Câmbio me reduziu negócios em 2/3

Quem escreve este texto não é o blogueiro, mas o trader Eduardo Guimarães. A saber, trader é aquele sujeito que viaja a outros países para fechar contratos de exportação – no caso, de produtos brasileiros. É o que faço, pois. E acabo de fazer. Na última sexta-feira, retornei de viagem de duas semanas por países andinos.

Em um momento em que a sobrevalorização do real já se tornou o principal problema da economia brasileira – por incrível que pareça –, soa oportuno relatar minhas experiências nesse périplo comercial.

Acredite quem quiser: vendi um terço da média dos últimos anos. E o que é mais eloqüente sobre a situação do produto manufaturado brasileiro (vendo autopeças): o resultado foi muito melhor do que esperava, pois achei que não conseguiria fechar negócio algum, dada a situação dos preços brasileiros.

Quem são os concorrentes? Posso garantir que nenhum é nacional. Os países que mais têm atrapalhado meus negócios são, pela ordem de prejuízo que causam, Estados Unidos, China, Itália, Turquia, Índia, Coréia do Sul e Argentina.

Há casos em que a diferença de preços chega aos 150 por cento. Ou seja: um pedido de 25 mil dólares de produtos brasileiros poderia, em tese, ser comprado de outra origem por inacreditáveis 10 mil dólares.

O que pode mudar a negociação? Em alguns casos, quando a alternativa é asiática, pode-se argumentar com a qualidade do produto brasileiro, reconhecidamente boa. Muitas vezes, aliás, o produto norte-americano é de origem asiática. Pode-se usar esse argumento. Todavia, o “made in USA” sempre pesa…

O diabo é que a China já começa a produzir com qualidade. Aí, só resta ao trader o bom e velho uno, siete, uno (171), ou seja, vender o intangível, como relações comerciais mais simples ou disposição para “parcerias” – eis um argumento que sempre balança o cliente.

Nem frete ajuda, pois os chineses, ainda no mesmo exemplo, conseguem colocar um embarque aqui na América do Sul pelo mesmo custo que o importador pagará comprando do Brasil, sobretudo se for embarque marítimo.

O que ainda nos salva a pátria é que, em meu segmento, os clientes muitas vezes não têm escala que compense fazer uma importação direta de países como a China. Disputamos, então, com Turquia, Argentina ou a temível Itália, que tem produtos metalúrgicos entre os melhores do planeta.

Mesmo com esses países, ainda estamos bem longe. Até os argentinos nos vencem, com seus quatro pesos por um dólar.

Note-se, também, que há empresas estrangeiras com as quais dá até vergonha de competir. Norte-americanos têm uma diversificação de produtos (motor, transmissão, parte hidráulica ou rodante) e uma diversidade de materiais (aço, plástico, borracha) em uma só empresa que permite a ela oferecer ao importador um “pacote” mais vantajoso.

Sem câmbio, portanto, as condições de competição dos produtos brasileiros já não seriam boas. Só a questão dos nossos portos e seu custo exorbitante, além da lentidão, já seria um grande problema. Nossa tecnologia ainda inferior, então, nem se fala. Com o problema do câmbio, o vendedor (trader) tem que fazer mágica.

A sorte do vosso companheiro Eduardo, aqui, é que ele aprendeu uns truques durante seus trinta anos de janela em seu segmento de atividade. Mas até mágica tem limites. Esse câmbio ainda vai meter o Brasil em um problema muito sério, mas esse é tema para um novo post, num outro dia. Por hoje, está de bom tamanho.

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57 Comentário

  1. Edugum,

    Mas como este problena deve ser resolvido?

    • A última opção deve ser o controle do câmbio. Estamos em uma guerra cambial. É uma opção que tem que ser considerada.

      • Está fora de pauta, mas lamento dizer, estão armando para cima do governo e bem armado, nos subterrâneos, PIG e Oposição, vai vir em forma de denúncia, o passarinho que me conta tudo acabou de me mostrar.

  2. Parabéns pela superação de expectativas nessa intrincada missão, enfrentando inúmeros adversários em território alheio (desde “espíritos maléficos” até a conjuntura econômica global).

  3. Edu, não sei se é o seu caso, mais em auto peças o aço é fator relevante, no Brasil as Siderúrgicas dominaram o setor de laminação a quente e a diferença de preços é absurda em relação a todos os países que vc citou, talvez esteja ai o problema, para concertar isso precisamos taxar gradativamente as exportações de minérios e semi-acabados e diminuir os impostos de importação dos mesmos, só assim a indústria nacional de transformação será competitiva e terá prioridade no abastecimento interno, tenha certeza que o fator câmbio é menos importante que o desalinhamento de preços provocados pela concentração da produção e barreiras técnicas contidas nas normas e regulamentos por pressão e influência desse setor poderoso e organizado.
    Os lucros proporcionados nessa fase de produção( laminação à quente ), ao que tudo indica devem ser exorbitantes e os verdadeiros responsáveis pelo desalinhamento do restante da cadeia.

    abçs

  4. http://youtu.be/-MHDM4z_ssQ

    Eduardo, quando tiver tempo comente esse vídeo e se puder o apoie a campanha.

    Valquer

  5. http://youtu.be/-MHDM4z_ssQ

    Olá Eduardo, que bom que fez bons negócios em que pese as dificuldades, normal para quem vive de negócios,superar sempre os obstáculos. O cambio é um a ser superado.

    Quando tiver tempo comente esse vídeo e se puder o apoie a campanha.

    Valquer

    • Valquer pergunto pode o assaltante ser o “indutor”, “investidor”, ou “promotor” em uma economia?

      Pode o assaltante reduzir a desigualdade social em um país?

      Se vc acha que um assaltante apenas causa dano a sociedade pq promover com o video o criminoso.

      (assaltante eo estado para deixar claro).

      • Acredito que os que precisam esconder seus ganhos em paraísos fiscais é porque não tem compromisso com a transparencia.
        Além disso não remunera a sociedade com a parte dela de direto que é o imposto devido nas atividades financeiras.
        Podemos lutar para ter imposto menor se for o caso, mas nao acredito que não seja esse o motivo de quem faz movimentação financeira em paraísos fiscais.

  6. Sou engenheiro, e não economista, e não consigo entender por que o Brasil, e só o Brasil, tem que ter juros tão altos, que provocam altíssimo volume de despesas públicas, na casa de dezenas ou centenas de bilhões, além de atrair dinheiro especulativo, que provoca a apreciação descontrolada do real, causando este problema de falta de competitividade de nossos produtos. Assim como Lula teve coragem de afastar o FMI daqui, alguém, quem sabe a Dilma, precisa ter coragem de abaixar os juros, para o bem de nossa economia, caso contrário, caminhamos para a desindustrialização. O último presidente que teve coragem de enfrentar os bancos foi Itamar Franco, com seu Plano Real, que fez um bem tremendo para o país e seu povo, mas causou-lhe grande perseguição da mídia e mais tarde a sórdida traição de fhc, evitando sua volta com a compra da reeleição.

    • Os juros são os mais altos do planeta pq devemos obedecer e trabalhar como camelos para dar vida nababesca aos donos do país: BANQUEIROS E RENTISTAS! Eles é que mandam e desmandam nesta terra, não importa o partido nem politico que venca as eleicões, todos eles estão sob o comando dos banqueiros e dos rentistas. Não adiantam planos para melhorar saude educacao infra transportes cultura defesa, NADA, NADA será feito enquanto nossos esforcos são direcionados aos bolsos desses aí e não sobra nada p investir, o que os politicos e partidos vencedores disputam como carnica são os cargos com salarios principescos e as verbas das estatais e ministerios para ficarem cada dia mais ricos as nossas custas.

    • Precisou coragem não, Miguel.
      Pra “afastar” o FMI bastou pagar os emprestimos….

      ( aquele “fora FMI” era só bravata, não percebestes?)

      Tanto é assim que o nosso ex-presidente ficou todo pimpão quando o Brasil fez um aporte de capital justamente no “famigerado” fundo…

      ( “agora somos credores do FMI”,…. lembra?)

      ;……………………………

      No mais, quanto ao Real, lembras quem foi um dos primeiros a “trair” Itamar e tentar detonar o Plano?
      Lembra não, né…?

      Mas deixa pra lá… Fiquemos com os culpados de sempre: Midia, oposição, elites, FHC e, por fim, o satanás…

      Quando a verdade é dura a gente inventa outra verdade, né?

      • Você acha que só por citar alguma premissa com ironia consegue desmontá-la. Fato objetivo: em vez de manejados pelo FMI hoje temos voz ativa lá, como financiadores de suas operações, não como pedintes.

        • Concordo com vc, Eduardo.

          Esse é o fato Objetivo! Grande feito! Digno de aplauso e reconhecimento ! ( estou falando sério, acredite…).

          Pagamos a Divida, nos libertamos daquelas amarras! Ótimo!
          Parabéns para nós, parabéns para o governo Lula!

          Até aí tudo bem….

          Precisava o Miguel “florear”, pintando o acontecimento como se tivesse sido um “ato de coragem” do Lula que teria “afastado” o FMI.

          ( Ato de coragem foi seguir a politica restritiva iniciada na era Malan, que permitiu superavits fantasticos para alcançar esse fim…)

          Lula é um ex-presidente que tem o reconhecimento de seu povo!
          Não precisa ser incensado pelo que não fez….

          Reconheço minha implicância com o ex-presidente ( assim como os outros, anteriores, a que está, e os que virão…), mas reconheça também que muitos se excedem na necessidade de elogiar “o cara”.
          ( sem falar na insuperável dificuldade de aceitar qualquer minimo defeito, qualquer delize pequenissimo, qualquer insignificante erro de Lula).

          Não bastando os feitos do seu governo ( muitos realmente dignos de elogios, como já reconheci em outras ocasiões, a despeito de minha implicancia) precisam os aulicos inventar feitos que não foram feitos…?.

          Quanto a segunda parte do meu comentario, já que não mereceu resposta, posso considerá-lo aceitável?
          Ou será que o amigo também não se lembra quem tentou detonar o Real nos idos de 94?

          • Ora, Lula falou sobre isso, reconheceu que errou, é um homem digno, diferentemente de quem manteve o câmbio apreciado para se reeleger e até hoje não admite. E mais: Lula disse que abandonara idéias pretéritas antes de se eleger, prometendo respeitar contratos.

          • Perfeito, Eduardo!

            Está vendo como não é dificil concordarmos…?

            E quanto ao estelionato praticado pelo “professor de Deus” começou antes da “macumba do câmbio”.
            Começou desde que comprou a reeleição, com “onaireves” e cia Ltda.
            Eu não me esqueço!
            Por que haveria de esquecer…?

            Uma das (poucas) vantagens de não fazer parte de nenhum time, nenhum partido, religião, seita, ou “fã-clube” é a liberdade que se tem para criticar ou elogiar quem quer que seja…

            Especialmente para criticar, meu esporte predileto…hehehe

          • Seu esporte predileto é criticar petistas, meu caro. E não admitir que é eleitor da direita tucana. Aliás, todos vocês se dizem isentos.

          • Podem não ser isentos, mas tb não divulgam imagem de cunho nazista como vc e o Carneiro fizeram.

          • Você acha que tem condições de eu publicar o que você escreve? Só vem aqui pra brigar, pra fazer insinuações, acusações veladas… Em vez de se ater a um tema importante e decisivo para o país, agregar algo ao debate, apresentar sua visão, você vem aqui fazer picuinhas e provocar. Se deixo você escrever aqui, transforma a caixa de comentários num ringue

          • GersonCarneiro10:14am via TweetDeck
            @BetoMafra Betão, tu já viu o símbolo do Nazismo? => http://yfrog.com/gzs6futj

            GersonCarneiroJul 25, 9:28am via TweetDeck
            @eduguim Terrorista da extrema direita norueguesa usava símbolo da extrema direita brasileira => http://yfrog.com/h7rc9jkzj

            http://yfrog.com/gzs6futj

            Isto vem ser o que a não ser uma chula e baixa provocação.
            Depois vem falar de picuinha e provocação.

            Deve ser muito importante e decisivo para o país.

          • A suástica com bico e pena? Achei muito engraçado. Pô ex-Cris seu senso de humor é igual ao do Serra, ou seja, nenhum

          • Depois esse troll profissional tucano quer sustentar a mentira de que ele seria “apartidário”…

            Ficou nervozinho por causa daquilo que ele chama de “provocação” contra os tucanos, sendo que ele afirmou várias vezes que não é tucano nem os defendem. Mentiras descaradas.

            E justo esse troll provocador dos infernos, que faz provocações boçais constantenmente (aliás SÓ faz provocações boçais), que agora reclamar de uma “provocação”.

            É um palhaço mesmo!!!

    • Caro Miguel, não se iluda com economistas. A maioria ainda não entende o que é o dinheiro contemporâneo.
      http://informacaoincorrecta.blogspot.com/2010/12/1921-uma-visao-do-futuro.html

  7. Nesta área de autopeças, os chineses estão melhorando a qualidade Edu?
    logo logo, então, os carros baratinhos deles vão começar a mexer com o mercado né?

    • autopeças e carros são coisas diferentes, nesse aspecto. aliás, os chineses não fazem produto bom porque não querem, porque os produtos baratos são os que vendem. a grande questão é compatibilizar preço baixo com qualidade aceitável e eles já estão fazendo isso cada vez mais

  8. Edu….

    Duas dúvidas…

    1ª – Os produtos brasileiros não são também demasiado caros por conta do lucro exorbitante que parte dos grande empresariado ão abre mão???

    2ª Os produtos chineses não são em boa parte produzidos por uma mão de obra quase escrava e até infantil, além da já citada baixa qualidade???

    Obrigado desde já pelos esclarecimentos!!!

    Fábio Nogaroto!!!

    • Fábio:

      1 – é um mito, essa questão da rentabilidade. Para os padrões brasileiros, para os custos, impostos, encargos trabalhistas, a margem é meramente realista. Não existe margem para ganhar absurdamente devido à concorrência. Só nichos muito específicos conseguem rentabilidades estratosféricas.

      2 – a mão-de-obra chinesa de fato é mal-remunerada, mas numa empresa brasileira a folha de pagamento, em geral, gira em torno de 1/10 do faturamento, ou seja, não é um fator determinante. Sempre digo que se nosso operário trabalhasse de graça, ainda não conseguiríamos competir.

      • Recomendo 2 artigos que saíram no Carta Maior mostrando que a questão do custo de mão de obra na China está mudando mais ou menos rapidamente.

        É bom também para tirarmos um certo ar de mistério sobre a “mágica” chinesa dos preços baixos.

        Trata-se de processo histórico normal. No entanto, o mais impressionante é o sucesso do CAPITALISMO DE ESTADO. É isso que faz tudo funcionar lá.

        Modelo chinês preocupa grande capital que olha para Brasil como alternativa
        http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18107

        Made in China: uma questão de classe
        http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18106

        Agora ver produtos alemães, italianos e norte-americanos ganharem mercado aqui me deixa desorientado: como é possível; só tecnologia e produtividade fazem toda essa diferença? (mesmo em setores onde o Brasil já tem tradição como é o caso das auto-peças?)

  9. Só me respondam uma coisa. O marco alemão desde 1960 sempre esteve muito valorizado. Como é que eles conseguem ser os maiores exportadores do planeta, e isso que eles tem que importar toda matéria prima. Como é que eles conseguem ter a indústria gráfica de melhor qualidade e imprimem para todo mundo. Talvez temos que aprender com a alemoada como permanecer na crista da onda, sem dar bola para o sobe e desce do câmbio.

    • Os países ricos ganham nos produtos de alta tecnologia que só eles fazem. Nós, além de não termos produtos assim em patamar sequer parecido, exploramos manufaturados com larga concorrência mundial, enquanto que a pauta de exportações dos ricos é baseada no que só eles têm, conhecimento.

      • Me parece uma explicação muito simplista esta de que seu sucesso é devido a uma tecnologia que só eles tem. Eles vendem material de desenho em todo o mundo, por apenas um motivo, são bem feitos e duram mais que os outros. Imprimem livros para o mundo inteiro porque tem qualidade, tanto as gráficas com alta tecnologia como as mais artesanais. Qualidade e imagem também vendem bem. Nos acostumamos a vender só pelo preço e deixamos a qualidade de lado.

  10. Eduardo, concordo com você que o câmbio está complicando a vida de quem exporta. Acho que o governo precisará fazer algo, ou mexendo no câmbio, ou criando algum tipo de ajuda adicional para os exportadores.

  11. Eduardo

    A valorização do real diante do dólar é realmente um problema sério e de difícil solução. Qual é a saída do governo brasileiro para tomar uma medida que desvalorize nossa moeda?

  12. Alo Edu: Leia isto:
    As ameaças inócuas contra a apreciação cambial
    Enviado por luisnassif, seg, 25/07/2011 – 19:39
    Mantega diz ter “medidas duras” contra a valorização do real | Valor Online

    Mantega diz ter “medidas duras” contra a valorização do real
    João Villaverde | Valor
    25/07/2011 17:36

    SÃO PAULO – Ao dizer na sexta-feira que o governo centrará esforços no controle da inflação, deixando medidas para evitar a valorização do câmbio para um horizonte em que a crise econômica dos países ricos perca força, a presidente Dilma Rousseff impulsionou nova rodada de apreciação do real – que já atinge R$ 1,54, o menor valor desde 1999, início do regime de câmbio flutuante no país.

    Dilma foi taxativa: “Você acha que a gente pode fazer alguma coisa num momento em que não se sabe se o pessoal está brincando na beira do abismo ou se, de fato, está criando uma rede de proteção para não cair no abismo?”, disse em referência ao cenário global de crise nos Estados Unidos e na União Europeia.

    Faltou, no entanto, a presidente afinar o discurso com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Hoje, após participar de um evento com empresários em São Paulo, Mantega afirmou que “o câmbio preocupa” e que o governo tem “medidas duras” para atuar contra a valorização do real, embora não tenha detalhado quais seriam essas medidas.

    Mantega também dissociou a política cambial do controle de preços, apesar de o dólar barato reduzir os preços dos importados. “Não utilizamos o câmbio para controlar a inflação”, disse o ministro, reafirmando que esse controle é “fundamental para o governo Dilma”.

    Se no câmbio Mantega e Dilma foram para lados opostos, no combate à inflação o discurso foi afinado. Na sexta-feira, a presidente afirmou que o governo não quer inflação sob controle com crescimento zero.

    “Estamos fazendo um pouso suave, com uma taxa de crescimento e de emprego adequada para o país”, disse Dilma a jornalistas, em reunião fechada. Hoje, Mantega foi na mesma linha. “Antigamente o governo segurava a inflação derrubando a economia. Não fazemos isso. Já há um pouso suave na inflação, puxada por uma economia menos acelerada.”

    (João Villaverde | Valor)

    • É piada ele dizer que não estão usando o câmbio para controlar a inflação. É claro que estão. Absurdo, isso

  13. O que é que eu falo neste espaço há séculos, meu caro trader? Que essa imbecilidade de câmbio flutuante é um asneira. Por sinal, de flutuante, livre, esse câmbio não tem nada. Assim, os países que são idiotas o suficiente para adotarem o tal câmbio livre(flutuante)só estão retirando de si próprios o controle sobre a fixação do câmbio, que deve ser usado como um instrumento macroeconômico em favor de suas Economias, e entregam nas mãos de outros(países, multinacionais)o poder de fixação do seu câmbio, que evidentemente será estabelecido de modo a favorecer o desenvolvimento da economia DOS OUTROS! É tão claro que dá até raiva de quem não consegue perceber. Assim, o câmbio “livre” brasileiro(o qual infelizmente já foi defendido até mesmo por você)de “livre” não tem nada! Ele é controlado, SÓ QUE NÃO PELO BRASIL, MAS PELOS EUA, PELA CHINA, PELOS ESPECULADORES DO SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL, E É O MAIS ADEQUADO, O MAIS PERFEITO PARA DESENVOLVER A ECONOMIA, ROBUSTECER OS NEGÓCIO E GERAR AINDA MAIS RIQUEZA PARA ELES, OU SEJA, PARA EUA, CHINA, BANQUEIROS, MULTINACIONAIS, EUROPEUS, E TODA ESSA CORJA QUE NOS EXPLORA HÁ SÉCULOS E CONTINUA A FAZÊ-LO COM O RESPALDO DE “TEORIAS” GENIAS COMO O CÂMBIO “FLUTUANTE” E OS JUROS ALTOS, OUTRA MALUQUICE NEO-LIBERAL, EXCELENTE PARA ENCHER OS BOLSOS DOS GRINGOS, JÁ QUE MANTÉM O PAÍS AFERRADO AO PAGAMENTO DE SUA DÍVIDA INTERNA E DEIXANDO DE INVESTIR EM DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO, O BOM E VELHO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO, QUE FARIA COM QUE OS PRODUTOS NACIONAIS TIVESSEM MAIOR TECNOLOGIA, DISPENSANDO NOSSOS COMPETENTES TRADERS DA NECESSIDADE DE USAREM SUAS MÁGICAS PARA FECHAREM NEGÓCIOS. COMO TAMBÉM NOS LIBERTARIA DA PRAGA DE SERMOS EXPORTADORES DE COMMODITTIES(NOME “MODIERNO” PARA MATÉRIAS-PRIMAS), LIVRANDO-NOS TANTO DA DEPENDÊNCIA DE PRODUTOS PRIMÁRIOS E SEM VALOR AGREGADO EM NOSSA PAUTA EXPORTADORA(A QUAL NOS FAZ TREMER TODA VEZ QUE A CHINA, MAIOR COMPRADOR MUNDIAL, AMEAÇA DESACELERAR SUA ECONOMIA), COMO DO PODER POLÍTICO QUE A EXPORTAÇÃO DE BOAS PARTE DESSE PRODUTOS DÁ AO RETRÓGRADO LATIFÚNDIO. Questionamentos como esse precisam ser feitos por um país que sonha um dia em tornar-se de fato independente, uma vez que independência constrói-se antes de tudo na Economia. O resto, a independência política e a soberania externa são em grau muito maior decorretes da primeira. Ou seja, a influenciam, mas são ainda mais por ela influenciados, configurando-se conforme for constituir-se a independência econômica. Independência essa que não virá sem a mudança em nossa inserção subalterna na Economia internacional, que nos livre da condição da Nação deficitária no Balanço de Pagamentos(saldo de todas as transações econômicas de uma Nação, como Balança Comercial, remessas de lucros para o exterior, pagamentos de royaltes) , e portanto dependente de recursos externos(obtidos via títulos da dívida pública)para o fechamento de suas contas; para a condição de Nação superavitária em seu balanço de Pagamentos, mudança que não ocorrerá sem a quebra do paradigma agroexportador, sem a libertação do Brasil das políticas suicidas de juros altos e câmbio flutuante, e sem o estabeleciemento de uma política desenvolvimentista voltada para a mudança de nosso perfil exportador, a qual será realizada através do estímulo ao desenvolvimento tecnológico; à ampliação do mercado Externo e à consolidação dos blocos comerciais estabelecidos com as Nações da América Latina , nos quais a conjungação de objetivos e projetos políticos-econômicos comuns propriciem ganhos ainda maiore de escala, produtividade e cooperação.

  14. A tucanada agora torce pelo câmbio, falta de projeto político dá nisso!

    Edu, sobre o atentado em Oslo, gostaria que visse esses meus dois posts:

    Terrorista de Oslo era de extrema-direita, branco, loiro, limpinho e cheirosinho

    http://www.comunistas.spruz.com/pt/Terrorista-de-Oslo-era-de-extrema-direita-branco-loiro-limpinho-e-cheirosinho/blog.htm

    Veja como a mídia brasileira assumiu o discurso da extrema-direita

    http://www.comunistas.spruz.com/pt/Veja-como-a-midia-brasileira-assumiu-o-discurso-da-extrema-direita/blog.htm

  15. A valorização do Real se explica pelo fato da crise atingir o centro do capitalismo derrubando o Dolar e o Euro. Soma-se a isso o fato do Brasil em pouco tempo se tormar um grande exportador de petróleo, o que fará que a nossa moeda se valorize ainda mais, trazendo o risco da doença holandesa.

  16. Sei q pode soar piegas ou até mesmo utópico, mas eu vejo, além do câmbio e otras cositas mas, o Brasil chegou num ponto em que se quiser crescer, tem que inovar. Ainda estamos muito dependentes da teconologia estrangeira. E capacidade nós temos. Vejo que é um dos pontos que está faltando na Dilma. Não só de ser continuidade do Lula, mas uma pós-Lula, ou seja, Lula fez muito dentro de um cenário específico. Para o Brasil seguir mudando, há de se dar novos passos. Passos estes que demandam ousadia, vontade política e coragem para mexer em dogmas como “o Brasil não cria nada”. Precisamos de inovações industriais made in Brazil. Imagine, Eduardo, se nessas suas viagens, vc conseguisse vender “qualidade”? Mas uma qualidade exclusiva de Brasil, às vezes até por um preço mais alto, mas que a garantia da qualidade compensasse o preço mais elevado.

  17. Certamente a questão do câmbio é relevante, mas é também circunstancial. As situações mais graves descritas nesse valioso relato, na minha opinião, são duas questões de fundo que governo nenhum atacou nem ataca: a infra-estrutura precária e o baixo investimento em tecnologia/educação.

    O segundo pode até ser coisa de longo-prazo, 100 anos, ok. Mas o primeiro, a infra-estrutura, é simplesmente incompetência de nossos governantes.

    Como é possível que um navio que parta da China até a América Latina custe o mesmo ou menos, do que um navio partindo dos nossos portos brasileiros? É uma situação patética, realmente.

  18. Ora, não entendi nada. Mas o Lula não tinha aberto o mundo aos produtos brasileiros, não era o nosso caixeiro-viajante? Por que vc não aproveita essas oportunidades? O mercado novo que ele abriu na África, no Oriente Médio, as nossas relações fraternas com a Venezuela, Argentina, Bolívia…

    Tenho certeza que se o Mantega acha que esse câmbio está bom, ele deve estar mesmo… É só um reflexo do poder do Brasil no mundo, agora somos uma potência!!

  19. Brasil: potência ou colônia?

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    Não há dúvidas de que, em alguns aspectos, a economia brasileira vai bem, com seu crescimento puxado pelo forte consumo do mercado interno. Também, é preciso reconhecer que nos últimos anos o País obteve resultados expressivos no que diz respeito às políticas sociais, tendo tirado mais de 20 milhões de brasileiros do estado de miséria e elevado mais de 30 milhões à classe média.

    Por outro lado, alguns indicadores ainda nos envergonham e mostram que estamos muito distantes do mínimo necessário para nos considerarmos uma nação em desenvolvimento. Como exemplo, podemos citar um quesito fundamental à saúde, que é o saneamento ambiental, cujos indicadores são alarmantes: aproximadamente 36 milhões de pessoas não têm acesso à água potável; 56% da população urbana brasileira não têm esgoto coletado, o que perfaz 86 milhões de pessoas; 126 milhões de pessoas não têm acesso ao serviço de tratamento de esgoto, o que representa aproximadamente 66% da população.

    Para universalizar o saneamento no Brasil seriam necessários investimentos da ordem de R$ 296 bilhões até o ano de 2025, ou seja, o equivalente ao que gastamos em apenas 1,4 anos com o pagamento de juros da dívida pública (o Brasil gastará este ano cerca de R$ 230 bilhões com o pagamento de juros da dívida pública).

    Na saúde, educação, ciência e tecnologia a situação não é diferente. Em 2010 o Brasil gastou apenas R$ 21 bilhões em educação, R$ 49,7 bilhões em saúde e R$ 05 bilhões em ciência e tecnologia (menos de 1/3 do que gastou com pagamento de juros e com o custo de carregamento das reservas).

    No que se refere à Política Industrial a situação também é extremamente preocupante, pois o atual modelo econômico nos empurra para uma primarização da economia. O fato é que o Brasil está priorizando a exportação de commodities em detrimento das exportações de bens de maior valor agregado.

    Para se ter uma idéia, desde o século XIX o Brasil é o maior produtor mundial e exportador de grãos de café, mas o maior exportador de café industrializado é a Alemanha, que não possui um pé de café. Cerca de 75% da soja produzida no país é destinada ao mercado externo, enquanto as exportações de derivados de soja, que possuem maior valor agregado, cai ano a ano. Cerca de 90% da produção de celulose é destinada às exportações, porém mais de 50% do papel consumido no Brasil é importado. Somos um dos maiores produtores de algodão do mundo, mas a balança comercial de tecidos já experimenta déficit significativo.

    Em relação ao petróleo, com a descoberta do pré•sal, temos uma das maiores reservas do mundo, mas o Brasil está se tornando um exportador de petróleo cru e grande importador de derivados de petróleo (esse item é um dos maiores responsáveis pelo déficit da balança comercial brasileira). Cabe lembrar que não existe nenhum país desenvolvido que seja basicamente exportador de petróleo, mas existem países ricos e desenvolvidos que são fornecedores de máquinas e equipamentos para a prospecção e processamento. Por conta do alto custo da energia elétrica não há no Brasil nenhum novo projeto viável para a produção de alumínio, assim passaremos a ser exportadores de bauxita e alumina para nos tornarmos importadores de alumínio. O minério de ferro, que é o insumo utilizado para produzir aço, é um dos principais itens da nossa pauta de exportações, por outro lado, a balança comercial dos setores que possuem o aço como principal matéria-prima (automóveis, máquinas, equipamentos, etc..) é totalmente deficitária. No caso específico do setor de máquinas e equipamentos, o déficit acumulado, de 2004 a 2010 é superior a US$ 45 bilhões.

    Temos mostrado, através de estudos bem fundamentados, que o Brasil é que não é competitivo. A falta de incentivo aos investimentos, o câmbio atual, a taxa de juros mais alta do mundo, o Custo Brasil, a alta carga tributária e a ineficiência em nossa infra•estrutura impõe à indústria brasileira de transformação uma perda de competitividade que pode vir a resultar na extinção de uma indústria que produz bens de alto valor agregado e conteúdo tecnológico e que é responsável pela geração de milhões de empregos que exigem qualificação e que, portanto, pagam melhores salários.

    Os números acima requerem uma reflexão por parte dos nossos governantes sobre a atual política macroeconômica, no sentido de projetar que tipo de País nós queremos e quais serão os efeitos desta política a médio e longo prazo. Um País com dimensões continentais e populoso como o Brasil precisa de muito mais, tem que pensar e agir de forma grandiosa para vir a ser, de fato, um país mais justo, que gera e distribui riquezas, que educa e cuida da saúde do seu povo.

    Não me canso de repetir que não existe país desenvolvido que não tenha uma indústria de transformação forte. “É evidente que nada contribui mais para promover o bem-estar público do que a exportação de bens manufaturados e a importação de matéria-prima estrangeira”. Esta frase, tão atual, foi parte do pronunciamento de Walpole ao parlamento britânico, em 1.721 (Livro: “Chutando A Escada”, pág. 42, Autor Ha-Joon Chang). Este pronunciamento mostra que o Brasil está indo na contramão do que os Países ricos e desenvolvidos fizeram e continuam fazendo há mais de 2,5 séculos.

    A Suíça, por exemplo, é um país inquestionavelmente rico, mas há quem pense que o país, com os seus poucos mais de 07 milhões de habitantes, tem a sua economia baseada somente na arrecadação proveniente do sistema financeiro e de algumas grandes empresas multinacionais. A verdade é que a base estrutural da economia Suíça está nas mais de 350 mil empresas de médio e pequeno porte, que empregam mais de 3,3 milhões de pessoas com salários elevados (metade da população do País) e que produzem bens de tecnologia intensiva, de alto valor agregado e voltados à exportação. Apesar de pequeno, a Suíça é um País altamente industrializado e possui, há séculos, uma balança comercial superavitária, sendo que 2/3 desse superávit provêm da exportação de produtos manufaturados.

    Bons exemplos não faltam (Suíça, Coréia do Sul, Noruega, etc..), por isso não podemos mais aceitar um modelo econômico que somente nos últimos 16 anos (08 anos de governo FHC e 08 anos de governo Lula), de acordo com relatório do Banco Central, pagou de juros a quantia estratosférica de R$ 1.8 trilhão (um trilhão e oitocentos bilhões) e que no ranking mundial de competitividade (Fórum Econômico Mundial) ocupa a incômoda e vexatória 58º colocação. O Brasil pode e precisa caminhar em outra direção, estruturando políticas claras que possam contribuir para fazer do nosso país uma nação verdadeiramente desenvolvida, em todos os aspectos (cultural, social, educacional e econômico). É preciso simplificar e desburocratizar, criar condições para que o setor produtivo possa, de fato, se desenvolver, ter musculatura para ser competitivo nos mercados interno e externo.

    Não somos contra a produção e exportação de commodities, mas estamos convictos de que somente isso não será suficiente para gerar o superávit necessário na balança de pagamentos e a quantidade de empregos que uma nação tão populosa como a nossa necessita.

    É possível fazermos as duas coisas (commodities e indústria), mas o governo tem que ter senso de urgência, precisa implementar medidas em caráter emergencial, pois corremos o risco de perder a maior, e talvez única, oportunidade da nossa história, para fazer do Brasil uma nação desenvolvida. Do contrário, retrocederemos no tempo, na época do Brasil Colônia, em que exportávamos Pau-brasil e café, para importarmos “espelhinhos e bijuterias”.

    Ainda dá tempo, é possível reverter o atual quadro de desindustrialização, mas os nossos governantes precisam comunicar imediatamente que tipo de Brasil desejam: rico e desenvolvido ou eternamente uma colônia pobre?

    As opções existem, nós, da ABIMAQ, continuaremos lutando por um Brasil que se transforme em uma potência econômica, com uma indústria de transformação forte, afastando o risco de nos tornarmos um Brasil colônia.

    Fonte:

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  20. Edu,

    O governo brasileiro, tanto quanto todos nós que nos esforçamos para entender o país e o mundo, principalmente, mas não só na política e na economia, temos consciência da correlação de forças – bastante realista no núcleo duro do governo, difusa entre a maioria de nós – entre este país rico e desarmado e as nações imperialistas ricas em moedas que não passam de papéis pintados (dólares, por ex.), de documentos e acordos forjados com seus cúmplices para roubar a mais-valia produzida por povos inteiros (de acordos com agências como o Banco Mundial e o FMI, até legislação interna que legitima a rapinagem nos países extorquidos) e armadas até os dentes, para garantir seus “direitos”.

    Para mim, isto ficou claro em 2002, quando Lula divulgou a Carta aos Brasileiros. Porque ela equivalia a uma das famosas Cartas de Intenções assinadas por governos anteriores, e que aprofundaram sucessivamente a crise da dívida externa nacional. No governo Goulart (1961-1964), um dos temas mais discutidos era a remessa de lucros para o exterior praticada pelas multinacionais, entre as quais, as mais visíveis eram as montadoras de automóveis recém instaladas no Brasil.

    Hoje, a discussão sobre a sangria da economia brasileira se dá – embora não só – em cima dos custos exorbitantes da dívida interna, que Lula prometeu honrar em sua Carta aos Brasileiros. Ninguém fala na remessa de lucros das multis que operam no país. Setores desnacionalizados, como fertilizantes, veículos, farmacêuticos, telefonia, elétrico e cultural entre outros, remetem bilhões de dólares para o exterior todos os anos. Em automóveis, por exemplo, é difícil estimar a remessa, até porque a Fiat é a única a publicar balanço de suas atividades no país em separado do balanço do conglomerado.

    O que acontece por estes dias na Europa e nos EUA, é uma versão do famoso “eu sou você, amanhã…”, e o amanhã parece que é para um dia destes. O grau de espoliação praticado no Brasil é sofisticado ao extremo, ao ponto de prescindir do uso de ferramentas bélicas, substituídas pela alienação e coerção abertas praticadas pelos meios de comunicação em massa e pela corrupção institucionalizada das classes políticas. Parece muito com o destino que querem os financistas para os povos do primeiro mundo, também.

    Quando Lula tomou posse em 2003, tudo que as elites financeiras e empresariais esperavam, era um gigantesco fracasso do governo, que chancelaria a receita recessiva e excludente praticada por FHC. Sem mexer nos privilégios em curso, o governo foi à luta e conquistou mercados para os produtos brasileiros, fora do eixo em que o país girava como mero satélite. Os saldos obtidos com a incursão por novos caminhos, passou a ser dividido de maneira menos desigual, porque não comprometido com as receitas das agências internacionais, ou seja, fez o trabalho que eles não queriam que fosse feito, e sem quebrar nenhuma das regras impostos por eles mesmos.

    Os resultados não se fizeram esperar, e estão à vista de todos. Além disso, Lula projetou o país na cena internacional, e granjeou a simpatia de boa parte do mundo em favor dos brasileiros. Perdoou dívidas de valores insignificantes para os termos da nossa economia, mas relevantes para as economias de países como os da África, na metade da década passada. A superexposição do Brasil no resto do mundo interessa diretamente a todos nós, povo e governo brasileiros. Significa, entre outras coisas, que ficou mais difícil, muito mais difícil, esconder as tentativas de voltar ao uso das quarteladas para troca de governos apontados como hostis, como ficou evidente no caso de Honduras e nos golpes contra Chavez e Rafael Correa. A presença constante do Brasil no cenário internacional por suas iniciativas diplomáticas, funciona como uma espécie de seguro contra a possibilidade de desaparecermos novamente dentro da cartola do Tio Sam, como ocorrido em 1964. De uma forma ou de outra, a solução de nossos problemas passaram a ser problema nosso, independente de suas origens.

    Hoje, as populações dos países que instrumentalizaram o exercício de suas hegemonias com as ferramentas do Consenso de Washington são vítimas dos remédios criados por seus governantes e acólitos. Na prática, também eles foram sequestrados pelos banqueiros que controlam as finanças e os grandes negócios do planeta. Gente como um certo magnata nascido australiano, mas também com nacionalidade norte-americana e israelita, levou a imprensa a ser parte integrante do chamado complexo industrial militar que controla o mundo de fato, pela relevância de suas ações, como o uso continuado da mentira para desenhar cenários futuros, e para esconder da pessoas as faces do presente que os incomodam, além dos crimes perpetrados pelas ações, militares ou não, de seus sócios.

    A degradação do padrão de vida das pessoas na Europa e nos EUA, e a falta de perspectivas das nações que abrigam o grosso do complexo industrial militar diante de um mundo que caminha a passos largos para novos patamares de cooperação e solidariedade, estão desmoralizando paulatinamente, o chamado Consenso de Washington. Em 2013, farão cem anos que os EUA entregaram o controle de Fort Knox para os banqueiros e iniciaram sua corrida para trás, a despeito do exercício da hegemonia no Ocidente depois da Segunda Grande Guerra, e praticamente em todo o mundo depois do esfacelamento da União Soviética.

    Ao meu ver, o momento do rompimento do Brasil com as amarras que produziram a sujeição de nossa economia ao capital financeiro, está em algum ponto no futuro, quando se cruzarão as linhas que demarcam o crescimento das economias outrora periféricas dos BRICS, das nações que estão formando a Organização para a Cooperação de Shangai – SCO, e dos países da África e do Oriente Médio que emergirem da atual crise mais fortes e independentes do que antes, com as linhas que definem a queda das economias dos países hegemônicos – os colonialistas europeus e os EUA – cujos representantes – dependentes do financiamento de suas campanhas políticas para se manterem na representação do poder, e não no poder de fato – assistem, impotentes uns, jubilosos outros, ao desmantelamento da ordem social e econômica vigente nas sociedades das quais se dizem representantes.

    Nada disso ignora a presente conjuntura nacional e as ameaças reais – veladas ou não – que pairam sobre nós. Muito menos dispensa o debate e a crítica, a participação e a militância, o apoio ou a reprovação à maneira como o país está sendo conduzido. Na verdade, tal movimentação é o verdadeiro substrato que suporta o governo no poder. Ameaças reais sobre a economia, como a desvalorização da moeda e a subsequente desindustrialização estão sendo enfrentadas até aqui com sucesso relativo ao ver de muitos. Mas talvez seja o que pode ser feito à luz das circunstâncias em que tais fatos se dão. A imprensa nacional destacou por estes dias, suposto descompasso entre as visões de Mantega e Dilma sobre o câmbio. Eu teria destacado a preocupação de ambos com o tema.

    O aprofundamento, ou no mínimo a extensão da crise econômica, inevitável na Europa e nos EUA, farão surgir os espaços políticos e a urgência para que medidas mais efetivas sejam tomadas. Descontextualizar fatos políticos, econômicos e sociais para só então analisá-los, é ferramenta comumente utilizada para justificar pontos de vistas indefensáveis, ou criar teorias e dogmas descabidos, que são vendidos posteriormente como acontecimentos políticos, econômicos e sociais inevitáveis. Mas nada do que ocorre nestas esferas é obra da Natureza, exceto à do ser humano, que encontrou no capitalismo, uma solução para superar um estágio evolutivo anterior, quando já se revelava esgotado. Da mesma forma, o capitalismo tal como o conhecemos, permitirá o surgimento de outra maneira de ver e de fazer o mundo. É provável que a nova maneira traga em seu bojo a sobrevivência da espécie humana como parâmetro essencial. Esta é a razão do meu otimismo aqui exposto.

    PS.: Gostei do post, que detalha as razões de suas preocupações com o câmbio. A advertência velada de Mantega aos que estão apostando demasiado na chamada arbitragem da taxa de câmbio e a suposta tranquilidade de Dilma sobre o assunto, revelam preocupação com o tema, mas também a preocupação em não se deixarem tutelar. Eu gosto deste jogo de morde e assopra. Quem não gosta são os rentistas.

  21. pô Edu você é doido mesmo. Se ferra com essa questão aí do câmbio, mesmo assim apoia o governo com unhas e dentes e ainda tem que aturar os trolls de Campinas e alhures acusando-o de receber grana do PT. Haja.

  22. O assunto deste seu post foi econômico. Porém até em economia, alguns dos participantes arranjam um jeitinho de distorcer o entendimento do seu artigo. Mas deixemos de lado. Quero dizer que a economia é uma máquina azeitada. As engrenagens se encontram. Portanto, vaticino que… se vivermos mais uns 15 anos veremos uma reviravolta em todo esse estado de coisas. As reservas cambiais brasileiras, tão ciritcadas, farão com que nós sejamos promovidos. A China é carente de recursos naturais, e seres humanos não comem manufaturados; comem alimentos que só nós temos em escala e qualidade. O capital dos ricos procurarão portos mais seguros, pois algum dia, os chineses se comportarão como qq cidadão do mundo. Acredito muito no Brasil e com nossa adolescência democrática passada, o futuro reservas excelentes surpresas… Força Edu… também sou vendedor! Douglas Quina – Mogi Guaçu – SP

  23. Caro Edu. É interessante ler esse seu relato depois de ter lido o que escreveu Miguel do Rosário no Óleo do Diabo: 1) Os países que mais importam do Brasil são do grupo América Latina e Caribe; 2) Nosso principal produto de exportação são as autopeças. Vai entender! Então leia: http://oleododiabo.blogspot.com/2011/07/exportacoes-brasileiras-ate-junho-de.html

    • Relato o que constato no meu dia a dia, no segmento em que atuo há trinta anos. A teoria, na prática, é outra. Ainda são vendidas autopeças de grandes produtores que têm tecnologia avançada, mas a grande maioria das empresas, que é de baixa tecnologia, não só não consegue vender na região como também está fechando fábricas no Brasil e abrindo na China.

  24. Vamos ver se a medidas, tomada pelo governos hoje, surtem efeito a longo prazo… de imediato, o dólar subiu de 1,53 p/ 1,55.

    “Aposta na queda do dólar será punida, diz Mantega”

    http://br.noticias.yahoo.com/aposta-queda-d%C3%B3lar-ser%C3%A1-punida-diz-mantega-140700265.html

  25. Edu,

    Não é uma solução para o País, mas para o trader Edu: Talvez não seria o caso de começar a representar empresas de autopeças estrangeiras e por um tempo se tornar um importador?
    O dólar teria que deixar de ser a moeda forte do planeta, mas é dificil a decadencia de impérios.

    Abraço amigo.

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