PSOL replica e o Blog treplica em debate da candidatura Giannazi

Foi com satisfação que recebi carta do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) enviada em réplica à carta aberta ao candidato desse partido a prefeito de São Paulo, Carlos Giannazi, que escrevi há alguns dias. Quem assina a resposta é Maurício Costa de Carvalho, presidente do PSOL paulistano.

Quando menos, os termos em que os dois textos foram escritos constituem salutar exercício de debate político em alto nível, tão escasso nesta época de ataques rasteiros, maledicências, xingamentos, calúnias e tudo mais que vem degradando a política brasileira.

É sob tal espírito que este Blog publica – e treplica – a réplica do PSOL a considerações que fez não apenas sobre a (excelente) candidatura do professor e deputado estadual Carlos Giannazi – que só faz engrandecer a disputa pelo cargo de prefeito da capital paulista –, mas sobre o próprio partido.

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É possível mudar São Paulo sendo coerente

Caro Eduardo Guimarães,

Há alguns dias, após um debate promovido pela revista Fórum, você escreveu uma “carta aberta” ao candidato a prefeito do PSOL em São Paulo Carlos Giannazi. Embora teça elogios pessoais ao psolista, sentimos que a ideia da “carta” é mais um esforço de tentar colar em Giannazi a pecha de “bom político, mas incapaz de governar” e assim indiretamente ocultar as imensas contradições da candidatura Haddad que você defende.

Carlos Giannazi, a quem você tece elogios sinceros por sua trajetória irreparável de luta e coerência, não poderia ser candidato a prefeito nem estar em outro partido. O mesmo pode ser dito de Plínio de Arruda Sampaio, Marcelo Freixo, Luciana Genro, Heloísa Helena e tantos outros, muitos que saíram ou “foram saídos” do PT justamente pelo mais importante de suas histórias: a coerência com suas bases sociais e a convicção de que é possível fazer política sem se vender.

Por tudo isso faço questão de responder em nome do PSOL e de maneira respeitosa e franca a sua carta. Em respeito também àqueles moradores de São Paulo que acreditam na necessidade histórica de superar os seguidos desgovernos da direita elitista representada pelo PSDB, queremos discutir a necessidade de fortalecer uma alternativa que infelizmente o PT de Haddad não representa, precisamente porque fez a opção de moldar sua política na fôrma que tucanos forjaram.

Vamos aos pontos.

O preço das alianças

A afirmação de que o PSOL não faz alianças não é verdadeira e foi prontamente respondida por Giannazi durante a entrevista (aos 39min15s). O PSOL faz alianças, mas com limites e princípios. Vejamos o caso de Maluf. Maior corrupto brasileiro, criminoso procurado pela Interpol, já foi preso, teve seus bens bloqueados, foi condenado a devolver R$ 716 mi aos cofres públicos do estado e ainda deve outras dezenas de milhões que roubou da cidade de São Paulo em suas desastrosas gestões com Pitta e Kassab.

Esse sujeito e seu partido são entulhos da ditadura militar. Maluf construiu o Cemitério de Perus para abrigar as ossadas dos desaparecidos políticos e regularizou o centro de tortura do DOI-CODI. Estamos opostos a Maluf em termos humanitários, políticos, administrativos, éticos, morais… Como então nos aliarmos para um projeto de cidade? Para o PSOL é impossível, para o PT de Haddad não.

As alianças são muito mais do que divisões por tempo de TV. A de Lula com Maluf concedeu ao PP o Ministério das Cidades, terceiro maior orçamento da esplanada, responsável pelas obras da Copa e pela construção de metrôs nas cidades. Hoje é um duto de corrupção do pior tipo, em consórcio com as empreiteiras. Não por acaso as obras da Copa são um desastre e “falta verba” para o metrô em São Paulo. Fico me perguntando qual a secretaria ocupada por Maluf em um hipotético governo Haddad. Das finança$? Das obras? Da segurança, para colocar “a Rota na rua”? Ou da educação, para quem “professora não é mal paga, é mal casada”?

Na esteira da chapa petista a vereadores desse ano está gente como Wadih Mutran, com imensa coleção de escândalos na cidade, tendo “milagrosamente” dobrado seu patrimônio milionário em 4 anos. Qual a diferença entre eleger “a direita demo-tucana e seus satélites” e Mutran? Contando que a maioria dos vereadores da atual legislatura – inclusive vários do PT – são financiados por empreiteiras e construtoras que transformaram a prefeitura e a câmara em reféns, como fazer para mudar esse quadro? Nenhum vereador – do PSDB, do PT ou do PSD – teve coragem de lutar por uma CPI contra a Máfia dos Imóveis de Kassab. Por que será?

Para quem se administra?

Caro Eduardo, nossas diferenças com o PT não são administrativas, como você sugere, são estratégicas, de projeto. Você afirma em sua carta que a redução de gastos da educação em 6% e a criação de taxas que oneravam diretamente os pobres e os trabalhadores no governo petista seriam “medidas administrativas inevitáveis”. Tal visão reproduz uma velha máxima da direita tucana: distribuir as sobras do orçamento para os pobres quando a maré vai bem e retirar direitos dos mesmos – o elo mais fraco da corrente – quando vai mal.

Por que a prefeitura petista não engordou os cofres com a cobrança da imensa dívida ativa de grandes empresas e especuladores? Por que não taxou transações financeiras do município e as grandes fortunas paulistanas? Por que não atacou os corruptos? Diga-se de passagem, a redução de verbas da educação e a criação das taxas do lixo, da luz, etc. foram construídas por Haddad enquanto ele era chefe de gabinete de João Sayad, ex-secretário de Serra, ex-ministro de Sarney e o responsável no governo tucano de hoje por promover o desmonte que a TV Cultura vem passando.

É possível fazer mudanças reais com coerência

Como Haddad poderá ser o novo de São Paulo se recebe R$ 90 milhões na campanha das mesmas construtoras, empreiteiras, bancos e multinacionais que financiam Serra? Ser “factível, racional, prevendo todas as dificuldades” é saber especialmente o preço que se paga pelas opções e compromissos na política.

É justamente por sabermos o preço das alianças e das opções que são feitas na política que optamos por outro caminho, criterioso e coerente. O PSOL é o partido mais bem avaliado do Congresso não só porque tem excelentes quadros, parlamentares, com experiência parlamentar e administrativa como Chico Alencar, Ivan Valente, Jean Wyllys e Randolfe Rodrigues. Nossa virtude é que não abandonamos o que há de vivo na política: a organização independente da sociedade e o compromisso com o povo.

Aliás, foi fundamentalmente assim que Edmilson Rodrigues, atual candidato a prefeito de Belém pelo PSOL com 47% das intenções de voto, governou a cidade em uma experiência que muitos petistas abandonaram. Vale conhecer a história do Congresso da Cidade, da mobilização e dos enfrentamentos feitos por Edmilson que o tornaram a grande liderança popular na cidade. E, por favor, isso nada tem a ver com “um projeto autocrático sob discurso de que um prefeito pode fazer tudo o que quiser coagindo o Legislativo com grupos de pressão”. Essa “reginaduartização” da política não ajuda nem um pouco no debate.

Greve das federais: um exemplo

Cito outro caso que ilustra bastante nosso debate: a atual greve das universidades federais. São quase 100 dias de greve contra um modelo construído por Haddad que se iguala ao projeto educacional do PSDB no governo paulista na expansão precarizada da educação e no arrocho salarial dos profissionais de educação. Ainda pior: como na USP PSDBista, o PT mandou reprimir os estudantes e ainda propôs o corte de ponto dos grevistas. “Modernidade administrativa” você diria? “O pior do modelo de direita da criminalização das lutas sociais”, diríamos nós.

Aliás, pela gravidade do tema, aproveito para fazer um apelo. Nesse momento onde a mídia corporativa simplesmente se calou diante de uma das maiores greves universitárias da história, não consegui achar no seu blog da cidadania nenhuma linha de apoio, de solidariedade, de crítica ao governo por nem ao menos ter sentado para negociar com os professores e trabalhadores das universidades em meses.

A mudança que São Paulo quer

Por fim Eduardo, quero deixar claro que coincidimos em um ponto: São Paulo precisa de mudança e do fim da velha política de PSDB e satélites. Contudo é impossível ser “o novo” que a cidade precisa reproduzindo a essência dessa velha política no financiamento de campanha milionário, nas alianças, na política econômica, nas práticas corruptas, nos candidatos impostos desrespeitando a base partidária e a história do partido, como faz o PT.

A mudança que São Paulo precisa não pode ser pincelar um verniz do “novo” em uma estrutura devorada pelos cupins. E política não é guerra de torcidas, não é competição de marketing nem de quem tem mais tecnocratas. É disputa de projetos, de opções.

E nós acreditamos que é possível, caminhando com os pés firmes no chão, construir uma nova rota em direção a uma vida onde a justiça social e a liberdade não sejam mera fraseologia. Para tanto é necessário que as contradições do deserto do real sejam enfrentadas com independência, firmeza e coerência, o que falta à miséria da política que vemos hoje.

Como disse ao Rovai, espero uma nova oportunidade de debate sobre os projetos de Giannazi e do PSOL para São Paulo.

Saudações ensolaradas, 

Maurício Costa de Carvalho

Professor, geógrafo e presidente do PSOL na cidade de São Paulo.

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Tréplica do Blog ao PSOL de São Paulo

Caro Maurício,

Devo iniciar refutando vossos sentimentos (do PSOL, imagino) sobre a natureza da carta aberta que escrevi ao deputado Carlos Giannazi: não fiz esforço algum para tentar colar coisa alguma nele, até porque o desempenho eleitoral do PSOL, desde a sua criação, mostra que a “pecha” de partido com bons políticos, mas incapazes de governar, já está colada nele.

Não é por outra razão que o PSOL não tem um único vereador na capital paulista. A população de São Paulo, com efeito, ainda não sentiu confiança no partido para lhe dar sequer um assento no Legislativo, situação que se espraia pelo país, onde o PSOL tem uma representação para lá de diminuta, tendo apenas três deputados federais e um senador.

Tampouco defendo qualquer “contradição” da candidatura Fernando Haddad; apenas simpatizo com ela. No máximo, então, posso estar enganado quanto ao candidato no qual pretendo votar. Atribuir-me “defesa de contradições” de quem quer que seja é uma forma de desqualificar meus argumentos relativos a Giannazi e ao PSOL.

Sobre as “contradições” que o seu grupo vê na candidatura Haddad, Maurício, que, obviamente, referem-se ao desempenho do ex-ministro à frente da pasta que pilotou ao longo do mandato de Lula e durante o período inicial do atual governo do Brasil, discordo delas.

Em minha opinião, o desempenho de Haddad como ministro foi excelente. Destaco as cotas para negros e pobres nas universidades públicas, o Prouni e o Enem, políticas aprovadas por maioria esmagadora dos brasileiros e que estão produzindo um fenômeno que a sociedade já começa a perceber: os eternos excluídos do ensino superior finalmente estão chegando a ele.

Só esse ponto da obra de Haddad à frente do Ministério da Educação já mostra que não é verdadeira a sua premissa de que o PT “fez a opção de moldar sua política na fôrma que tucanos forjaram”, haja vista que estes combatem ferozmente as políticas afirmativas petistas que estão levando centenas de milhares de jovens pobres e negros à universidade.

Sobre o “preço das alianças”, em primeiro lugar há que dizer que foi inútil expor a este blogueiro quem é Paulo Maluf e tudo o que pesa contra ele, pois, afinal, estou entre aqueles que mais combateram esse político ao longo de mais de trinta anos. Isso sem falar que fui o primeiro a criticar a aliança entre o PP e o PT paulistanos, tendo, inclusive, feito denúncia contra Maluf um dia antes de ser formalizada a aliança com seu partido.

Apesar de concordar com você, Maurício, que essa aliança foi um erro porque agregará muito pouco benefício ao grande desgaste que gerou inclusive no próprio PT – o que mostra que o partido mantém sua coerência –, penso que o discurso do PSOL sobre alianças políticas é representativo da falta de visão do partido sobre a natureza da democracia representativa.

Vale registrar que é conversa que o PP ganhou o Ministério das Cidades por ter se aliado ao PT na capital paulista; esse ministério foi entregue ao PP muito antes de sua aliança com o PT ser formalizada.

Sobre alianças, há Malufs em quase todos os grandes partidos, menos no PT – aponte-me um só político como ele filiado ao PT, se puder. Se não puderem ser feitas alianças com os grandes partidos porque o povo decidiu eleger alguns desses Malufs a eles filiados, não sei como qualquer sigla governará qualquer coisa no Brasil…

Aliás, a quase inexistente experiência administrativa do PSOL desde a sua criação mostra exatamente isso, que, sem alianças, o máximo que um partido pode fazer é ficar gritando e acusando sem realizar nada.

Sem alianças, o Brasil não seria o que é hoje, em que pese tudo de descomunal que ainda resta fazer neste país. Preciso dizer quanto o Brasil mudou porque o PT aprendeu a fazer alianças? Não preciso, o povo brasileiro e o mundo, em maioria avassaladora, reconhecem o que foi feito. Se o PSOL não reconhece – assim como o PSDB, o DEM e a mídia –, paciência.

A democracia representativa, porém, obriga a classe política a respeitar mandatos concedidos pelo povo. Se o povo vota “errado”, é outra história. Maluf – bem como seus congêneres – foi brindado com mandato popular, ou seja, representa um setor da sociedade. Há que reconhecer esse fato e a Constituição brasileira, que nos obriga a tanto.

Outro fato que me preocupa, caro Maurício, é sua carta-resposta desconhecer a situação em que estava São Paulo quando Marta Suplicy assumiu sua prefeitura. Preocupa-me ainda mais você desconhecer a imensa obra social dela e um dos melhores projetos para a Educação, os CEUs, desmontados pela gestão demo-tucana posterior.

Pior ainda é você criminalizar as doações de campanha a Haddad como se ele fosse uma exceção. Ora, as regras do jogo são essas. Como ele ou qualquer outro político farão campanha sem dinheiro? Melhor seria defender o financiamento exclusivamente público de campanhas, um projeto que o PT, em boa parte, defende.

Sim, Chico Alencar, Ivan Valente, Jean Wyllys e Randolfe Rodrigues são excelentes políticos. Votaria em qualquer um deles, mas há bons políticos em várias legendas. Isso só mostra que não se pode criminalizar partidos inteiros. Quando muito, pode-se divergir de suas linhas programáticas.

O discurso moralista e acusatório do PSOL ainda não pode ser levado a sério. Só no dia em que o partido administrar cidades e Estados é que poderá ser testado. O PSOL, como você bem mostrou em seu texto, ainda não administrou praticamente nada, de forma que não se sabe que resultado teria sua política de não fazer alianças.

E, claro, só quando o PSOL começar a governar mesmo é que saberemos se é realmente esse partido de anjos como se apresenta ou se a natureza humana, que sempre abriga exceções desonestas, pode se fazer sentir nessa honrada legenda.

O mote de sua resposta, Maurício, é o de que é possível mudar São Paulo sendo “coerente”. Preocupa-me o que você chama de “coerência”, que pode ser outro nome para fundamentalismo. É coerente querer governar alguma cidade, Estado ou o país sem alianças políticas, só colocando o povo para pressionar parlamentares nas galerias?

Você me disse que Giannazi respondeu que o PSOL faz, sim, alianças, mas com “limites e princípios”. Ora, isso é muito vago. Ele não me respondeu com quem governaria São Paulo. Sendo franco: enrolou. Faria aliança com o PT, com o PSDB, com o DEM, com o PMDB ou com o PSD? Pelo que o PSOL diz desses partidos, não faria.

Ora, como vou entregar o governo da minha cidade – que está um caos – a um partido que não terá sequer base de apoio legislativo para mudar qualquer coisa? Explique-me, de forma convincente, e levarei a sério a candidatura do partido a prefeito de São Paulo.

Dê-me o direito de não acreditar nessa candidatura, meu caro. Até porque, infelizmente boa parte dos Legislativos é composta por representantes de setores organizados e poderosos da sociedade, sobretudo de grupos econômicos, de forma que a maioria dos vereadores daria uma banana à pressão das galerias e agiria sob os interesses que a elegeram.

Política é negociação. Não se pode, simplesmente, desconhecer que aqueles políticos daquele determinado partido receberam um mandato de um setor da população para representá-lo. Há que respeitar esses mandatos, por mais que se discorde de terem sido concedidos. Isso se chama democracia. É ruim? Talvez, mas ainda não inventaram nada melhor.

Quero lhe garantir, Maurício, que não tenho qualquer vínculo com o PT, com sindicatos, com movimentos sociais de qualquer tipo – menos com o Movimento dos Sem Mídia, do qual sou fundador e presidente. Dessa maneira, meu intuito é só o de ajudar a eleger o melhor candidato para São Paulo.

Estive no Pinheirinho, estive na Cracolândia, vejo o higienismo que a prefeitura demo-tucana promove em São Paulo. A nossa cidade está indo para o buraco, Maurício. Temos que livrá-la dessa gente. Todavia, ficará mais difícil se o PSOL fizer, mais uma vez, o jogo da direita, ajudando-a a derrotar o único candidato capaz de derrotá-la: Fernando Haddad.

Saudações “ensolaradas” a você também, companheiro.

Eduardo Guimarães

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127 Comentário

  1. Dizem que o ressentimento é um copo de veneno que você toma para o inimigo morrer. O PSOL tem bons quadros. Eu mesmo sou eleitor e admirador do trabalho de Giannazi na Assembleia Legislativa.

    Mas o partido só se tornará uma real alternativa quando deixar o discurso anti-PT de lado e formular propostas coerentes com a esquerda que defendeu.

    Se ficar no ressentimento, se igualará a DEM e PSDB, de forma pior ainda, pois ao ser anti a qualquer custo, reproduzirá os mecanismos insensatos dessas duas pragas da direita.

  2. Dois pontos relevantes, a meu ver:
    1. “Ora, como vou entregar o governo da minha cidade – que está um caos – a um partido que não terá sequer base de apoio legislativo para mudar qualquer coisa? Explique-me, de forma convincente, e levarei a sério a candidatura do partido a prefeito de São Paulo.”
    Comentário meu: perfeito. Por outro lado expõe, por extensão, o que um partido apinhado de poderosos reacionários poderá fazer contra a maioria do povo, nesta cidade. Mesmo assim os deslumbrados contam com um candidato desagregador e promotor de vendetas como jamais se viu antes o que, de forma até certo ponto inesperada, acaba por se tornar o calcanhar de Aquiles de uma elite desvairada.

    2. “Dê-me o direito de não acreditar nessa candidatura, meu caro. Até porque, infelizmente boa parte dos Legislativos é composta por representantes de setores organizados e poderosos da sociedade, sobretudo de grupos econômicos, de forma que a maioria dos vereadores daria uma banana à pressão das galerias e agiria sob os interesses que a elegeram.”
    Comentário meu: Aí está o Pinheirinho. Deram uma banana e tanto para a maioria da sociedade que não aprovaria jamais tanta perversidade e crueldade ao ponto que chegou, com a cumplicidade criminosa do PIG. Com todo o respeito ao PSOL, o povo humilde não é tão burro assim. Apostar no quanto pior melhor é um erro crasso. E, pelo que me consta, o PSOL teria boas propostas, mas, prefere talvez o percurso mais demorado e a maioria do povo não quer mais esperar tanto, pois descobriu que pode almejar melhores condições em prazo curto, guardando distãncia destes três partidos: PIG, PSDB e DEM, com seus satélites e corolários privateiros e entreguistas.

  3. EDU,

    É verdade que a última pesquisa em Belém aponta Edmilson Rodrigues do PSOL (Ex-prefeito do PT/Força Socialista) com 47% de intenção de votos.
    Edu, Edmilson não governou sozinho, governou com um partido e seus movimentos sociais, no entanto, a campanha de Edmilson é um rosário de legado das propostas do Partido dos Trabalhadores quando do mandato da prefeitura.
    EDU, sobre Edmilson Rodrigues e seu grupo político, onde a maioria migrou para o PSOL, precisaríamos de muito espaço em seu blog para dialogarmos e esclarecermos ao público muitos fatos.

    EDU, para não perder o diálogo que concede esse blog da cidadania, vou elucidar apenas dois:
    Em primeiro lugar, Edmilson Rodrigues jamais negociou o Plano de Cargos e Salários para a educação no município de Belém. Mas, com muita dificuldade, Ana Júlia negociou um Plano de Cargos e Salários, e o atual governador Simão Jatene (depois de uma greve duríssima dirigida pela CUTPARÁ) cumpre o piso nacional para os professores, mesmo que parcelado. Vale ressaltar EDU, que o ex-prefeito Edmilson, infelizmente, contrariando o partido dos trabalhadores e, seguindo seu núcleo duro(extinta força socialista) reprimiu fortemente uma greve de professores tão qual se refere e acusa ao Haddad, o candidato do PSOL em São Paulo;
    Em segundo lugar, e finalmente, o ex-prefeito Edmilson Rodrigues sem negociação com o partido dos trabalhadores e os movimentos sociais da educação, transferiu autoritariamente e autocraticamente a conta-salário dos servidores públicos municipais do Banco do Brasil para o Banco ITAÚ, ou seja, de um banco público para um banco privado. Isso é fato.
    Receba um forte abraço de um blogueiro sujo de Belém do Pará que dirigiu greve no setor de informática contra Edmilson Rodrigues e seu núcleo durissímo da extinta força socialista.
    Antonio Carlos @jurubebadigital

  4. O PT anterior a 1988 era um partido exclusivista, que tinha a mesma visão do atual PSOL: ele era o partido que representava o anseio popular, já os demais partidos (o PT citava o meu PCdoB como um partido burguês que se vendia aos interesses da burguesia e traia os trabalhadores) defendiam interesses das classes dominantes.

    Mas felizmente para o PT, para o povo brasileiro e para o país, o PT conseguiu enxergar a necessidade de fazer alianças com partidos que o PT considerava estar no mesmo campo seu, apesar de terem defeitos burgueses (na época estes partidos com defeitos burgueses eram: PCdoB, PSB, PDT e o antigo PCB). Em 1988, o meu PCdoB já conclamava pela união das forças de esquerda. Em São Paulo o PT concorda em criar a coligação Partidos do Povo (PT, PCdoB e PCB), que recebe o apoio informal do PDT alguns dias antes da realização do pleito municipal e ganha a eleição de 1988. No ano seguinte o PT acertadamente cria a coligação Frente Brasil Popular (PT, PSB e PCdoB) e não cita mais os demais partidos de esquerda como partidos com vícios burgueses. O PT aprende que é necessário se aliar a partidos que tem ideologias de esquerda. Mas ainda assim não foi suficiente para ganhar a eleição. Em 1994 o PT apresenta a Coligação Frente Brasil Popular pela Cidadania (PT – PSB – PCdoB – PPS – PSTU – PV). Em 1998 foi a Coligação União do Povo Muda Brasil (PT – PDT – PSB – PC do B – PCB)e finalmente em 2002 entrou um partido de centro-direita, o PL , formando a Coligação Lula Presidente (PT-PL-PCdoB-PMN-PCB). O PT aprendeu, nós aprendemos que é necessário ampliar as alianças para ganhar as eleições. Em 2006 era necessário ganhar as eleições e ter uma base de partidos que ajudassem na sustentação do governo no Congresso Nacional. Em 2006 a coligação foi formada por PT, PRB e PC do B. Em 2010 o PT conseguiu abriu mais a sua aliança e conseguiu colocar o PMDB (um histórico partido que se aluga para os governantes, desde que ele ganhe algo) e fez a coligação com os seguintes partidos PT, PMDB, PR, PSB, PDT, PC do B, PSC, PRB, PTC e PTN.

    O Brasil mudou e mudou para melhor, o PT teve que engolir alguns sapos, inclusive os partidos de esquerda (entre os quais o meu PCdoB), mas que eram necessários para poder ampliar os avanços sociais. Isto até hoje o exclusivista, o puro e o ético PSOL não entende e por não entender não vai ganhar nada. O PSOL tem que saber que existe partidos que defendem as causas populares, não é só ele, que estes partidos tem opiniões diferentes sobre muitos assuntos, mas isto não impede de haver as alianças. No entanto, na cabeça do PSOL, somenteo PSOL presta. Já os demais partidos de esquerda, são burgueses e vendidos. Parece que o PSOL não conhece a história política de 1985 para cá, pois comete os mesmos erros que o PT cometia antes de 1988.

  5. Eduardo, não é lá muito próprio meu ficar de rasgação de seda, mas a clareza, articulação e pertinência de seu texto é um primor de perspicácia. Assino tudo em baixo. Diria até, perdoe-me a forma chula, que é muito fácil ser “picudo” quando não se tem a responsabilidade de governar nas mãos. Todos aqui, se não esquerdistas, ao menos simpáticos a ela são, à exceção dos trolls infames que infestam a web e não poupariam esse espaço, compreende-se o porque. Mas faz parte. As críticas do PSOL são absolutamente pertinentes até o ponto em que viram moralismos de ocasião, que deveriam ser aceitos no terreno do pessoal, nunca do coletivo, no qual a política se insere. Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, o papel da oposição é o da crítica, mas a porca torce o rabo quando numa discussão polarizada o PSOL une-se ao PSDB para atacar o PT, com o qual deveria ter maior afinidade e “compromisso ideológico” (a despeito das concessões que o exercício de governar EXIGE de quem está no poder). Perde toda a razão e se transforma em uma voz útil aos propósitos do outro lado. É muito claro que o PT cansou de dar murro em ponta de faca, e percebeu que se não jogasse o jogo, jamais chegaria ao poder, logrando a oportunidade de mudar a vida de milhões de brasileiros da forma como mudou e de plantar os alicerces para continuar mudando como plantou. Mas a ala mais “radical” afaga seus egos “incorruptíveis” com esse tipo de discurso do “não me misturo”. Ok, tem todo o direito. Mas cabe uma auto crítica sobre a que propósitos acabam servindo no jogo político e se desejam continuar sendo um partido menor e de influência limitada.

  6. PT e PSOL – eu sou você amanhã.

    O PSOL é o que eu mais admirava no PT. Partido de oposição, aguerrido, baseado em “princípios e valores”, repleto de intectuais coerentes, bom para apontar os defeitos dos governantes. Mas não passava disso.

    Mudei com o PT. Hoje prefiro um governo que atue pelo povo e pela nação, apesar das contradições.

    Poderia elencar uma grande quantidade de aspectos que me contrariam nos governos federais do PT. Vou ficar apenas com os que considero mais importantes, que são questão de vida ou de morte: agrotóxicos e trangênicos.

    Mas pelos oito anos de PSDB e dez anos de PT não tenho dúvidas. Voltarei a votar na Dilma de olhos fechados. Só de pensar na chance da volta da privataria tucana me encho de convicções.

    Apesar de não residir em São Paulo frequento muito a cidade. Pelos parentes, pela cultura, pela gastronomia, pelos eventos, etc., e percebo a degradação contínua que ela vem sofrendo. Gostaria muito que a dinastia do PSDB fosse apeada e, se possível, no estado também.

    Desejo a vitória do Haddad e desejo vida longa ao PSOL.

    E elogio as partes deste debate epistolar, mantendo o nível bem acima da atuação dos “bicudos”. Eduardo, contamos com você.

    Ronaldo

  7. Edu, será que o Psol leu a sua tréplica e seguiu seus conselhos? Abraços!
    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-novas-aliancas-do-psol

  8. Perfeito Edu. Pena que não existam milhões de Edus por aí, com sua educação e clareza política.

    Embora reconhecendo a importância do PSOL para a democracia, creio ser muito difícil os puristas entenderem que muitas coisas na vida não são compatíveis com uma separação rígida entre o bem e o mal, principalmente na política. Sabemos hoje que isso deveria ser coisa de adolescente, escoteiro (ou fundamentalista). Não de quem almeja ser representante de uma população extremamente heterogênea e muitas vezes contraditória e, mais importante, que não quer esperar as calendas gregas para ser salva pelos anjos, arcanjos, querubins e os demais ingressantes nos exércitos do bem. Na verdade, o pessoal do quanto pior melhor, não entende os grandes desafios da política de massas no contexto da democracia. Quando no cipoal de possibilidades existentes, as lideranças populares precisam rapidamente decidir de que maneira é possível passar as propostas que irão beneficiar a maioria da população, principalmente, as que interessam o povo mais simples.

    Esse pessoal “desmemorizado” esquece que no passado os comunistas eram extremamente úteis nas alianças com candidatos conservadores, desde que não fossem cabeça de chapa e sim meros apoiadores. Ai podia e os comunistas (os “radicais” de então) eram não apenas bem vindos, mas considerados extremamente úteis com sua militância, pois estavam mais próximos ao povo (nos sindicatos, por exemplo). Ora, com Haddad estamos exatamente na situação oposta, onde candidatos conservadores apoiam, mas não são cabeça de chapa e, portanto, não irão determinar o eixo central das políticas que serão implementadas. Caramba que inversão! Como não perceber esse fenômeno?

    Pior. Como não entender essa coisa tão simples, se foi exatamente o que ocorreu durante os 2 mandatos de Lula. É interessante como a grande mídia na época (e ainda hoje) combatia as alianças que Lula fez pela governabilidade (Sarney, Renan, Collor, etc.). O pior é que sem elas Lula teria sido rapidinho expelido do poder, tal como ocorreu com Arbenz, Jango, Zelaya, Lugo, etc. No episódio da aliança de Haddad, o cinismo da mídia é gritante, pois com Serra o partido de Maluf poderia ficar, jamais com o Haddad. Ora, ora, ora, mas que coincidência estranha (ou macabra?) do ponto de vista do povo (ou se quiser de tática política): Essa é exatamente a posição do PSOL! Infelizmente, não dá para acreditar que o PSOL esteja pautando a grande Mídia.

    O problema na verdade é outro. A política tem uma regra de chumbo: De boas intenções o inferno está cheio. No popular: Quem não souber jogar o jogo dança, sem perceber nem onde o galo canta. O que o pessoal precisa entender (e nisso Lula é política na veia), é que nossa elite tem 400 anos de prática política e sabe muito bem o que lhe beneficia, pois se movem guiados única e exclusivamente pelos concretos interesses de classe – o que muito facilita o jogo deles. Ou seja, decidem de bate pronto. É por isso que na classe dominante, infelizmente, não tem amadores. Sabem exatamente o que querem.
    Quem menospreza esse pessoal é louco ou deveria mudar de atividade.

    Já no chamado campo progressista, esse me parece ser um dos problemas básicos. Contamos com uma numerosa legião de amadores bem intencionados (apesar do esforço, ainda me considero um), cuja consequência maior é a dificuldade real de definir táticas políticas com reais chances de sucesso. Portanto, não há dúvidas: nesse momento é Haddad lá! Esperamos também o apoio sincero do PSOL nessa conquista e, certamente, suas críticas visando aprofundar o processo serão muito bem vindas.

    Finalmente, para que a opinião acima não seja desqualificada a priori, informo que embora tenha sido no passado distante (década de 80), não sou mais militante do PT. Contudo, reconheço a importância e o sucesso de seu projeto nacional e também da tática política adotada em SP.

    Edu, mesmo a distância admiro sua luta nessa grande trincheira democrática que é o blog da cidadania. Continue tranquilo e na sua paz.

  9. Perca de tempo com um candidato do PSOL. Poderiam fazer isso com Haddad para nós o conhecermos melhor, na tentativa também, de ajudá-lo a pelo menos chegar ao segundo turno.

  10. Qualquer partido que não seja uma linha auxiliar ao PT é ruim. Direita ou esquerda não é a questão. A única questão que se impõe é a relação do partido com PT. PP de Maluf é de direita, PSOL é de esquerda. O PP é melhor que o PSOL nesta eleição pois apoia o PT. Basta explicar isto ao PSOL e resolve-se esta questão. Sem réplica ou tréplica.

  11. O lobo mais perigoso é aquele que veste a roupa da ovelha.
    O sol ainda não nasceu para o PSOL. O psolismo está se transformando na profissão mais antiga da humanidade.
    Faz suas alianças às escuras, por eventual e instantânea conveniência.

    • Ah, então é o PSOL, que faz alianças, às escuras, por total e instantânea conveniência!!!
      Tá bom, tá bom.

  12. Vejo que o sonho de consumo do famigerado psol, é ser o LULA , o PT e sua Militância amanhã. É um Partido sectário….costumo falar que é como um barco de bostas que navega sobre a urina, tocado pelos ventos do Conservadorismo histórico Brasileiro. O Psol age na fôrma da direita, e na forma como um partido reacionário de um purismo angelical fundamentalista, sempre agirão com HIPOCRISIA, só eles acreditam em suas leviandades. Quero distância desses sectários que servem a Direita nativa e o PIG. de Belo Horizonte.

  13. Excelente reflexão e resposta Edu! Ótimo e salutar debate!
    Concordo inteiramente com você quanto ao significado da passagem de Hadadd pelo Ministério da Educação. Além das políticas afirmativas o crescimento das universidades públicas e a sua interiorização, por mais dificuldades que passem nestes momentos iniciais, são fatos que não podem ser questionados e cujo impacto social se fará sentir cada vez mais fortemente. Acho lamentável o PSOL repetir as criticas que a direita faz a Hadadd.
    Torço, à distância, para que o povo de São Paulo tenha a sorte de ser governado por Hadadd!

  14. Perda de tempo discutir com esses “esquerdistas”, renegados. Seu principal inimigo é o PT, para isso se aliam (como não fazem aliança??) com toda a direitalha na Câmara Federal e no senado. Quem não viu Heloisa Helena abraçada com Demostenes, Artur Vergilio, Alvaro Dias e outros “mosqueteiros da ética? O grande objetivo desses renegados é se aliar à direitalha para derrotar o PT. Esse sempre foi papel dessa gente: servir de braço auxiliar da direita reacionária. A velha doença infantil. Bem lembrou, Eduardo, quantas cadeiras êles têm no Legislativo da cidade de São Paulo??/ Esses pseudos esquerdas não têm voto, não tem representatividade nos movimentos sociais, não tem representatividade nos sindicatos. Quantos votos será que pensam ter em São Paulo??? 3%??? É isso que esses porraloucas querem para o movimento social??? O isolamento, ter 3% dos votos. Mais uma vez ajudarão o Serra contra o PT. Contem para esses porraloucas a História do golpe no Paraguai. Contem para esses porraloucas o que queriam fazer com o Lula em 2005. Comtem para esses porraloucas o que está acontecendo no Acre. Não adianta, esses renegados sempre serão o braço auxiliar da direita reacionária. Assistam ao papel que desempenharão nessas eleições.

  15. Grande Edu! Parabéns por esse “confronto” lindo com o povo do PSOL. Vi toda a entrevista com o Giannazi, analisei bem e acho que você está com a razão. Obrigada pela luta por nossa cidade. Abraços.

  16. Lula deu aula e os bons alunos vão aprendendo.

    PSOL, como sempre, não aprende. Mas também não precisa. Os fundamentalistas já encontraram a VERDADE. Não tem mais nada pra aprender.

  17. É engraçado esse PSOL, não vejo nenhuma crítica contra o PSDB/DEM. Que vergonha Sr. Maurício Costa de Carvalho fazendo a parte suja da direita. Sabia que a privataria tucana matou mais brasileiros, ajudada pelo PSOL. Outra coisa, o Sr. demonstra total desconhecimento do que é democracia. Vejo essa batalha do PSOL contra o PT com uma desconfiança e uma dúvida: será que por debaixo do pano o PSOL não recebe alguns, talvez não do PSDB/DEM, mas clas classes da direita desta país?

  18. Não é a toa que existe um pensamento popular muito antigo: “a esquerda é burra”, e com certeza nem com o exemplo maior de governar um País sem maioria no congresso o PT foi capaz de avançar e mudar muita coisa no Brasil é motivo suficiente para que o Psol e outros aprendam que não “adianta nadar contra a correnteza do rio” mas sim usando alianças ainda que intragáveis mas que possibilitem as mudanças que se fazem necessárias. A partir desta visão os demais partidos de esquerda terão oportunidades e qualificações para pelo menos chegar próximo de seus objetivos, enquanto isso, na verdade só estarão fazendo o “jogo da direita”.

  19. Fico curioso em saber como vivem (em sentido amplo) os políticos do PSOL.

  20. Durante a última campanha eleitoral para a prefeitura de Porto Alegre quem mais bateu no PT e tentou desqualificar os 16 anos de governo da frente popular, foi indiscutivelmente a então candidata a prefeita pelo PSOL, Luciana Genro. O governo do PMDB, de direita (que foi reeleito) não teve uma crítica tão contundente por parte da candidata. A “sua” disputa era com o PT. O fato desta cidadã ser filha de um ministro de Lula (o atual Governador Tarso Genro) e dela ter saído do PT fez de seus argumentos uma potente arma contra a credibilidade do PT; Os argumentos sectários e moralistas de Luciana faziam coro com o discurso da mídia, de uma forma oportunista e rasteira. Se engana quem vê nisso coerência, idealismo, purismo, ou coisa parecida…
    Felizmente, e curiosamente, agora (uma vez que papai foi eleito Governador em 2010), as leis eleitorais impedem que Luciana seja novamente candidata. Tô com uma pena…

  21. O esforço do PSOL enquanto partido é o de se manter coerente a princípios marxistas básicos, elementares a qualquer partido ou movimento social que pretenda ser de esquerda. Certos aspectos estruturais do sistema eleitoral e político brasileiro atual colocam aos partidos socialistas uma questão delicada: a de escolher tornar-se um partido forte no jogo político nacional e tornar-se contraditório em relação aos fundamentos ideológicos deveriam guiá-lo ou se opor às estruturas políticas estabelecidas e dificultar sua penetração no jogo político.

    Apenas para dar um exemplo, que foi mencionado, inclusive, na carta do PSOL, o atual sistema eleitoral brasileiro é fortemente dependente das “doações” privadas para campanha, que, como diz o deputado Ivan Valente (PSOL), são em realidade investimentos, pois empresa nenhuma doa (ou alguém aqui acredita que a Vale e a Camargo Correia financiaram a campanha do PT por “amor ao país”?). Pois bem, curiosamente, o governo Dilma tem sido bastante pro-ativo na realização de mega-obras de utilidade social questionável e impactos sociais e ambientais imensos e no sucateamento de instituições federais como o IBAMA e a FUNAI, cujos funcionários inclusive emitiram carta pública dizendo que estão sendo pressionados para aprovar, em tempo relâmpago, a realizaço de obras relacionadas ao PAC (para não mencionar a polêmica permissão concedida pelo IBAMA à Vale, em tempo record, para exploração do minério na Serra dos Carajás, transformando a região na maior mina do mundo).

    O PSOL decidiu não seguir este caminho e, ainda assim, apresentou um aumento significativo de sua representação nos executivos e legislativos municipais este ano de 2012. Desta forma, equivoca-se Eduardo Guimarães quando aposta na insignificância do PSOL na política partidária: os resultados, no fim e ao cabo, provaram que há muito eleitor desejoso de uma política mais coerente ideologicamente, com menos dessa tal real politik. Contudo, mesmo que não fosse desta forma, política não se faz só na esfera partidária: a luta da esquerda envolve movimentos sociais, envolve debate e confrontação política constante, envolve, em resumo, um amplo leque de estratégias e a criação de um partido de esquerda é uma delas. O partido é ferramenta, não objetivo. O PT, enquanto máquina eleitoral, colocou a própria existência afrente de princípios socialistas básicos e hoje seu governo claramente beneficia as grandes forças econômicas do país, muitas vezes atropelando grupos sociais que, por princípios, deveria defender, como as sociedades tradicionais (ex. indígenas do MS e AM afetados diretamente pela agroindústria e empreiteiras) e os trabalhadores (ex. a ausência de um projeto de reforma agrária consistente, em oposiçao ao incentivo aos gigantes agroindustriais, grande parte atualmente levantando a bandeira do biodiesel).

    Para terminar, muitas pessoas estão colocando o partido afrente da reflexão e da luta socialista. Isso é um erro imperdoável a todos aqueles que se dizem de esquerda.

    PS. As justificativas feitas por Eduardo Guimarães às alianças espúrias entre partidos são inaceitáveis. O autor acha que a obrigação, elementar e necessária a qualquer democracia moderna, dos políticos e partidos estabelecerem uma relação republicana entre si, justifica a situação lamentável das alianças entre partidos com programas e ideologias díspares, com objetivos meramente eleitorais. Isso é uma afronta a qualquer pretensão de democracia representativa e contribui para esvaziar o sentido dos partidos, hoje já bastante desacreditados em meio à população. As alianças são bem vindas desde que feitas com coerência, e o PT não é um bom exemplo disso, sendo a parceria com o Maluf apenas a expressão mais promíscua de uma história bastante antiga.

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