Discriminar pessoas não é um direito

O enunciado contido no título deste texto deveria ser um truísmo, verdade incontestável ou evidente por si mesma, coisa tão óbvia que não precisa ser mencionada, uma banalidade, uma obviedade. Mas, espantosamente, não é. Discriminar ainda é visto – e vendido – por alguns como um “direito”, ou, como gostam de dizer, “liberdade de expressão”.

Discriminar pessoas, porém, não é e jamais será um direito. Dá para discordar de premissa tão evidentemente legítima? Não são muitos, os que discordam. Mas existem e têm muito espaço para dizerem suas “idéias” por terem representantes de peso do ponto de vista de que discriminar seria “direito” ou “liberdade” de algum tipo.

Ninguém assume que discrimina outras pessoas, claro. A imagem do discriminador é negativa, de alguém intolerante e estúpido. As acepções do verbo discriminar, porém, quando analisadas, permitem enquadrar a todos aqueles que juram que não estão discriminando quando agem da forma que tais acepções detalham.

Discriminar é um verbo transitivo. Portanto, pede paciente da ação discriminatória. Segundo o dicionário Houaiss, é perceber diferenças, distinguir, discernir. Mas não só. É, também, colocar alguém ou alguma coisa à parte por algum critério para especificar, classificar, listar.

E a amplitude da discriminação não pára por aí. Discriminar é não (se) misturar, é formar grupo à parte dos portadores de alguma característica étnica, cultural, religiosa etc., vedando sua presença em meios sociais e locais pré-especificados.

O recente episódio envolvendo o deputado Jair Bolsonaro em mais uma agressão à sociedade, agressão essa igual a todas aquelas que freqüentemente atira,  deixa ver em que a discriminação se traveste de forma a cumprir suas características intrínsecas.

Os insultos de Bolsonaro a Preta Gil, por exemplo, a discriminaram pela cor da pele e por uma sua suposta preferência sexual. Como a lei brasileira só criminaliza a discriminação por etnia, mas não criminaliza discriminação por ideologia, o deputado racista e homofóbico refugiou-se na homofobia.

Esse tipo de comportamento se deve a três coisas que o deputado não entende: a natureza do ato de discriminar, o fato de que discriminar homossexuais tem um nome, homofobia, e a natureza da homossexualidade.

Toda vez em que você critica pessoas publicamente por suas características intrínsecas, tais como cor da pele, origem geográfica, crença religiosa ou comportamento sexual, entre outros, está, sim, discriminando, pondo à parte e condenando pessoas por uma faceta delas que não têm como mudar.

Quem se sente agredido pela forma como uma pessoa se satisfaz afetiva e sexualmente e se julga no direito de exortar outras pessoas a agirem da mesma forma, tem uma qualificação: homofóbico.

Fobia a homossexuais. Fobia, mais uma vez de acordo com o dicionário, é aversão insuportável, para simplificar. Pode ser patológica, mas não necessariamente. Em geral, é um aspecto cultural do indivíduo que se deve ao meio social em que nasceu e cresceu. Ou desejo inconsciente.

Já a natureza do comportamento homoafetivo, essa é a parte que menos entende gente como Bolsonaro ou um Reinaldo Azevedo e outros “formadores de opinião” que vivem pregando o “direito” de discriminar homossexuais por palavras e atos públicos.

Um homossexual não pode mudar sua natureza tanto quanto um negro não pode mudar de pele, mesmo que quisessem. A atração pelo mesmo sexo independe da vontade. Homossexuais percebem suas tendências ainda na infância.

A homossexualidade é tão natural nos seres vivos que entre os animais irracionais ela ocorre intensamente. Os símios, por exemplo, praticam homossexualismo. E não é por falta de “porrada”, como pensa o inculto deputado do PP fluminense.

Comentário de um leitor que vetei, mas que não deletei porque pode exemplificar a desinformação dos que crêem no “direito” de discriminar,  permite mostrar a natureza dessa ideologia bizarra. O nome da pessoa, aliás, não importa. Há muitos outros iguais. Vale tampar o nariz e ler, para entender o que essas pessoas pensam:

Só vou acreditar nessa raivinha toda se um dia processarem um preto que falou mal de branco ou quando um branco puder lançar uma revista com o nome de Raça Branca, uma banda Brancura Junior ou andar com camiseta 100% Branco sem ser importunado.

Aliás, deveriam explicar por que a maioria dos pretos, quando sobe na vida, casa com brancas, por que a obsessão nacional com as louras e por que a África não vai para a frente.

Deveriam, mas não podem, porque o verdadeiro debate racial está interditado pelos fricotes da claque politicamente correta como a que abunda aqui.

O mesmo vale para os veados e sapatorras: eles podem esculhambar impunemente as instituições tradicionais, mas não podem ser minimamente criticados.

E Bolsonaro está certissimo quanto ao regime militar: tinha-se mais autoridade, mais progresso e mais segurança (menos para a esquerdalha tirânica que queria implantar a força o comunismo aqui, claro).

E, verdade também, os presidentes miilitares serviram ao país e não enriqueceram, como os que vieram depois (exceto Itamar).

Já a Preta Gil, bem , sem comentários…Viva Bolsonaro, um dos poucos que ousam dizem a verdade na era da ditadura do politicamente correto!

Tente controlar a repulsa. Analise o que essa pessoa não entende, e que é o seguinte:

1 – Falar mal de branco também é crime. O que a lei tipifica é a discriminação por etnia, não só pela etnia negra. Mas discriminar branco não é tão combatido porque brancos não foram escravizados.

2 – Não há estatísticas sobre ser a “maioria” dos “pretos” que se une a “brancas”, mas mesmo se for verdade isso decorre da estigmatização dos negros, associados ao insucesso pela situação de penúria que o racismo lhes produz.

3 – A África negra – que foi aquela à qual o comentarista quis se referir – vai para frente, sim. Está indo. Não foi antes porque foi saqueada pelos brancos.

4 – Debate racial é racismo, um crime, uma perversão que quer discutir a cor da pele das pessoas, tornando alguns seres humanos inferiores a outros.

5 – Os “veados e sapatorras” a que esse infeliz se refere não “esculhambam” nada, apenas exercem o direito de se relacionarem sexual e afetivamente com quem bem entenderem. Querer escolher o que devem sentir em termos de desejo e paixão, é uma barbaridade.

6 – Ninguém passa a gostar de jiló por ver alguém comendo jiló. As escolhas gastronômicas, em alguma medida, explicam por que uns gostam de pessoas do sexo oposto e outros, de pessoas do mesmo sexo.

O resto do que o indivíduo diz, é direito dele. Se gostou da ditadura, é a opinião política dele e tem o direito de dizê-la, assim como qualquer um tem direito de discordar. Deve-se, aliás, debater esse assunto, mas essa é outra discussão.

O resumo de tudo é que não se pode confundir apologia aos crimes de racismo e de homofobia (que é crime mesmo não sendo assim tipificada em lei, ainda) com liberdade de expressão. Enquanto a sociedade brasileira permitir que até um deputado cometa tais crimes, continuaremos a ser um país ainda incivilizado.

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98 Comentário

  1. Desculpe-me assunto fora do contexto.
    Ontem houve uma grande manifestação/passeata dos professores do Rio de Janeiro, cerca de mil pessoas, na Av. Rio Branco. Fotografei com meu celular.
    Uma manifestação limpa, com apoio da polícia. Foram vaiados a Ditadura, o governo sergio cabral e suas atitudes em relação a educação pública, o grande corte de verbas para a educação do governo dilma.
    Foi dito que o governo tem mais interesse em prestigiar os bancos do que a Educação.
    Uma grande decepção com os discursos da presidente dilma.
    E a imprensa não publicou uma nota.

    • Eu acho engraçado quando falam em “corte” de verbas, quando foi um corte no orçamento… Ano passado foram gastos 55 milhões e esse ano serão gastos 60 (ao invés de 63)… Então é um corte de 55 para 60 mi?

      São números pra exemplificar… É óbvio que quanto mais verba pra educação, melhor, só que ainda estamos presos ao “deus-mercado” (pra quem acha que não é um deus, com quase todo o pensamento financeiro voltado para ele, sua egrégora chega aos patamares dos deuses de antigamente). Voltando ao assunto, infelizmente precisa-se equilibrar as contas, o Brasil não é invulnerável e vem mais crise chegando aí… Fabricada artificialmente, como foram todas as crises (ou guerras) desde 1929.

      Os professores fazem a sua parte, puxando a brasa para sua sardinha também… Só queria mostrar que o propalado “corte” nas verbas federais não é bem um corte de gastos, mas uma arrumação no orçamento.

  2. Ótimo texto Edu,

    Concordo em número, gênero e grau.

    Só gostaria de lembrar de um caso interessante, onde o apresentador Luis Datena, em seu programa diário, atacou as pessoas que não possuem crenças religiosas, acusando-as de serem a causa de todos os males.
    O curioso é que quando foi interpelado judicialmente pelo ataque, colocou-se como vítima de uma perseguição devido à sua crença.

    É um belo caso de discriminação disfarçada.

  3. Edu,por favor ,gostaria de saber da Vitoria.

    Um abraço

    • Ela deu uma piorada, Priscila. Febre, vômitos. Está internada, ainda. Não sabemos se seu corpo aceitará o corpo estranho (a sonda) colocada em seu abdome. Só resta esperar.

  4. Esse tipo de gente, pelo exemplo que nós dão os países com mais tempo sob regimes democráticos, ainda vão demorar muito a desaparecer. E, no Brasil, tudo indica que nós só estamos no começo do nosso processo de explicitar e debater, como quer seu interlocutor anônimo, nossos mais profundos preconceitos.

    Não são só essas pessoas que terão muito a aprender: quem se coloca do lado da democracia e da tolerância também terá que aprender quais as melhores formas de lidar com elas. Sempre que vejo essas opiniões absolutamente antidemocráticas fico pensando em uma das mais antigas questões da democracia moderna: até onde vai a liberdade de expressão? E não adianta usar o exemplo americano, pois sua liberdade visivelmente tem dois pesos e duas medidas: fanáticos religiosos podem chamar seu presidente de “filho do demônio” em frente à Casa Branca, mas em Seattle, em 2000, protestantes que foram às ruas manifestar contra o encontro da Rodada Doha da OMC foram tão duramente reprimidos que muitos transeuntes, absolutamente alheios à questão, resolveram aderir às manifestações — e muitas vezes por terem sofrido, gratuitamente, agressão das forças policiais.

    Seu artigo é muito útil para essa pergunta. Até onde vai a liberdade de expressão? Até onde ela passa a desrespeitar o direito do outro. Ninguém tem o direito de agredir o outro, da mesma forma que não tem o direito de se sentir ofendido por uma pessoa devido a características que ela não tem como mudar: cor da pele, sexualidade, cabelo, corpo.

  5. Esse tipo de gente, pelo exemplo que nos dão os países com mais tempo sob regimes democráticos, ainda vão demorar muito a desaparecer. E, no Brasil, tudo indica que nós só estamos no começo do nosso processo de explicitar e debater, como quer seu interlocutor anônimo, nossos mais profundos preconceitos.

    Não são só essas pessoas que terão muito a aprender: quem se coloca do lado da democracia e da tolerância também terá que aprender quais as melhores formas de lidar com elas. Sempre que vejo essas opiniões absolutamente antidemocráticas fico pensando em uma das mais antigas questões da democracia moderna: até onde vai a liberdade de expressão? E não adianta usar o exemplo americano, pois sua liberdade visivelmente tem dois pesos e duas medidas: fanáticos religiosos podem chamar seu presidente de “filho do demônio” em frente à Casa Branca, mas em Seattle, em 2000, protestantes que foram às ruas manifestar contra o encontro da Rodada Doha da OMC foram tão duramente reprimidos que muitos transeuntes, absolutamente alheios à questão, resolveram aderir às manifestações — e muitas vezes por terem sofrido, gratuitamente, agressão das forças policiais.

    Seu artigo é muito útil para essa pergunta. Até onde vai a liberdade de expressão? Até onde ela passa a desrespeitar o direito do outro. Ninguém tem o direito de agredir o outro, da mesma forma que não tem o direito de se sentir ofendido por uma pessoa devido a características que ela não tem como mudar: cor da pele, sexualidade, cabelo, corpo.

  6. Eduardo veja este excelente texto que saiu no terra.

    O humano e o anti-humano nos humanosMarcelo Carneiro da Cunha
    De São Paulo

    Estimados leitores, uma nova semana, uma nova vida. Nessa semana a vida foi homenageada na forma pela qual o nosso ex-vice presidente José Alencar lutou por ela, deixando a gente com a sensação de que ele venceu, tanto no tempo extra que ganhou para usá-la como na dignidade que demonstrou na luta. A vida, estimados leitores, é feita tanto pela sua duração como pela forma com que ela é vivida.

    E nessa mesma semana a vida foi anti-homenageada pela figura anti-humana do deputado Jair Bolsonaro, deputado eleito várias vezes por um segmento incompreensível do bravo eleitorado do bravo Rio de Janeiro.

    Não é de hoje que o deputado Bolsonaro se beneficia da democracia e do estado de direito que ele parece tanto desprezar e os utiliza para espalhar, sem maiores consequências – para ele, e até agora -, mensagens de extrema desumanidade. O deputado Bolsonaro defendeu a tortura, defendeu a homofobia, defendeu agora o racismo, e finalmente, ao que parece, descobriu os limites que mesmo uma sociedade democrática e de direito oferece à barbárie.

    A humanidade se divide entre dois grandes grupos, e não é de hoje, caros leitores. Um deles basicamente prefere o que não é humano, ou pelo menos não coloca as pessoas em primeiro lugar. Esse grupo prefere coisas como Deus, Estado, moral, tradição, honra, glória e outras palavras que expressem de uma maneira aparentemente bonita emoções que podem ser bem feias. Afinal, quando eles são racistas ou homofóbicos, quem mandou foi Deus, não é mesmo?

    O outro grupo gosta mais de gente do que gosta de supostos valores e tradições, acredita que somos uma mistura de bem e mal, mas que é possível investir no bem, acreditando que ele tem chances desde que bem apoiado pela evolução social e pensando no longo prazo.

    Os dois sentam em lados opostos dos parlamentos, o primeiro à direita, o segundo à esquerda. Não é a economia que define esquerda e direita, estimados leitores. Não é o nome do partido, nem as cores de suas bandeiras ou o que estiver escrito nelas, mas sim o que eles defendem. Se defendem acima de tudo coisas como igreja, família, a glória nacional e a torta de maçã, direita. Se defendem de verdade coisas como igualdade, fraternidade, liberdade, esquerda. O humanismo e o anti-humanismo estão entre nós desde que descemos das árvores e passamos a virar homo sapiens sapiens, coisa que os humanistas apreciaram, os anti-humanistas nem tanto, porque preferem o tempo em que todos nos matávamos sem muito sentimento de culpa. Portanto, o deputado Bolsonaro, o que ele representa, nem é um bloco dele sozinho, nem vem de hoje. O problema, e talvez essa seja a real questão, é que o que ele representa, não evolui, porque não foi desenhado para evoluir. E a sociedade, a nossa, evolui, e a semana foi uma demonstração disso.

    A idéia de que o homem é o lobo do homem, que queremos levar vantagem em tudo e ai dos mais fracos não é nova. Aliás, é a mais velha de todas, e serviu muito bem na época em que éramos isso aí mesmo, talvez por falta de escolha, porque os predadores eram maiores e mais rápidos do que a gente e ainda não tínhamos inventado coisas como o aço e o AR-15.

    À medida em que fomos nos tornando menos nômades e mais urbanos, surgiu, mais do que a necessidade, a possibilidade de sermos menos selvagens. Muitos de nós reagiram a essa novidade com entusiasmo. Poderíamos viver de uma maneira mais suave e menos agressiva, em colaboração, versus competição contínua por recursos que passamos a produzir mais e melhor. Poderíamos, por evolução social, criar melhores sistemas, melhores leis, melhores padrões de comportamento, até sermos mais, ora quem diria, civilizados. Muitos de nós abraçaram essa idéia revolucionária e inventaram constituições que proclamavam a nossa igualdade de humanos enquanto ela não era nem ao menos muito praticada. O horror à escravidão, caros leitores, é uma invenção do século 19 – ontem, na longa escala da História.

    Enquanto isso, outros seres humanos não reagiam com tanto bom humor a essas mudanças e tentavam manter o mundo selvagem e cruel como ele tinha sido, e como eles defendiam e defendem, sempre será.

    Pessoas menos dotadas de sensibilidade, generosidade, pessoas menos capazes de compreender a beleza, apelam para a idéia de que por mais que exista a beleza, a feiúra é fundamental e ela é quem manda. Eles insistem em dizer que somos todos falsos, corruptos, maus, se espelhando em si mesmos e colocando a todos nós no mesmo saco, como se iguais fôssemos. Não somos.

    Uns tempos atrás uma editora nazista atormentava a Feira do Livro de Porto Alegre. Eles se disfarçavam de nacionalistas, se protegiam atrás da liberdade de imprensa, nos ofendiam com as suas idéias, e isso durou até o editor nazista ser condenado pela Justiça. Ele testou os limites da democracia e os descobriu e agora é a vez do deputado Bolsonaro.

    Uma sociedade livre é criada para vivermos em liberdade. A liberdade requer o reconhecimento do outro como um igual, dotado dos mesmos direitos e respeitado como um igual. É ótimo viver assim, mas alguns, simplesmente não conseguem. Azar deles. A nossa sociedade, mesmo sem estar lá, já demonstrou saber para onde quer ir. Uns simplesmente não vão conseguir vir junto. Azar deles.

    Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem “O Branco”, premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos “Simples” e o romance “O Nosso Juiz”, pela editora Record. Acaba de escrever o romance “Depois do Sexo”, que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances “Insônia” e “Antes que o Mundo Acabe”, publicados pela editora Projeto.

    Fale com Marcelo Carneiro da Cunha: [email protected]
    ou siga @marceloccunha no Twitter

    Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

  7. Caro Edu,

    Como sempre, seus textos são muito bons. É ótimo poder encontrar espaços assim para podermos respirar mais aliviados, frente à asfixia desnorteante dessa falta de ideias e inteligência que reina entre pessoas que acreditam que “a culpa é sempre da vítima, que deu bandeira”. É um inferno isso. Esse Jair Bolsonaro, como muitos outros de sua estirpe, já deveria estar na cadeia há muito tempo. Nossa democracia precisa tratar pessoas desse naipe com mais rigor para não ser desmoralizada. Enquanto o Estado Brasileiro ainda não acertar as contas com seu passado mais recente, o fantasmo do pensamento autoritário e segregador continuará rondando as cercanias de nossa miserável vida política.

  8. Caro Edu,

    Como sempre, seus textos são muito bons. É ótimo poder encontrar espaços assim para podermos respirar mais aliviados, frente à asfixia desnorteante dessa falta de ideias e inteligência que reina entre pessoas que acreditam que “a culpa é sempre da vítima, que deu bandeira”. É um inferno isso. Esse Jair Bolsonaro, como muitos outros de sua estirpe, já deveria estar na cadeia há muito tempo. Nossa democracia precisa tratar pessoas desse naipe com mais rigor para não ser desmoralizada. Enquanto o Estado Brasileiro ainda não acertar as contas com seu passado mais recente, o fantasma do pensamento autoritário e segregador continuará rondando as cercanias de nossa miserável vida política.

    E desejo uma energia maravilhosa e revitalizante para sua filhinha Victoria e sua família nessa caminhada.

  9. Boa tarde, li no PHA – “o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), que afirmou nessa quarta-feira (30), no Twitter, que os “africanos descendem de um ancestral amaldiçoado”. Mais um pulha, (diga-se democraticamente eleito), que faz parte dessa linhagem racista que começa a mostrar suas garras, e esse Infeliz se escora em “uma questão teológica” para suas afirmações. Ainda tenho esperança de que a Comissão de Ética do congresso coloque esses canalhas em suas devidas jaulas.

  10. Um ponto so que eu tenho a ressaltar sobre discriminação,preconceito:é uma coisa que dói profundamente na pessoa que é vitima da conduta preconceituosa,discriminatroria.A pessoa acaba por se sentir diminuida como ser humano.As feridas que provoca demoram muito a cicatrizar.A campanha demotucana do ano passado foi farta em exemplos de condutas preconceituosas,discriminatorias contra Dilma.Pior de tudo é que quarenta e quatro milhões de brasileiros acreditaram nas mentiras assacadas contra nossa presidente votando no candidato da direita,José Serra.

  11. Edu, sobre o assunto leia meu novo post:

    Quantos Bolsonaros o Brasil está formando?

    http://www.comunistas.spruz.com/pt/Quantos-Bolsonaros-o-Brasil-est-formando/blog.htm

  12. É por estas e outras que acredito estarem certos os argentinos quando estes chamam brasileiros de macaquitos, a cor já não mais importa.

    Quando se olham os exemplos do que eles estão fazendo em termos de liberdades e direitos, o respeito ao passado e exemplos que buscam dar às futuras gerações, verificar o que ocorre aqui entre nós é realmente lamentável, ainda mais aquelas vergonhas aprovadas por nossa “justiça” injusta.

    Hermanos argentinos, por favor enviar más racimos de plátanos para nosotros aquí en Brasil, tenemos muchos “macaquitos albinos” muriendo de hambre.

  13. Edu,
    Obrigado pela aula dada através deste texto sobre discriminação. Beijos na Victória. Força a cada dia.
    Karla

  14. Caro eduardo, essa anta que escreveu isso deve ser um saudosista militar, que torturava as pessoas, e que hoje vive no esquecimento.SE ESSA ANTA TIVESSE ALGUM CONHECIMENTO, ELE SABERIA QUE A AFRICA VIVE NESSA SITUAÇÃO POR QUE OS EUROPEUS BRANQUINHOS E CIVILIZADOS COMO ELE, ACABARAM COM A AFRICA

  15. Caro Edu, desde que virei dirigente sindical da categoria bancária estou aprendendo muito na última década a respeito dos temas que você abordou em seu excelente texto. Valeu por nos fornecer novos argumentos para tentar educar e formar as pessoas ainda sem esse conhecimento e as pessoas ainda intolerantes. Abraços, William Mendes – secretário de formação da Contraf-CUT

  16. Proteja o Brasil do Bolsonaro

    ABAIXO-ASSINADO

    Mais de 60 mil já assinaram

    http://www.avaaz.org/po/homofobia_nao/?vl

  17. “Carta aos Fundamentalistas

    E-mail enviado por um estudante de teologia de Boston para Laura Schlessinger, uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show. Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levíticos 18:22 e não pode ser perdoada em qualquer circunstância. O texto abaixo é uma carta aberta para Dra. Laura, escrita por um cidadão americano e também disponibilizada na
    Internet”.

    “Cara Dra. Laura,

    Obrigado por ter feito tanto para educar as pessoas no que diz respeito à Lei de Deus. Eu tenho aprendido muito com seu show, e tento compartilhar o conhecimento com tantas pessoas quantas posso. Quando alguém tenta defender o homossexualismo, por exemplo, eu simplesmente o lembro que Levítico 18:22 claramente afirma que isso é uma abominação. Fim do debate. Mas eu preciso de sua ajuda, entretanto, no que diz respeito a algumas leis específicas e como seguí-las:

    a) Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável para o Senhor (Levítico 1:9). O problema
    são os meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo matá-los por heresia?

    b) Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela?

    c) Eu sei que não é permitido ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levítico 15:19-24). O problema é: como eu digo isso a ela ? Eu tenho
    tentado, mas a maioria das mulheres toma isso como ofensa.

    d) Levíticos 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a mexicanos, mas não a canadenses. Você pode esclarecer isso? Por que eu não posso possuir canadenses?

    e) Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo eu mesmo?

    f) Um amigo meu acha que mesmo que comer moluscos seja uma abominação (Levítico 11:10), é uma abominação menor que a homossexualidade. Eu não concordo. Você pode esclarecer esse ponto?

    g) Levíticos 21:20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?

    h) A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levíticos 19:27. Como eles devem morrer?

    i) Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levítico 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (as bolas de futebol americano são feitas com pele de porco)

    Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna e imutável.

    Seu discípulo e fã ardoroso.”

    http://www.overmundo.com.br/overblog/carta-aos-fundamentalistas

  18. Excelente post. Muito didático e esclarecedor. Parabéns!.

  19. É desconhecido tratamento da questão discriminação e racismo como acontece atualmente, importante que vem evoluindo consequentemente colaborando para que a sociedade passe entender.

    Promover a igualdade racial não é responsabilidade só do movimento negro ou do estado brasileiro, mas de todos. A responsabilidade é coletiva, todos devem sentir-se motivados a realizar ações, por menores que sejam, em prol do país que queremos, um Brasil sem pobreza e sem discriminação.

    Importante a população não negra perceber que a melhoria da qualidade de vida dos negros representa melhoria para todos. Nesse processo em que o Brasil passa a ser a quinta economia do mundo, o negro não pode continuar sendo deixado para trás.

    Muitos estão dentro mas ainda fogem do tema.

    Aproveito a oportunidade já que também vejo como desconhecido da população o caso do Paulo Sérgio Ferreira que foi preso em Brasília, por subir no mastro na Pça dos Três Poderes e atear fogo na bandeira nacional quarta-feira (13), dizendo-se descontente com tratamento dado aos negros no país. Na delegacia fez registrar o seguinte: “Gostaria de chamar a atenção para a situação dos negros no país”.

    Clique tenham conhecimento:
    http://www.afrodescendente.net.br/blog0092.htm

  20. Eduardo escreveu:

    “Toda vez em que você critica pessoas publicamente por suas características intrínsecas, tais como cor da pele, origem geográfica, crença religiosa ou comportamento sexual, entre outros, está, sim, discriminando, pondo à parte e condenando pessoas por uma faceta delas que não têm como mudar.”

    Meus comentários:

    Cor da pele e origem geográfica, de fato, são características imutáveis. Nesses casos não estamos falando de comportamento, mas sim de características que REALMENTE nasceram com o indivíduo.

    O mesmo não podemos dizer a respeito do comportamento sexual e muito menos da crença religiosa.

    Preste atenção. Você afirma que a crença religiosa é algo que NÃO TÊM como mudar. Isso é falso, nitidamente falso.

    Você poderá, agora mesmo, certificar que sua afirmação não faz sentido.

    Ao longo da sua vida suas crenças religiosas permaneceram incólume?

    E desde quando criticar a crença ou o comportamento religioso dos outros é sinal de preconceito e discriminação?

    Posso criticar e discordar do comportamento individual religioso de alguém sem, no entanto, discriminar a sua pessoa.

    Posso criticar e discordar do comportamento sexual de alguém sem, no entanto, discriminar a sua pessoa.

    Era exatamente o que Jesus Cristo fazia quando criticava na sua época a prostituição sexual ao passo que permitia que uma prostituta lhe beijasse os pés.

    Ele tinha fobia por prostitutas? Sua atitude prova justamente o inverso, embora ele mesmo nunca tenha endossado, praticado ou financiado a prostituição.

    Não existem somente duas classes de comportamento sexual no mundo (heterossexualismo e homossexualismo).

    Existem dezenas, talvez centenas, quem sabe milhares. Desde comportamento sexual padrão até fetiches prá lá de estranhas (muitas delas classificadas como doenças pela OMS, tal como o sadomasoquismo).

    Não praticar, ter ojeriza, não endossar, não sustentar ou ainda CRITICAR tais comportamentos NUNCA caracterizou como atitudes discriminatórias.

    Até mesmo o homossexual tem o direito de ter ojeriza ao comportamento heterossexual. E de fato ele TEM.

    Nem por isso ele é classificado como “heterofóbico”.

    Ou somente o heterossexual merece ser criminalizado caso tenha ojeriza e aversão ao comportamento homossexual?

    (Nessa linha de raciocinio, sugiro que você leia o seguinte texto: http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/11958-os-gays-contra-a-liberdade-sexual.html)

  21. Eduardo escreveu:

    “Um homossexual não pode mudar sua natureza tanto quanto um negro não pode mudar de pele, mesmo que quisessem.”

    Meus comentários:

    Luiz Mott, antropólogo e decano líder do movimento LGBT, certamente não concordaria com Eduardo Guimarães. Em entrevista ao Jô Soares, ao se referir à condição homossexual, ele afirmou justamente o inverso. A existência de heterossexuais que se tornaram homossexuais e a de homossexuais que se tornaram heterossexuais ao longo da sua existência – mais do que ninguém ele entende perfeitamente do assunto e deve saber muito bem o que diz e afirma, posto que vive na prática a condição de ser homossexual e já deve ter presenciado inúmeros casos a respeito.

    Não existe absolutamente nada de científico em colocar no mesmo patamar a escolha sexual de um indivíduo com sua raça, cor de pele.

    Dentro deste prisma, o único consenso que existe entre a comunidade científica é que não existe consenso algum. Aliás, desconheço qualquer estudo cientifco tetando validar o homossexualismo na condição semelhante à de “raça”.

    Eduardo escreveu:

    “A atração pelo mesmo sexo independe da vontade. Homossexuais percebem suas tendências ainda na
    infância.”

    Meus comentários:

    Para validar a pedofilia como algo “sacrossanto isento de críticas” parte desse argumento é válido, ou só vale quando é proferido da boca dos militantes para defender sua agenda política na ascenção do homossexualismo em nossa sociedade?

    Existem uma infinidade de heterossexuais adultos que tiveram relacionamentos homossexuais na infância com seus amigos sem ao menos saber do que se tratava. Praticavam pelo impulso, tais como os primatas símios que você mencionou logo abaixo.

    Ao descobrirem do que se tratava simplesmente evitam lembrar que mantiveram relações homossexuais na infância.

    Obviamente que muitos manifestam tal desejo quando criança e, ao atingirem a fase adulta, acabam por assumir tal condição perante a sociedade.

    E existem aqueles que NUNCA sentiram desejo quando criança e se tornaram homossexuais quando adultos.

    Não existe a tal regra inflexível de que as pessoas nascem e morrem homossexuais. Se quer essa regra existe para os heterossexuais.

    E para aqueles que costumam transar com cavalos? Vale o mesmo afirmar que o tal que assim procede nasceu e irá morrer com este “impulso”, desejo?

    Mais uma vez, não existe absolutamente nada de científico nas declarações do Eduardo.

    Nem mesmo entre os próprios homossexuais, sejam eles militantes (tal como o Luiz Mott) ou não, existe um consenso absoluto sobre isso.

    Eduardo escreveu:

    “A homossexualidade é tão natural nos seres vivos que entre os animais irracionais ela ocorre intensamente. Os símios, por exemplo, praticam homossexualismo.”

    Meus comentários:

    E os cachorros machos fazem sexo com suas filhotas tão logo elas entram no cio pela primeira vez.

    Um pai que seduz sua filha de 12 anos a ter relações sexuais com ele não pode ser questionado, pois “o incesto é tão natural nos seres vivos que entre os animais irracionais ele ocorre intensamente. Os cães, por exemplo, praticam incesto com suas filhas.”

    Sua linha de raciocínio para colocar a prática homossexual como algo sacrossanto e intocável pode ser usada para validar, por exemplo, a pedofilia.

    “Um pedófilo não pode mudar sua natureza tanto quanto um negro não pode mudar de pele, mesmo que quisessem. A atração por infantes independe da vontade. Pedófilos percebem suas tendências desde os mais tenros contatos com o sexo na pré-adolescência.”

    Ora, quer defender a prática homossexual como salutar e padrão normativo entre os seres humanos defenda, mas use argumentos mais sólidos.

    Dessa forma você acaba cedendo munições ideológicas para que toda sorte de comportamento sexual seja visto como algo intocável, inquestionável e isento de críticas ou ressalvas.

    São exatamente com argumentos como esses lido em seu blog (comparações com símios, comportamentos sexuais com status de raça, impulsos e preferências de ordens sexuais herdadas no nascimento) que a Holanda já experimenta a ascensão de partidos pedófilos em seu cenário político.

    Não estou aqui fazendo levantes contra a PESSOA do homossexual, antes estou expondo a nítida fragilidade de suas argumentações na tentativa de levar os seus leitores a tratarem como criminosos as pessoas que criticam e discordam do COMPORTAMENTO homossexual por não enxergar tal prática como algo salutar e padrão normativo dentro da nossa sociedade.

    Se quem pensa desta forma merece ser taxado de homofóbico e tratado como um criminoso é por que o discurso dos militantes pró-homossexualismo de defesa da democracia e a liberdade sexual do indivíduo constitui mera propaganda ideológica com o intuito de encerrar determinada socidade em uma espécie de totalitarismo e assim garantir espaço e pleno poder dentro do cenário político.

    Encerro aqui replicando o que disse Leonardo Bruno no link que te enviei em comentário anterior:

    “Paradoxal argumento: os gayzistas pregam a “diversidade sexual”, mas não admitem que dentro dessa diversidade haja rejeições ou aversões. (…) A relação com o sexo implica não somente a aceitação de uma prática que nos dá prazer, como também a recusa daquilo que nos causa aversão. Ou melhor, a liberdade sexual implica a faculdade de usufruir dos desejos sexuais e também o direito de rejeitar o sexo, quando ele nos parece prejudicial, doentio, perverso. Ou seja, significa tanto escolher como recusar práticas ou condutas sexuais. Significa também fazer juízos de valor sobre a sexualidade.”

  22. Se ao ler estes comentários você afirmar que sou homofóbico (a única maneira de agir dos militantes quando tem sua agenda política criticada) saiba que eu tenho um tio homossexual e duas primas lesbicas.

    Eles não me consideram como “homofóbico”.

    A diferença é que nenhum deles são militantes do movimento LGBT que mantém uma agenda a cumprir visando a ascenção de seus lideres nos mais alto escalão politico-governamental e a eliminação total de todos os seus adversários.

    Por esta razão convivemos muito bem.

    Ao ler as linhas do meu primeiro e do segundo comentário é impossível alguém julgar quais são as minhas preferências sexuais, mesmo por que, em nenhum momento, eu promovi o relacionamento heterossexual em detrimento do relacionamento homossexual (apesar de ter ojeriza à segunda prática, tenho direito de manisfestar isso publicamente?) e MUITO MENOS incitei a violência contra as pessoas que praticam o homossexualismo.

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