Direitos Humanos para quem precisa

Buzz This
Post to Google Buzz
Bookmark this on Delicious
Bookmark this on Digg
Share on FriendFeed
Share on Facebook
Share on LinkedIn

“Há 2.500 Sakinehs no Brasil”, disse Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, sobre o voto deste país na ONU favorável ao envio de inspetor àquele país para apurar violações de direitos humanos. Sakineh, caso alguém não saiba, é a iraniana acusada de assassinato do marido e condenada à morte. Tornou-se símbolo da campanha internacional que os Estados Unidos desencadearam em sua guerra política contra o país do Oriente Médio.

Nada contra investigarem direitos humanos no Irã. Investigação não é condenação. E, quando um estado é acusado de promover torturas, sejam de criminosos ou de presos de consciência, a investigação se torna imperativa.

Que se investigue, pois, se o estado iraniano promove tortura. Acredito até que aconteça, pois castigos desumanos são comuns em muitos países, entre os quais os Estados Unidos, que não usam (?) a tortura em seu sistema prisional comum, mas usam em suas bases militares espalhadas pelo mundo, como em Guantánamo, em Cuba, ou em Abu Ghraib, no Iraque.

O que torna incompreensível a investida da ONU contra o Irã, porém, não é a mera determinação de envio de inspetor para apurar violações de direitos humanos naquele país, mas a omissão da Organização em relação a ditaduras no Oriente Médio que possuem máquinas estatais de continuada violação de direitos humanos, tais como a Arábia Saudita, o maior fornecedor de petróleo dos Estados Unidos.

A monarquia saudita dispõe de polícia especial que persegue muçulmanos moderados e cristãos. Por essa razão, a Arábia Saudita é tida como o segundo país mais intolerante em matéria de liberdade religiosa.

No Ocidente, devido ao desinteresse da mídia por ditaduras amigas dos Estados Unidos, poucos ouviram falar na Muttawa, a polícia religiosa da Arábia Saudita responsável por inúmeros casos de violações de direitos humanos.

Um dos casos mais conhecidos é de 2005. John Thomas, um indiano de 37 anos, foi detido no trabalho e levado para casa, onde foi torturado diante do filho de cinco anos. A acusação: prática de proselitismo religioso, pois praticar religiões não-oficiais, na Arábia Saudita, é considerado ato “subversivo” e “perigoso”.

Não há nenhuma novidade nestas informações. Estão amplamente disponíveis na internet e ninguém as nega. O próprio estado saudita admite a tortura e as violações de direitos humanos como prática endossada pela monarquia que governa o país com mão de ferro, e que, por suas boas relações com os Estados Unidos, é poupada pela mídia mundial, que prefere expor casos iranianos de violações muito menos claros do que os sauditas.

Ao perguntar aos gritalhões contra o Irã por que a ONU e a mídia ignoram tantas ditaduras aliadas dos EUA no Oriente Médio e em toda parte, porém, só se obterá evasivas. Simplesmente porque não há resposta que os que comemoram o envio de relator de direitos humanos ao Irã, mas não dizem um A contra a Arábia Saudita, possam dar sem reconhecer que o discurso pungente pró direitos humanos que entoam é produto da mais deslavada hipocrisia.

Aliás, em se tratando de direitos humanos, o Brasil não tem lições a dar a ninguém simplesmente porque o Estado brasileiro usa a tortura inclusive em suas dependências.

As torturas mais comuns, no Brasil, são de espancamento, mas passam por instrumentos como pau-de-arara, afogamentos, choques elétricos, chegando até a assassinato. Os que praticam tais atos são policiais civis e militares, agentes penitenciários e até delegados de polícia. As vítimas vão desde meros suspeitos de delitos até detentos, e os castigos que sofrem visam obter informações, confissões ou castigar. E ocorrem em delegacias, unidades prisionais e até na via pública.

Os responsáveis mais altos por tais práticas são os governadores de Estado, que comandam as polícias militares e que fazem de conta que não vêem as barbaridades que se pratica, e que permitem que as prisões brasileiras constituam-se em masmorras medievais, tais como as definiu recentemente um ministro da Suprema Corte de Justiça deste país.

Ou seja: o Estado brasileiro viola direitos humanos tanto quanto o iraniano, o cubano, o americano, o saudita ou qualquer outro.

A questão da tortura no Brasil, aliás, vem sendo regularmente acompanhada por organizações de direitos humanos nacionais e internacionais, mas o documento mais revelador foi o relatório apresentado no início da década passada por um Relator Especial da ONU que veio investigar os direitos humanos em nosso país, o inglês Sir Nigel Rodley.

O relator da ONU esteve no Brasil entre agosto e setembro de 2000. Durante sua missão, visitou o Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Pará. Em todas as cidades, à exceção de Brasília, visitou carceragens policiais, centros de detenção pré-julgamento e centros de detenção de menores infratores, além de penitenciárias.

As visitas aos estabelecimentos policiais, prisionais e de internação de menores eram sem prévia comunicação, sem monitoramento por parte do governo ou dos funcionários da prisão e sem restrições quanto a unidades e ambientes a serem visitados.

O Relatório elaborado por Sir Nigel Rodley foi apresentado em abril de 2001 à Comissão de Direitos Humanos da ONU. Tem mais de duzentas páginas, com 368 casos individuais. Vale reproduzir alguns de seus trechos.

O Relator Especial visitou várias delegacias de polícia. Em todas elas, a superlotação era o principal problema. Em todas as delegacias visitadas, os detentos eram mantidos em condições subumanas, em celas muito sujas e com forte mau cheiro, sem iluminação e ventilação apropriadas. O ar estava completamente saturado na maioria das celas. Os detentos tinham de compartilhar colchões de espessura fina ou dormir no piso de concreto descoberto e, muitas vezes, dormir por turnos de revezamento, devido à falta de espaço”.

(…)

Em todas as carceragens das delegacias de polícia o Relator Especial recebeu os mesmos testemunhos dos detentos, dando conta de espancamentos com pedaços ou barras de ferro e de madeira ou “telefone”, particularmente durante sessões de interrogatório, com a finalidade de se extraírem confissões, após tentativas de fuga ou rebeliões e com o propósito de se manter a calma e a ordem

De 2000 para cá, alguém tem coragem de dizer que essa situação mudou de forma significativa no país? Mais de uma década se passou e o Estado brasileiro continua violando os direitos humanos no melhor estilo saudita ou iraniano, ao gosto do freguês. E o trecho final do relatório em questão explica por que há tantas violações de direitos humanos no Brasil, violações que atingem desde bandidos notórios a meros suspeitos, sob as barbas omissas da mesma mídia que critica o Irã:

Existe uma inquietação pública generalizada acerca do nível de criminalidade comum, o que gera um senso de insegurança pública amplamente difundido, que, por sua vez, resulta em demandas por uma reação oficial draconiana, às vezes sem restrição legal. Tem havido uma prática, por parte de alguns políticos e partidos políticos, de explorar esse medo para fins eleitorais”.

Tags: , , , ,

38 Comentário

  1. Como sempre a velha hipocrisia da mídia. Mas é uma hipocrisia direcionada, sabemos agora que tudo é milimetricamente planejado. Sabemos que esta mídia não foi e nunca será independente. Seu interesses são os interesses da plutocracia – este o nome do verdadeiro regime Liberal.

    • P. Ilianovic nós vivemos em uma cleptocracia socialista .

      Como diz a dep Cidinha Campos “quem fica rico no poder é ladrão”.

      • Meu Deus, agora somos socialistas, segundo o cidadão aí… é cada um que me aparece…

        • Direitos Hamanos no país, somente nos discuros de hipócritas e nas Declarações Universais, na realidade as manifestações são outras

      • Sugiro ao prezado e nobre internauta Liberal o site do insopitável e hermenêutico Prof. Hariovaldo – http://hariprado.wordpress.com – que denuncia a transformação do Brasil numa república lulista-dilmista-socialista.

        Aliás, a América do Norte, do Sul e Central estão se curvando ante o bolchevismo demoníaco. Até mesmo na terra das pessoas de bens, os EUA, aquele moreninho esquerdista usurpou a presidência. Em breve o islamo-socialista Obama mudará o nome de seu país para USSA. United Socialist States of America.

        Prezado Liberal, tenho jatinho porque posso, e já orientei meus pilotos a deixarem a aeronave pronta para partir. Penso em mudar-me – juntamente com minha amantíssima consorte Kinkinha Brandão Olivares – para as ilhas Cayman ou o principado de Mônaco, onde temos pequenos negócios.

    • Olha aí Eduardo, um absurdo!

      Minha opinião. Se o movimento negro não denunciar o Brasil na Comissão de Direitos Humanos da OEA e da ONU, a lei antiracismo não vai funcionar, infelizmente. Vai ficar exugando gelo, porque sempre vão conseguir um jeitinho para não aplicar a lei.

      Denunciando, países que, de alguma forma querem pegá-lo e fazer alguma forma de retaliação, terá prato cheio. Não, não é porque a CDH está preocupada com o racismo não, é porque o Brasil está mostrando os dentes como potência emergente e se os grandes quiserem tirar uma casquinha para puni-lo a fim de ter alguma em troca lá na frente, assim farão.

      Se o movimento negro não usar estas instâncias internacionais, vai ficar enxugando gelo aqui dentro. Lembrando, inclusive, que o Brasil é membro do TPI, há tudo para ele ficar mal na fita, não tenham medo, denunciem para que aqui dentro a lei se faça cumprir.

      http://www.youtube.com/watch?v=uDydgDsQr3A&feature=player_embedded

  2. Um equivoco diplomatico que, se continuado, terá uma chusma de consequencias. Bem intencionado mas um equivoco da presidenta.

    • Não creio que seja esse o ponto. Politicamente, é melhor que o Brasil apóie simples investigações porque a distorção dos fatos pela mídia é poderosa e começo a achar que seria ingenuidade não lidar com isso. O que pode desculpar a conduta do governo brasileiro será não transigir com violações de direitos humanos em países que são acobertados pela ONU e pela mídia. Além disso, não vamos nos esquecer de que o governo já manifestou a intenção de investigar violações de direitos humanos na época da ditadura. Com as condenações reiteradas que a mídia cobrava, agora ela perde o direito de cobrar se o governo Dilma passar a cuidar da questão também aqui dentro. Dilma pode ter engendrado uma estratégia genial.

      • É isso que eu espero. É isso que deveria acontecer.

      • “Com as condenações reiteradas que a mídia cobrava, agora ela perde o direito de cobrar se o governo Dilma passar a cuidar da questão também aqui dentro. Dilma pode ter engendrado uma estratégia genial.”

        Perfeito. Pode ter sido iumaginado com genialidade, o que não lhe falta.

      • Sim, eduardo,processo que se levado adiante tem logica e mta logica politica. Tem condiçao de levar adiante com a coerencia indispensavevl,?não sei.
        Em outras palavras o país tem cacife politico diplomatico para ser uma vestal ‘chata’ assim no tema, em TODO o espectro, construir imagem e nao levar desvantagem na arena face a nossas proprias e globais ambiçoes? Ainda tá longe disso, não é?
        Por vezes, sem o percebermos,construimos cada imagen! .Mudarei de opinião logo que vierem elementos de convicção, mas eu no minimo, iria bem devagar com esse andor.

      • Apenas um adendo, Edu. A questão do Irã tem uma característica específica. O tal apedrejamento de mulheres. Isso faz com que a decisão da Dilma não pudesse ser outra

  3. Os EUA são o maior guardião dos chamados direitos humanos, bem como da liberdade. Disse Madame Roland, levada ao patíbulo pela Revolução Francesa: “Oh, liberdade, que coisas estão sendo feitas em seu nome”. Invadindo a Líbia, com a mão da Otan, os States não estão defendendo a democracia, mas, o suprimento de petróleo à combalida Europa. Defendendo os direitos humanos no Irã, na verdade, têm em mira o gasoduto Irã/Paquistão, que fornecerá gás à Índia, Russia e China. Elementar, não?

  4. Caro Eduardo, seu texto é triste, deprimente e _ o que é pior _ totalmente verdadeiro.

  5. o Brasil votou a favor disso por com a Dilma voltamos a abalar o rabo para os USA… vergonha Dilma devolva meu voto.

  6. Concordo em quase tudo. O grande problema não é a investigação das violações no Irã que, em princípio, não tem nada demais. O problema é que esse é mais um ato da campanha estadunidense anti-irã, visando estabelecer o fundamento de uma invasão futura.

    Não é apenas hipocrisia – afinal, ninguém com ao menos dois neurônios espera qualquer outra coisa dos EUA. O problema é a evidente intenção deles: colocar mais uma marionete em mais um país produtor de petróleo.

    Mas o que discordo é a da questão das violaões de direitos humanos no país.

    Tortura existe, sim, em nossas delegacias. Mas ela não é oficial. São policiais e delegados que agem por conta própria pq é mais fácil (e satisfatório pra eles). Cansei de ouvir policiais civis dizendo que não dá pra trabalhar com as restrições oficiais.

    A violação dos DHs nesse ponto não é a tortura em si, mas a falta do combate a essa prática. O Estado não autoriza a tortura, masnão a combate e se torna conivente com ela. É uma situação diferente da da era militar, onde a tortura era autorizada e incentivada pelo Estado.

    Pior do que isso é a reação popular a isso: tem muita gente que acha que é correto, e que bandido tem mais é que sofrer. Nem preciso dizer que tipo de gente é essa, né?

    Por outro lado, pior do que a tortura é a superlotação, uma forma de tortura permanente, que faz a direita virar os olhos em orgasmos múltiplos, por estarem “se vingando” dos criminosos, dizendo que eles “abriram mão” de seus direitos humanos ao violarem o DHs de suas vítimas. Pra eles, prisão é punição, é inferno, e acabou. Enquanto esse tipo de pensamento medieval existir, haverá violação de DHs no Brasil.

    Tem programa de televisão que ganha dinheiro explorando e violando direitos humanos, como o do Datena.

    Finalmente, alerto para termos cuidado com essas organizações de direitos humanos, pois elas não são confiáveis. Não há mais violações de direitos humanos no Brasil do que nos EUA, mas os relatórios contra os EUA são incomparavelmente amenos, superficiais e lenientes.

  7. Edu,

    Sem falar nos milhares de policiais que fazem bico como seguranças (ou mesmo não-policiais) os quais torturam diversos cidadãos às esconcidas (geralmente em cubículos localizados nas dependências do próprio local de trabalho) ou mesmo aqueles que matam outros às claras, na frente de todos.

  8. “Ou seja: o Estado brasileiro viola direitos humanos tanto quanto o iraniano, o cubano, o americano, o saudita ou qualquer outro.”

    Certíssimo, Eduardo! Agora te pergunto, será que o problema é sobre o país que viola direitos humanos ou seres humanos que VIOLA outros seres humanos não importando a nacionalidade?

    O ser humano não aprendeu absolutamente nada, continua a cometer os mesmo erros com relação ao seu semelhante, a história está aí pra quem quiser saber. Uma pena, pois o mundo seria um lugar bom de se viver, se a espécie humana não tentasse destroir a si mesma.

  9. Edu
    Esse é um de seus melhores textos pois envolve um sério problema que não queremos admitir, ou seja, somos contra a pena de morte, porém, ignoramos (talvez por autoproteção) o assassinato de pessoas, não importando por quais métodos, que vão desde a miséria até a tortura nos presídios, asilos e hospitais psiquiátricos.

    Amontoamos os “monstros” em imundas “celas”, local de pura descarga do sadismo social, ou saimos à caça de outras sociedades depositárias de nossa crueldade. Há um grupo imenso de pessoas invisíveis que uma grande parcela dos “formadores de opinião” insiste em eliminar, ou, no mínimo, fingir não existir.
    Acho que o ministério dos direitos humanos, aliado ao da justiça e saúde, poderiam abrir uma ampla discussão em relação às nossas mazelas sociais, elaborando um planodiretor comprometido com tais indivíduos, como é o Bolsa Família em relação à miséria.

    Espero que o voto brasileiro na ONU seja apenas para que as informações não sejam deturpadas em relação ao Irã e que ele (o voto) represente o comprometimento do atual governo na mudança de comportamento frente aos que aqui são igualmente torturados e mortos por policiais, donos de asilos e hospitais, funcionários de creches, grupos como os “skinheds”, donos de terras, juízes…

    Abs e bjs para a “mocinha”

  10. Enquanto isso em Israel:

    Um não judeu será preso se manter relação sexual com uma judia sem que ela saiba da sua condição de gentio.
    O trabalhador estrangeiro gentio somente será admitido em uma empresa israelense ao se comprometer a não manter relações sexuais com judias,
    E então?

    • As regras são claras; vai para lá quem quer…

      • Essa regra vale de lá pra cá, também?

      • Isso não são “regras claras”, mas racismo. Há um limite para as leis, e esse limite são os tratados internacionais que o país se compromete a seguir e, entre eles, a Carta da ONU e a Declaração de Direitos humanos.

        E o racismo, a discriminação baseada em raça, está claramente definido como ilegal.

        Com essa atitude, o Estado de Istrael molda-se em um Estado racista, igual, sem tirar nem por, o Estado nazista.

      • Resposta ao raciocínio facista de Abel Botelho:

        “Abel Botelho, sou praticante de três artes marciais. Se você passar perto de mim vou quebrar a sua cara. Pronto, as regras são claras, você só passa perto de mim se quiser. Não me chame de violento.”

        Brincadeiras à parte, Edu, Ahmadinejad mostrou não conhecer o Brasil quando afirmou que há 2500 Sakinehs aqui. Pois se ele conhecesse nosso país saberia que há 2500 Sakinehs em cada favela de cada grande cidade brasileira. Se não de fato, pelo menos em potencial.
        Qualquer um sabe que os pobres no Brasil tem tanto medo da polícia, que devia protegê-los quanto dos bandidos, que os aterrorizam. E sabe também que tal medo está longe de ser infundado.

        Abraços,

    • Não fala de israel pq vc pode ter descendencia judaica pelo ramo dos marranos (judeus forçosamente convertidos ao Catolicismo),muitos brasileiros tem esta origem e não sabem.

      Os judeus sefaradins tiveram de se converter ao catolicismo, ou seriam devorados pela ”Santa” Inquisição. Depois de convertidos, foram obrigados a adotar um sobrenome típico da região ou criar um que estivesse inserido no contexto linguístico da localidade (Sumiram então os Ben Nun, os Cohen, os Levy e tantos outros, que passaram a ser os Nunes, os Cunha, os Oliveira).

      http://www.genebase.com/article/Origins_of_Oliveira_Family

    • Se esse odioso RACISMO ocorresse aqui no Brasil a grita dos judeus e seus defensores seria interminável.
      Mas como é lá em Israel, coitadinhos, lá pode. Você nunca viu os filmes de Holywood: eles são sempre tão democráticos!

  11. Muito esclarecedor esse artigo Eduardo, parabéns!

  12. Está se estabelecendo um consenso de que este voto significa o caminho estratégico para ter credibilidade em apurar a tortura na ditadura. A se colocar contra o que Israel faz na Palestina. O que o governo de Honduras contra os movimentos sociais.
    O Brasil/Dilma não pode controlar todas as iniciativas dos países ricos ou indevidamente ricos desde todo o sempre. Esse voto foi articulado como estratégia diversionista pelos EUA. É um jogo de xadrez.
    A cada instante Dilma tem de tomar decisões mantendo a prioridade nº 1 “País rico é país sem pobreza”. Erradicar a miséria. A de chegar a hora em que será instada a tomar a mesma decisão sobre outras violações no Brasil e no mundo.
    Já disse que coloquei o blog do Planalto para cultivar otimismo com ações de Dilma. Por exemplo se ela foi a Ana Maria e Hebe, também recebeu as produtoras de cinema no planalto. E lá tem outras boas noticias.

  13. A questão é simplesmente a seguinte: Com o Afeganistão e o Iraque sob controle militar dos Estados Unidos, a última grande peça do xadrez para controlar todo o oriente médio (e suas reservas de petróleo) é o Irã.

    Por isso que Lula e Amorim – ACERTADAMENTE – não faziam o jogo HIPÓCRITA dos Estados Unidos com essa conversa de “direitos humanos”.

    Lá nos Estados Unidos também tem pena de morte – normalmente só dada a negros e pobres.

    Não sei se ainda é usada em algum lugar, mas até não muito tempo se usava morte na CADEIRA ELÉTRICA.

    Sinceramente, eu não sei que moral um país desses tem (MESMO SE FALASSE SÉRIO – o que não é o caso) para cobrar “direitos humanos” de ninguém.

    Abu Graib, Guantânamo (milhares de preços sem acusação e sem direito a defesa), locais de torturas da CIA espalhados pelo mundo, etc, etc, etc.

    Civis Iraquianos e afegãos mortos a dezenas todas as semanas pelos ataques “cirúrgicos”.

    Dois países invadidos e ocupados há quase uma década, suas riquezas indo pro bolso das multinacionais do petróleo, o Afeganistão se tornando o maior produtor da matéria prima da heropina – a mais devastadora droga.

    Enfim, esses são apenas alguns feitos da terra dos “bravos e dos fortes, dos “defensores da democracia e da liberdade”. Isso pra não falar do genocídio dos Palestinos feito pelos judeus que os EUA apoiam decisivamente desde 1948.

    Acho uma pena a Dilma e o Itamarati caírem nesse jogo.

  14. Maravilhosos o seu texto! Antes de fazer a besteira de apôiar “visita” de inspetor da ONU para observar violações de direitos humanos no Irã(a qual sabemos muito bem que é política, faz parte da campanha deflagrada pelos EUA contra os países do Oriente Médio que negam-se a ficar de quatro diante do Imperialismo), o Brasil deveria resolver a questão dos direitos humanos em seu território : PARA COMEÇAR, TEM QUE BOTAR NA CADEIA OS MONSTROS TORTURADORES DA DITADURA MILITAR(E SEUS COMANDANTES, QUE CONTINUAM EXERCENDO POSTOS IMPORTANTÍSSIMOS NOS MEIOS EMPRESARIAL, MIDIÁTICO, RELIGIOSO, POLÍTICO, JURÍDICO). Além disso, deveria olhar a situação carcerária de nosso país, a condição oprimida da mulher(seja exercendo o papel de Sakinehs, seja servindo como objeto para o consumismo pervertido do Capitalismo); deveria observar os 24 milhões de brasileiros que ainda vivem na mais absoluta miséria; deveria corrigir a falta de acesso à justiça pelos que não têm dinheiro; deveria alterar a concentração da opinião e informação nas mãos de 13 famílais; deveria observar a concentração agrária brasileira e tantos outros aspectos que refletem AS GIGANTESCAS VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS QUE OCORREM NO BRASIL. FOI PÉSSIMA A DECISÃO DO BRASIL DE, MUDANDO SUA POSTURA ANTERIOR, APÔIAR A “VISITA” DA ONU. NINGUÉM MAIS DO QUE EU É UM DEFENSOR INCONDICIONAL DOS DIREITOS HUMANOS, MAS SÓ UM IMBECIL OU UM FANÁTICO NÃO PERCEBEM QUE ELES SÃO USADOS; NA ONU, PELO IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE E PELA MÍDIA QUE O PROPAGANDEIA; COMO UMA ARMA POLÍTICA PARA ATACAR AQUELES PAÍSES QUE NÃO ACEITAM SUBMETER-SE À EXPLORAÇÃO DO IMPÉRIO. POR QUE OS IANQUES, A ONU E A MÍDIA A SERVIÇO DOS EUA(NO BRASIL, LIDERADA PELA GLOBO)NÃO DENUNCIAM AS VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS NA ARÁBIA SAUDITA? OU AS BARBARIDADES NO BAHREIN E NO IÊMEN?POR FALAR EM BAHREIN, POR QUE A “FROTA IMPERIAL DE INVASÃO”(ENVOLVIDA EM MAIS UM DE SEUS ATAQUES PARA DEFENDER OS “DIREITOS HUMANOS DO PETRÓLEO DA LÍBIA”, NÃO APROVEITA A VIAGEM PARA DERRUBAR A MONARQUIA ABSOLUTISTA DAQUELE PAÍS DO ORIENTE MÉDIO, QUE ESTÁ ASSASSINANDO À QUEIMA-ROUPA, NO MEIO DA RUA, JOVENS QUE EXIGEM A MESMA DEMOCRACIA ALMEJADA PELOS LÍBIOS? SERÁ PORQUE; NO BAHREIN(E TAMBÉM NO IÊMEN, ONDE UM DITADOR, HÁ 30 ANOS NO PODER, COMETE OS MESMOS ASSASSINATOS) VIGORAM DITADURAS “BOAZINHAS” PARA OS EUA E A MÍDIA. LEIA-SE “BOAZINHAS” COMO AS DITADURAS QUE SERVEM AOS INTERESSES IMPERIALISTAS DAS MULTINACIONAIS IANQUES. Portanto, fica mais do que evidenciado que a postura “humanista” do Governo Dilma não teve nada de “humanista”(é tão “humanista” quando os EUA estão preocupados com a “democracia” e a Globo com a “liberdade de expressão”. NEM NO HOSPÍCIO ESSA COLA!). A postura de Dilma foi para ceder, para puxar o saco dos ianques, supostamente visando um apôio para a escolha do Brasil como membro definitivo do Conselho de Sgurança da ONU – espero que apenas por isso, mas temo que não ! – apôio que os estadunidenses jamais darão de fato. Podem até fazê-lo formalmente, o que duvido, mas o sabotarão por trás, simplesmente porque não darão de bom grado a influência e o poder, que um acento permanente no CS confere, para um país com todas as condições para tornar-se uma superpotência, como o Brasil. Condições que só não são enxergadas por nossos vira-latas recalcados da mídia. Tentar disfarçar o “puxasaquismo” diante do Império com declarações protocolares(feitas no texto do “voto” favorável aos interesses dos EUA), nas quais cita-se candidamente a “necessidade de investigar as violações de direitos humanos em todo o mundo” é uma piada revoltante! Parece aquele sujeito covarde que, após apanhar na cara de outro, afirma com ternura “que avisou-o que essa seria a última vez”. Dilma Rousseff, sua covardia envergonhou seu passado de luta! Espero que a reveja e adote outra postura : Alie-se ao Irã em defesa da multipolaridade(até porque se violar os direitos bumanos for critério para romper-se com algum país, os primeiros com que deveríamos romper seriam com os EUA e com nós mesmos); enfrente o Império e mostre que o Brasil é um “player” global que chegou para ficar. Quanto aos direitos humanos, resolva os nossos problemas internos e depois exija que TODOS OS PAÍSES(E CITE NOMINALMENTE OS PRINCIPAIS VIOLADORES, COMO OS EUA. QUE TAL FALAR EM HIROSHIMA, NO VIETNAM OU EM GUANTÁNAMO?) PASSEM A RESPEITÁ-LOS.

  15. Não acho que vivamos em uma “cleptocacracia ‘socialista'”, isso é provocação barata. O governo Lula caracteriozou-se ainda como um governo dentro dos esquemas e padrões do mundo capitalista, a diferença é que procurou ter uma maior preocupação com o bem estar social e econômico dos cidadãos . Quanto ao chamado “liberalismo” (onde quem é “liberado”, “livre” é quem tem dinheiro, daí porque é uma Plutocracia) este teve uma nova chance durante toda a década de 90 – com a direção do “consenso” (…) de Washington -, deu no que deu…

  16. Quero ver o desempenho exemplar do Brasil na área de direitos humanos. Como, por exemplo, no caso do estudante bahiano, negro, que está sendo vitima de perseguição por policiaisda Brigada Militar no Rio Grande do Sul, na cidade de Jaguarão.
    Alem de racismo, está configurado crime contra os direitos humanos. É a brutalidade que humilha persegue e faz tortura psicologica ao cidadão de bem e sonhador de um futuro melhor brasileiro.
    O crime é absurdamente grave, por que agride a toda a cidadania.
    Sou daqueles que acreditam em primeiro aprender, para depois dar lição. Do jeito que foi feito foi ato politico de submissão.

  17. Gostaria de contrariar o blogueiro, mas infelizmente, não tenho outro caminho a não ser concordar – e elogiar – inteiramente este post.
    É só falar nisso, me vêm à mente imagens de Ana Paula Padrão num programa sobre o sistema prisional.
    Um monte de mãos saindo pelas janelicas do cárcere enlatado, um horror!
    A Segurança e a Saúde no Brasil estão pela hora da morte. Dilma nelas!

Trackbacks

  1. Direitos Humanos para quem precisa « Blog do EASON

Leave a Response

Please note: comment moderation is enabled and may delay your comment. There is no need to resubmit your comment.