A ideologia do governo Dilma

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Há algumas semanas, conversava com um parlamentar de convicções socialistas e, lá pelas tantas, ouvi dele que o governo Dilma estaria “dando uma guinada à direita”. O dizer do parlamentar reflete uma percepção que vai se tornando cada vez mais ampla.

Há uma profunda frustração de setores da esquerda com a atuação de Dilma, em torno de quem a esquerda se uniu em 2010 de forma a barrar a eleição do político que hoje simboliza a direita brasileira em sua graduação maior de reacionarismo, José Serra.

A começar pelo comparecimento da presidente da República à festa de aniversário do jornal Folha de São Paulo no início do ano passado, sobreveio uma longa lista de medidas e gestos políticos inaceitáveis para a esquerda, inclusive para a mais moderada.

Possivelmente, portanto, vem faltando compreensão da natureza de um governo que se elegeu através de uma aliança em que o partido da presidente, apesar de ser o de maior peso, é apenas um dos componentes ideológicos.

As diferenças entre os governos Lula e Dilma começam pelos vices de cada um. José Alencar pertencia a um partido inexpressivo (PRB) e sua atuação resumiu-se a ser uma espécie de fiador de Lula junto ao capital. Michel Temer é outra história. É presidente do PMDB, o segundo maior partido do país, logo atrás do PT.

No governo Lula o PMDB era um aliado, mas não tinha o peso que tem no governo Dilma por ter elegido seu vice-presidente. Ou seja: o PMDB de Dilma é muito mais influente do que o PMDB de Lula, inclusive pela legitimidade que tem para influir.

E o que é o PMDB se não um partido de centro-direita tanto quanto o PSDB? Com esse e outros partidos conservadores na aliança que o sustenta, se excluirmos o PT esse governo tem uma base majoritariamente de direita, ou de centro-direita.

O governo Dilma, portanto, tem contas a prestar tanto à esquerda quanto à direita.É um governo que se pretende de união nacional, um governo que pretende fazer divergências ideológicas intransponíveis coabitarem sob o guarda-chuva do poder.

Não vai, aí, nenhuma crítica ao governo Dilma ou ao PT. O fato é que este partido jamais chegaria sozinho ao poder. A alternativa seria o Brasil eleger um governo muito mais à direita, sem um só partido de centro-esquerda na aliança.

Entre a militância de esquerda frustrada pelos rumos do governo Dilma, portanto, falta a compreensão de que ele deve satisfações ao seu quadrante conservador. É um governo apoiado por banqueiros, latifundiários, sindicalistas, movimentos sociais…

Não se está, aqui, fazendo apologia a essa aliança entre o capital e o trabalho que elegeu o governo Dilma, apenas se está constatando um fato:  não existe traição nesse governo, mas composição entre ideologias.

O governo Dilma é uma experiência inédita na história política pós-redemocratização. Jamais houve uma aliança parecida entre esquerda e direita, mesmo que seja entre esquerdistas e direitistas moderados.

E, goste-se ou não, tanto uma quanto outra ideologia têm legitimidade idêntica para influir neste governo. O eleitor conservador não é mais nem menos do que o progressista. Pretender que o governo Dilma se paute pela visão unicamente esquerdista, é um equívoco.

Há, finalmente, uma reflexão que a esquerda precisa fazer: queimar pontes com o governo Dilma por não entender sua natureza de governo de conciliação ideológica significa jogá-lo nos braços dos conservadores que o sustentam tanto quanto os progressistas.

O governo Dilma é o que se pode conseguir em um país ainda extremamente conservador que segue dogmas religiosos com um fundamentalismo impressionante mesmo quando se constituem em verdadeiros absurdos.

Refletindo serenamente, constata-se que um governo temperado por direita e esquerda é preferível a outro totalmente de direita como seria o de José Serra ou congêneres. Como socialista, não gosto desse fato. Mas não tenho como fazê-lo sumir.

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124 Comentário

  1. Para mim, o jeito Dilma é o que revela a essência de sua personalidade,
    e que consta nos anais daqueles tempos de Dilma menina no país da ditadura militar.
    O seu passado, suas atitudes, sua conduta dão uma visáo bastante clara
    do que se poder'[a ver em seu governo.
    Dilma é uma mulher idealista e guerreira, preparada para escrever bem estas páginas
    de sua história e a História do Brasil.
    ” A virtude está no centro. O meio é o ponto de uniáo dos opostos, o meio é o centro da força.”Vejo

    Vejo com bons olhos os próximos tempos. Deixa a Dilma respirar.

  2. Caro Edu.
    Assino embaixo, sem alterar uma vírgula. Acho que conheceremos o governo Dilma, mesmo, só a partir do próximo ano.
    Abraços.

  3. o comentarista politico Rudá Ricci, da rádio BANDNEWS/BHZ vem batendo insistentemente na tecla que PT e PSDB são partidos irmãos e mais dia, menos dia, irão se unir, que é besteira seus militontos insistirem em se digladiar internet afora e tals…

    Parece ser mesmo esta a proposta do atual governo federal. E quanto mais o governo federal estimula suas alianças a torto e à DIREITA (as usual), mais o PT “autêntico” hipotrofia e caminha rumo à morte politica… não pode se “arriscar” a lançar candidatos próprios, a fazer aliança com partidos de “esquerda”… só pode alimentar pseudo-alianças com a centro-DIREITA, cuja vontade em geral prevalece. Até quando poder-se-á suportar isto?

    A gente não quer só comida…

    Acho que não vejo tudo isso com bons olhos, do fundo do coração. Não tem como dar certo.

    E nada de Lei de Meios, nada de colocar a midia bandida sob as vistas do MP, nada de politicas que protejam minorias sexuais cada vez mais agredidas, nada de Educação, de Educação para a diversidade, nada de uma midia diversa e democrática…… é só comprar, é só fundamentalismo pseudo-cristão… tá ficando dificil, muito dificil.

    (vem aí a privatização das águas, atenção!) >>> que cara de pau desta reca de politicos neoliberais de quaisquer bandeiras que temos, que safadeza rapaz! (E não temos quem nos represente/defenda!!!)

    :/

    • Desculpe meu caro, mas o que faz o Ruda Ricci é repetir com um monte de contradições e com ares de análise de conjuntura, os argumentos da esquerda acadêmica mais consistente. Quando fala da suposta convergência futura entre PT e PSDB está repetindo a hipótese do ornitorrinco, do Francisco de Oliveira – que, em minha análise está completamente equivocada quando se observa, sem necessitar grande acuidade, que as bases de PT e PSDB, que já tiveram maiores convergências, a cada eleição se distanciam cada vez mais. Uma união entre ambos seria pragmaticamente, sem dúvida, a ruína eleitoral de ambos. Ruda Ricci já usou também das análises de Luis W. Vianna, ao afirmar que o governo Lula e Dilma representaria o retorno da “modernização conservadora”, esta entendida como sinônimo de desenvolvimentismo – discordo também desta análise, mas isso mostra a contradição de Ricci, pois ou o PT está se aproximando do PSDB (neoliberalismo) ou está promovendo retorno da “modernização conservadora” (velho desenvolvimentismo). É uma coisa ou outra. Bueno, mas quando é para bater no PT, Lula, Dilma e afins, mesmo analistas de esquerda, quando estão a serviço da “grande imprensa”, falam o que dá na telha e ninguém contesta.

  4. A Dilma, assim como foi o Governo Lula, faz o Governo possível e não o ideal, para nós esquerdistas! todo cuidado é pouco pois o Santo é de barro…

  5. Pois eu acho que a Pres. Dilma precisa chamar alguns caras politica e eticamente fortes (independentemente de partido) e, com esse apoio, buscar força no Parlamento para poder governar de fato prescindindo das tais alianças partidárias.
    Será que ela não consegue uns deputados e senadores mais comprometidos com sua idéia de Brasil do que com siglas partidárias? Mesmo porquê nossos partidos não têm programas nem compromissos. Então que se arrgimentem os nomes e se abstraia dos partidos.
    Aí ela vai mostrar serviço.

    “A perfeição é alcançada, não quando não há mais nada a incluir, mas quando não há mais o que retirar.”
    Antoine de Saint-Exupéry.

  6. Estou decepcionado. Sou funcionário público federal e o governo nem repõe as perdas inflacionárias do meu salário. Estou empobrecendo, e ao mesmo tempo vejo meia dúzia de empreiteiras enchendo as burras construindo estádios. Era melhor ter votado logo no Serra, pelo menos não estaria comprando gato po lebre. Dilma, a “Dama de ferro” brasileira… Saber que até panfletei para ela. Se perdeu, coitada. Quando vejo meus colegas direitistas a elogiando, dizendo que seu governo é técnico, não político, perco de vez as esperanças. Mas ela vai ter o troco, 2014 está aí.

  7. O que é ser de esquerda???

    http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2012/03/22/o-que-e-ser-de-esquerda-no-seculo-xxi-segundo-o-filosofo-ruy-fausto

    Texto e palestra simples de um tema hoje complexo. Qual a diferença notória de Dilma e Lula??? Lula, com seus acertos e erros, fugiu menos do cerne da questão. Evidenciou que existia uma classe popular que precisava do apoio estatal para diminuir o abismo chamado desigualdade. Dilma não. Aliás, o PT que está hoje a frente não o faz mais.

    De certa forma a mera aceitação da ideia de que esquerda e direita neste governo detêm mesma força ja nos leva ao problema da caracterização errônea do paraíso presente. No momento em que o governo busca uma atuação de centro, agradando a “todos de igual forma” ou como diziam no tempo de FHC “fazendo o bolo crescer para depois dividir” encontramos o povo, em sua hipossuficiência diante dos detentores e manipuladores do capital novamente sem representação. Não basta que as pessoas estejam felizes com o pouco que detêm para achar que o céu é aqui. Aprovação popular é fenômeno comum entre pessoas pobres detentoras de muitos menos do que merecem mas possuidoras de algum bem material ou ao menos esperança de que a vida vai melhorar. É necessário que o povo entendam que não está vivendo bem diante do instituído na constituição federal e almeje intensamente chegar lá.

    Voltando a esquerda, a busca mais do que justa pela igualdade, encontramos um PT preocupado em atender um agenda própria dos detentores capitalistas. No momento que se busca essa “parceria” o dilema vem a tona: os lobos vão dividir os ganhos com as ovelhas??? Os que hoje são chamados a entrar cada vez mais na administração pública, perto do próprio poder de intervir nas políticas públicas e nas arcas dos impostos, aqueles que sempre roubaram os brasileiros e são os reais culpados da enorme desigualdade vão agora ajudar a cuidar da grande massa chamada povo ou irão aumentar imensamente seus lucros, deixando migalhas para “o resto”??? Não tenho a menor dúvida de que irão apresentar dados reais de um novo milagre econômico enquanto a desigualdade na base é diminuída a passos de tartaruga com Alzheimer

    Por último, me parece extremamente incoerente a defesa irrestrita de um modelo político na campanha eleitoral financiado pelo Estado e cada vez mais estes mesmos “empresários doadores de campanha” dominando o setor dito público, consolidando a influência daqueles que buscam o lucro a todo custo sobre o Estado que deveria no Brasil ser naturalmente de esquerda, pois ser de esquerda é buscar acima de tudo (e de todos) a igualdade. Igualdade esta que será cada vez mais difícil de buscar dado o novo distanciamento dos movimentos sociais do poder, as tentativas de doutrinação (punição mesmo) aos movimentos sindicais, simplificação débil de que partidos de cunho mais ideológico não prestam por que não prestam, o apego ilusório de que “chegou a vez do Brasil e o povo está vivendo já muito bem” além da própria definição hoje da crítica como sendo tentativa de golpe pois quem está “do lado do bem” tem que concordar com o que governo/demotucanos não importando o que seja dito somente favorecem o aumento da desigualdade.

    O mal do fisiologismo nesse país não tem sido combatido com a informação e educação ao povo. O remédio equivocado aplicado hoje pelo PT se chama “lealdade acima de tudo” mesmo que isso signifique matar o conceito de “ser de esquerda”. A infabilidade quase que papal hoje na auto avaliação do PT ja está cobrando seu preço não somente junto aos que vivem do fisiologismo mas também, e com efeitos mais desastrosos, junto aos “de esquerda”. De esquerda estes que se sentem cada vez menos a vontade de dizer que este é “seu governo”.

    • Somente confirmando o que disse (ainda não havia lido essa matéria por sinal) é um erro acreditar que o Estado vá impregnar a iniciativa privada de bons costumes altruístas ou de que vá dividir os ganhos do desenvolvimento financeiro com o Povo. Isso nunca aconteceu, o empresariado de maneira geral transforma imediatamente qualquer incentivo concedido em maximização do lucro e por fim continua em uma guerra constante para retirar benefícios dos trabalhadores. A história mostra isso.

      http://brasil247.com/pt/247/poder/49517/Dilma-fala-a-Veja.htm

    • Aqui está o ponto. Diga uma vírgula sequer que não seja elogio ao governo e seja chamado automaticamente de Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, etc. Uma forma perigosamente TOTAL de encarar a vida política. Não há partido político imune a críticas, como querem muitos querem fazer crer que é o PT.

      Ser produtor de um governo melhor que aquele do PSDB não é antídoto absoluto anticríticas. O PSDB no poder, com suas crises, seus achatamentos, seus arautos da pobreza do país, como o jornalista Ali Kamel, está abaixo da crítica.

      O PT colocou o país em uma situação indubitavelmente mais digna. Mas ainda há muita coisa para ser feita para remover o atraso. E as blindagens anticríticas não querem ver isso. O perigo é a militância do PT terminar se moldando de vez pelo atraso, com tamanha aversão ao contraditório…

    • Bom.. Acho que você não entendeu nada no texto aqui em destaque , simplesmente preferir expor uma análise sem fundamento, sem definir o quanto é bom ou ruim para nossa sociedade, mas eu não culpo , isso já vem da nossa cultura , entra e sai geração não muda, o povo pode ter mais acesso a informação mas na hora de absorver e interpretar, o ponto que é mais importante, acaba pecando, nessa questão que foi colocada da esquerda sofrer mudanças , isso é normal, a direita tambem sofreu mudanças , nossa política como um todo, sofreu mudanças, é um fluxo natural que deve ocorrer, como foi mencionado no texto em destaque os partidos formam alianças com a direita ou vice-versa, exatamente porque um depende do outro, existe uma coisa em baixo dos panos chamado interesses, não depende só de um , e sim de um ao todo, e infelizmente há essa distinção, creio com evolução da maneira de pensar de nós brasileiro que vem ocorrendo aos poucos isso deve acabar, eu acredito nisso, e tenho esperança , porque se não lutarmos por nossa terra quem lutará por nós. Não estou aqui pra apoiar nenhum partido político, só quero abrir ainda mais seus olhos

  8. Alo Edu, mais um ótimo texto de análise da situação politica do Gov Dilma. Só acrescentaria o fato de que o PSDB quando no poder não usou seu tempo no governo para ocupar aquilo que pregava que seria um partido social-democrata. Sendo que o PT quando assumiu ocupou essa vaga com mais competencia jogando os tucanos prá direita juntamente com o DEM e o PPS.

  9. Eu como eleitor de Lula e Dilma (jamais em candidato da direita), acho que podemos nos frustrar com determinados temas, mas não com a postura da Presidenta Dilma num sentido mais amplo. Não podemos desconsiderar o caráter nacionalista e soberano que esses governos têm, o que não encontrariamos em nenhuma alternativa viável. Evidente que a esquerda tem que desempenhar seu papel não deixando o governo resvalar para a direita, ou seja, passar a linha do centro, mas não vejo problema nenhum, uma pequena migração para o centro, desde que para aumentar a chance de prolongar a estadia, na governança, da aliança que tem como base os partidos de centro-esquerda, o que é melhor para a construção da nossa nação, com soberania, liberdade, desenvolvimento e democracia consolidada. Não basta ser de esquerda, tem que ser viável.

  10. Eduardo, o governo que temos é o mal menor. Quem suportaria os demotucanos no poder novamente? Seria o inferno na terra.

  11. A questão colocada é clara prá muitos já há um bom tempo. A esquerda sempre ruma à direita, temos exemplos de pessoas que, historicamente, era de esquerda e hoje é direita. Um exemplo, é o Tilden Santiago, suplente do Aécio Neves que foi do PT, inclusive embaixador no governo Lula em Cuba.
    Agora o contrário, direita tender à esquerda, nunca vi. Portanto, esperar que a esquerda influencie no governo Dilma para contrabalançar a direita, é ilusão.
    Ao mesmo tempo, se a Dilma quer atrair a direita, é bom lembrar que a direita é fiel a ela mesma. Jamais apoiará Dilma contra um direitista autêntico.

  12. Caro Eduardo, em 2004 eu fui em uma reunião no centro da cidade, onde estavam lideranças históricas do PT, que poucos meses depois sairiam do partido para formar o PSOL. Entre eles estava o senador Eduardo Suplicy, que não saiu do PT e que fez um discurso reclamando exatamente da mesma coisa, que o governo Lula estaria “dando uma guinada à direita”, que havia uma profunda frustração de setores da esquerda com a atuação de Lula e que essa era uma percepção que estava se tornando cada vez mais ampla.

    Eu não concordei, poderando de forma muito semelhante aos argumentos que você está colocando em seu texto.

    O PSOL foi formado, Heloísa Helena comemorou votações aos abraços com os maiores expoentes da direita, mas esse partido não fez a diferença na política nacional e muito menos para a sociedade como um todo.

    O governo Lula produziu grandes avanços econômicos e sociais e fez toda a diferença.

    Vejo muitos paralelos entre os dois eventos e prefiro apostar no projeto político iniciado no governo Lula e ao qual entendo que o governo Dilma está dando continuidade.

    Isso não significa que não haja o que criticar. As forças progressistas, os movimentos sociais e todos nós enfim, precisamos manter a mobilização, defender nossas causas e cobrar do governo. Só não concordo que os rumos estejam errados. Os avanços são muito menores e mais difíceis que o ideal e não existe garantia contra o retrocesso, mas os rumos do governo Dilma não são de forma alguma antagônicos aos do governo Lula, muito pelo contrário.

  13. Um bom artigo também no blog do Altamiro
    O momento de Dilma Rousseff
    Por Maurício Caleiro, no blog Cinema & Outras Artes:
    http://migre.me/8pf6c

  14. Mino Carta faz as suas críticas (http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed686_a_tv_cultura_nao_e_publica_ela_e_tucana):

    “Fomos boicotados durante os dois mandatos de Fernando Henrique e nem sempre contamos com o trato isonômico dos adversários que tomaram seu lugar. Fizemos honestas e nítidas escolhas na hora eleitoral e nem por isso arrefecemos no alerta perene do espírito crítico. Vimos em Lula o primeiro presidente pós-ditadura empenhado no combate ao desequilíbrio social, embora opinássemos que ficou amiúde aquém das chances à sua disposição. E fomos críticos em inúmeras situações. Exemplos: juros altos, transgênicos, excesso de poder de Palocci e Zé Dirceu, Caso Battisti, dúbio comportamento diante de prepotências fardadas. E nem se fale do comportamento do executivo diante da Operação Satiagraha. Etc. etc. Quanto ao Partido dos Trabalhadores, jamais fugimos da constatação de que no poder portou-se como os demais.

    Hoje, confiamos em Dilma Rousseff, de quem prevemos um desempenho digno e eficaz. O risco que ela corre, volto a repetir na esteira de agudas observações de Marcos Coimbra, está no fruto herdado de uma decisão apressada e populista, a da Copa de 2014″.

  15. E Com O Serra seria como Pensem nisso. Melhor com a Dilma e alguns da direita doque o Serra com toda a direita

  16. Eduardo:

    O texto convida à conciliação e ao entendimento das dificuldades do governo de coalizaõ, os dados mostram que há e houve equívocos e de leve, alguns recuos, -a regulamentação da mídia por exemplo, que mesmo o ex-ministro Franklin vem cobrando do PT – e por fim …..”…é preferível a outro totalmente de direita como seria o de José…” o que acaba com qualquer debate possível.

    Quem é de esquerda deve cobrar, incentivar a mobilização, mesmo e inclusive na internet, em seus fóruns profissionais, (como o tem feito as feministas/Saúde) exatamente para concorrer com esse poder absurdo que a direita (religiosa e afins) vem demonstrando no parlamento e junto ao governo federal, e sabedores dos desafios gigantescos de se administrar o país com essa caterva de políticos à Demos-tene e cia. e empresários ídem.

    Mesmo ao PT a gritaria poderia tirá-los da letargia e das liturgias/salamaléques do poder.
    À Presidenta, penso que deveria soar como ‘apoio’, já que uma sociedade participante, cobradora de direitos e de justiça é uma sociedade VIVA, atenta aos rumos de seu país.

    E concordo com os comentários e análises do W.Araújo-08h47.

  17. “Jamais houve uma aliança parecida entre esquerda e direita, mesmo que seja entre esquerdistas e direitistas moderados.” Bateu-me uma abissal perplexidade, ao vê-lo classificar José Sarney, Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves, Jáder Barbalho, Fernando Collor, Romero Jucá, Edson Lobão e o Lobinho, como “direitistas moderados”. Do senhor, sempre esperei que os classificasse como “bandidos moderados”.

  18. O que me preocupa particularmente na atual situação é o isolamento do Palácio do Planalto.
    Por um lado, como vc bem colocou, os setores mais à esquerda e os movimentos sociais vão sentindo um mal estar por não conseguirem maior influência num governo de coalizão.
    Por outro lado, os partidos fisiológicos da base aliada, em especial o PMDB, vão se frustrando diante das negativas do governo em participar da lógica do “toma lá, dá cá”. Como esses partidos não têm grandes compromissos ideológicos (se é que têm algum), não custa nada deixarem a base aliada para fazerem uma oposição sectária.
    Enquanto isso a grande imprensa vai exaltando o governo “técnico” e “moralizador” da presidenta, incentivando esse duplo distanciamento — em relação à militância histórica (o ponto forte de sustentação) e em relação aos aliados de ocasião (os partidos fisiológicos, ponto fraco de apoio ao governo). Se acontecer de o governo ficar isolado, não duvido que a imprensa dispare uma “bala de prata”.

  19. Eduardo Guimarães:

    “Não se está, aqui, fazendo apologia a essa aliança entre o capital e o trabalho que elegeu o governo Dilma, apenas se está constatando um fato: não existe traição nesse governo, mas composição entre ideologias.

    O governo Dilma é uma experiência inédita na história política pós-redemocratização. Jamais houve uma aliança parecida entre esquerda e direita, mesmo que seja entre esquerdistas e direitistas moderados.”
    °°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°
    Isto me lembra uma música que foi veiculada na internet, pelos militantes pró Dilma, durante a campanha a presidência.

    Um trecho dela diz isto:

    se acaso acontecer uma mulher na presidência é sapiência é sapiência…
    se acaso acontecer uma mulher na presidência é sapiência é sapiência…

    “SE SURGIR UMA MULHER QUE OCUPE A PRESIDÊNCIA, LUCRARÁ MUITO A NAÇÃO, PONDO FIM ÀS DIVERGÊNCIAS…”
    ————–
    *”Mulher na presidência”

    Música de Aniceto do Império, escrita 26 anos antes da eleição de Dilma…
    Aniceto foi profético!

    Clip Mulher na Presidência:
    http://www.youtube.com/watch?v=sBNAiRpTeV4

  20. Essa a questão: a esquerda, ou parte dela, desde 2003 está no governo, mas longe de deter o poder. Lógico que os políticos mais fisiológicos, à esquerda ou à direita, dominam o cenário político. Quem for mais consequente à esquerda tende a ficar de fora, porque há um arranjo de poder. Tanto isso é verdade, que continua sendo tocado, e aprofundado em muito de seus fundamentos, o modelo econômico neoliberal. Pouco ou nada que cheire a trabalhismo, muito menos socialismo está na pauta ou foi implantado. Nem tentativa houve. Até agora, só assistencialismo para os que a pobreza tem deixado fora do mercado. De efetivo mesmo, só medidas que fortalecem o neoliberalismo, deixando o Estado sem cumprir suas obrigações na saúde, na educação, na previdência, no sistema financeiro e na segurança, deixando as maiores fatias dessas áreas para o mercado. Este ente misterioso que é o cerne do neoliberalismo, continuam com toda força com os famigerados e exploradores planos de saúde; beneficiando-se do PROUNI que garante mercado para os barões do ensino; induzindo pessoas e direcionando servidores públicos para ficarem dependentes de bancos e financeiras em planos fajutos de previdência; a ciranda financeira continuando para os ricos e rentistas, os bancos e as financeiras escorchando, roubando mesmo a população através das taxas de juros (verdadeira agiotagem) que praticam. Os investimentos na segurança são insuficientes e a criminalidade continua bem alta. A concentração de renda, por mais que dourem a pílula, continua a se agravar. Distribuição só entre as classes médias. Por isso o governo não enfrenta o PIG (Partido da Imprensa Golpista) que é sustentáculo do neoliberalismo, principalmente em suas vertentes internacionais, porque mesmo ficando o governo com rédeas curtas, atua no seu mesmo campo de operação. E ficamos nós nessa encruzilhada: não podemos enfraquecer o governo, porque a opção é a direita mais conservadora ainda e representante do neoliberalismo sem disfarces. Até agora, de efetivo, algo com consistência, pouco ou nada foi possível. A direita continua no poder. O governo toca, no essencial, um projeto de poder da direita. Há tão somente uma acomodação com parte da esquerda, que permite a continuação do modelo neoliberal no país.

  21. Concordo Eduardo, mas havemos de convir, o jogo de concessões está ficando feio de se ver. Penso que se esteja subestimando a ascensão de religiosos a doutrinar o fazer político com dogmas inaceitáveis a um mínimo de bom senso. Essa classe é corporativista, emergente, unida e pautada cegamente por preceitos bíblicos. Já viu o slogan “Bíblia sim, Constituição não”? http://www.youtube.com/watch?v=MGY-lWiS_Og
    Ou Crivella, ora ministro, na Tribuna condenando a medida que retirou das ruas outdoor de conotação homofóbica, um trecho bíblico, defendendo o fato de que nada na Bíblia poderia ser alvo de objeção? Trata-se de um Ministro de Estado de altas ambições, não tenho dúvidas disso.
    É claro que o conservadorismo e o reacionarismo não são ‘privilégios’ apenas de religiosos, mas estou começando a ficar muito cabreiro a esse respeito e sinto o governo demasiado acuado por pressões sobretudo indignas, e por que não dizer, obscurantistas.

  22. Enquanto nos preocupando em categorizar ideologicamente o governo, deixamos de avaliar seus métodos e critérios administrativos.

    Deixamos do lado o FISIOLOGISMO, o grande câncer do Brasil.

    É necessário um novo pacto federativo. Extinguir o inútil e caro Senado, repensar a proporcionalidade de estado inexpressivos na câmara, distribuir competências administrativas entre União, estados e municípios.

    Mas nada disso ocorrerá enquanto a sociedade não exigir.

    E aí vamos continuar como estamos. Discutindo se o menos corrupto é o PSDB ou o PT, para deleite dos grandes canibais de recursos públicos do Brasil PMDB, PTB, PDT, PP, PR…

    Abraço.

  23. “A verdade não está com os homens, mas entre os homens”. Sócrates

    Essa é minha verdade, e dependendo de seu ponto de vista, pode ser relativa ou não!

    http://www.marizieh.blogspot.com.br/2012/03/comunismo-ditadura-anistia-um-unico.html

  24. “A verdade não está com os homens, mas entre os homens”. Sócrates

    Essa é minha verdade, e dependendo de seu ponto de vista, pode ser relativa ou não!

    http://www.marizieh.blogspot.com.br/2012/03/comunismo-ditadura-anistia-um-unico.html

  25. Sem uma reforma política e financiamento público de campanha, é muito difícil cortar os vínculos criados entre os empresários (contribuintes de campanha,sempre a espera de favorecimentos futuros).Existem aqueles que pensam que o Brasil é sua loja de conveniência.E seus eleitos são os vendedores de balcão,os barganhadores e traficantes de influência.Governar com esses políticos viciados e corruptos,não deve ser nada fácil.Dilma deve se reportar ao povo e governar para ele.Essa aproximação com a velha classe média e a direita,é perigosa.A aproximação com a mídia nativa pode ser fatal.Não fazer as reformas necessárias,será um atraso para o país e uma dívida para com os eleitores.Não há como agradar todos e isso não deve sequer ser tentado.Mas Dilma não pode jamais,se afastar daquilo para qual foi eleita.Promover a IGUALDADE.E isso a direita despreza,assim como,mesmo encabulada hoje,por que a economia inibe maiores críticas,despreza Dilma e qualquer governo que não venha do capital.

  26. Meu comentário foi censurado?

  27. Esse é o presidencialismo de coalizão. Quem desafia a proporção partidária no Congresso ao compor os ministérios se lasca. A única possibilidade de termos um governo mais à esquerda é aumentando a quantidade de parlamentares com esse viés ideológico, o que é extremamente difícil. Essa é a lei de ferro da democracia brasileira.

  28. como agradar a todos os políticos do brasil , principalmente os dos grandes ?
    convocar um plebiscito para voltar os militares para ordenar o pais e prender os foras da lei . pois quando Jânio quadros pronuncio e ele escreveu na renuncia ( forças ocultas ) , o que seria ? senadores , deputados , ja se impondo seus interesses particulares e partidários . então hoje entendo o janio sempre foi inteligente e nao quis se sujar .
    Aqui no brasil quando se fala em publico , todos querem um pedaço mais ninguém é dono . quem é o dono do brasil ? os humildes trabalhadores ? NAO e sao obrigados a votar , criado pelos governantes que pensam que sao donos do brasil . O brasil foi ou ainda é o primeiro país por usarem votaçao por aparelhos eletronicos Entao temos que eleger ( os patriotas) e quem sao eles , o mais proximo que chegue dos conterraneos .
    o brasil todo cada estado , acerta as contas anualmente , a equipe de grupo de tecnocratas economistas e administradores . se sobrar fica para o proprio estado , investir em melhorias geral ( saúde , educação , segurança , e conforto para seu povo . o estado que nao der resultado passa para as forças armadas ou seus militares , compartilhar da administração e ser como ( auditores) de cada estado , se for comprovado fraudes ou algo parecido .
    Isto por que as leis brandas nao , concertam o erro e os militares tomarão as providencias que o caso requer , pois o brasil com seus jeitinho nao estão preparado para uma democracia plena e liberdade total .
    Vejam a Dilma e o Lula reclamaram de quando eram jovens ( chamando de repreção) aquilo que agora mostraram suas ousadias tiveram, pois nas suas maos , mas preferiram comprar o adversarios para o brasil andar , só que os seus sangues falaram mais alto , e quiseram para eles a ponte maior . agora falou mal dos militares que eles sim foram educados , para amar a patria e é claro nao ser amigos de baderneiros e agora ladroes da patria confirmados . Nos anos que eles ficaram no poder embora como politicos que nao era conhecida deles o brasil nao tinha nem muros , apredes pichados .vejam agora a democracia nojenta que ficou do salve e so quem puder . vamus mudar o sistema pois aqui é brasil .

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