A conta da lua-de-mel

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Já dizia Milton Friedman, economista americano da famigerada Escola de Chicago, prêmio Nobel de economia em 1976 e inspirador da política econômica do ditador chileno Augusto Pinochet: “Não existe almoço grátis”. Eis que, assim, está sendo apresentada à presidenta Dilma Roussef a conta do idílio que, ao que se sabe, acreditou que poderia manter com a elite.

Não faltou esforço, de parte da presidenta, para enterrar a guerra entre governo e imprensa que vigeu durante o governo Lula. E agora, meses depois do início deste governo, o blog já tem condições de oferecer um relato fundamentado dos bastidores do atual governo no que diz respeito à sua relação com essa elite midiática.

Antes de prosseguir, é bom que fique clara uma coisa: todas as informações de que disponho foram obtidas em “off” e, assim, as fontes não serão citadas. Todavia, é possível garantir que as suas informações foram confirmadas e reconfirmadas.

Dilma Vana Rousseff, 63 anos, mineira, assumiu a Presidência da República Federativa do Brasil em 1º de janeiro de 2011 convencida de que não havia razão outra para a guerra político-midiática que permeara o governo que integrou e que acabara de terminar que não fosse produto de mera picuinha entre oposição, mídia e Lula.

Dilma se decidiu, pois, a apagar a chama do ódio e do ressentimento. E foi dessa decisão que agora decorrem os incríveis problemas políticos que está vivendo ainda no quinto (!!) mês de seu governo de quatro anos, que todos já podem mensurar o que pode vir a ser…

Observação: segundo disse Lula na terça-feira em encontro com parlamentares do PT, o que pode ser o governo Dilma é ele vir a ter que “se arrastar” pelos próximos quatro anos caso a mídia, a oposição e ex-apoiadores de Dilma, decepcionados com ela, consigam derrubar Palocci.

Tudo começou com o mutismo de Dilma logo após ela assumir a Presidência – e que persiste enquanto o circo pega fogo. Em seguida, coroando uma decisão questionável daquela que deveria estar em festa com seu povo e compartilhando com ele o seu início de governo, a presidenta decidiu deixar Brasília e ir fazer um gesto de boa vontade ao pior inimigo que teve, ao lado de Lula, durante os anos anteriores.

A ida de Dilma à festa de 90 anos da Folha de São Paulo e as palavras elogiosas que teceu ao patriarca morto da família Frias já prenunciavam o que ocorreria dali em diante, uma pretensa relação de quase afetividade com os seus algozes durante o governo Lula.

Não se cuidou tão somente de afagar a imprensa que durante seis dos oito anos da Presidência lulista a fustigara sem dó, piedade ou limites. Havia que acarinhar, também, a oposição, em uma vã esperança de conseguir um armistício impossível, mas que, vigendo, permitir-lhe-ia levar a cabo o seu edificante projeto de extirpar a miséria do Brasil.

Naquele momento, Lula relutou em corrigir a presidenta. Consta que chegou a achar que ela tinha razão, que fora a sua verve (dele mesmo) que rendera os problemas políticos que o seu governo enfrentara.

Apesar da campanha de desmoralização de Lula que corria simultaneamente à lua-de-mel entre Dilma e a direita midiática, com convites ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e elogios desabridos que a presidenta recebia dos jornais dia sim, outro também, tudo parecia caminhar para uma benfazeja distensão política no Brasil.

Quem pode culpar Dilma por querer distensão? Já há semanas que o Brasil está paralisado pelo caso Palocci. O prejuízo para a agenda pública se fez sentir na recente aprovação do Código Florestal, que, quase unanimemente, verifica-se um desastre justamente por falta de um debate que submergiu diante da volta do denuncismo seletivo e partidarizado.

E agora que o governo está sob a ameaça impensável de virar presa na temporada de caça a seus ministros e expoentes, Dilma verifica que medidas tomadas na área de comunicação para distender as relações com a direita midiática a deixaram com muito menos aliados. Sobretudo na internet, a arena mais dinâmica do debate político, atualmente.

Que medidas foram essas? Por exemplo, na Secom. A nova ministra da Secretária de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas, esteve entre os conselheiros de Dilma para distender as relações com a mídia e a oposição, enquanto que seu antecessor, Franklin Martins, saía de cena, tendo sido visto como um fomentador de confusão.

Franklin Martins, que estabeleceu pontes com a blogosfera progressista na era Lula, cedeu lugar a uma direção da Secom voltada a não se meter com esses “blogueiros encrenqueiros”. Para que se tenha uma idéia, a pessoa que comanda o Blog do Planalto acha que blog é coisa de “adolescente”… Precisa dizer mais?

Helana Chagas é uma excelente pessoa. Íntegra, sensata, inteligente. Não lhe falta competência. Este blogueiro esteve consigo durante a Confecom, em dezembro de 2009, aliás. E só fez confirmar a boa impressão que já tinha dela.

Todavia, tanto Dilma quanto Helena não tinham – e continuam não tendo – a experiência de Lula e de um Franklin Martins no trato com essa direita demente que infecta o Brasil. Não é por outra razão que um e outro estão sendo recrutados a coordenarem a reação ao que já ameaça se tornar o “mensalão” de Dilma.

Tudo muito parecido. Os petistas e simpatizantes “decepcionados” são o maior sintoma. A maioria, aliás, é composta por pessoas de boa fé, que, como as de má fé, já dizem as mesmas frases moralistas sobre Palocci que uma Eliane Cantanhêde, um Reinaldo Azevedo e companhia limitada.

Verifiquem os posts do blog sobre o assunto e verão trolls de direita e gente séria e que defendeu Lula com unhas e dentes dizerem as mesmas coisas sobre Palocci, sobre “ética” etc. E vejam os trolls se passando por petistas arrependidos, o que já dificulta identificar quem é quem em centenas de comentários.

Para coroar a dissertação, vale prestar atenção na cobrança da conta da lua-de-mel entre Dilma e a direita midiática. As gentilezas, os elogios, em fevereiro já se dizia por aqui que seriam usados como “prova” de que a imprensa golpista teve boa vontade com Dilma, mas seu governo não soube honrar o voto de confiança.

O colunista da Folha de São Paulo Janio de Freitas já apresenta a fatura à presidenta, hoje:

“Excetuado Fernando Henrique Cardoso, e por motivos óbvios, Lula [que criticou a mídia no caso Palocci] não demonstraria que algum outro presidente, desde o fim da ditadura de Getúlio, fosse tratado [pela mídia] com mais consideração pessoal e cuidado crítico do que Dilma Rousseff em seus cinco meses iniciais”

O ex-presidente tem toda razão quando diz que a queda de Palocci seria um imenso desastre. Cinco meses de governo. Se conseguirem derrubar Palocci tão cedo – a guerra contra Lula começou no terceiro ano de seu primeiro mandato –, estará aberta a porteira. E quem diz não é este blog, mas aquele que já é considerado o maior estrategista político do Brasil.

Não depende mais de nós, formiguinhas da política, fazer alguma coisa. Dilma tem que decidir se quer passar os próximos quatro anos discutindo a avalanche de acusações e picuinhas que vem por aí ou se, como fez Lula, atuará para dar à sua base de apoio na sociedade as condições de ajudar a fazer o país seguir avançando.

Os blogueiros “encrenqueiros”, por exemplo, nunca dependeram do governo. Apenas acreditaram que, ao apoiarem Lula, estavam apoiando o Brasil. Se não fosse a ressonância que as suas aspirações encontraram em seu governo, porém, não teriam podido ajudar. Mas ninguém pode ajudar quem não quer ser ajudado.

Para não terminar em tom de apocalipse este texto, porém, há que dar uma boa notícia: o país real, essa nação que trabalha, estuda, progride, anseia, sonha – que pulsa, enfim –, não está nem aí para a politicagem. Está subindo na vida. O problema é se a sabotagem conseguir paralisar o governo. Aí, o mundo da fantasia da política se materializará no mundo real.

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252 Comentário

  1. Palocci apresenta atividades de sua empresa a senadores do PT

    Brasília – A situação de Palocci foi um dos pratos do almoço desta quinta-feira entre senadores da bancada do PT e o ministro chefe da Casa Civil, na presença de Dilma Rousseff. A presidenta voltou a defender alterações no texto do novo Código Florestal aprovado na Câmara.

    À Rede Brasil Atual, o senado Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que Palocci relatou as atividades de sua empresa e reafirmou que todas as negociações são legítimas e legais. “Eu recomendei ao ministro que ele possa transmitir todo o diálogo (sobre as atividades de sua empresa) à imprensa o mais rápido possível.”

    Suplicy disse ainda que Palocci “só não poderia falar o nome das empresas para as quais ele prestou assessoria” e completou que o Ministro está encaminhando “tudo ao procurador geral da República e divulgará o que precisar à imprensa”, relatou, sem especificar quando falará.

    […]

    http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2011/05/antonio-palocci-apresenta-atividades-de-sua-empresa-a-senadores-do-pt

  2. Ali por volta de março enviei e-mail à equipe da Secom-Blog, dizendo-lhes que estava achando a comunicação do governo muito ruim. Disse-lhes que respeitava a ministra Helena Chagas e os demais, mas que eles precisavam melhorar.

    Como é que a presidente vai ali ou acolá, lança planos e pacotes, nada aparece na imprensa suja e, para piorar, o site ou blog do governo disponibiliza – quando o faz… – apenas um vídeo editado, de 1 ou dois minutos (isso é tempo de matéria para TV), na internet??!!! Por que não publica a íntegra das cerimônias?

    A TV do governo, a NBR, é inacreditável, de tão ruim.

    Helena Chagas pode ser ótima pessoa, mas ela e sua equipe se mostram incompetentes para seguir fazendo a comunicação do governo. Acho que a presidente poderia começar por aí sua reforma de ministério.

  3. Onde se lê codigo eleitoral, leia-se código florestal.

  4. Sem falar na banda larga, que desapareceu completamente da pauta. A verdade é que nunca conhecemos de fato uma pessoa. Quem poderia imaginar que aquele famoso médico libanês seria capaz de cometer os crimes pelos quais foi condenado??? Ninguém! A mesma coisa sucede com Dilma Rousseff. Imaginávamos que ela era uma pessoa, mas na verdade é outra. Digo isso há um bom tempo, mas ninguém me levara a sério, até agora.

  5. Edu,

    Observe o vídeo proibido da Rede Globo sobre o Presidente Lula. Do blog Amigos do Brasil:
    http://osamigosdobrasil.com.br/2011/05/16/exclusivo-video-proibido-da-globo-sobre-lula/

  6. Ontem(26/05) Dilma Rousseff completou 146 dias, exatamente 10% dos 1461(365×4+1=1461) de seu 1º mandato. Num infarto do coração, uma pessoa pode ter até 10% de isquemia e poder levar uma vida saudável, com direito até de melhorar seu desempenho, sem os 10% que estão ali mas não têm função alguma. Pois tenho certeza que Dilma poderia, como nesta analogia, simplesmente esquecer esses 10% e partir para uma fase em que os 90% restante, se dêm com mais essa lição aprendida. Tomara ela acorde para a realide de que não dá prá dar trégua a ‘eles’.
    Douglas Quina
    Mogi Guaçu – SP

    • Muito lúcido, oportuno e pertinente o comentário. Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena. Me mantenha informado sobre o evoluir de suas observações. Estou sempre no FB

  7. A MALDADE É TANTA QUE: estava eu num “velório” , logo um diretor de uma escola levantou e disse: estou indo , se a Dilma ….. e sua esposa insinuou: e a pneumonia? será que melhorou mesmo ou …. não deixei terminar a frase e respondi: o que voces querem dizer com isso? as tucanalhas estão torcendo para que ela esteja doente mesmo e falei mais que aqui seria palavrão, falei : quem deseja o mal, ou qualquer doença para outro ser , pode voltar para si mesmo!e complementei já exaltadinha,; não fales de mal dela na minha frente, pois votei nela, e gosto muito dela!!! sairam vermelhos de raiva digo: rouxos!!!!! sobre PALOCI; que o senhor esteja certo…e que eu esteja errada!! não sou filiada no pt , mas defendo DILMA E LULA no que eu puder, no quanto puder!!! ” esse é o meu Brasil” um tempo atráz eu lembro: velório não se falava, nãotinha risos, até a cor da roupa para ir era escura , sinal de respeito, agora é riso , e ao assunto predileto politica paloci e muita ironia !!!! haja paciencia para carregar nos ombros…é por isso que eles lá que rodeiam DILMA ‘se antenem e não nos façam passar vergonha, tem que honrarem e serem dignos da nossa dedicação , da nossa grande e sofrida luta nessas ultimas eleiçoes, nunca tinha visto e ouvido tantas inverdades, DILMA deve ter sofrido muito e calada, agora não ponham tudo a perder eu quero estar errada e o senhor CERTO….CERTISSIMO……desculpe!!! não sao todos tucanos que são maus , e nem todos os pt são os bons !!! “EXISTEM ANJOS E DEMONIOS EM AMBOS OS LADOS! essa frase é sua nobre e guerreiro EDU GUIMARÃES!!!!

    • SIRELEI! A SUA PREOCUPAÇÃO TEM SENTIDO, SÃO “MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO” VC ESTÁ CERTA! VOU PASSAR DUAS INFORMAÇÕES, UMA BOA E UMA RUIM! A RUIM:FALA-SE (O POVO FALA MESMO!) A PRESIDENTA DILMA ESTÁ “ENCHENDO A BOLA DA OPOSIÇÃO EM SUAS DECLARAÕES A IMPRENSA, LEVANTANDO POLÉMICA! ESTRATÉGIA DE MARKETING PARA DESVIAR A ATENÇÃO DA CRISE ENTRE OS ALIADOS,(FOGO AMIGO) ! A NOTICIA BOA: O PALOCCI JÁ ERA! PS.O amigo navegante há de se lembrar que o Tony se ofereceu ao embaixador americano para aprovar a ALCA, contra a política do Presidente Lula e de seu grande chanceler Celso Amorim. ( FONTE: PANFLETO DO PH)

    • Pirulito que bate, bate… pirulito que já bateu… quem gosta de mim é Dilma, quem gosta dela sou eeeeuuuu!

  8. Tá tudo bem. Dilma teve uma avaliação errônea do relacionamento que Lula mantinha com a imprensa, apesar de o Presidente Lula, mesmo diante das ditas picuinhas, ter ganho a maioria dos embates, conseguindo fazer um governo exitoso por oito longos anos. Debaixo de pau e pedras, especialmente com Franklin Martins, praticamente isolou a mídia da opinião pública. Seu método certamente dependia de sua competência e carisma. Suas informações dizem que Lula procura mostrar que a queda de Palocci seria um forte golpe de difícil recuperação, acirrando as ações do PIG, no sentido de torpedear os projetos progressistas, que a Dilma diz pretender conduzir. Entretanto é bom dizer, que Palocci, nitidamente favorável às práticas neoliberais na economia, sendo uma enorme vidraça por seu passado político (Campinas, Francenildo e, agora, com seus ganhos), valendo a versão e não os fatos, claro,
    somente poderia ter sido guindado à Casa Civil, ou porque mal avaliaram o contexto, ou, o mais provável, a Presidenta assim quis, e isto não estaria muito em desacordo com o que admitiu, e admite, que fazem empresas estatais,foi presidenta do Conselho de Administração da Petrobrás, no excesso de terceirização, no endeusamento da Bolsa de Nova Iorque, que serve de desculpas para uma política salarial exdrúxula nessas mesmas empresas,com as carreiras todas desestruturadas, remunerando despropocionalmente os gerentes, que ganham salários e gratificações despropocionais com o restante dos empregados, além de descumprimento dos contratos com aposentados e pensionistas, para fins de impor planos de aposentadorias sem respaldo das empresas, mesmo estas estatais controlando e dirigindo os fundos de pensão. A Presidenta tem até um Conselho, onde dois conselheiros como Henri Reichstul, o homem da Petrobraxx e Antônio Maciel Neto, hoje executivo de multinacioanais, que no governo Collor atuou na Petrobrás da qual foi empregado para preparar as bases de quebra do monopólio estatal do petróleo, consumado no governo FHC. A Dilma é que deve se definir, escolher de fato seu lado e, de uma vez por todas ter em conta quem são os adversários, opositores que agem mais como inimigos, e o neoliberalismo e o PIG pontificam nesse campo. Desta área nada deve eperar, se pretende conduzir a economia sem atender os principais ditames da economia neoliberal e quer mesmo continuar conduzindo projetos sociais, que beneficiem a maioria do povo e os trabalhadores. É uma questão de definição, de marcar seu lado de forma clara, não apenas em palavras, mas em ações. Até o momento os inimigos não tem apoio da opinião pública. Não dá mais para ficar nesse mutismo, que só os tem beneficiado, e partir para consecução de seus projetos, que devem ser anunciados com todas as pompas e circunstâncias, procurar, mesmo com as limitações que tem de comunicação, o apoio do povo.

  9. Eduardo,

    Enquanto isso, em São Paulo o Alckmim e seus “químicos” (sem preconceito contra os verdadeiros!!) estão criando um monstro com o Centro Paula Souza destruindo as FATECS e ETECS (que ele usou pra se eleger), inclusive com o aval de diretores desvinculando a Instituição do CRUESP para enfraquecê-la ainda mais.
    O que esperar? Nem o PIG mostra nada. E os blogs? Poderiam contribuir para esclarecer a população. Que tal?
    Abraços

  10. Não concordo com a afirmação de que, necessáriamente, as pessoas de boa-fé, que acreditaram que este governo teria mais transparência, agora se decepcionam porque cooptadas pela midia oposicionista. Este caso, que em muito possa parecer ao do famigerado mensalão, numa coisa é bem distinto: trata-se de um fato já comprovado de elnriquecimento atípico que não se explica, senão por meios, no mínimo imorais. O problema é que o autor do fato, uma figura ambígua, reincidente em escandalos, (comprovadamente responsável por quebrar sigilo bancário de seu desafeto, absolvido por vergonhosa decisão da justiça, por falta de provas, porque o verdadeiro autor(Sr. Pallocci) não teve a honradez, hombridade ou moral suficientes para assumir sua conduta ilicita, jogando a culpa nos ombros dos seus auxiliares), como de costume não se posiciona de form a clara e franca. Teve a chance e não aprendeu com os erros do passado. A mídia golpista, só está fazendo o papel que sempre fez, só que agora, não pode ser taxada de estar exagerando, ou distorcendo os fatos. Apenas,embora com propósitos diversos, como todo brasileiro de bem, questiona o que é questionável e pede explições convincentes do ministro. O que até então não aconteceu e talvez não aconteça nunca, como ocorre até hoje com o mensalão/caixa dois do PT, que provavelmente está a reeditar um caixa dois na versão Pallocci, possibilidade que já vem sendo aventada pelos analistas.
    Isso é uma coisa, que nada tem a ver com a carente perspectiva da Presedenta sobre oposição neste país. Mas também não seria correto achar que Lula, a despeito de sua habilidade natural, tenha a correta perpectiva, o que está longe de ser verdade. Nem Dilma, nem ele, entenderam até agora, que essa questão entre a midia golpista e seus governos, não poderão ser resolvidos em termos pessoais, pois se trata de questão muito mais âmpla que diz respeito à democracia brasileira e que deve ser resolvida fazendo valer a Constituição. Mas onde está a moral desses governos pra fazerem as mudanças necessãrias para efetivar os direitos democráticos que devem prevalecer na sociedade?

  11. Excelente analise Edu, eu ja havia filosofado na mesma linha, mas seu texto esta impecavel.

  12. É impossível defender a permanência no governo de um indivíduo que se apresentou à sorrelfa na embaixada dos Estados Unidos oferecendo-se para ajudar os americanos a enfiarem goela abaixo do Brasil seu projeto tenebroso da ALCA. Isto já não está no limite da “politicagem”, que até pode ser suportado em determinadas circunstâncias. Palocci deve sair o mais breve possível, enquanto ainda há muito gás no tanque. Gastar o gás com Palocci é estupidez. Não se trata de “dar o braço a torcer”, esta é uma visão infantil. Há tempo de sobra para Dilma se recuperar e entrar em uma linha política mais realista. Não é a primeira vez que Lula se engana.

  13. Em tempo,
    vale a pena lembrar que Palocci não esteve sozinho nesta defesa indecente da ALCA, o outro Tony, o Patriot, um ser claramente submisso à corte do Capitólio, também defendeu essa excrescencia, contra o Itamaraty brilhantemente liderado por Amorim e Pinheiro Guimarães.

  14. Edu,
    muito boa sua análise, muito mesmo.

  15. Eduardo

    Acho que o titulo não faz jus aos acontecimentos presentes. O titulo dá a impressão que a Dilma ter oferecido a mão para a oposição, a imprensa golpista é que provocou o caso Palocci. Dá-se a impressão que Dilma foi ingênua e não sabia que haveriam ataques contínuos depois de um tempo.
    Cabeça de mulher é um pouco diferente que das dos homens ou melhor cabeça feminina é diferente que cabeças masculinas. O pensamento feminino é muito intuitivo, então ela testa algumas situações para depois tirar conclusões e seguir caminhos.
    Pode acreditar isso já era esperado por Dilma, ela preparou muito bem o terreno. Qualquer coisa que a direita ou imprensa golpista viesse a fazer depois disso teria que se confrontar com esse passado de mão estendida e peito aberto, coisa de gente corajosa que sabe olhar inimigo no olho e não tremer diante de sua feiúra. Lula fez isso ao seu modo, ele também tem cabeça feminina.
    Gosto muito daquela passagem bíblica onde Salomão julga aquelas duas mulheres que disputavam uma criança viva e rejeitavam a criança morta. Muitos dizem que aquilo que Salomão fez foi : Pensar como mulher e agir como homem. Dizem ainda que para um homem ser justo tem que pensar como Salomão e agir como Salomão, e dizem que para mulher se justa tem que pensar como mulher e agir como homem. Acho que Dilma faz isso, acho que Lula sempre fez isso.
    Então nunca houve lua-de-mel, pois nunca houve casamento.

  16. O primeiro grande erro político da Dilma foi ter colocado e mantido Ana de Hollanda no Minc (que jogou por terra 8 anos de políticas progressivas do governo Lula, da revisão da Lei de direito autoral, e das promessas de campanha de Lula e Dilma que ela manteria a continuidade do governo Lula – que como se viu no Minc fora uma falácia e um golpe em quem votou nela esperando o continuísmo). Ela ter mantido, com apoio recente de bolachões do PT, a Ana no Minc vai ter e já está tendo um imenso peso político á carreira política dela e mesmo ás pretensões do PT nas próximas eleições, pois a traição será sempre lembrada, será um peso pra ela e o partido (ainda mais se ela não retirar a Ana antes dela enviar a nova proposta da LDA ao congresso – como não deve acontecer, então será algo irreversível o estrago e o preço que PT e DIlma pagarão).

    Foi desse erro infantil e egoísta, por parte dela, e ultimamente do PT, que veio a rachadura na represa. Racharadura essa que enfraqueceu o governo e deu espaço para a mídia a atacá-la mais cedo, vendo que Dilma estava se enfraquecendo. Se Dilma tapasse as rachaduras, trocasse de ministro, antes que a coisa se agravasse, a mídia não tomaria coragem em começar os ataques tão cedo. Fizeram isso antes que aparentemente esfrtiasse a “crise do Minc” (crise essa que continua e DETONA o governo da Dilma e a credibilidade do Partido dos Trabalhadores ainda mais, e cobrará um preço forte mais lá a frente, na epoca das eleições, os internautas não esquecerão da traição). Ainda há tempo, pouco tempo, dela mudar de minstro, antes que seja irreversível.

    Sobre a mídia se aproveitar disso e começar os ataques mais cedo, neste caso do Palocci não dá pra fazer mais nada. Essa crise vão enfrentar.

    Mais HUMILDADE, DIlma, e figurões do PT! MAIS HUMILDADE! Não se destratada eleitores aliados como vcs vêm fazendo.

  17. Edu,

    Eles não conseguiram, e dificilmente conseguirão, parar o governo. Bagunçaram a relação com o Congresso, é verdade. Isto é, o executivo ficou mais frágil e os congressistas mais fortes. Algo que se resolverá com o tempo.

    O “terror inflacionário” arrefeceu. A equipe econômica trabalha a mil por hora, a equipe social idem.

    Se a mídia ou a justiça ou o Ministério Público ou a Procuradoria Geral da República conseguir provar algum ato ilícito do Pallocci, ele cairá. Se não, há que resistir e tocar o governo. Simples assim.

    Por outro lado, fica evidente os riscos que corre qualquer partido mais à esquerda ao exercer o poder executivo. Seus quadros são expostos a oportunidades de enriquecimento. Antigamente o enriquecimento rápido de políticos se dava pela via da corrupção pura e simples. Hoje o processo é mais profissional. O Capital acena com recompensas, por meio de palestras e consultorias, desde que seus lucros cresçam. Fazem isso com jornalistas, comunicadores, celebridades e ….políticos de ponta.

    O problema para um partido como o PT é o quanto isso acaba por corroer a capacidade crítica e de formulação. O quanto isso limita a ousadia.

    Como o processo me parece irreversível, é preciso ter clareza de que a formulação e a inquietação terão que crescer fora dos partidos. Não se trata de dar as costas ao PT. Mas de pressioná-lo, por dentro e por fora, com formulações, tal qual parte da blogosfera o faz.

    Em suma, concordo com a postura do governo, tal qual você, Edu. Mas enxergo os riscos para o PT. E isso também precisa ser dito.

    Abraços,

  18. Eduardo, concordo em todos os pontos com o que você diz, se Palocci cair agora ficará claro para o PIG que basta forjar uma denúncia e o próximo também cairá, assim sendo em breve o governo não teria mais nomes, nem suporte, e poderia passar o bastão para o PSDemoB.

    Gostaria entretanto de reafirmar, não basta manter Palocci, Dilma precisa, ou ela mesma, ou buscar em outrem, um articulador com o Congresso, e precisa para de se trancar no Planalto, o twitter serve para isso mesmo, e vá para as ruas, abrace o povo, e traga de volta gente como Amorim e Flanklin Martins, gente de fibra e confiança, e mande ao inferno a mídia.

    A Presidenta precisa por um ponto final em iniciativas que são lindas na teoria, mas na prática atendem pequenos interesses sem atuar sobre o conjunto da sociedade, kit contra homofobia, cartilha que mostra o linguajar popular, tudo isso é fumaça, defesa da liberdade de imprensa, tudo fumaça, não leva a nada, a cada iniciativa dessas haverá uma legião de descontentes, e a mídia sempre para tirar proveito.

    Dilma precisa governar como Lula, olhando apenas os aspectos sociais e econômicos estratégicos, os detalhes que fiquem para os ministros e administradores estaduais e municipais, caso ela não atue assim estará dando passos perigosos rumo a não reeleição e um governo medíocre, e por fim, se mostre ao lado de Lula, dane-se o que a mídia diz, Lula foi o melhor presidente que tivemos, porque escondê-lo?

    Finalizando, os blogueiros precisam criticar quando necessário, mas tem que parar com as acusações ao governo, isso tudo somente desagrega, leva os internautas a ficarem perdidos, afinal, quem está com a razão, os blogs q sempre defenderam o governo progressista, ou a mídia, que sempre o atacou e agora é, do nada, tornada referência novamente?

    Trago aqui um dos raros textos da mídia, quem diria, vindo do Estadão, da coluna da Dora Kramer, que achei referência ao modo como está e como deve ser o governo Dilma, pois é assim que tenho analisado nas últimas semanas, o post foi pego no blog do Azenanha, o Viomundo.

    “No terceiro turno, o impeachment de Dilma

    Política e democracia

    29 de maio de 2011 | 0h 00

    Dora Kramer – O Estado de S.Paulo

    Dilma Rousseff seria a última pessoa autorizada a tratar a atividade política com menosprezo, produto que é da dedicação exclusiva de seu antecessor, mentor e agora também tutor, à política no exercício da Presidência da República.

    No entanto, a presidente repete neste aspecto Fernando Collor, que assumiu a chefia da Nação, em 1990, com ares imperiais e assim se manteve até que o Congresso lhe mostrasse com quantos paus se faz o equilíbrio entre Poderes.

    O distanciamento a que se impõe a atual presidente é o mesmo imposto pelo ex. A motivação objetiva pode até ser diferente, mas há um dado subjetivo que os aproxima: ambos carecem de substância no ramo e chegaram à Presidência por razões alheias a uma trajetória pessoal consistente.

    Ele por uma obra de ficção publicitária muito bem engendrada, ela por unção do então presidente Luiz Inácio da Silva e sua inesgotável capacidade de mirar os fins sem se importar com os meios.

    Dilma Rousseff está apenas no começo de seus quatro (ou oito) anos de mandato e já precisou da interferência externa para lidar com a evidência de que a fidelidade de uma base parlamentar ampla e diversificada como a que Lula lhe legou requer manutenção.

    Não apenas com verbas e cargos. A coisa não é tão fácil assim. A presidente, seus auxiliares e quase a totalidade do País têm todo o direito de considerar que no Congresso só há vendilhões.

    Ocorre que essa, além de ser uma visão distorcida da realidade, desconsidera o fato de que mesmo os vendilhões não necessariamente têm de si essa mesma impressão.

    Dilma pode achar que aquela maioria está ali para servi-la ao custo da submissão à majestade detentora do poder de lhes distribuir benesses. Mas os parlamentares também acham que seus votos lhe conferem outros direitos.

    Querem acesso ao poder, querem prestígio, querem ser levados em conta. Submetem-se, mas exigem em contrapartida não ser tratados como meros carimbadores das vontades do Palácio do Planalto.

    Por mais que o comportamento da maioria leve os menos íntimos com o ofício a concluir que o peso da Presidência, ainda mais quando exercida com distanciamento e uma boa dose de atitude de intimidação, seja o suficiente.

    Não é. Há sutilezas envolvidas no jogo bruto do poder. E até por ser violento requer alguma sofisticação estratégica. A isso se pode chamar genericamente de fazer política.

    O primeiro dado é levar em consideração o outro. No caso, o Parlamento. O governo da presidente Dilma não o faz quando põe na articulação política um deputado de inépcia reconhecida, sinalizando que para ela a área é um pormenor.

    Concentra poder nas mãos de um só ministro que, por excesso de atribuições e soberba decorrente da posição, não faz a interlocução com o Congresso como deveria.

    Ignora a política e acredita que mandando seus líderes transmitirem recados sobre o quanto está irritada com esta ou aquela conduta obterá automaticamente obediência.

    Mesmo depois da intervenção de Lula, Dilma não dá mostras de boa vontade em aprender. Defendeu Palocci dizendo que a oposição “faz política” como se fosse atividade menor, quando é na política que se movem as democracias. Em toda e qualquer decisão ela está presente.

    Por orientação de Lula, a presidente marcou encontros com parlamentares de sua base, mas já foi logo avisando ao PT que não sabe quando e se haveria novas reuniões.

    Na votação do Código Florestal na Câmara supôs que bastasse baixar uma ordem para vê-la cumprida. A ameaça de demitir os ministros do PMDB foi ato de quem não entendeu da missa a metade.

    Agora, quando o Senado se prepara para examinar alterações no rito das medidas provisórias simplesmente manda dizer que, com ela, “não tem acordo”.

    Como, se a política é a arte de compor interesses? Algo que se aprende fazendo.

    A respeito disso, o compositor Gutemberg Guarabyra faz um pertinente resumo: ‘Um verdadeiro presidente é formado, educado, aperfeiçoado no exercício da atividade política. Lula foi um verdadeiro presidente. FHC idem. Dilma está mais para interventora, delegada para assumir o governo provisoriamente’.”

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