Aécio e Requião põem Senado em xeque

Os que propõem a extinção do Senado Federal acabam de ganhar dois bons argumentos para a proposta. O principal argumento para a existência da Casa legislativa deixou de fazer sentido por ações de dois de seus membros, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Roberto Requião (PMDB-PR).

O Senado, também conhecido por “câmara alta”, seria a instância ratificadora das decisões da Câmara dos Deputados devido a uma suposta maior envergadura, se não moral, ao menos intelectual dos senadores. O cargo de senador, pois, é considerado de maior importância do que o de deputado federal.

Os recentes comportamentos pouco abonadores de Aécio Neves e Roberto Requião escandalizaram a sociedade.

O primeiro, enche a cara e sai dirigindo pelas ruas do Rio de Janeiro. Estando ou não a sua carteira de habilitação vencida, a gravidade é a mesma. Aliás, se estava mesmo dirigindo ilegalmente, o senador mineiro e tucano feriu as leis que tem obrigação de formular e, acima de tudo, defender.

O segundo, talvez tenha tido um comportamento ainda pior. Ao tomar à força o gravador de um repórter da TV Bandeirantes que lhe fez pergunta da qual não gostou, agiu como os velhos coronéis truculentos, de triste memória. Sendo um servidor do povo, agiu como se fosse mais do que um cidadão comum.

Ora, quando senadores – políticos que, supostamente, seriam mais sábios, experientes e honoráveis do que seus pares da Câmara dos Deputados – agem como moleques, que justificativa resta para a existência dessa dispendiosa Casa Legislativa que é o Senado Federal da República?

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106 Comentário

  1. Quando eu era criança meu velho, e ainda vivo e forte pai, sempre brincava: “Cadê o toucinho que estava aqui?”
    Já se passaram 40 anos e ainda não sei onde foi parar o maldito toucinho.
    Imaginem se o senado e o judiciário desaparecessem de uma hora para outra. Alguém, depois de aproximadamente 40 anos obviamente, e de maneira desavisada, talvez, eu disse talvez, viesse a sentir falta desses dois primores republicanos. Ou soubessem do seu paradeiro…

  2. São 3 senadores por Estado da Federação (independentemente do tamanho da população), fora os 2 suplentes não submetidos ao voto. Cada qual tem uma entourage cuja dimensão a gente já nem sabe mais.

    Teoricamente eles serviriam para neutralizar as desigualdades na representação eleita pelo voto proporcional (ao número de eleitores) ou seja, os deputados. Porque o número de senadores não é proporcional, o voto é dito majoritário. Estados grandes ou pequenos têm os mesmos 3. Teoricamente eles representam o estado de origem, enquanto os deputados representam o povo.

    Bem, isso é o conceito, em linhas gerais. Mas, na prática, a teoria é que eles representam seus proprios interesses de perpetuação nas vantagens e benesses. Ou, ainda, interesses de grupos econômicos nem sempre sintonizados com o interesse do país. Eles possuem algumas atribuições exclusivas, apenas por derivação do conceito de representantes dos estados (como por exemplo aprovação de autoridades e politica exterior em certos casos).

    Tudo isso para dizer que – não havendo muita diferença entre uns e outros – o senado é uma segunda câmara federal cujos integrantes nos custam caro. Caríssimo! Os bons não devem temer sua extinção porque se elegeriam deputados facilmente. Os outros que vão procurar emprego que lhes remunere o quanto realmente merecem.

    A reforma política não vai mexer com eles, uma pena!

    • Concordo.
      Os Senados foram constituídos, em larga medida, no século XIX, para servirem de contrapeso às Câmaras “baixas”, eleitas diretamente pelo povo, na proporção da população ou do eleitorado. As Câmaras representam o povo e têm mandatos mais curtos. Expressam mais depressa a vontade popular. O Senado, com mandato mais longo (às vezes, vitalício) e representando o povo desigualmente, servia de freio para o que o povo quisesse. Teria mais experiência, mais sabedoria, mais senioridade – mas, na verdade, sua meta era limitar a vontade do povo. Creio que esse continua sendo um vício de nascença da maior parte dos Senados. Por isso mesmo, nas democracias parlamentares, geralmente ele tem pouco ou nenhum poder, comparado com as Câmaras. Nos EUA, que nos servem de exemplo neste ponto, o Presidente, eleito pelo povo, também limita o poder senatorial.
      O problema, num regime presidencialista como o nosso, é que se tivermos só o Presidente e a Câmara o enfrentamento dos dois pode levar a crises sérias, como ocorreu no Equador. Mas poderiamos ter uma solução menos conservadora do que o Senado, para isso.

  3. Caro Eduardo, é dificil más não é impossível discordar de você.

    No final vou discorrer sobre a não concordância no que diz respeito a simetria da gravidade dos atos praticados por um e outro.

    A principal discordância com o tema é que para mim a razão fundamental para que o Senado inexista ou se altere profundamente, não está na ação de um ou outro senador e sim na própria existência da Casa.

    Independentes de seus membros serem bons ou não, a instituição Senado, se presta a maior das distorções da representação democrática, só comparada e assim sendo também, ao descumprimento constitucional de um cidadão um voto. Se consideramos grave que nos eleitores tenhamos um um piso para representação e um teto, pois existem estados com super representação e com sub representação, fica assim consagrado que tem cidadão com voto que vale até oito vezes o de outro.
    No Senado ocorre exatamente isso só que com representação ainda mais distorcida, pois cada estado elege 3 senadores independente de sua população, como legisla e inclusive altera decisões da Câmara…

    O papel que poderia cumprir não faz, se for para continuar existindo terá que cuidar de coisas diferentes das que faz hoje, inclusive deixar de ter esse ar monárquico que contamina até o autor da matéria.

    Quanto ao que fizeram os dois senadores citados. Também discordo qundo você os coloca no mesmo balaio.

    Em que pese disconcordar com várias atitudes de Requião, principalmente do seu personalismo, vejo que sua ação em relação ao jornalista, não tem nada de tão grave como alguns pensam que tem!

    Primeiro porque o que ele fez é muito mais pelo temperamento que tem. Segundo porque muitas vezes não é fácil ser tão equilibrado com uma imprensa que tudo pode e tudo faz. Como disse, embora não justificando o que ele fez, não vou ficar fazendo coro pra PIG algum, sabe porque? Porque estes mesmos nunca iriam fazer esse tipo de pergunta da forma que ele fez para os amiginhos de seus patrões!
    Eu perguntaria pra você, o que é mais grave, o que ele fez ou o que disse Boris Kasoy a respeito dos trabalhadores da limpeza? Para mim não há dúvida! E não vi todo esse alvoroço quando aquele infeliz fez tamanho desrespeito com a dignidade humana!

    O outro caso, é muito grave! A bebida é considerada a maior causa de acidentes de trânsito no Brasil e por conta dela muitos estão mutilados ou morreram, Um ex governador e senador dirigir embriagado é um mau exemplo sem comparação com nada!

  4. Não acompanhei tudo, mas acho que certos “jornalistas” são tão chatos e indiscretos que merecem é isso mesmo! na verdade acho que se eu fosse Senador , deputado , ou qualquer figura de destaque , não daria entrevista pra qualquer um, e exigiria testemunhas. gravação e algo mais. Como esses jornalistas deturpam tudo! o entrevistado fala alho, o cara diz que falou bugalho, se fala A disse que falou B. eu heim! to fora!

    • Carlos, você tem que limpar o histórico do navegador pressionando as teclas control + shift +del simultaneamente. Faça também o teste mudando de navegador. Por último, não se esqueça sempre de pressionar a tecla F5. O problema é só no seu computador. Posso garantir. Qualquer coisa, diga lá que tento ajudar dentro das minhas possibilidades.

  5. Discordo de voce a respeito de Requiao. Ele tava certissimo. Nao ha caso de perguntas repetidas aa exhaustidao a politicos como Beto Richa.

    Era armadilha e Requiao a desarmou magnificamente.

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