximas à presidente que preferem se manter no anonimato. A postura de Dilma não deriva de medo da mídia, que já faz, hoje, tudo que pode para desmoralizar seu governo e pressionar a Justiça contra esse governo e contra o partido da presidente. Dilma teme é o Legislativo…

Não existe clima no Congresso para aprovação de uma legislação sobre comunicação inspirada nas legislações dos países em estágio civilizatório mais avançado, como Estados Unidos e os países da União Europeia.

Enorme parcela do Congresso é composta ou de donos de meios de comunicação ou de políticos ligados a tais meios, simplesmente porque, em um país deste tamanho, sem uma estratégia e alguma força em termos de comunicação é muito difícil um político se eleger.

Não confundamos a eleição majoritária de um presidente da República com as eleições de vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e prefeitos de milhares de pequenos municípios. Esses, dependem muito mais da boa vontade das mídias locais.

A rejeição à civilização do país via regulação moderna da mídia, portanto, é apenas mais um dos vários sintomas do atraso paroquial que ainda aprisiona o Brasil. Este, manifesta-se em um Judiciário submisso ao capital e na promiscuidade entre políticos e meios de comunicação.

Uma proposta de lei da mídia fatalmente fracassaria no Congresso e seria alvo de bloqueio pelo Judiciário, mesmo que seja uma lei inspirada nas dos países mais avançados do mundo. E ainda poderia provocar uma ruptura do governo com partidos como o PMDB, por exemplo, no qual grande parte dos membros tem meios de comunicação.

A luta pela democratização da comunicação, neste momento, está sendo perdida pelos setores democráticos da sociedade. Não existe, ainda, a menor esperança de fazê-la avançar. Além disso, o Judiciário brasileiro não passa de braço dos interesses da elite racial, econômica e regional que infecta o país.

Se quisermos fazer a luta pela democratização das comunicações avançar, então, teremos que tomar alguns cuidados.

Toda vez que algum meio de comunicação comete algum excesso, os que batalham pela democratização desse setor logo pedem “ley de medios”. Isso dá a impressão de que uma legislação mais avançada impediria a mídia de atacar o governo.

Não é isso. A regulação da mídia versaria sobre propriedade cruzada, ou seja, sobre concentração de propriedade de meios de comunicação e sobre uso partidarizado de concessões públicas, mas não impediria críticas a governo algum desde que quem diverge pudesse ter o mesmo espaço. E isso só em concessões públicas, porque um jornal, por exemplo, poderia fazer o que quisesse.

A luta para democratizar a comunicação será árdua e não avançará muito neste governo e nesta legislatura. Ainda poderá levar muitos anos para que avance em um país desigual como o nosso, em que as elites ainda conservam tanto poder.

É muito mais provável que a tecnologia, ao continuar avançando, reduza o poder discricionário que os barões da mídia ainda detêm. Mesmo assim, isso pode demorar, talvez, uma década para produzir os efeitos democratizantes desejados.

Esses são os fatos. Se quiser, leitor, pode chorar. Mas cuidado com o discurso, porque a estratégia da direita midiática é usar o que dizemos para distorcer o que pretendemos, os que defendemos uma comunicação de país desenvolvido para o Brasil.

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222 Comentário

  1. A forma como Lula , Dilma e PT lidam com a mídia, permitindo que eles batam como bem entender está fazendo com que a grande mídia saia de seus esconderijos macabros e se exponha cada vez mais para a briga a céu aberto. O rei está ficando nu.
    É um risco imenso, mas está dando certo. Basta ver a quantidade de cancelamentos de assinatura da VEJA, FOLHA, Jornais, Etc…

    O trabalho voluntários dos blogueiros progressistas e a participação das pessoas nas redes sociais tem sido fundamental

    Se amamos este país e pensamos no futuro de nossos filhos e de muitos injustiçados devemos nos converter em verdadeiros soldados e formar um verdadeiro esquadrão para combater diariamente esta imprensa corrupta até chegar o dia do golpe final, a guerra é longa e a briga diária, lutando o triunfo virá porque virá!

    A vida pode não estar fácil para a esquerda, mas para eles as coisas estão bem piores.

    O jogo está sendo jogado e ficar contra o governo não ajudará e acho que nossa responsabilidade não termina quando colocamos nosso voto na urna, pressionar os deputados e senadores é uma obrigação.

    Ainda acho que a reforma política é o principal objetivo , a população quer esta reforma e ela é mais viável nestes momentos e esta reforma poderá facilitar o caminho para democratização das comunicações.

    Um abraço Edu e parabéns pela sua dedicação.
    Parabéns também a todos que frequentam e comentam nos blogs progressistas , se diz que o amor se alimenta com amor assim como o fogo se alimenta com fogo, os comentários tem sido um alimento e estímulo para todos nós que buscamos um Brasil mais justo.

    A Batalha

  2. Apos ler este post, tomei conhecimento do motivo porque DILMA não leva a frente a Lei dos Médios.

    Ela teme o Lesgislativo, onde muitos dos seus membro têm veículos de comunicação.
    ]
    A Lei dos Médios seria derrotada pelos os proprietários o pelo lobbie d Globo, Veja e companhia.

    Não existe outra saída, a não ser aguentar as mentiras e os ataques.

    • Existe sim, Antônio. Mas para isto é preciso ter coragem e interesse de agir. Duas coisas que a
      cúpula do PT definitivamente não têm….

      • Lendo esse texto ficou claro a dificuldade do governo de passar, seja a proposta do Franklin Martins ou algo parecido com a Ley de Médios, no congresso, exatamente porque ao fazer composições com partidos como PMDB, PTB, PP e etc., o PT se submete a deputados e senadores, donos de emissoras ou ligados a esse lixo de mídia que temos no país. Não seria o momento do PT nos seus programas de TV e RÁDIO dar toda ênfase a importância da população transformar todo apoio à presidente Dilma em voto maciço no PT, fazer uma ligação entre o partido versos governo, mostrar que são coisas ligadas, ao invés de ficar fazendo propaganda de tudo que o governo vem fazendo, que mal ou bem terá o reconhecimento la na frente?
        O PT tem obrigação de tentar sair dessa prisão que é ter essas coligações espúrias e tentar ter maioria na câmara e no senado e quem quiser se coligar que seja em outras condições.

  3. Eduardo, acho deprimente o governo ficar submisso a esta corja que detém concessões públicas dos meios de comunicação. Olhando por esta ótica, jamais sairemos deste estágio. Mal acabou a palhaçada do julgamento do mensalão, já começou outro bombardeio, por conta da secretária da presidência em São Paulo. Fora o relatório da CPI do Cachoeira, que não vai indiciar o Policarpo e o Gurgel. Quando é que vamos avançar, se não há investimento maciço na educação? Um povo instruído, politizado e com bom nível intelectual, faria a diferença. Mas há estudos que mostram também, que ao ascender a classe C e B, muitos se tornam conservadores e se voltam contra os governos que propiciaram tal ascensão, com políticas afirmativas. Conheço pessoas com bom nível de escolaridade e que votou no Lula até ele ganhar a eleição, que hoje, tomou ódio mortal do mesmo. Acham que ele sabia de todo o esquema d desvio do falacioso mensalão, que enriqueceu absurdamente. Veja só, o PT passou anos pregando que uma vez no governo, mudaria completamente as politicas adotadas pelos governos anteriores, principalmente do seu arco inimigo, PSDB. Ao assumir o governo em 2003, lógico, que tinha que arrumar a casa. Mas à partir de 2004, ele já poderia ter implementado algumas mudanças, tipo, rever as privatizações, acabar com o Fator Previdenciário, não implementar a continuação da reforma safada começada por FHC na Previdência, melhorar o salário dos funcionários do executivo, rever as patifarias que FHC fez contra os empregados dos bancos públicos, e tantas outras injustiças. Mas não, preferiu continuar com o modelo neoliberal de FHC, deixou o setor financeiro deitar e rolar, fazendo o que bem queriam, enriquecendo absurdamente a banca nacional e internacional, pouco fez pela reforma agrária, dando prioridade ao grande capital do agronegócio, colocou no STF ministros que deram uma puta punhalada nas suas costas. Por quê não nomeou um Dalmo Dalari ou Fábio Konder Comparato para o STF? São só exemplos…. Na minha família, há uma gama de gente com pensamentos conservadores e que detestam o Lula, PT. Uma, que só se pautam nas notícias veiculadas na Globo, Veja e por ai vai. Quando cito outras alternativas, me dizem que são os defensores do governo petista. Tenho uma irmã que votou no Lula em 2002 e hoje tomou ojeriza de Lula, Dilma e Cia Ltda. A raiva dela é por ser funcionária aposentada da administração direta federal, não ter recebido aumento salarial condigno com o que foi prometido pelo Lula, antes de assumir a presidência. Se sente enganada, espoliada… Vou tirar a razão dela? Não!!! Temos embates homéricos e ela diz que sou petista e que não enxergo as falhas cometidas pelo PT, Lula, Dilma.
    E agora o Mercadante vai colocar a Claudia Costin mo Ministério da Educação pra fazer o quê? Avacalhar ainda mais a educação?Tenha dó! E a reforma da CLT que já está em andamento, apoiada pela CUT que é braço direito do PT? O Paim está na linha de frente tentando reverter esta pouca vergonha. O tempo dirá, meu caro Eduardo.

    Abs!!!

  4. Tem uma coisa engraçada no lulopetismo: defende, como esse artigo, que a regulação da “midia” nada tem a ver com censura a conteúdo. Mas sempre que levam uma critica mais pesada a seu governo, clamam pela “lei de meios”, para dar um jeito na “imprensa golpista”. Têm que alterando a propriedade dos meios de comunicação a imprensa não falará mais que o Zé Dirceu é mensaleiro ou que o mensalão petista existiu. Devem achar também que a imprensa gôche vai parar de chamar os normais de “burgueses”.

    • Você toma comentários isolados pelo todo. Tem muito tucano dizendo que a ditadura era melhor e nem por isso vou dizer que todo tucano apoia a ditadura. É muita burrice.

    • Ley deMedios sim, para dar opções para o Thomaz se tornar um cidadão consciente. Só resta saber se ele quer ser um cidadão consciente ou quer ser um tucano-pefelê amante da Ditadura Militar. Por ele ser um defensor dos ideais udenistas (de golpes contra os direitos sociais e contra o Brasil), acho que ele vai optar em continuar sendo um tucano-pefelê.

      Que venha a Ley de Medios!

    • Comentário distorcido que reflete uma mente distorcida. Só um anormal pode dizer que o oligopólio teratológico da Mídia e a nossa burguesia lewinkyana e atrasista são “normais”. Vai se tratar, vai meu filho.

      NO PASSARÁN!! VIVA GENOÍNO!! VIVA ZÈ DIRCEU!! VIVA A LIBERDADE, A DEMOCRACIA E A LEGALIDADE!! VIVA O PT!! VIVA O BRASIL!! ABAIXO A DITADURA DO STF, MÍDIA & ASSECLAS!! CPI DA PRIVATARIA TUCANA, JÁ!! LEI DE MÍDIAS, JÁ!! “O BRASIL PARA TODOS não passa na gLOBo – O que passa na gloBO é um braZil-Zil-Zil para TOLOS”

  5. Concordo com vc meu caro Edu, mais acho que no fundo persiste tb uma má vontade do governo em pelo menos amenizar esse poder. Vejamos por exemplo o o governador requião fez no Paraná, ele retirou toda a publicidade do governo estadual das emissoras privadas e previlegiou as emissoras públicas, acho que por aí seria um caminho para começar alguma coisa, claro que haverá uma reação muito grande por conta dos político que são proprietários de emissoras e jornais, mais que é por aí que pode começar não tenho dúvida.

    • Excelente exemplo: Requião cortou as verbas estatais para a grande mídia paranaense, enfrentou
      fortemente o grupo RPC, sempre atacou os privatistas do estado do Paraná, politizando o
      tema nas campanhas e nem por isso deixou de se eleger duas vezes governador do estado.

      Além disso, hoje é senador, com uma atuação muito boa!

      • E é um dos caras que mais apanha do PIG. Sou paulista, mas não perdia um programa “Escola de Governo”, e também o “Brasil Nação”, do grande Beto Almeida. Infelizmente, o PR ficou com inveja de nosso sofrimento, e decidiu voltar ao retrocesso. Pena também, que nunca teremos um cidadão honrado como o Requião, na Presidência da República.

  6. Edu, eu tenho alguns amigos na oposiçào no Congresso que já me ahaviam dito isto, que o grande problema para que a tal Ley de Medios pegasse no Brasil é o Congresso. Mas isto não é desculpa para que o governo, a esquerda ou nós nos conformemos e nos acomodemos.

    Neste exato momento está sendo finalizado no Congresso o relatório da CPMI do Cachoeira… e sem o indiciamento da Veja! Uma oportunidade única está pulando na área, esperando para ser bicada para o gol e o PT deixa o relator sozinho para bancar esta? Esta era a hora de começar-se a desmontar o poder da mídia dentro do Congresso, era para se quebrar a Veja/Abril e deixar as Concessionárias de TV se tornarem ponta de lança oposicionista. Tem que se minar a força destes caras dentro do Congresso também pois precisamos de vozes lá dentro, vozes que hoje têm medo do poder da mídia, para entoarem o tema.

    Não vou extender a minha fala, termino dizendo que dada a posição do PT ao livrar a Veja do indiciamento, que as condenaçôes de Dirceu e Genoíno foram merecidas: a história não perdoa os covardes.

  7. Aqui vai meu desabafo…

    Desculpem,mas estou cansado do PT com o rabo entre as pernas…
    http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/86406/Como-Veja-venceu-um-PT-amedrontado-Como-Veja-venceu-PT-amedrontado.htm

    Em relação às manipulações perpetradas pelo PIG contra o PT/Governo Federal, e, principalmente, contra o povo brasileiro, acredito que os ‘xênios’ do Planalto tenham uma estratégia, certo? DUVIDO!!!

    Mas, por qual razão colocam a Sra. HELENA MARIA DE FREITAS CHAGAS comandando a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República!? ELA É REPRESENTANTE DO PIG, ORA!!! É FÁCIL COMPREENDER PORQUE O GOVERNO FEDERAL CONTINUA DANDO DINHEIRO PARA O PIG! ESPECIALMENTE PARA A GLOBO!!!

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_Chagas

    E a possível entrada da tal CLÁUDIA COSTIN na Secretária da Educação Básica do Ministério da Educação?

    http://www.viomundo.com.br/politica/izabel-noronha-o-projeto-educacional-que-claudia-costin-defende-nao-e-aquele-que-o-brasil-necessita.html

    ISSO É ALGUMA PIADA??? ONDE ESTÁ A CABEÇA DO MERCADANTE??? Até outro dia, Mercadante tinha o Miguel Nicolélis como interlocutor. “Puxa, o renomado cientista da Universidade de Duke! Agora vai”. Pensou o incauto aqui! E para meu dissabor e espanto, noticiam o nome dessa senhora para assumir a Secretária da Educação Básica… MAS O QUE É ISSO??? O QUE ESTÁ ACONTECENDO? O PT NÃO TEM NINGUÉM MAIS ALÉM DESSA EX-FUNCIONÁRIA DO FHC???

    NÃO VOTEI NO PT PARA VER ESSA GENTE EM BRASÍLIA!!!! NÃO VOTEI NO PT PARA VER DILMA COM MÃO FORTE CONTRA SINDICATOS (ANDES, POR EXEMPLO!), E COM MESURAS COM PGR, STF E, ESPECIALMENTE, COM O PIG!!!

    Espero que essa postura do Governo Federal não custe caro a quem mais necessita dele… O POVO!!!!

    • É um absurdo tremendo o ministro da Educação (Mercadante) chamar um quadro do neo-liberalismo e que já fez parte do governo FHC (que propôs uma série de medidas que atacam os direitos trabalhistas dos professores), que fez parte do governo tucano em São Paulo.

      Essa ala tucana do PT (muitos deles do PT paulista) ainda vai complicar o Governo Dilma.

      Que venha a Ley de Medios!

    • Para a cúpula do PT é ótimo criar este clima de disputa entre PT X PIG na militância do partido.
      Isto serve como mote para as campanhas eleitorais. Porém, na hora de tomar atitudes concretas
      para acabar com o oligopólio midiático, não faz nada!

    • FIque tranquilo, amigo. Fiquei sabendo que essa senhora desistiu, devido à pressão popular. Desta estamos livres.

  8. Ser eleito e tomar posse, não é “chegar ao poder”. O poder continua onde sempre esteve: com o capital, com o latifúndio, e com a elite, que sempre se reservou a formação escolar e o acesso e a ascensão na máquina do Estado, desde as delegacias de polícia, passando pela Justiça, Ministério Público e todas as funções estratégicas das administrações municipais, estaduais, federais.

  9. A lição que podemos tirar do seu artigo, Edu, é a de que governar não é nada fácil, sobretudo num governo de coalisão. O que não podemos é nos comportar como os ratos que, numa reunião, decidem que, para sua sobrevivência, seria preciso colocar o sino no gato. Mas quem iria fazê-lo? O governo, enquanto governo, não pode, mesmo, colocar este sino, mas isto não significa que nós devamos baixar a guarda. Temos que, diaria e incansavelmente, denunciar a “midia” (para manter a expressão educada) e, ao mesmo tempo, denunciar o legislativo que impede – por covardia e interesse – a aprovação de uma legislação que controle os meios de informação. Não temos todo o poder na mão, mas temos um poder importante. Você, por exemplo, vem desempenhando bravamente seu papel.

  10. Eduardo,

    Parabéns pela mente aberta para questionar e, quando entende necessário, rever posições.

    Cada nova universidade, escola técnica federal, bolsa do Prouni, cada novo concurso para a máquina estatal (no sentido mais amplo), é um golpe irreversível no aparelhamento do Estado pela velha elite e um passo avante para uma democratização mais efetiva da sociedade.

    Também existe comunicação de massa, não “mediada” pela midia. A percepção direta, pela população, da melhoria de suas condições de vida, a “economia diária” — agora detectada pelo relatório internacional que colocou o Brasil em primeiro lugar entre 150 países — é uma comunicação de massa que o monopólio do PiG não tem como impedir. A resposta das urnas deixou claro o que a população pensa do espetáculo do STF sincronizado com a mídia e com o calendário eleitoral.

    O Lula torna-se cada vez mais imbatível, não só porque fala a linguagem do povo — diretamente ao povo, nem que tenha de viver viajando, para alcançá-lo –, mas porque o que fala corresponde exatamente ao que o povo está percebendo no dia a dia.

  11. Acho que a crise capitalista pode fazer muito mais, e está de fato fazendo, para tornar a mídia um centro de divulgação de puras mentiras. Isto está acontecendo no mundo capitalista, sobretudo nos Estados Unidos. Não digo que a mentira tem pernas curtas, mas quando uma crise tão profunda atinge o coração do capital, a mídia não deixará de ser atingida. Acho que qualquer lei contra a mídia, ou seja, contra a mentira, não vai funcionar senão reforçando seu lado. A internet está tendo um papel importantíssimo nessa dissolução da ideologia capitalista. Este é um papel que não podemos menosprezar. É o nosso papel. Talvez precisássemos, para saber exatamente em que terreno estamos pisando, ou seja, o da verdadeira força da mídia, procurar entender perfeitamente sobre o fracaso dela nas últimas eleições municipais. O caso da prefeitura de S. Paulo poderia ser pesquisado. Fizeram tudo para derrotar Lula/Haddad, e foram derrotados. O fato é que não tiveram força usando exatamente o moralismo, que é poderoso. Uma derrota do lacerdismo?

  12. COERÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

    Roberto Jefferson (PTB) – 4 milhões – igual a 7 anos e 14 dias;

    Pedro Henry (PP) – 3 milhões – igual a 7 anos e 2 meses;

    Valdemar Costa Neto (PR) – 8 milhões – igual a 7 anos e 10 meses;

    João Paulo Cunha (PT) – 50 mil reais – igual a 9 anos e 4 meses.

    Alguém disse que no STF os pretos, as prostitutas, os pobres e os petistas são tratados diferentemente.

    Deve ser porque é petista que o deputado que recebeu menos dinheiro vai ficar mais tempo preso.

    Aliás, o único que vai direto para a prisão. Os outros terão direito ao regime semi-aberto.

    O Supremo Tribunal Federal é um primor de coerência.

    Enquanto isso, enquanto apanhamos no Supremo Tribunal da Hipocrisia, o PT e o relator da CPMI do Cachoeira retiram os pedidos de investigação e/ou indiciamento de Roberto Gurgel, Policarpo Júnior e outros quadrilheiros do Ministério Público e da mídia golpista conformada no PIG.

    Alegam que não havia voto suficiente pelas deserções de parlamentares da base do governo que se prestam a proteger aqueles quadrilheiros.

    Ora, e nem tentaram colocar os mesmos pedidos como emenda aditiva ao relatório, ainda que assinada por outro parlamentar? Para que ficasse registrado o posicionamento político desses parlamentares.

    E se o risco era não ter o relatório final votado, como ameaçam ainda assim, que sejam eles apontados pela recusa da votação, pela abstenção, pelo voto contrário. Mas o PT não poderia abdicar de incluir esses bandidos cujos crimes já têm comprovação em investigações da polícia e do próprio ministério público.

    O mal de se ter uma bancada pequena dos partidos de apoio programático ao governo e a dependência de bancadas de partidos aliados que não chegam junto nos principais enfrentamentos é fruto da opção errada e equivocada politicamente na formação das coligações eleitorais legislativas e pela ausência de ênfase no suporte das campanhas para que o mesmo eleitor de Lula e Dilma votem também nos seus candidatos a parlamentares mais fiéis. Sem isso, é como diz o Eduardo Guimarães, que aponta perdida essa legislatura para essa lei de médios.

  13. Petista, lulista e direitista plantonista. Acho que estas são suas melhores e mais apropriadas classificações, que se escondem atrás de um personagem – ou seja, alguém que se molda ao momento, por interesse real e objetivo: estar ao lado do poder, seja ele da bandeira que for.
    Disfarça bem ao dar uns tapas em Dilma. O foco é laurear o antecessor dela. Seria para que ele possa retornar após o mandato dela? Claro. Quem elogia Franklin Martins como você o faz, só pode querer o retorno do governo anterior, quando as tetas eram bem mais longas e macias. Que o digam mensaleiros!
    Quando critica a “grande mídia”, revela a frustração de quem não conseguiu atuar no conjunto, no coletivo, e que apenas pôde expor-se pela blogosfera desvairada. Se – impossivelmente – a internet contivesse um filtro, você estaria, também, fora dela.

  14. Muito bom o artigo, bem interessante mas ainda prefiro que se tente o que deve ser feito, mesmo sob o risco de fracasso, a ficar eternamente manietado no pau-de-arara da ditadura midiática. A coisa não mudará enquanto não se faça o menor esforço no sentido de alterar seus rumos.Prefiro tentar algo grande e fracassar a viver remindo com pequenas satisfações, escassas e extremamente raras, as derrotas diárias. Em algum momento haverá de acontecer o enfrentamento, quer se queira ou não.

    Ley de Medios (à la Argentina) Já ! ! !

  15. Edu, você tem o direito de se auto enganar o quanto quiser. Nós estamos cansados de esperar uma regulação da Midia através da Dilma… Não adianta que não vai sair. Como diz o nosso PHA, o PT homem e o PT mulher morrem de medo da Globo e do PIG. Esse governo via essa presidenta financia os golpistas dos jornalões diariamente. Após a posse ela compareceu a festa promovida pelo Frias que um pouco antes tinha divulgado a ficha falsa da mesma no seu jornalão. Portanto, desse mato aí não vai sair cachorro nenhum, ou melhor, regulação nenhuma. Pode esperar sentado para não se cansar.

  16. Acredito que seja exatamente isto que o governo queira que seja feito: mobilização social. Os políticos (incluídos os do executivo) serão trucidados pela mídia monopolizadora se tentarem ir de encontro a este monopólio. Suicídio político. Sem contar com a “tropa de choque” (donos de mídias ou a serviço delas) que existe no congresso para defender os interesses dessas famílias dominadoras da comunicação no país. Mas, uma mobilização popular, esclarecedora e arregimentadora, dará respaldo àqueles que estão nas duas casas legislativas para apoiarem o projeto de iniciativa popular. Um por cento do eleitorado, cinco estados, três décimos por cento… Art. 13 e parágrafos da CF. Onde eu assino?

  17. Prezado Eduardo,

    Sinceramente, se estas informações que você colheu conferem, então a postura dela é muito cômoda. Tenho o costume de duvidar da flexibilidade intelectual de quem usa frases feitas como estas ridículas que ela tem usado.

    Não importa que o congresso não aceite, é obrigação do governo propor o debate e levar a discussão até os fóruns apropriados de modo a criar um ambiente tal que faça avançar o país. O PMDB não quer? Então que se entenda com a maioria da população esclarecida que quer.

    A obrigação do cidadão esclarecido e de boa vontade é pugnar pelo progresso do país. Se ela não faz , se omite. Se ela se omite, façamos nós. Seria possível obter uma cópia do que o Franklin fez e propor o debate aberto na rede, nas escolas, nas universidades, nos sindicatos? Que se dane se a Dilma e o PT são omissos, façamos nós!

    Abraços.

  18. Mas por que a Dilma não corta os anúncios federais? Tira o oxigênio da mídia. Isso ela pode fazer e não faz. Então só temos a lamentar.

  19. A conversa da Presidente a respeito do controle remoto é plausível em um país no qual a educação é de qualidade e a mídia é plural. No Brasil, com mídia monopolizada pela direita (pela esquerda seria a mesma coisa), é “conversa para boi dormir”. Quanto a “preferir o ruído da imprensa livre ao silencio da ditadura” é conversa fora do contexto, despropositada, pois não temos democracia, o espaço público é monopolizado por empresas que se comportam como fascistas, não há contraditório, não há democracia, não há formação da opinião pública, há monólogo. A presidente não é ingênua, então, está querendo o quê?

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  1. Dilma e o controle remoto | Altamiro Borges

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