Como é fácil tolerar a dor alheia

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Já vou avisando ao leitor que este texto é – também – uma autocrítica. Na noite da última terça-feira, cometi um erro que decorre daquele que talvez seja o defeito mais grave em um ser humano: a hipocrisia. Sim, fui hipócrita. E, além disso, fiz mau jornalismo. Este texto, então, é necessário porque quem combate o mau jornalismo e a hipocrisia, não pode praticá-los.

Poderia deixar passar batido. Tenho créditos para usar entre a esmagadora maioria dos que têm a bondade de ler o que escrevo. Tanto é que apenas três pessoas me questionaram e os comentários do post em que fui hipócrita mostram que minha argumentação torta foi aceita pela maioria. Contudo, há alguém que não me perdoará se não me redimir: eu mesmo.

Escrevi sobre um rumoroso caso de racismo envolvendo o restaurante paulistano Nonno Paolo, incrustado no elegante bairro do Paraíso, onde resido não por minha condição sócio-econômica, mas por ter nascido e vivido sempre nessa parte de São Paulo.

Relembro o caso para quem não o conhece: o gerente do restaurante expulsou um garotinho negro, filho adotivo de um casal de estrangeiros, por ter ficado sozinho na mesa enquanto os pais serviam-se no buffet. O funcionário achou que se tratava de uma criança de rua.

Por frequentar esse restaurante há décadas, por meus filhos terem crescido freqüentando-o, por ter sido sempre bem atendido ali, “amaciei” a análise que fiz desse doloroso caso de racismo dizendo a batatada de que meus filhos (brancos), quando pequenos, sempre foram bem tratados no Nonno Paolo e que o restaurante fez apenas o que boa parte do comércio da região faz habitualmente, ou seja, não tolerar pessoas muito humildes em suas dependências.

Para ajudar a desculpa que arrumei para ser menos contundente do que costumo ser sobre casos de racismo, vali-me de conversa telefônica que mantive com o parente do casal de espanhóis que foi quem fez a denúncia no blog do Luis Nassif, uma denúncia que acabou se espalhando pela imprensa.

Essa pessoa me disse ao telefone que, ao inquirir o restaurante, ficou com a impressão de que tinha havido uma conduta isolada do gerente e que talvez não fosse aquela a política da casa. Contudo, por residir na região, bem sei que o que ocorreu no Nonno Paolo teria ocorrido em qualquer outro restaurante daquele nível naquela região elitizada da cidade.

Quem me mostrou a minha hipocrisia foram três amigas do Facebook. Poucos ficariam sabendo do questionamento que me fizeram, mas eu saberia e não posso conviver com o que me mostraram sobre eu mesmo.

Em um primeiro momento, não aceitei bem a crítica porque ninguém gosta de descobrir que agiu com hipocrisia. Senti-me insultado e, apesar de não ter perdido a linha, naquele primeiro momento critiquei quem me criticou argumentado que há anos luto contra o racismo neste blog.

Terminamos o debate – sem perdermos a linha, graças a Deus – e fui me deitar. Não foi fácil conseguir dormir porque fui me dando conta de que aquelas pessoas tinham razão. Percebi que se eu não tivesse laços afetivos com aquele estabelecimento, de fato teria sido mais duro em minha análise.

Para completar, ao buscar as notícias do dia leio que a direção do restaurante optou por compactuar com seu funcionário – que, talvez, nem seja o racista, pois pode ter agido sob ordens dos patrões. O restaurante agora alega que não expulsou o menino negro, que ele é que saiu de lá por conta própria.

É uma piada. Por que uma criança estrangeira, em um país que não é o seu, deixaria um lugar em que estava com seus pais e iria chorar, toda encolhida e assustada, a um quarteirão de distância?  E o pior é que os pais adotivos do menino dizem que ele jamais faria isso.

Para mim, essa mentira encerra a questão. Não voltarei mais a esse restaurante se ele não provar que diz a verdade. E apesar de estar tentando me redimir, foi doloroso constatar que até aquele que tenta ser o mais verdadeiro possível pode se deixar levar pela conduta comum nesta sociedade hipócrita de minimizar a dor alheia diante da injustiça.

O saldo desse episódio, porém, é positivo. Estou conseguindo superar não apenas a hipocrisia por que fui acometido, mas a má conduta jornalística que adotei ao permitir que minhas idiossincrasias interferissem no meu julgamento sobre uma notícia. Além disso, a repercussão do caso deverá servir de alerta ao comércio da região.

Agradeço, portanto, às amigas do Facebook Paula, Wilma e Valeria. Ajudaram-me a não agir como condeno, a manter a lucidez e, com isso, a me sentir bem comigo mesmo. Quem nunca tentou agir assim quando descobre que errou, sugiro que tente. A sensação de alívio da consciência é absolutamente gratificante.

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177 Comentário

  1. Eduardo, o que aconteceu no seu primeiro post é o que acontece internamente dentro de muitos: relevar, amaciar, levar em conta sentimentos conhecidos. Talvez você possa aprofundar essa análise se dando conta de como isso foi mudando dentro de você e que talvez muitas atitudes racistas (que DEVEM ser condenadas) venham desse mesmo processo de elaboração interna mal feita, contaminada pelo social, repetida sem possibilidade de ser pensada e articulada – algo que você fez no segundo post. Quem fez isso com esse menino precisa pagar pelo que fez, de preferência entendendo o que fez! Mas é preciso que sua experiência do erro seja entendida como parte do que acontece dentro de quem age pre-conceituando, ou seja, concluindo sem conclusão. Mas entendo que seja difícil: entender o racismo (e outros preconceitos) no outro começa com o entendimento dessa questão dentro de si. Você o fez, tocou nos seus pequenos preconceitos (eu conheço o local, fui bem tratado lá, logo não tratariam mal um menino negro lá) pra se dar conta do que se dá dentro do outro. Você foi porta voz de algo incômodo dentro das pessoas, inadmissível pra elas. Ah, e é claro que você não é racista, longe disso! Te admiro muito, cara!

    • grato a todos pela compreensão

      • Já que não é racista e combate o racismo por que continua a chamar os pretos de negros? Se negro nada mais é do que termo usado pelos escravagistas para referir-se aos pretos feitos escravos. Diretório do Índio (1755) do Marquês de Pombal, proibia a escravidão indígena e vedava sua designação por NEGRO, em seu artigo 10 :” NEGRO É DESIGNAÇÃO INDIGNA, infamante e degradante, proibida de ser empregada aos índios, a quem S. Majestade reconhecia a inteira humanidade, pois reservada aos PRETOS da Costa da África” diz a lei Pombalina.
        Um dos primitivos sentidos da palavra NEGRO era ESCRAVO.
        Viva a mestiçagem brasileira.

        • A maioria dos movimentos negros denomina a si mesmo como negro, como o Movimento Negro Unificado e outros

          • Eu chamo meus amigos e parentes de negros (tenho alguns parentes negros) e nenhum deles se sentem ofendidos por chamar eles de negro ou preto. Alias, uma certa vez, uma desconhecida me falou que eu poderia ser processado por racismo por chamar um deles de preto e aí foi a surpresa dela, o professor Roberto que eu chamei de preto me defendeu perguntando a ela se ele por acaso era branco? Ele deixou bem claro que o racismo não é chamar ele de preto ou de negro e sim querer desqualificar ou tirar direito dele como cidadão por ser negro. A melhor maneira de não se sentir inferior é assumir que é negro e deverá ser tratado como cidadão com a cor que estiver e se tiver algo contra ser chamado de negro, sendo negro ,é por que se sente inferiorizado. Essa foi a explicação do Professor de História, de nome Roberto.

          • A palavra inglesa NIGGER tem uma única tradução para o português, NEGRO. Um cara intelectualizado,de bons sentimentos e bom senso como vc não faria uma palestra para o Black People americano chamando os de NEGRO, com algum deles tendo em mãos um dicionário inglês português ou faria?

          • Mucio, não é pq a palavra “nigger” em inglês é ofensiva que a palavra “negro”, em português tem o mesmo sentido.

            O problema é o uso de QUALQUER designação de grupo de forma pejorativa, quer seja a palavra “branco”, “amarelo”, “índio”, “vermelho”, “preto”, “negro”, “branquelo”, “japa”, “china”, etc. Há quem use de “preto” pejorativamente,, é há quem use da palavra “negro” dessa forma. E há quem não use nem uma, nem outra, dessa forma. Depende mais do contexto e da intenção do que da palavra em si.

            Proibir palavras é simplesmente ridículo, ainda mais com base na tradução de uma palavra estrangeira. É o que ela está significando num determinado momento que conta.

          • Isso que Múcio está dizendo quanto à lingua inglesa é verdade, nigger é uma palavra ofensiva e black é o politicamente correto. Quando estive no Canadá, onde aprendi a falar inglês de fato, eu me deparei com isto e achei bastante estranho. No Brasil, pelo menos nos dias atuais, a palavra negro parece ser a correta e preto a ofensiva, mas observando o que Múcio disse a respeita da origem da palavra negro, faz sentido. Não pesquisei ainda sobre isto.

            Mas eu acho que as denominações são o de menos, o que importa é tentarmos extirpar algum resquício de racismo e preconceito que tenhamos contra qualquer raça.

      • Eduardo, você cresceu mais ainda no meu conceito depois desse mea culpa. Parabéns!

    • Permita-me postar Eduardo, mesmo fora de pauta.

      Enchente: Eduardo Campos,
      a Globo te espera

      O jornal nacional, o Bom (?) Dia Brasil e o jornal O Globo insistem em ignorar as explicações de Bezerra Coelho, Ministro da Integração.

      Clique aqui para ler “Ministro afoga o PiG na enchente. O PiG mente”.

      O que a Globo fez entre quarta e quinta-feira é uma velha operação de verão.

      São as Águas de Março do Ali Kamel.

      Quando chove fora de São Paulo, a culpa é do Lula e da Dilma.

      (Agora, de Eduardo Campos, Governador do Estado do Privilégio, Pernambuco.)

      Quando chove em São Paulo, a culpa é de Deus, como dizia o então governador (?), Padim Pade Cerra, antes de ser afogado pelo Amaury.

      Agora, o Ali Kamel magnifica a tragédia cíclica do verão brasileiro.

      Se enche em Minas e no Rio em 2012, a culpa é do Eduardo Campos, porque levou todo o dinheiro para Petrolina.

      O que o Ali Kamel não conta é que parte do dinheiro da enchente o Sérgio Cabral entregou à Fundação Roberto Marinho, não é isso, amigo navegante ?

      O Bezerra Coelho pode se esgoelar, abrir as contas (por que não se abrem as contas do “contas abertas” ?), que não adianta.

      O alvo não é ele, nem a Dilma.

      Porque na Dilma isso não cola mais.

      O alvo é o Eduardo Campos, de quem Bezerra Coelho foi o competente Secretário que ajudou a fundar Suape, essa revolução que Eduardo Campos plantou à beira mar, perto de Porto de Galinhas.

      O alvo é o PSB, de Ciro Gomes, cuja capital, Fortaleza, o PiG (*) quis transformar numa Praça Tahir.

      O PSB é aliado de Dilma e do Lula.

      O Nunca Dantes tratou de aposentar o Marco Maciel em Pernambuco e o Tasso tenho jatinho porque posso no Ceará.

      Crimes inafiançáveis – para a Globo.

      Eduardo Campos pode, perfeitamente, ser o vice da Dilma, em 2014.

      Eduardo Campos pode suceder Dilma, em 2018.

      A Globo precisa abatê-lo, antes que se torna poeta federal.

      (Manuel Bandeira, pernambucano, distinguia os poetas em municipais, estaduais e federais. O Padim Pade Cerra, por exemplo, nunca passou de poeta estadual. Nunca passou de Resende, mesmo com a ajuda do PiG (*).)

      Eduardo Campos já disse que não é necessária uma Ley de Medios.

      Que o controle remoto é a melhor arma da Democracia.

      O Palocci também ajudou muito a Globo.

      Palocci tem uma fixação por controles remotos (de contas bancárias alheias, por exemplo).

      A Dilma chegou a dizer – em reunião reservada, na frente do Palocci -, na campanha presidencial, que o Palocci tinha sido o “salvador”da Globo.

      E o que fez a Globo com o Palocci ?

      Enforcou o Palocci duas vezes – no caseiro e na “consultoria”.

      A Globo não perdoa.

      Você vende a mãe mas não vende os interesses – dizia o Dr. Tancredo.

      O correligionário do PSB, o Ciro Gmes, sabe o que é a Globo, numa campanha presidencial.

      Quando a Miriam Leitão o entrevistou no pelotão de fuzilamento do Bom (?) Dia Brasil.

      Ele se lembra, porque o Ciro tem uma memória prodigiosa.

      Não adianta fazer um acordo de poeta estadual com a Globo – em Recife ou em Fortaleza.

      Quando chega no plano Federal, a Globo joga o jogo dela – o do Golpe !

      A chuva de 2012 vai colar nas costas do Eduardo Campos.

      Como a de 2010 foi do Lula e a 2011, da Dilma.

      Ali Kamel manda descer as imagens do ano anterior e só muda o locutor.

      (A Patrícia Poeta susbtituiu as sobrancelhas editoriais da Fátima Bernardes pela contração dos lábios editoriais, ao fim das reportagens. Para deixar claro ao Kamel que acha aquilo tudo “uma vergonha !”.)

      (Quem tem também uma “linguagem corporal” conspícua é a Zileide Silva, do Bom (?) Dia Brasil, em Brasília. Lembra muito o Rod Steiger, aquele que melhor absorveu as lições do Actor`s Studio. A simples respiração é um adjetivo !)

      Mas, o Ali Kamel é incansavel.

      Ele já tem na bica a “epidemia” da dengue, outra arma fulminante contra governos trabalhistas, no verão.

      Aí, seria bom o Kamel dar uma olhada no que aconteceu com a Folha (**), que pagou caro por disseminar uma “epidemia” que não houve.

      O Eduardo Campos e o PSB quando começam a sair da toca são recebidos com a saudação de “benvindos” da Globo.

      Bastam a Patrícia Poeta e a Zileide Silva para afogá-los a meio caminho do Alvorada.

      Com ou sem controle remoto.

      Paulo Henrique Amorim

      Fonte Conversa Afiada

    • Fico feliz com sua evolução. Algum tempo atrás eu te critiquei pela frase ‘samba do afrodescendente
      doido”, o branco comete o erro e o negro é a medida.
      As pessoas precisam entender que ser CONIVENTE COM O RACISMO é o mesmo que SER RACISTA.
      As pessoas brancas tem uma condecendência com os atos de racismo tão grande, arrumam tantas
      desculpas para defender o ofensor, que não percebem o quanto ajudam esta praga que seus ancestrais
      plantaram no mundo.Os negros herdaram as mazelas da escravidão e tem o DIREITO LEGAL de lutar contra o racismo por quaisquer meios necessários. Os brancos herdaram o que seus antepassados
      fizeram e tem o DEVER MORAL de acabar com esta herança maldita.

  2. Caro Eduardo,

    Não há razão para tanta severidade para consigo mesmo. Sua atitude no texto de terça feira foi apenas uma reação humana ao se deparar com algo que revolvia lembranças e vivências boas e manchava essas imagens. E até acho que nem há sujeiras a grudar nessa paisagem, que não façam parte de nosso dia a dia. São atitudes sórdidas pródigas contra vulneráveis explodindo na mesa ao lado e, tenho certeza, teriam você como adversário ferrenho, fosse você a ocupar essa mesa.
    O mundo de alegrias e carinhos que você viveu dignamente com sua família lá no tal restaurante continua digno. Mantenha as recordações boas, meu amigo. Não há porque aceitar que um gerentezinho roube elas de você.

    • hehe Também acho que ele se cobrou demais. Mas isso é bom. Eu também sou assim, confesso. É por esses detalhes que se distinguem os que ainda são dignos de crédito nessa sociedade doida. Tempos bicudos onde valores são esquecidos, confundidos ou convenientemente ajustados para isentar cada um de seus “pecados”.

      Complicado viver nesses tempos. E no entanto, fácil separar os que têm valor.

  3. E isso aí Edu, um exercício diário de vigilância sobre nós mesmos, vasculhando cada centímetro dos nossos pensamentos e sentimentos. As vezes, e com frequência, pelo menos mais do que gostaria, me deparo sentimentos hipócritas, conflitantes e preconceituosos.

    Essa semana mesmo, ao andar na rua pelo meu bairro, só porque um rapaz negro atravessou a rua na minha direção, instintivamente segurei a bolsa. Depois, ao vê-lo passar por mim, entristecida, percebi como sou pequena e me deixo influenciar por ideias pré concebidas e compartilhadas.

    • É a situação social que faz isso, não você. A gente sabe que certos grupos sociais são mais atraídos pelo crime por conta da pobreza, ainda que exista muito branco de boa situação financeira que delinque porque quer

  4. Parabens Edu…. Vc. já é grande, mas se revelou MAIOR… Abcs.

  5. Caro Eduardo,

    Somos todos humanos, e também carregados de nossos conceitos e preconceitos. Errar no tom de nossas palavras (para mais ou para menos), estamos todos sujeitos. O que diferencia a hipocrisia e o preconceito assumido da dignidade é o assumir que errou. De minha humilde parte, parabéns pelo texto e para mim permaneces com crédito (rs…)! Abraços e felicidade.

  6. E é por isso e mais uma vez: Parabéns Grande Edu.

  7. Já que você está neste surto, que tal explicar a mensagem twittada da Eliane Cantanhede ? Sigo a Eliane e nunca li aquela mensagem.

  8. Caráter, franqueza e culhões.
    EduGuim, tu és um grande cara.
    abração.

  9. No meu comentário anterior a este respeito citei o quanto é comum observar comerciantes agindo conforme o que seus consumidores “exigem” e em causa própria (receio de furto).

    Como disse antes, moro num bairro de gente comum, nem miserável e nem assinante da Folha de São Paulo em sua maioria. haha ; mas tal comportamento é sim comum.

    Injustiças hão de ocorrer num país como o nosso. É fato. Não se pode é abrir de vez a “guarda” por nossos bons sentimentos.

    No caso em questão não percebi lógica, uma vez que a criança não estaria “mal vestida”, etc.

    Afinal, é fácil distinguir “criança de rua” (muitas vezes usadas pelos pais a angariar dinheiro sabe-se lá para quê) ; o que torna o caso bastante suspeito de RACISMO na sua mais aviltante forma.

    Pessoalmente tenho um comportamento cauteloso ao extremo com “crianças de rua”. Sou do tipo que leva a criança até ao estabelecimento e pago pelo o que ela necessita. Sinto-me mais “tranquilo” assim. Nunca dou dinheiro.
    Sempre oriento sobre os serviços públicos sociais disponíveis. Faço questão disso , aliás.

    Mas é complicado inserir o caso numa dessas possibilidades comuns do dia a dia.
    Esse caso específico , infelizmente, está mais para racismo.

    • Só um adendo aqui porque “gente comum” não quer dizer que os assinantes de FSP sejam aberrações (alguns até são) ou que “miseráveis” se incluam em algo “incomum”. Lamento mas nosso Brasil ainda abriga mais miseráveis do que desejaríamos. Este quadro aliás é causador do meu ceticismo quanto à política , partidos e políticos.

  10. MEU CARO EDU, SAUDAÇÕES!!!!!! SOU NOVATO NO SEU BLOG, MAS A SUA REAÇÃO FOI DE QUEM ACHOU UMA SAÍDA HONROSA PARA O RESTAURANTE DE PESSOAS AMIGAS. DEPOIS, ANALISANDO OS FATOS O AMIGO FEZ UM JULGAMENTO SEVERO MAS COM UMA AUTOCRÍTICA SEM CENSURA. MEUS RESPEITOS E MEUS PARABÉNS, FICO ORGULHOSO DE PERTENCER AO SEU BLOG, MUITO!!!!!! COMO CONHEÇO POUCO DE COMPUTADORES, MUITAS VEZES DEIXO DE PARTICIPAR POIS NÃO SEI O QUE É “TUYTER” E OTROS BICHOS DA INTERNET^.iNFELIZMENTE A “MAFIA” muito bem batizada, está disvirtuando até notícias boas do Brasil no exterior e publicando nos seus pasquins com enxertos desmerecedores do nosso Brasil. Poderiamos iniciar um movimento para restaurar a NOSSA CONSTITUIÇÃO DE 1988, EM VIGÊNCIA a qual vem sendo ignorada e até, diria desprezada, pela douta e irraigada ignorância dos nossos deputados e senadores. Briguei muito para que ao mudar o Código Florestal os deputados e senadores, pelo menos lessem o artigo 225 da Constituição e bastava aplicá-la, ao por em pratica os mandamus do Código Florstal, sem necessidade de mudar, sequer, uma virgula do texro. Não consegui falar nem com o Deputado em quem votei, muito menos com o senador….Trabalhei em Brasília durante nove anos e conheço um pouco daquilo…Os safados e desonestos José Serra e Fernando Henrique tem suas condutas execradas na Carta Maior e deveremos exigir o cumprimento, nada mais do que o respeitar e cunprir a LEI MÁXIMA, que a todos obriga. Vamos enquadrá-los , juntamente com amigos advogados especializados em crimes praticados na Adminitração da coisa Pública e buscar JUSTIÇA!!!! Caso minha sugestão seja aprovada vou trabalhar nela. Meu respeitoso cumprimento pela sua auto punição, muito rigorosa, mas é difícil ser juiz em causa própria. Você é um CIDADÃO, que muito admiro. JORDÃO

  11. Edu,

    Você tem a decência que falta aos jornalistas da grande imprensa. Reconhecer um cerro publicamente não é muito fácil para a maioria dos seres viventes, imagine então para um formador de opinião.

    O funcionário “agiu mal” – por política não desse restaurante específico – mas pela política praticada pela maioria absoluta de todo e qualquer restaurannte em qualquer ponto do planeta.

    A confusão deu-se, por se tratar de uma criança negra – e aí é que reside o problema!

    Se alguém do restaurante percebesse que aquela criança, “embora negra”(perdão pelo senão “”"racista”"”), era parte de uma família de posses (NESTE CASO INDEPENDE A COR), certamente o fato não teria ocorrido.

    De qualquer modo, o racismo é claro, por se tratar de uma criança negra. Mas e se fosse apenas uma criança não negra e “com aparência “pobre”? Teriam agido diferente?

    Sempre visito Maceió-AL e já assisti cenas de garotinhos “galegos” e dos “zoio azul” serem escorraçados das imediações de barracas, quisques e restaurantes. Pobres não são bem vindos em restaurantes. Quanto aos Negros, esses, só se tiverem dinheiro, e neste caso, o racismo é praticado às escuras, por garçons (nem tão brancos assim), pelo gerente, pelo dono do restaurante, na cozinha, enfim…

    O racismo no Brasil é uma doença séria, que acomete não apenas a classe dominante. Racismo é como o câncer, não distigue cor nem classe social.

    Mesmo assim, parabéns pela autocrítica, mais um motivo para não deixar de lê-lo, jamais!

    Grande abraço e feliz 2012 para sua familia e todos os leitores

    PS.. A propósito, em fevereiro estarei em Angola, visitando nosso amigo Raimundo Salvador e todo o belo povo angolano.

  12. Edu, seu gesto é grandioso!…Estaremos sempre contigo! Valeu amigo!

  13. Você não foi hipócrita. Seu texto mais ameno sobre o restaurante seria o que qualquer pessoa conhecedora do local escreveria. A princípio, a atitude do gerente, apesar de condenável, parecia um fato isolado. Depois foi que se concluiu que se tratava de uma postura deliberada, que partiu sob ordem dos donos do restaurante. Logo, não precisa se penitenciar, Edu, nós entendemos muito bem o que vc quis dizer no texto anterior. Deixe a palavra hipocrisia para os colegas da nossa “grande imprensa”. Eles é que não tem a hombridade de assumir publicamente um erro, por menor que seja. Tua atitude é nobre e merece admiração. Um forte abraço!

  14. Retirado do blog O Aposentado invocado 04.01.2012

    A verdade sobre Belo Monte
    Brasil precisará de 3 hidroelétricas semelhantes a Itaipu até 2021


    Rio de Janeiro, 4 jan (EFE).- O Brasil precisará construir outras três hidroelétricas equivalentes a Itaipu para suprir a demanda prevista de energia em 2021, afirma um estudo divulgado nesta quarta-feira (4) pela estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

    Segundo as previsões do organismo, o consumo de energia elétrica no país crescerá a uma taxa média de 4,5% por ano na próxima década, por isso saltará dos 472 mil gigawatts hora (GWh) em 2011 até 736 mil gigawatts hora em 2021.

    Isso significa que a demanda de energia em 2021 será em 56% superior à do ano passado e que o Brasil terá que aumentar a energia gerada em 264 mil gigawatts hora nos próximos dez anos.

    Esse volume equivale ao produzido por três hidrelétricas de Itaipu, a segunda maior hidrelétrica do mundo, compartilhada pelo Brasil e o Paraguai, e que no ano passado gerou uma média de 92.245 gigawatts por hora.

    Parte da nova energia demandada em 2021 será atendida pelas três grandes hidroelétricas que o país está construindo na Amazônia e que entrarão em operação nos próximos anos: Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.

    Apenas Belo Monte, uma polêmica construção sobre o rio Xingu muito criticada por ecologistas e indígenas, oferecerá 39.360 gigawatts hora a partir de 2015.

    Segundo o estudo da EPE, o crescimento do consumo anual de energia do Brasil (4,5% ao ano) ficará abaixo do crescimento econômico médio ao ano previsto para o período (4,7%).

    O setor comercial será o que mais impulsionará o crescimento do consumo de energia no Brasil na próxima década, com um aumento de sua demanda de 5,8% ao ano, seguido pelo setor residencial (4,5%) e pela indústria (4,4%).

    “Apesar do elevado aumento do consumo do setor de comércio e serviços, a indústria se manterá como o setor responsável por quase a metade do consumo total de eletricidade do país em 2021″, segundo o estudo do organismo estatal.

    O consumo da indústria saltará de 225 mil gigawatts hora em 2011 até 346 mil gigawatts hora em 2021.

    Postado por APOSENTADO INVOCADO 1 às 14:47 1 comentários Links para esta postagem

  15. Caro Eduardo, acabei de ler seus dois textos sobre o restaurante.

    Minha conclusão é que você está de parabéns, pois acaba de dar mais uma providencial e emocionante aula de jornalismo.

    Se me permite o trocadilho, você provou que no blog da Cidadania nada termina em pizza.

    Abraços!

  16. Atitude como essa é que nos faz compreender o tão grandioso ser humano que és. Quem nada faz, nunca erra. abs

  17. Retirado do blog Almanaque dos amigos da onça: 04.01.2012

    Porque o Serra não decolou.

    Ele cansou de dizer que desde criança sonhou ser presidente da república e que a vida inteira preparou-se para isso. O que faltou para ele realizar-se? Por que até hoje não decolou? Simplesmente por isso: faltou votos.

    Votos, nas pesquisas e estatísticas aparecem como números, mas são pessoas. São eleitores, seres humanos. Para conquistar votos é preciso entender mais de gente do que de planilhas.

    Clichês como segurança, saúde, educação, moradia, transporte, emprego etc., não são propostas nem idéias. São obrigações que estão na constituição.

    Mesmo com o apoio total das grandes empresas de jornalismo do Brasil (Globo, Estadão, Folha e Veja), Serra não conseguiu expor seu plano de governo, nas duas eleições presidenciais que concorreu, preferiu usar sua artilharia de mídia para criticar. O critico, na vida real, ou é ou fica conhecido como um chato.

    Lula baseou sua campanha, sinteticamente, na palavra ESPERANÇA. Dilma, na CONTINUIDADE. Ambos sem o apoio da grande mídia. Muito pelo contrario. Só receberam criticas e insinuações maldosas. Felizmente para eles, porque a credibilidade dessa mídia está cada vez mais provocando efeitos contrários.

    O que ficou dos discursos do Serra? Aquela cena dele discutindo com a entrevistadora, aquele show deprimente da bolinha de papel, ou aquela dele cantando com evangélicos. Se houveram imagens positivas, mostrando-o como um grande líder, perderam-se por falta de brilho.

    Bem poucos jornalistas são bons em comunicação. Uma boa parte deles tem como função básica relatar fatos acontecidos. Racionais. A grande maioria nem isso sabe fazer e como só lêem os mesmos noticiários do seu veículo e dos coirmãos, pensam que isso é jornalismo e comunicação. Não é. É panfletagem partidária.

    Serra perdeu em duas eleições duas grandes oportunidades de conquistar simpatizantes, eleitores e militantes. O Lula soube superar suas deficiências. Não conquistou votos, conquistou pessoas.

    Alem de Serra não saber conversar com naturalidade com o público, sua linguagem visual é pasteurizada. Falta espontaneidade, característica que é sentida pelo público como coisa não verdadeira. O Serra não chora, não ri, não sabe brincar. Tudo isso faz parte do papel de um presidente que, alem de competência para liderar e governar, precisa ser um grande animador de auditório. Um auditório do tamanho do Brasil.

    Tenho um amigo publicitário que trabalhou na campanha que Serra disputou com o Lula. Meu amigo contou-me que o Serra é tão difícil de dialogo, tão prepotente, tanto que cansava e desanimava a equipe. Esse meu amigo acabou votando no Lula.

    Agora com o livro A Privataria Tucana, que não se sabe ainda no que vai dar, mas sabemos os danos que vai causar, o sonho, quase obsessão do Serra, ficará ainda mais difícil de ser realizado.

  18. Eu te agradeço por reconhecer a injustiça cometida neste caso. Tal atitude o fortalece, além de nos propiciar um belo exemplo de humildade e autocrítica. Mais uma lição para mim que atrevidamente me intitulo como sua aluna. Parabéns Professor!!

  19. Nonno Paolo?.. Conto pra voces a ultimissima do nonno Moretti (presidente da empresa ferroviaria italiana, ex-estatal). Quando era publica o usuario era um passageiro hoje é chamado de cliente. Nonno Moretti acabou de lançar uma novidade no serviço dos velozes trens ”Freccia Rossa”: Primeira classe (Executive), segunda classe (Business), terceira classe (Premium) e quarta classe (Standard). Na primeira viajam os executivos com garçon de luvas brancas, exclusivas salas de relax e outras bem equipadas para reunião, fila com apenas uma poltrona, etc. Na segunda, o -cliente- pode dispor de espaços para conferenciar, sala relax, sem garçon mas sempre com poltronas revestidas de couro e design bonito. Na terceira, poltronas confortaveis mas sem salas de qualquer tipo, podendo dispor de internet, de um vagão bar/restaurante bem transado, jornais, etc. Na quarta classe o serviço é tipo ”pé de boi” com assentos ”normais” e serviço frigobar. Detalhe importante: as portas do vagão da classe Standard são blocadas pra evitar o acesso desses ”clientes” ao bar/restaurante e dividir o mesmo espaço com a elite. Na Standard ninguém pode sair do proprio vagão apesar do bilhete não custar pouco (70 euros contra os 200 da Executive). Esse serviço ja virou um caso de racismo obrigando o nonno Moretti retirar o spot publicitario onde aparecia uma familha de pele escura na quarta classe, a unica onde apareciam figurantes ”extracomunitarios” como são chamados os imigrantes de paises que não pertencem à União Europeia.

  20. Edu
    Tenho muito orgulhode fazer minha leitura diaria obrigatoria, o blog Cidadania e confesso como suas escritas me fez crescer como pessoa.
    Obrigado por tudo meu caro e me permita chamar de amigo. conte comigo pois voce só da emxemplo de grandeza, como este.

    um grande abraço.

  21. Nunca comentei em seu blog, é a primeira vez.
    Parabéns pela atitude, Parabéns !!!

    • Elena
      Também achei esse vídeo imperdível.
      E o Edu mais uma vez demonstra que tem saúde da alma e nos dá um belo exemplo de como agir quando nos equivocamos.

  22. Edu, tanto é o crédito que vc tem comigo que eu achei que não tinha entendido o texto “O que sei do Nonno…”. Obrigada! Abraços.

  23. Prezado Edu, sei o que é isso, visto que, já também passei por esta situação. É duro admitir, “EU ERREI,EU FUI INJUSTO.” E vim a público e se redimir. É duro. Mas essa atitude é própria de ALMAS CÓSMICAS….de homem cósmico…, é como se fôssemos pisoteados como um grão de trigo, pela voz da ALMA e depois renascêssemos com todo vigor como um bom grão de trigo, a esse tipo de conduta como a sua, nos tornamonos trigos verdadeiros na ALMA do Mundo. Sua atitude, o torna mais humano, mais transcendental….e nos reconforta como a beleza dos lírios dos campos… dos girassóis…das sempre-vivas…, é bom olharmonos no espelho, quando nossa alma interior nos cobra…..esse juíz interior é fulminante com quem é justo. Seja Feliz! A Felicidade nos deixa leve. Que as energias positivas esteja com você e família. de Belo Horizonte.

  24. Eduardo.
    Parabéns por ser o que és.
    Você cresce a cada post e este revela seu caráter.
    Nunca é demais pedir desculpas.
    Só índices não sentem a dor de uma criança escorraçada, negra ou não.

  25. Caro Eduguim,
    Parabéns pela sua atitude nobre de autocrítica. Coisa rara nas pessoas. Agora, se você sempre teve boa acolhida no lugar, é possível que você possa ajudá-los a se retratarem e a corrigir a enorme falha, puxando a orelha deles, se eles se retratarem honestamente. Você tem moral para isso. Acho também que o levantamento do caso deve ter causado um estrago tremendo para eles. Não deve haver mal que dure para sempre.

  26. Parabéns, Eduardo… sinceramente, cada vez mais tenho certeza do quão grande você é e lhe admiro muito pela coragem, pela retidão de caráter, pela fidelidade aos seus princípios: coisas raras nesses tempos em que estamos vivendo. Agradecemos muito todos os textos que você publicou sobre a situação dos negros no Brasil e nos sentimos honrados. Parceiro,prá nós você é um grande exemplo e ponto final!Um abraço grande , saúde, paz e coragem neste 2012. Contamos continuar lhe acompanhando, pois consideramos você companheiro de caminhada na busca de um mundo mais justo. Conte com a gente.Deus lhe pague por tanta coisa maravilhosa e proteja você, a sua família, em especial, a Vitória.

  27. Uma amostra do racismo no judiciário e na polícia paulista:

    http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2012/01/uma-quermesse-de-atrocidades-aberracoes.html

    O negro está preso há dois meses porque foi denunciado por um branco não identificado, as “instituições” acima não se importam com que no momento do crime o negro estivesse em outro lugar, trabalhando normalmente como servidor público da Prefeitura de São Paulo, conforme documentado por testemunhas e filmagem de vídeo.

  28. Engraçado, eu estranhei mesmo o seu texto…desculpe mas parecia escrito por um zumbi, não era você…

  29. Parabens isso é sinal de grandeza.

  30. Edu,não sei dizer se foi hipocrisia de tua parte.Tem um ditado que diz,que quando conhecemos uma pessoa por toda uma vida,e alguém nos vem falar mal dela,não devemos ter pressa em mudar de opinião.No caso,confiando naquilo que seu coração sentia,até pelas belas recordações que esse local lhe passa,sendo que jamais vistes alguém ali, ser descriminado, que por certo,sempre foste tratado com respeito; é humano e plenamente INTINDÍVEL,como diria Brizola.Penso,por mim,que um ser humano não é perfeito porque não erra.Ele se aperfeiçoa quando reconhece que tem limitações e as supera.Um texto para nos fazer pensar.Um Edu que não deixa de se superar.

  31. Hipócrita é aquele que se diz não racista! Todo ser humano no mundo tem um pouco de racismo seja ele de qualquer etnia. Eu às vezes sou hipócrita, mas mente quem diz que não é.

    Quantas vezes ocorreram isso neste restaurante em 29 anos? Se uma única vez, até eu ou qualquer um se surpreenderia. Agora se foram varias vezes, ai!!!! Ou será que neste restaurante só frequenta branco.

    Eu trabalho para vários restaurantes e padarias, eu já vi coisa de doer o coração, mas o que se pode fazer? Vou fazer igual ao delegado da policia que deu voz de prisão a um juiz. Denuncio é depois quem é preso por racismo sou eu.

  32. Vou usar de hipocrisia também e aliviar para você que tanto admiro. No primeiro post o PIG lhe induziu ao erro. Acontece o mesmo comigo. Sempre que tomo conhecimento de algum fato em primeira mão através do PIG fico com um pé atrás. Não dá para confiar. Abraço.

  33. Parabéns por ter a capacidade de reconhecer uma fraqueza tão comum em todos nós : o fato de permitirmos que nossas simpatias acabem nos fazendo negar fatos concretos ou interpretá-los de forma absurdamente distorcida. É evidente que temos simpatias, mas, elas não podem ser a desculpa para negarmos a realidade quando esta se nos presenta com toda a sua força. Era evidente que a criança fôra discriminada no restaurante e PRINCIPALMENTE ERA ABSURDO USAR O RACISMO DE TODOS COMO DESCULPA PARA “ALIVIAR” O RACISMO DE UM. Desse jeito, nunca condenaríamos ninguém por essa e outras práticas discriminatórias, sempre presentes em inúmeras pessoas. Confesso que não percebi a gravidade do seu erro, embora tenha achado o texto estranho, principalmente quando tentou comparar situações diferentes : em nada o fato de seus filhos, brancos, serem bem tratados no Nonno Paolo tem relação com a discriminação sofrida por uma criança negra. Por isso, por ter achado seu texto nebuloso, preferi não comentá-lo diretamente e, ao contrário, citei um caso de discriminação vivido por uma ex-namorada, que por sinal só foi vítima dessa prática por estar sozinha, sendo respeitada nesses mesmos lugares quando encontrava-se em minha companhia. De qualquer jeito, fica a lição de honestidade e autocrítica que você transmitiu e que poderia ser usada ao menos parcialmente por nossa mídia que nos infesta diariamente com a mais escandalosa hipocrisia.

  34. Edu: Parabens pela grandeza.

  35. Como o pessoal diz aqui em Floria; “dax um banho, istepô ‘.
    Atitude nobre e muito saudavel. obrigado por mais esta lição prof. Edu.

  36. Obrigado pela lição. Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) faz uma homenagem aos que estão determinados a reduzirem a distância entre o ser e o não ser. É a minha também.

    Poema em Linha Reta

    Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
    Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
    E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
    Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
    Indesculpavelmente sujo.
    Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
    Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
    Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
    Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;
    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
    Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
    Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
    Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
    Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
    Ó principes, meus irmãos,
    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo?
    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado,
    Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
    E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
    Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
    Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
    Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

    (disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/jp000011.pdf)

  37. Nesse ano o BBB não vai ter nenhum afrodescendente. Acho que é uma honra para os afrodescendentes não ter nenhum representante naquela vergonha.

  38. “Escrevi sobre um rumoroso caso de racismo envolvendo o restaurante paulistano Nonno Paolo, incrustado no elegante bairro do Paraíso, onde resido não por minha condição sócio-econômica, mas por ter nascido e vivido sempre nessa parte de São Paulo”.

    A quem interessa sua situação sócio-econômica, Edu?

    “Para completar, ao buscar as notícias do dia leio que a direção do restaurante optou por compactuar com seu funcionário – que, talvez, nem seja o racista, pois pode ter agido sob ordens dos patrões. O restaurante agora alega que não expulsou o menino negro, que ele é que saiu de lá por conta própria”.

    Claro! Racistas, somos nós negr@s! O gerente do restaurante além de não pedir desculpas, disse que a família deveria procurar a polícia se quizesse resolver o caso. Precisa de mais alguma coisa?

    Sinceramente, Edu. Acho que você deveria permanecer com a sua hipocrisia. Seria mais verdadeiro. De boas intenções, o inferno está cheio.

  39. “…….não tolerar pessoas muito humildes em suas dependências……..”

    O “politicamente correto” faz com que o significado das palavras seja revisto.
    Antigamente humilde era sinônimo de modesto, discreto, simples.
    Existem muitos ricos humildes.
    Hoje, humilde passou a ser sinônimo de pobre. Pobre virou palavra pejorativa.
    O mesmo se dá com “favela”. Dizer que alguém mora em uma favela é ofender. Agora é “comunidade”.
    Um condomínio de luxo também é uma comunidade.
    Este menino não foi expulso do restaurante por ser “humilde”, ou seja, pedinte, sujo, mal vestido, etc…. Não foi expulso por estar importunando os outros clientes do restaurante. Um casal de estrangeiros que freqüenta esse tipo de lugar não leva o filho maltrapilho.
    Esse menino foi expulso por ser negro.
    Costumo almoçar com minha filha de 6 anos em restaurante de auto atendimento.Fico imaginando o trauma de minha filha se isso acontecesse com ela.
    Haaaa. Mas com ela não tem perigo….ela não é negra.

  40. leio este blog quase todos os dias…. geralmente pra dar boas risadas… confesso que hoje, pela primeira vez, gostei do que li.

  41. Li o post anterior e não vi nada que pudesse desaboná-lo. Acredito que por frequentar o restaurante, se sentiu no dever de comentar sobre um assunto que é de seu interesse combater. Você pode não frequentar o estabelecimento, por convicção própria, assim como eu não assisto a Globo já há pelo menos uns 12 anos, muito antes destes blogs existirem, por decisão própria, mas o restaurante não sofrerá por isto, somente mudarão os clientes, pois os preconceituosos vão encher o local, assim como a Globo, não perdeu a audiência que eu gostaria. Eu não sou acostumado a frequentar restaurantes desse nivel, mas se decidisse por ir a algum, eu não iria neste aí.

  42. Parabéns Eduardo….muito nobre da sua parte. Fim de papo!

  43. Raramente fiquei tão tocado por uma conduta tão íntegra. Forte abraço para a luta diária.

  44. Nós continuamos devedores do senhor.
    E pelo visto em 2012 com a CPI da privataria tucana quando vamos necessitar de homens honestos e integros ficaremos mais ainda.

  45. Somente quem é grande na consciência e sabedoria sabe reconhecer seu erro. É muito triste saber que no mundo em que vivemos o racismo nunca será eliminado.

  46. Parar prá pensar se dar de cara com a coerência.Correto e corajoso.Continuo te acompanhando.
    Tenho uma pessoa na familia que a chamo de “Nega-Preta”,nem por isso me traio!

  47. Sueli Cardoso – Correio Nago

    Há coisas essenciais sobre o racismo no episódio ocorrido no restaurante Nonno Paolo com um menino negro.
    Eu não estava lá, mas pela reação de indignação da mãe da criança e seus amigos é lícito supor que a criança em questão, seja amada e bem cuidada, portanto, não estava suja e maltrapilha como costumam estar as crianças de rua que encontramos cotidianamente na cidade de São Paulo.
    Então, a “confusão” de quem a tomou, em princípio, por mais uma criança pedinte se deveu ao único traço com o qual a define a mentalidade racista: a sua negritude. Presumivelmente, o menino negro era o único “ponto escuro” entre os clientes do restaurante e para esse “ponto escuro” há lugares socialmente predeterminados dos quais restaurantes de áreas consideradas “nobres” da cidade de São Paulo estão excluídos.
    Para o racista a negritude chega sempre na frente dos signos de prestígio social. Por isso Januário Alves de Santana foi brutalmente espancado por não ser admissível para os seguranças do supermercado Carrefour que ele fosse proprietário de um Ecosport dentro do qual se encontrava no estacionamento a espera de sua mulher que realizava compras. Por isso a cantora Thalma de Freitas foi arbitrariamente revistada e levada em camburão para uma delegacia por ser considerada suspeita enquanto, como ela disse na ocasião, “porque a loura que estava sendo revistada antes de mim não veio para cá?”. Por isso Seu Jorge além de múltiplas humilhações, sofridas na Itália foi impedido, em dia de frio europeu, de entrar em uma loja com o carrinho no qual estava a sua filha, “confundido” como um monte de lixo. São apenas alguns exemplos de uma lista interminável de situações em que são endereçadas para pessoas negras mensagens que tem um duplo sentido: reiterar o lugar social subalterno da negritude bem como desencorajar os negros a ousarem sair dos lugares que desde a abolição lhes foi destinado: as sarjetas do país.
    O episódio indica portanto, que uma criança, em sendo negra e, por consequência “natural” , pobre e pedinte, pode, “legitimamente”, ser atirada à rua, sem cerimônia. É, devolvê-la ao seu devido lugar. Indica, ademais, que essa criança não desperta o sentimento de proteção (que devemos a qualquer criança) em relação aos perigos das ruas, pois ela é, para eles, uma das representações do que torna as ruas um perigo!
    Essa criança, por ser negra, também não é abrigada pela compaixão, pois, há quem vê nelas a “semente do mal”, como o fez certa vez, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, defendendo a descriminalização do aborto para mulheres faveladas, pois seus úteros seriam “fábricas de marginais.”
    Há os que defendem a atitude do funcionário que expulsou a criança do restaurante sob o argumento de a que região em que ele está localizado costuma ser assediada por crianças pedintes que aborrecem a clientela dos estabelecimentos comerciais. Na ausência do poder público para dar destino digno a essas crianças, cada um age de acordo com sua consciência, via de regra, expulsando-as. Outros dizem que a culpa pelo ocorrido é dos pais que deixaram a criança sozinha na mesa. O subtexto desse discurso é revelador e “pedagógico”: pais de crianças negras deveriam saber que elas podem ser expulsas de restaurantes enquanto eles se servem porque elas são consideradas pedintes, ou menor infrator! O erro não estaria no rótulo ou estigma e sim nos desavisados que não compreendem esse código social perverso!
    Os que assim pensam pertencem à mesma tribo de indignados que consideram que espaços até então privativos de classes sociais mais abastadas começam a serem tomados de “assalto” por uma gente “diferenciada”, fazendo aeroportos parecerem rodoviárias ou praças de alimentação. Aqueles que não se sentem incomodados com a desigualdade e a injustiça social. Aqueles que reclamam que agora “tudo é racismo” porque, para eles, o politicamente correto é dizer que nada é racismo.
    Esses são, enfim, aqueles que condenam o Estatuto da Criança e do Adolescente, que advogam pela redução da maioridade penal, que revogariam, se pudessem, o inciso constitucional que define o racismo como crime inafiançável e imprescritível ou a lei Caó que tipifica e estabelece as penalidades por atos de discriminação; conquistas da cidadania brasileira engendradas por aqueles que recusam as falácias de igualdade de direitos e oportunidades em nosso país.
    O aumento da inclusão social ocorrida nos últimos anos está produzindo deslocamentos numa ordem social naturalizada na qual cada um “sabia o seu lugar” , o fundamento de nossa “democracia racial’. O desconforto que esse deslocamento provoca faz com que os atos de racismo estejam se tornando cada vez mais frequentes e virulentos.
    Atenção gente negra! Eles mudaram! O mito da democracia racial está revelando, sem pejo, a sua verdadeira face. Então, é hora de se conceber e empreender novas estratégias de luta!

  48. Um dia você fez um trocadilho que eu considerei racista no facebook, chamei-lhe a atenção, silêncio, e me afastei da sua conta do face e até mesmo daqui deste blog. Este post ajuda a me aproximar novamente.
    .
    Parabéns pelo post.

  49. Não sou negro, nem mesmo afro-descendente, minha família é de origem germânica, logo, não posso ser acusado de interesseiro, quando trata-se das cotas raciais, ou, a qualquer outra forma de compensação aos negros pelo regime escravocrata e pela falta de visibilidade social.
    Montei um video, juntando materiais disponíveis na web (inclusive fotos com atores da globo, postadas no cidadania.com), para demonstrar a que ponto chega a hipocrisia quando o assunto é o racismo …

    http://www.youtube.com/watch?v=lps9S65usKI&context=C3fb19ceADOEgsToPDskICecqdm13g4JLlVxMXehoX

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