Domine o déspota que vive em você

Os pressupostos básicos do regime democrático nem deveriam ter que ser escritos. A convivência pacífica e civilizada entre os que pensam de formas diferentes nem deveria ter nome. A nominação da coexistência entre contrários (democracia) pressupõe que princípios que deveriam ser tão lógicos e naturais quanto respirar, em uma sociedade, tiveram que ser enumerados porque as pessoas não são capazes de agir coerentemente por si sós.

A internet vai tornando clara uma faceta da natureza humana que os estudiosos da alma, em última instância, enumeraram, quantificaram, dimensionaram há séculos. Pensadores como Hannah Arendt, Zygmunt Baumann, Manoel Castells, cada um a seu modo e a seu tempo, contribuíram com a “Hipótese do Monstro” que habita cada um de nós e que, sob determinadas condições, pode se revelar.

Há um vídeo em que o professor da universidade norte-americana de Stanford Philip Zimbardo relata o “Experimento do Aprisionamento de Stanford”, no qual pesquisou reações humanas diante de condições de poder sobre semelhantes. O vídeo explica melhor condutas despóticas e até monstruosas que brotam em pessoas que, até então, poderiam ser consideradas “decentes”, “boas”, “civilizadas”.

Esse vídeo também explica ataque anônimo que minha filha doente sofreu recentemente em comentário postado neste blog. A menina tem doze anos, sofre de paralisia cerebral e está com a saúde gravemente abalada, sobrevivendo com home-care em casa. Isso, porém, não impediu que sofresse insultos e agressões de um comentarista que discorda do autor desta página.

Abaixo, o vídeo. O texto prossegue em seguida.

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Philip Zimbardo: Como pessoas comuns se tornam monstros… Ou heróis

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Note-se que o fator anonimato é o elemento desencadeador das reações despóticas e até monstruosas que podem nos atingir a todos nas condições “certas”, sobretudo quando nos são oferecidas desculpas para tomarmos atitudes que teríamos vergonha de tomar vestidos com nossas identidades sociais.

O sociólogo espanhol Manuel Castells, durante a década de 1980, passou a estudar o papel das novas tecnologias de informação e comunicação. Já na década de 1990 escreveu “A Era da Informação“, em uma trilogia publicada entre 1996 e 1998.

O primeiro volume da Trilogia chamou de “Sociedade em Rede – A Era da informação: Economia, sociedade e cultura”. Nesse estudo, idealizou o conceito de capitalismo informacional a partir da história do forte desenvolvimento das tecnologias e sua influência nas relações humanas. De certa forma, previu os efeitos que a internet, então impensada, exerceria sobre a natureza primal do homem.

Vários estudos recentes revelaram que, na internet, as pessoas vão se aglutinando em redes sociais, dividindo-se em grupos que se identificam e unem em torno de dogmas, crenças, preferências comuns, muitas vezes passando a atuar como facções em questões como competições esportivas ou em política e ideologia, rejeitando cada vez mais fortemente o pensamento contrário.

Na rede social Twitter, por exemplo, tem sido possível mensurar com precisão os movimentos de adesão ou afastamento que a difusão das idéias de alguém gera.

Através dos “seguidores” que cada membro da rede ganha ou perde, percebe-se que uns passam a “seguir” outros que manifestam idéias com as quais aquela pessoa concorda. Quando aquele que parecia pensar igual diz alguma coisa que contraria tal premissa, perde o “seguidor”. Da mesma forma, uma frase com a qual se concorda pode bastar para alguém começar a ser “seguido” por quem concorda com aquele ponto específico das idéias daquela pessoa.

A blogosfera também deixa bastante evidente essa aglutinação em tribos que vai separando as pessoas na era moderna, valendo-se, sobretudo, da identificação mútua com premissas macro-ideológicas. Um termo foi desenvolvido para aquele que entra em fóruns da internet para se contrapor à maioria que pensa de determinada forma. Troll é uma figura grotesca do folclore escandinavo que passou a designar aquele que diverge nesses fóruns.

Apesar de que há aqueles que entram em fóruns de discussão com o propósito malicioso de fazer as pessoas insultarem e perderem a elegância, aqueles que entram simplesmente para apresentar opinião oposta também acabam sendo incluídos no estereótipo. A esse fenômeno segue-se vontade da maioria de eliminar a discordância, assim como no Twitter deixa-se de seguir quem “muda de lado” ou descobre-se que, na verdade, não pensava igual em tudo.

A rejeição ao diferente vai transtornando as pessoas e o anonimato vai cuidando de transformar um pai de família, por exemplo, alguém pacato e cumpridor das leis, em alguém despido do mínimo de sensibilidade humana, capaz de atacar uma criança inocente e gravemente enferma só para se vingar daquele que expõe idéias “insuportáveis” para a vítima desse surto de intolerância.

Mesmo aqueles que não chegaram, até aquele momento, a adotar alguma atitude grotesca e até desumana diante do inconformismo com idéias antagônicas, esses já deixam ver a faceta que todo ser humano tem e que alguns conseguem conter mais e outros, menos. Ao fugirem dos que pensam diferente e se aglutinarem aos grupos supostamente concordantes, adotam uma conduta despótica de não suportar a divergência.

O drama dessa tendência que vai ganhando corpo na internet em progressão geométrica é que na vida é praticamente impossível que as pessoas concordem em tudo. A divergência é a regra entre os seres humanos. Pode ser nos gostos culinários, artísticos, culturais, de indumentária… Duas pessoas com a mesma ideologia política facilmente torcerão para times diferentes, por exemplo.

A ditadura militar que se abateu sobre o Brasil por duas décadas não foi nada mais, nada menos do que a condição de poder desbalanceado que havia em um dos lados. Assim como no estudo que o leitor assistiu no vídeo acima, pessoas decentes das Forças Armadas, sob a desculpa de uma “revolução” que combateria a “ameaça comunista”, converteram-se em autômatos monstruosos ao se despirem das próprias identidades vestindo uma farda.

Há um exemplo prosaico que exemplifica bem os estudos que fiz. Por certo todos já conheceram alguém que se transforma ao assumir a direção de um veículo automotor. A moça delicada, gentil e educada se transforma em alguém que xinga, esbraveja e comete até imprudências, muitas vezes avançando sobre pedestres, fechando outros veículos, buzinando descontroladamente etc.

O grande desafio civilizatório de uma nação, pois, é o de ela aprender a divergir de forma civilizada e produtiva, de maneira que dessa divergência brotem decisões, políticas públicas, leis, costumes aceitáveis para todos os lados ainda que ninguém possa se considerar plenamente satisfeito. A esse estágio de uma nação foi dado o nome de Democracia, na qual a grande maioria aprendeu a “suportar” o diferente.

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82 Comentário

  1. Substancial, conteudístico, enfim, denso. Essas são as qualidades do texto de hoje acima publicado e de autoria de Eduardo Guimarães.

    Quando, na democracia, verificamos inúmeros problemas, só há um remédio: mais democracia!

    É paradoxal essa constatação, mas não deixa de ser verdadeira e historicamente aferível (seja por um viés negativo: ditadura; seja por um viés positivo: histórica redução brasileira da desigualdade social e da fome [no caso da fome, a eleição de José Graziano da Silva para a direção da FAO é paradigmática]).

    • Sim novos paradigmas. Incoercivel a construção de um Pais rico é um pais sem pobreza. Eis um anatema que gradualmente conquistamos. A diminuição da desigualdade de renda das familias. Educação, democracia, transparencia. Superação da radical polaridade. Ambos Estado e Mercado eficazes.

  2. Prepare-se Eduardo, vais tomar mais umas indigestas!

  3. Gostei muito.Preciso, claro e sereno. Parabéns!

  4. Grande parte do comportamento animal, incluindo o humano, pode ser induzido pela educação, ou deseducação. Percebo claramente no Brasil a grande indução raivosa provocada pela Veja, por exemplo. Conheço muita gente educada, de bom grau de instrução, boa convivência familiar e até religiosa, que, leitores assíduos daquela revista, alimentam um ódio quase incontido por Lula e PT, ódio que acaba se estendendo para os eleitores de Lula e Dilma, além de alimentarem um sentimento derrotista em relação ao Brasil, crendo piamente que nosso país, bem como seu povo, são irremediavelmente imprestáveis e incapazes. É impressionante como é perniciosa essa nossa “grande ” mídia.

  5. Edu, parabéns pelo texto e pela boa abordagem. Nesse momento em que vivemos, depois das nefastas consequências geradas pela intolerância que experiência histórica nos demonstra, é triste saber que ainda nos deparemos com ocasiões que o ser humano, mesmo o anônimo, tente levar o seu semelhante a uma condição “desumanizante”.
    São considerações e atitudes com a sua que nos faz refletir sobre o que precisamos fazer, enquanto sociedade, para realmente vivermos um adequado processo civilizatório.

    Forte abraço!

  6. Eduardo, gostaria que você publicasse esse artigo do Blog do Mello referente ao filho que FHC reconheceu numa relação extra-conjugal alguns anos atrás e que agora descubriu-se não tratar-se de seu filho!

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    No Reino da Cornualha, a triste história de Fernandus, de Príncipis a Cornus

    Do Blog do Mello, postado em 27 de junho de 2011

    Há muito tempo, no Reino da Cornualha, havia um príncipe, por todos tido como muito sábio e galanteador. Seu nome, Fernandus, O Príncipis.

    Mas, numa época, uma nuvem de pó tomou conta da Cornualha e um outro Fernandus, O Aspirantis, chegou ao poder. Alucinado pela quantidade de pó aspirado, Fernandus passou de Aspirantis a Aspiradus, até que fosse destronado por um golpe comandado (à sorrelfa), por Sarneysus, O Longus.

    Em seu lugar assumiu Francus, o Topetus, que cometeu o erro histórico (historicus errus est) de nomear Fernandus, O Príncipis, ministro da Cornualha.

    Seguiu-se longo período de trevas (trevus períodus longus est), em que Fernandus, O Príncipis, tornou-se Fernandus, o Régis, que reinou por dois terços de glosa.

    Foi um período nefasto do Reino da Cornualha, quando todos os bens foram privatizados (privatizados fuderus est), mas a grande lábia (financeirus lábius est) de Fernandus fazia com que o povo o visse como um grande rei (regis narizus grandis est) e a corte imperial (empresarius, bancus e corporativus midius est) lucrassem horrores com a miséria que se abateu sobre o reinado.

    Mas, o que nunca se soube é que todo esse sofrimento da Cornualha poderia ter sido evitado, se um simples caso amoroso (cercas pulatus est) fosse levado ao conhecimento da população.

    Fernandus, O Régis, também era um conhecido galanteador (vaselinus est) e costumava convencer as mulheres que dele se aproximavam (de empregadas domésticas a jornalistas) de que não havia nada de mal em terem uma conversa privada (coitus qui loucurus est) com ele.

    De uma dessa conversas privadas, teria ficado grávida (marias chuteirus versonis politicus est) uma jornalista da principal rede de comunicação (povus nom bobus Globus est).

    Desespero no reino. Fernandus era casado com uma homóloga (casadíssimus est) e o escândalo poderia abreviar seu reinado, o que traria enorme prejuízo à corte (empresarius, bancus e corporativus midius est).

    A jornalista foi enviada para longe, em missão incerta e não sabida (mordomias infinitus desde que de bicus caladus est). Assim foi feito.

    O povo foi mantido em real ignorância (R$, moeda Real est) e Cornualha (para outros Cornuália ou terras Brasílias est) quase foi à bancarrota, até que o reinado de Fernandus, Coitus Ocultus, chegou ao fim.

    Só então, passado seu período de governo (herança malditus est) e logo após a morte de sua esposa, Fernandus, de novo Príncipis, resolveu assumir a paternidade.

    Mas, agora, exames de DNA (porras sua nom erus) mostraram que o filho que Fernandus reconheceu não era dele. Mais um erro de avaliação (cagadas grandis est) do homem a quem tanto se elogiava sabedoria e boa prosa (vaselinus KY est).

    Se o caso fosse esclarecido na época tudo poderia ser diferente, e Fernandus, O Cornus Régis, seria apenas expulso de casa pela esposa (patroa portu da rua est) e talvez apeado do governo, tal e qual o outro Fernandus, e o povo da Cornualha não se sentiria chifrado sem ter sido traído.

    Dura lex, sed lex, no cabelo só Gumex (pentelhus outrus paparam jornalista, papagaius comis milhus periquitus fama est), e o povo pagou o exílio da jornalista (mordomias infinitus desde que de bicus caladus est) e agora o chifre de Fernandus, o Cornus.

    Tudo isso aconteceu no reino da Cornualha, mas para a imprensa livre e democrática (corporativus midias canalhus est) é como se nada tivesse acontecido (Nom erus uma vez est).

  7. Você pegou um episódio doloroso e pessoal e transformou em um belíssimo tratado. Meus cumprimentos.

  8. Concordo plenamente Edu. Não concordei em grande parte com sua posição a respeito do caso Palocci, mas daí, ficar puto e romper o diálogo não teria realmente “nada a ver”.
    Acontece uma coisa curiosa em se tratando daquela gente que entra para avacalhar blogs de engajamento e opinião como o seu, muitas vezes posam de “interessados discordantes” apenas pra disfarçar seu real interesse: discordar por discordar, ou seja, avacalhar.
    Acho que os chamados blogs progressistas agem de forma democrática, não existem até onde eu sei “falsos consensos”, como na velha mídia (bom exemplo disso é o já citado caso Palocci).

  9. Educação,e sobretudo regras,limites,leis,obrigações e direitos ,que sejam iguais,lineares a todos,que a excepcionalidade seja,não por razão social,cultural ou econômica.No Brasil alem da educação,temos que primordialmente acabar com a impunidade liquida e certa a quem é rico ou influente,o topo da piramide.Não existe civilidade humana,sem que se tenha limites e punições seja a quem for por descumpri-las.Nos levaremos um bom tempo ainda para evoluir como espécie,mas isto só se dará com estas duas vertentes,educação e regras que sejam espeitadas,não temidas.A história tem mostrado o quanto ainda somos bárbaros,selvagens,monstruosos até,em que toda a segregação.em todos os níveis é uma muleta em que apoiamos as justificativas aos nossos desejos mais primários e abjetos.

  10. Mais uma vez parabéns, e sei que como eu o latido feroz daqueles que sempre foram tratados assim, não calará nem tornará rancorosa sua “nossa” missão.

  11. Eduardo, acredito que o ataque sofrido por VItória foi fruto de pessoa que tem muito medo, que ele provavelmente não sabe que tem. O medo é o causador de todo sofrimento que uma pessoa infringe a outra, seja agressão verbal ou física, seja medo de demonstrar fragilidade emocional, seja medo da morte, medo da dor, da perda, de demonstrar medo, medo de parecer idiota, o que seja, mas é o MEDO a origem das maldades que nossa espécie pratica. Infelizmente a civilização humana, que está na UTI por causa do medo, não tem consciência disso e nem quer ter.

  12. Perfeito Edu! Acho que podemos chamar isso também de se ter empatia! Veja o que diz essa fonte:

    Pessoas que sofreram traumatismo craniano frontal e psicopatas têm mais em comum do que se possa imaginar. Estudo da Universidade de Haifa, em Israel, mostra que ambos têm dificuldade de demonstrar empatia. “Nossos resultados mostram que as pessoas que têm sintomas psicopatas se comportam como se eles estivessem sofrendo uma lesão cerebral frontal,” disse o Dr. Simone Shamay-Tsoory, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.
    A psicopatia é um distúrbio de personalidade. Geralmente quem é acometido por esse problema apresenta comportamento anti-social extremo e pratica danos intencionais aos outros, incluindo a falta de compaixão e empatia.

    http://www.espacoholos.com.br/noticias_interna.aspx?id=480

  13. O conflito de ideias\interesses só não existiu na ilha do Robson Crusoé (enquanto este não encontrou o índio Sexta-Feira).

    A internet é apenas mais um veículo que possibilitou a evidência dessa característica humana.

    Mas de fato o poder potencializa o exibicionismo humano e revela facetas da personalidade. Ainda mais em tempos de discussões sobre Direitos.

    Caso recente, emblemático e chocante, é o da deputada estadual Míriam Rios-PDT-RJ.

    Antes uma mocinha de rosto lindo que, com todo o direito que lhe assiste, é óbvio, chegou a fazer uso da sedução de sua beleza para ganhar dinheiro, hoje, vestida do cargo de deputada estadual, e missionária da aglomeração Canção Nova, faz discurso falso moralista relacionando homossexualismo com pedofilia e ainda atribuindo a pecha de pedófilo a babás e motoristas. E revelou uma ignorância absurda sobre o que estava sendo votado na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

    No momento não tenho como disponibilizar o vídeo mas encontra-se no blog mariafro.com.br na matéria “Para o bem da mãe Myrian Rios ela virou deputada e não babá”. Confiram.

    Assisti, fiquei surpreso, e abismado.

    • Com todo respeito a quem concorde com o simulacro de reflexão regurgitado pela Deputada e não pretendendo aqui retirar-lhe, total ou parcialmente, o direito de fazê-lo, é de uma ignorância bucólica a “defesa da procriação” heterossexual com o ataque à homossexualidade associando-a à pedofilia como se na heterossexualidade isso não existisse.

      Com efeito, às vezes, a publicidade é enganosa. Discursa sobre o amor ao próximo, trazendo mandamentos religiosos que lhe interessam, mas age em oposição a isso.

      Beira à comicidade o momento em que sugere a misericórdia divina em relação àqueles que “optam”/”escolhem” a sua orientação sexual. A ignorância é tanta que trata orientação sexual e opção/escolha sexual no mesmo tom, sendo que numa rápida pesquisa no Wikipedia é possível a seguinte constatação:

      “O termo orientação sexual é considerado, atualmente, mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual. Isso porque opção indica que uma pessoa teria escolhido a sua forma de desejo, coisa que muitas pessoas consideram como sem sentido. Assim como o heterossexual não escolheu essa forma de desejo, o homossexual (tanto feminino como masculino) também não, pois, segundo pesquisas recentes esta orientação poderá estar determinada por factores biogenéticos, sejam questões hormonais in utero ou genes que possam determinar esta predisposição. É importante esclarecer que há grande imposição do modelo heterossexual para todos. Em alguns casos, pode não existir a preocupação em conhecer o nível ou qualidade de vida afetiva, nível de prazer ou felicidade que uma pessoa possa ter, mas sim que ela deveria ser heterosexual. Por conta dessa forte imposição, muitas pessoas podem encontrar alívio dos desejos homoeróticos na religiosidade fanática, nos remédios, nas drogas ou mesmo, adotando um padrão escondido ou de vida dupla: No seu entorno social e familiar assume um comportamento heterossexual e num mundo privado permite-se exercer a sua homossexualidade, situação esta que cria um maior ou menor conflicto interior e assim as suas repercusões posteriores nesse ser humano.”

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Orienta%C3%A7%C3%A3o_sexual

      • Correção: beira (verbo transitivo direto) a comicidade.

      • São tantas as aberrações ditas no discurso da deputada Míriam Rios que merece um post exclusivo sobre o caso.

        Como disse, a internet é apenas mais um veículo que possibilitou a evidência dessa característica humana. Pessoas quando em grupos ficam vulneráveis a expor o que carregam na essência.

        Outro exemplo bizarro é o caso do todo inteceltual Ed Motta que desandou a proferir, na internet, preconceitos contra nordestinos.

        • Pelo que vi, ele se retratou do ocorrido e disse que errou.

          Mas é bom lembrar ele tem letras extremamente profundas, como por exemplo:

          “Duruditsadsu! Durudidididiidi! Iihihiih! Uuuuh! Yeaaah!”

          Fora de brincadeira, considero ele um bom músico.

          Contudo, realmente, foi de extrema infelicidade o episódio das ofensas/ironias.

        • Gerson,tambem podemos citar como exemplo as imperdoaveis palavras do Lobão, quando ele menosprezou o sofrimento das pessoas que foram torturadas pela ditadura.O que ele disse foi tão cinico e cruel que me causa nojo em repetir. Um forte abraço

          • Segundo Evandro Mesquita toda vez que o Lobão está lançando algum CD (no caso foi o livro) ele começa a metralhar besteiras. É a mesma tática usada pelo Caetano Veloso.

    • O Video foi colocado no YAHOO e tambem ,segundo o YAHOO no YOUTUBE,e teve quase(até esta hora) quase 1900 comentários,dei uma pssada rápida em vários,fazer uma amostragem,e é nestas horas que se vê o quanto nossa sociedade é conservadora e mal (in)formada,a maioria a favor desta figurinha e de seu discurso preconceituoso,Os comentários foram tão ou mais preconceituosos e ofensivos.Se já me deu asco o discurso dela,é nojento ver o quanto de eco dá este tipo de esgoto,Repetindo parte de meu comentário aqui neste post,nós temos ainda muito,mas muito que evoluir como espécie,os que consideramos”diferentes”,e que na verdade são parte da nossa diversidade,se quer matar,acabar ,extinguir.Me deixa mais triste,esta óbivia constatação do que é a sociedade brasileira.ou pelo menos parte dela,são os bolsonaros,mangnolis,kamel,jabour,cantanhede e vejas da vida,temos que conviver com este lixo em um pais,hoje mais do que nunca ,maravilhoso como o Brasil.

      • Enquando vivos, esses elementos malígnos aprontam, sacaneiam pra valer, não respeitam sentimentos.
        Quando morrem, nos é exigido o silêncio como “manifestação de respeito”. Querem nos impor o cerceamento de sentirmos alívio.

  14. O anonimato faz aflorar os piores sentimentos e as piores ações.
    Antes da internet isso era facilmente perceptível onde houvesse grande aglomeração humana que tornasse impossível a individualização das pessoas. Como o torcedor de futebol na arquibancada lotada do estádio que, no anonimato de fazer parte da “massa”, era capaz de atirar uma pedra no jogador ou no bandeirinha. Ele nunca teria coragem de fazer isso se estivesse identificado.
    A internet é apenas uma forma nova de possibilidade de dar vazão a sentimentos menores de forma anônima e covarde.

  15. Perfeito, Eduardo, concordo integralmente.

    O mais incrivel é que as pessoas que só sabem discutir de forma agressiva e/ou sarcástica não percebem que seriam mais ouvidas se argumentassem com respeito, civilidade e educação.

    Quando se começa a ler um texto truculento e sem argumentos minimamente apresentados, inevitavelmente passamos a encarar o texto com má vontade. Os “trolls” parecem ignorar esse efeito.

  16. Lendo teu texto e os comentários de teus leitores, penso que nosso maior problema com o uso da net, é não sabermos ler!
    Hoje queremos escrever, expor nossa opinião, mas esquecemos de ler , de entender, de tentar saber, o que o outro quer dizer, realmente!!
    Ao invés de colocarmos nossa energia em julgar o texto, poderíamos nos preocupar mais em colocarmos a energia do amor em frente a nossos olhos leitores…
    Com certeza, seríamos mais afetuosos, mais humanos e aí, sim, escreveríamos coisas que valeria à pena ser lido…Como o lindo texto que escrevestes.
    Parabéns pela imparcialidade (eu diria pelo amor) com que conduzistes o tema do teu texto.
    Um abraço

    • Não querendo ser policialesco gramaticalmente, é-me inevitável a observação construtiva na busca de uma melhor adequação (para falar numa linguagem “mequiana” – MEC).

      Usas a 2.ª pessoa do singular como forma de tratamento, passando para a 2.ª pessoa do plural nos seguintes verbos: “escrevestes” e “conduzistes”.

      Assim, por exemplo, é

      “Fizeste ou fizestes?

      Manuel, fizestes o que eu te disse?

      Erradamente, tal como na frase acima enunciada, emprega-se para a segunda pessoa do singular (tu) a forma correspondente à segunda pessoa do plural (vós). Com efeito, a segunda pessoa do singular do pretérito perfeito termina em –ste:

      – (tu) falaste
      – (tu) perdeste
      – (tu) fugiste

      A forma da segunda pessoa do plural do pretérito perfeito termina em –stes:

      – (vós) falastes
      – (vós) perdestes
      – (vós) fugistes

      Assim:

      – Manuel, fizeste o que eu te disse?
      – Manuel e Maria, fizestes o que vos disse?”

      http://emportuguescorrecto.blogs.sapo.pt/21209.html

      • Com todo amor: vá ser pelinha assim na grota.

      • Caraca, a pessoa merece ter o comentário criticado apenas pela gramática ? Quanta soberba!!!!!!!

        • Não considero soberba, mas respeito sua opinião.

          Procurei contribuir com um assunto paralelo ao comentário, apenas numa atitude construtiva, ao contrário, quer-me parecer, com o devido respeito, do seu “agir comunicativo” (Habermas).

          • Pô, agora vc foi incompleto em sua “ilustração”.
            Acho que deveria ter grafado no final, entre parênteses: (HABERMAS, Jurgen. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989).
            Dar referência pela metade é o mesmo que errar na conjugação, hehehe.

          • Tempestade num copo d’água. Policiamento comportamental.

            A 2.ª pessoa é difícil mesmo de conjugar.

            Falar termos estrangeiros é ser “moderno”; valorizar a nossa língua, num espaço feito exatamente para o debate, é chatice e soberba.

            Canso de errar e continuarei a fazê-lo. Inclusive, neste debate, coloquei crase onde não devia.

            Considero que fui suficiente em ilustração e referência.

  17. Vamos por partes : O que esse canalha fez com sua filha é uma monstruosidade e ele deve se preso e apodrecer na cadeia! Vermes como esse, e como os trolls que relincham neste espaço, têm que ser repudiados com dureza, já que são bandidos que pretendem censurar o debate com suas ameaças e tentativas de demoralização! Quando uso o termo “troll”, refiro-me àqueles imbecis que aparecem em espaços como este(e gostaria de entender o porquê de você continuar a publicá-los!)para atacarem através de xingamentos, ofensas ou da ênfase em detalhes insignificantes dos textos alheios, àqueles de quem discordam, que normalmente são as pessoas com visão política progressia, uma vez que a maioria dos trolls são remunerados e só a direita, proprietária dos meios de produção, tem recursos para sustentar esses pilantras(poucos são suficientemente doidos para passarem o dia gratuitamente atacando os textos dos outros, sem escreverem nada com conteúdo próprio). Aquele que entrar em um espaço para divergir do conteúdo ali postado, principalmente no caso de preocupar-se em divergir do conteúdo do blog e não em patrulhar os comentaristas, praticando essa divergência através da argumentação racional, nunca pode ser confundido com um troll e sua atitude deve ser louvada como salutar para a construção democrática, por mais que discordemos veementemente do que disse. Quanto aos “seguidores” : não gosto de redes sociais(tenho conta no twitter, mas não a uso há muito tempo). As acho superficiais, tolas, e incapazes de conduzir a uma construção intelectual minimamente interessante. Pessoas que, em redes sociais ou em quaisquer outro local, abandonarem ou apôiarem alguém apenas por causa de um detalhe mínimo; a concordância com uma afirmação, por exemplo; revelam uma fraqueza intelectual e uma intolerânbcia que de fato as tornam “candidatos a monstros” em potencial, fanáticos, idiotas por cujo apôio nunca devemos procurar, uma vez que, como tudo que deles se originar, sua adesão será fugaz e sem consistência. São essas pessoas, como já disse, que em situações extremas revelam-se monstruosas, até porque os valores morais também não são de fato solidificados nelas, cuja fraqueza interior tona tudo inconsistente. Sem nem de longe quere negar que temos no mínimo uma lado sombrio em nossa natureza, observo que pessoas com solidez moral têm a capacidade de dar um limite ao ódio, à violência e à agressividade que todos possuímos, geralmente moldando-os até antes do limite da crueldade e da atrocidade. São essas pessoas que jamais, mesmo em situações extremas, irão se tornar os monstros, os quais acabarão por surgir nos de natrureza mais fraca. Lembrando que, além da fraqueza, essas naturezas destacam-se pela covardia(não é à toa que no brilhante filme O Baile, Ettore Scolla dá ao personagem do “tímido” o papel de nazista, quando da chegada daquele horror à Europa. É claro que o tímido é um esteriótipo, mas serve para mostrar-nos que os mais fracos interiormente acabando virando monstros). E como evitar que surjam esses monstros, já que o espetáculo humano sempre produzirá fracos e fortes? Montar uma Sociedade onde a educação de valores, e falo em valores sociais, por isso a necessidade de combater-se o individualismo capitalista, seja a base para a consolidação moral de um novo ser humano, no qual os fracos possam espelhar-se para conter o mal que possuem dentro de si.

    • Nossa, que brabinho !!

      • Só pode ser o ‘dono’ do retrato do texto. Francamente.

        • Ramiza : Evidentemente a “metade-monstro” do retrato do texto foi inspirada na tua cara! Tanto na exterior como na interior. E olha que essa consegue ser muito mais feia do que a externa(que já é horrorosa), feiúra que pode ser percebida pela quantidade gigantesca de merdas, de horrores, de imbecilidades que você relincha neste espaço. Pelo que tive o desprazer de ler nos inúmeros ataques que você inutilmente me fez, posso concluir que você é reacionária, é contra qualquer proposta de evolução nos costumes, tem sérios problemas afetivos, é um poço de ódios e recalques, além de possuir uma dificuldade monstruosa em conviver com as diferenças. Sobre essa dificuldade, percebo que origina-se exatamente na enorme inconsistência e no vazio interior que possui, o que te faz não ter firmeza nem mesmo no que diz acreditar, deixando-te em pânico diante do diferente por ver nele um ameaça, a possibilidade pavorosa de uma “conversão” que surge na mente(você tem isso?)de alguém sem convicções definidas(sabe o “candidato a monstro” que cito em meu texto? Você é um exemplo perfeito desse ser miserável, chafurdando em sua fraqueza e podendo, exatamente por essa fraqueza, virar um perigo para o restante da Sociedade). Nem sei o que você é, se de fato é uma mulher(tenho tanta admiração e respeito pelas mulheres, reconheço-lhes a força interior, que tenho dificuldade em admitir que desse gênero maravilhoso possa ter surgido uma coisa como você), mas tenho certeza absoluta de que necessita de um tratamento psiquiátrico urgente, além de ser digna de uma enorme pena.

      • Mário Soto : Queria ver se você viria com essa piada imbecil, seu troll de merda, se fôsse a sua filha a vítima de um monstro como esse! Monstros como o animal citado no texto(recuso-me a citar o horror que ele praticou pois, ao contrário de você, ações como essa me enojam)originam-se do grupo a que pertencem safados como você, amebas sem cérebro incapazes de conviver com a discordância, de dela participarem racionalmente através do debate de ideias, preferindo a prática imbecil de tentar patrulhar os comentários alheios com observações idiotas e medíocres, feitas evidentemente pelo fato de que não têm uma mínima ideia dentro de seus cérebros vazios e precisam garantir o capim diário, pago pelo PSDB e pelo PFL, provando a seus amos que estão combatendo os que pensam, embora esse combate seja inútil e só sirva para mostrar o quanto você e os outros animais da tua laia são patéticos!

    • Carlos Henrique
      Teu comentário é longo, não li todo mas peguei o fio da meada.
      Quero apenas dizer que os TROLLS (trollxas) serão mais facilmente civilizados
      nos blogs democráticos e progressistas, pela convivência eclética, do que mantidos confinados
      nos blogs tipo Reinaldo Cabeção e Corno Noturno, pois lá é uma “escola” de pensamento único
      e troglodita acima de tudo. Certamente o ofensor da linda VITÓRIA fez “mestrado” por lá.

      • Reinaldo Azevedo trata-se de tumores na cabeça. Tratá-lo de Reinaldo Cabeção é igualar-se àqueles que ofenderam a filha do Eduardo.

        • Respondi abaixo, mas acrescento. A diferença entre Reinaldo Cabeção e Vitória são anos luz de diferença. Você está nivelando a situação da linda Vitória por baixo ao comparar com o “jornalista dos 50.000 motivos”

      • Betinho : Aconselho você a, caso queira ter um debate aprofundado com quem quer que seja, ler todo o texto; por sinal, meu comentário não é longo ou curto, tem apenas o tamanho adequado para o que desejo expressar. Agradeço de qualquer forma suas palavras, mas delas discordo. Não acho que esses canalhas, que tentam tumultuar espaços como esse com imbecilidades, negando-se a exercer a contestação democrática e racional, tenham qualquer interesse ou possam vir a ser convertidos em seres inteligentes. São baderneiros assalariados, pagos pela direita para tentarem censurar a liberdade da INTERNET, a qual os conservadores não podem domar, nem com violência a que estão secularmente acostumados, nem com os recursos financeiros que possuem graças à exploração da maioria dos brasileiros. Portanto, mantenho minha posição(e minha crítica a este blog por essa prática)referente a que esses animais não deveriam ser publicados, exigindo-se para a publicação não a ideologia do comentarista(seria ótimo que conservadores aqui aparecessem para um debate racional), mas o interesse em promover um discordância saudável e eficaz. Ainda reforço meu apôio às palavras da comentarista Ademilde : não devemos descer ao nível de um canalha como Reinaldo Azevedo, como também devemos ter compaixão por todos, e por isso repudio o uso que você fez do deboche diante de um problema de saúde dele.

        • Para mim é novidade essa história de “tumores” na cabeça do Reinaldo, portanto fui pesquisar e encontrei um relato dele próprio, em que escreve o seguinte:

          “Já escrevi hoje sobre Lula, Evo Morales, Chávez, a mulher barbada e os anões xifópagos. Tenho receio de começar a desenvolver uma relação doentia com este circo de horrores. Um querido amigo e eu não vemos a hora de o Apedeuta cair fora pra gente mudar de assunto e tratar de outros tumores.”
          http://www.velhosamigos.com.br/Autores/reinaldoazevedo.html

          Lembro ainda da torcida dele e seus assemelhados, o quanto torceram para que o câncer matasse Dilma, assunto que foi matéria na blogosfera e inclusive comentado pelo Edu, aqui.

          Quando chamo Reinaldo de “Cabeção” não é pelo fato de ele ter tido(?…não está claro e só soube disso agora) tumor na cabeça, mas por ser um reacionário cabeçudo.
          Portanto, não tenho nenhum escrúpulo em assim nomeá-lo, até porque ele é useiro e vezeiro em tipificar pejorativamente e torto e a direito.

          • Betinho : Entendo e apóio sua indignação contra Reinaldo Azevdo(e tenho certeza que também diante de outros da mesma laia). O cara não vale nada, é pernóstico, canalha, imbecil, boçal e recalcado. Como também é verdade que, além do tratamento sórdido que dispensava a Lula(e que deveria ter-lhe levado à cadeia, uma vez que incorreu incontáveis vezes nos crimes de injúria e desacato à autoridade), torceu doentiamente para que Dilma estivesse com problemas de saúde, o que também já deveria levar-lhe a uma condenação penal e aos repúdios profissional e moral da Sociedade. Contudo, volto a insistir que não devemos descer a esse nível, caso seja verdade a informação de que Azevedo está com um tumor na cabeça, dada por uma comentarista. Devemos sim esculhambá-lo, agredí-lo quando ele desfere suas baixezas contra Lula, Dilma, mas até a agressividade tem limites, os quais, não chegam aos níveis de um verme como ele; assim podemos até meter a mão na cara de Azevedo e de outros pilantras da mídia(e olha que sinto vontade de fazê-lo a todo instante), mas não devemos nos tornar monstros, não vamos chafurdar em cima da doeença de quem quer que seja. Entendi que você não teve essa intenção, mas aproveito um mal entendido para lembrar que confusões semânticas como essa podem ser aproveitadas pelos reacionários para desviar o foco dos objetivos da esquerda ou tentar incutir-nos a mesma truculência e desumanidade que combatemos na direita. Fora isso, independentemente de algumas divergências, parabéns por sua participação inteligente nessa luta de todos nós.

          • Carlos Henrique
            Veja sua incoerência:

            “…assim podemos até meter a mão na cara de Azevedo…”

            pergunto: e explodir o tumor com a agressão física?…preservar o tumor da gramática e detoná-lo na porrada?

  18. Eduardo,
    Parabéns pelo belo texto. Tanto na forma como no conteúdo.
    O ser humano, indistintamente, sempre busca o Poder, aí entendido, a capacidade real ou não de criar e mudar as coisas. O progresso sócio-científico nada mais é do que o fruto dessa busca. Queremos Poder para entender, mudar e controlar o meio-ambiente e nossos semelhantes. E o resultado desse esforço potencializa a busca mais Poder numa escala infinita.
    Sob contrôle, essa impulsão – fermento da vida e do progresso – é salutar e desejável. A coisa desanda de vez quando se faz uso dela para desconstruir ou destruir.
    A internet, dado os seus imensos e diversificados recursos, o que de certa forma induz aos que dela fazem uso uma sensação de onipotência, tem se revelado, nesse sentido, a instância preferida por aqueles fracos de espíritos, tarados e covardes, e exemplo dos que atacam sua filhinha para atingí-lo.
    Se fomos penalizados, sei lá por quem, a convivermos com esse viés dual de personalidade, cabe-nos domar e abafar o lado do monstro e sublimar o lado da bondade. Esse é o apanágio do processo civilizatório.
    E eis a contradição: valer-se de um instrumento da evolução da civilização e potencial instrumento para o bem-comum para fazer o mal.
    Triste.

  19. Eduardo, perfeito. acredito que dentro de nós coexistem as tendências mais nobres e positivas e a pior monstruosidade, compondo uma amálgama de difícil interpretação e que poderá assumir formas que tendem a uma ou outra direção, dependendo sempre do meio onde transcorre, ou transcorreu até certo ponto, nossa vida. Uma questão particularmente importante é o Poder, que sabidamente leva algumas pessoas a perderem a noção de ética e ignorarem o limite do tolerável. Em princípio, não somos nem bons, nem maus; mas tábulas rasas onde o meio deixará sua marca, marca indelével. E a Internet é mais uma extensão do espaço ocupado por nós, humanos, onde se verificam as mesmas particularidades que ocorrem em nosso espaço e ambientes físicos. Resta refletir se o ambiente no qual habitamos, se esta sociedade da qual fazemos parte, se os valores que adotamos exercerão uma boa ou má influência sobre aqueles que ainda estão formando sua personalidade… No meu modo de ver, são bastante preocupantes os eventos mais ou menos regulares que se verificam lá nos Estados Unidos, com um caso recente ocorrido aqui no Brasil, quando pessoas jovens tomam uma arma e atiram indiscriminadamente contra colegas, professores ou transeuntes… Imagino que tais ocorrências, ou mensagens como essa que você recebeu, sejam indício forte de que nossa cultura e sociedade são bastante adversas ao convívio sadio entre as pessoas. Tais eventos são um chamamento à razão… Hora de parar e refletir. É isto mesmo que queremos? Estamos dando a nossos filhos um meio sadio onde crescer e se desenvolver? Tenho sérias dúvidas a respeito.

  20. Edu, aproveitando o link, vc pode escrever alguma coisa sobre os ataques dos hackers? vc nao acha que eles têm a intenção de ajudar a aprovar o AI5 digital e inibir/intimidar comentarios contra o PIG na blogosfera?

  21. Caro Eduardo
    No Brasil, o confronto de idéias ainda é muito recente, a sociedade do pensamento único perdurou durante séculos, agora com a Internet isso avança e nem todos aprovam, em especial os que sempre comandaram o país.
    Mas há setores da classe média, que falar em Lula, Dilma, MST é declaração pura de guerra. E pelo que percebo, eu não mudo, para apoiar o Maluf, e eles não mudam, apoiando Lula.
    Esses conflitos nunca irão acabar.
    Saudações

  22. belíssimo texto! como a maioria dos q li aqui.
    sou sua leitora a cerca de um ano, mas devo confessar que sou de poucas palavras,por isso escolhi as imagens como forma de expressão, sou repórter fotográfica, e pouco comento o q vc escreve. mas gostaria q soubesse q são textos como esse, pessoas como vc, q me ajudam a manter a sanidade mental diante disso q estamos vivendo.
    com todo carinho e respeito um beijo p/ vc, Vitória e toda família.

  23. Acostumamos com a frase política ,religião e futebol não se descute.Assim, o debate democrático foi desestimulado,como se os temas polêmicos só tivessem a alternativa de gerarem brigas e desentendimentos.Acontece que a falta de prática advinda deste tabu, herança da ditadura,acabou mesmo por dificultar a conversa pacífica de certos temas.Claro que isso não justifica comportamentos extremados, que são frutos de temperamentos descontrolados, ou de atos friamente calculados.
    Mas é na prática que vamos solidificando a nossa democracia ,aprendendo a conviver e a respeitar as diferenças.Entendendo que aí é que esta a graça e a maravilha do mundo.No outro ,no diferente ,no espetáculo da diversidade.

    • Eu vou levar pedrada mas “herança da ditadura” puxa vida já faz +de 40 anos e vc vem falar em “, herança da ditadura,” ate quando isso?
      Eu sei que é tentativa de ter uma identidade contestadora mas seus idolos estão em casa contando vil metal será que não se tocaram disso.
      Quer ver tortura e maus tratos ao ser humano vai no presidio central em porto alegre ou qualquer outro, apenas pq eles não tem pedigree socialista não são cidadãos de segunda classe, não são considerados com algum valor para a causa.

      • Não, Aliança não vai levar pedrada por sua opinião.Você não tem que concordar com o que penso apenas respeitar.Acredito que a falta de hábito de conversar certos temas,como digo acima,influenciou nessa enorme dificuldade de discordar .Isso acaba gerando essa intolerância com o pensamento ou comportamento divergentes.
        Não vejo ligação do que escrevi com o resto da sua colocação ,mas afirmo que sou contra qualquer tipo de violência e mal trato a qualquer pessoa, de qualquer classe ,idade,cor,partido enfim a qualquer ser humano,aliás a qualquer ser vivo.
        Penso ser muito importante ler este texto do Eduardo,e refletir a respeito.Digo isso para todos nós.Como você costuma frequentar um blog onde discorda do pensamento da maioria,temos muito que contribuir mutuamente.Assim espero.

  24. Dilma nomeia Lula como chefe de missão diplomática na África
    Camila Campanerut
    Do UOL Notícias
    Em Brasília – 27/06/2011 – 17h39

  25. UM DOS ARTIGOS MAIS FINA E BRILHANTEMENTE ESCRITOS QUE JÁ LI NA VIDA.

    SHOW! QUE CATEGORIA.

  26. Que vídeo nota 100
    O conferencista trata da importância do heroi
    Que a sociedade deve premiar seus heróis para desencorajar esta doença do preconceito e da maldade
    Falando nisso, cadê aquela heroína que enfrentou policiais militares que mataram jovens num cemitério
    Nem me lembrava mais dela, uma prova de que neste mundo louco nós nos esquecemos facilmente de quem deve ser homenageado
    Pelo contrário, muitos tem como herói o Serra, vi esta figura agora no maior cinismo falando como vítima dos “aloprados”, saiu na Band, a emissora, claro, lembrou que petistas foram presos, mostrou Mercadante e Ideli se defendendo
    Quem tem Cerra como herói, como espelho, nem precisa de Satã

  27. Prezado Eduardo
    No fundo, o cara que agrediu a você e à sua filha se sente totalmente impune.
    Essa impunidade nasce da certeza de que, politicamente, É ELE QUE ESTÁ REMANDO DE ACORDO COM A OPINIÃO PÚBLICA, ou seja, de acordo com o Globo, Folha, Estadão, TV Bandeirantes, Veja, Época, CBN, TV Globo e mais 90% da mídia que impera em nosso país. Para ele, você representa o pobre coitado do “prisioneiro de Abu-Ghraib”, que não tem direito nem ao respeito que a sua querida filhinha merece. E isso se estende a qualquer eleitor de Lula/Dilma. Das eleições passadas para cá, assistimos a vários episódios dessa natureza.
    E essa “guerra” só vai se agravar daqui para 2014. Deixa que venham. OS ESTAMOS ESPERANDO!

  28. Eduardo, você já assistiu o filme alemão “A onda”?
    Se ainda não, assista. É muito bom. retrata muito bem o conteúdo do teu artigo.
    Vale apena assistir, qualquer locadora tem esse filme.
    Abraços.

  29. Sabe o que eu acho Edu ?

    Se, fosse dada a oportunidada de todas as pessoas fazer algum tipo de terapia, análise ou coisas do gênero, totalmente grátis, freudiana, yunguiana, etc.; acho que 90% iria recusar.

    Recusariam por medo de descobrir a fundo o que realmente são.

    Eu acho que essa questão vai além do sistema vigente que sempre, seja lá qual for esse sistema, “esquece” que “Toda Forma de Poder é Uma Forma de Morrer Por Nada”

    Falta é olharmos mais para o Cosmos…para constatar que não somos absolutamente NADA.

    abs. fraternais.

  30. Só o vídeo teria valido o post. Com as suas considerações, Edu, ficou melhor ainda.

  31. Eu considero inominável o ato de alguém atacar sua filinha, se não fosses tú quem contastes-me eu não acreditaria.
    Isto que ocorre contigo, repito, é inominável!

    Ruy Barbosa Maciel- Governador Valadares MG

  32. Edu não é necessário um video da prisão do Iraque para eu ver e saber da maldade humana e nem para outros 50 mil brasileiros mortos por ano e suas familias.

    Talvez vcs “burgueses socialistas” realmente necessitem do video para ver isso.

    Não sei se tem graduação mas em nosso regime carcerário aconteçe coisas piores, como disse não sei se tem graduação ou nivel. Basta ver o presido central aqui de Porto Alegre por exemplo.

    A grande diferença do tratamento que as esquerdas dão a este assunto me leva a crer sempre que “vcs” classificam o cidadão entre vira lata e progressista, se é um mártir para a causa ou “civil comum” sem utilidade politica.
    Quem tem pedigree socialista tem proteção, quem não tem se vira com a sorte.

  33. Estou ficando cansado com tanta bizarrice sem punição.

    Em breve teremos gente matando homossexual e em seguida emitindo nota com pedido de desculpas aos que “entenderam errado” o ato praticado.

    Em breve teremos parlamentares exigindo o “Direito de Matar Homossexual”.

    Como se nada mudou da Idade Média, da Inquisição, pra cá.

  34. Cara, como é que pode? É cansativo esse desfile de ataques “as esquerdas” baseado em almanaques e clichês.

  35. o mal e o bem esta em cada um de nós.
    Quem vence? Aquele que alimentarmos melhor. Portanto, depende de cada um de nós…
    Somente, a estupidez humana é infinita.

    • ana, assista ao vídeo até o fim. ele traz uma reflexão interessante que questiona exatamente este pensamento que vc postou e que todos nós temos, de que a maldade é uma questão individual. basicamente, o video mostra sistemas que não apenas criam condições para atrocidades, como as tratam como banal de forma que quem as pratica não “percebe”. esses sistemas se perpetuam ou porque as pessoas contribuem com ele, ou porque são passivas. para quebrá-los, basta às vezes uma atitude simples, de uma única pessoa que sai da passividade e age contra a corrente. obviamente isso não resume tudo na sociedade, mas nos faz pensar que podemos, sim, eliminar certos microssistemas de pressão e crueldade que vemos o tempo todo se formando por aí. basta pensar fora da caixa e não achar que a maldade é meramente pessoal, ela pode ser sistêmica. abs.

  36. Edu, a inernet é teu pulpito.Estão te provocando, eporque sabem de seu poder de persuasão, aliás, temem. o poder..
    Dominai a internet. Deus sabe a quem deu os talentos….

  37. PARABÉNS EDU, PERFEITO.
    VOCÊ TAMBÉM É O CARA SABIA?

  38. Eduardo, texto e vídeo vieram em momento muito oportuno. Assisti inteiro e a conclusão final, sobre heroísmo, sobre o incentivo a ações contracorrente são coisas que tenho pensado muito a respeito por esses tempos.

    Só me decepciono ao ver as pessoas se degladiando nos comentários, mesmo depois de ler esse texto.

  39. Betinho(por estar desabilitado o link para respostas ao seu comentário, faço-o através de um novo comentário, assim, espero que o veja, e com isso possamos continuar debatendo) : É evidente que quando o usei o termo “meter a mão na cara”, falava metaforicamente, tentava tornar clara a diferença entre indignação, revolta e crueldade. Desse modo, foi essa o limite que tentava estabelecer e que é essencial para que não deixemos de “meter a mão” naqueles que nos atacam, livrando-nos do mau hábito da esquerda de não reagir às agressões da direita, mas que também não desçamos jamais à crueldade típica dos reacionários. Não fui incoerente, foi você que não compreendeu a sutileza do que eu dizia. Mas mesmo que gastemos algum tempo com discussões adjacentes, que têm sua importância, não devemos tirar o foco na luta central contra as manipulações da direita e de seus “jornalistas” amestrados.

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