Como funciona a democracia

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Sempre digo que o sucesso do governo Lula se deveu, acima de tudo, ao nível – muitas vezes abusivo – de cobranças que recebeu. O operário de baixa instrução formal não poderia errar, como ele mesmo disse reiteradas vezes. E, não lhe sendo permitido errar, teve que se superar. Não para não errar, mas para acertar muito mais do que errou, quando não errar fosse impossível.

Na primeira semana do primeiro governo Lula, em 2003, o Brasil amargava inflação de dois dígitos, estava sem reservas internacionais próprias (o que tinha fora emprestado pelos EUA, pelo FMI e pelo Clube de Paris), sofria fuga de capitais havia quatro anos (que se intensificou no último ano do governo FHC), o desemprego vinha em alta (também na casa dos dois dígitos) desde 1999 e tinha deixado de se tornar a oitava para se tornar a 14ª economia do planeta (veio perdendo posições de 1994 a 2002).

A mídia, naquela primeira semana, começou o ataque incessante que promoveria contra ele durante os oito anos seguintes. No mês de janeiro de 2003, quando Lula mal assumira a presidência, escrevi uma carta furiosa ao Estadão protestando contra editorial seu que afirmava que o culpado pela situação calamitosa a que chegava o país naquele ano era o presidente que acabara de tomar posse, pois seu discurso pretérito dera a entender “aos mercados” que ele poderia romper contratos etc.

Não tenho como procurar o editorial, a menos que o jornal me dê acesso aos seus arquivos. Só posso dizer, para quem quiser acreditar, que me lembro claramente de que escrevi a carta em questão, que jamais foi publicada apesar de que este blogueiro, até então, tinha bastante espaço no Estadão, em sua seção de cartas de leitores.

Em 2000, por exemplo, durante a eleição de Marta Suplicy, para não deixar Maluf afundar ainda mais São Paulo o Estadão e todo o resto da grande imprensa paulista finalmente permitiram espaço condizente a alguém favorável ao PT ou à sua candidata a enfrentar o terremoto Maluf, que ameaçava terminar a destruição da capital paulista que começou em 1993, deu continuidade em 1997 e ameaçava postergar no novo século.

Durante a campanha eleitoral que disputaram Marta e Maluf em 2000 – uma disputa renhida que foi vencida só com a união do PSDB com o PT e com o apoio da mídia, pois a parcela ultraconservadora dos paulistanos, mesmo decrescente, ainda era muito ampla –, conseguira o feito inédito de emplacar duas, até três cartas por semana no Fórum dos Leitores, cuja responsável se chamava – e ainda se chama, claro – Anabela Rebelato, mulher de alta cultura, de meia idade e que se comunicava por e-mail com os leitores mais publicados.

Essa foi a única vez em que vi o Estadão dar moleza a um petista.

Já o fracasso do governo Fernando Henrique Cardoso – que fracassou porque entregou o país mergulhado em uma crise sem precedentes que começou nas primeiras semanas de seu segundo mandato, devido à manutenção do câmbio fixo entre 1994 e 1998 – se deveu ao quase irrisório nível de cobrança que recebeu da imprensa.

O Estadão, por exemplo, não aceitou nenhuma das cartas que escrevi sobre o escândalo da compra de votos para a reeleição de FHC, até porque não noticiou quase nada sobre um escândalo que, faça-se justiça, a Folha de São Paulo tornou visível – quando já não podia mais ser ocultado, pois muitos já sabiam o que estava acontecendo. Ainda assim, o Estadão e o resto da mídia se negavam a cobrir o escândalo tucano, o que fez a Folha chegar a ficar isolada nas denúncias.

A mesma coisa aconteceu na CPI da Corrupção, que se tentou ao fim do mandato FHC devido ao escândalo das escutas no BNDES e muito mais, tudo que o engavetador-geral da República, Geraldo Brindeiro, negava-se a permitir que se tornasse o que se tornaria o inquérito sobre o escândalo do mensalão do PT, que só existe porque os procuradores-gerais da República indicados por Lula, à diferença de Brindero, foram pessoas corretas.

O fato é que só a Folha deu algum espaço àquele escândalo, ainda que não tenha sido nem próximo do que deu ao escândalo do mensalão apesar de que os crimes da era FHC eram mais escancarados e fáceis de provar. A CPI da Corrupção foi enterrada por Estadão, Globo, Veja etc. porque, se tivesse ocorrido, muito tucano estaria hoje em cana. Havia muita prova. E como a PGR se omitiu, ficou tudo por isso mesmo.

A questão central do texto, no entanto, não é tudo que você acaba de ler. Apesar da longuíssima digressão – necessária para se entender o contexto desta reflexão –, o regime democrático é o tema que pretendo discutir.

A democracia funciona através de um sistema de pesos e contrapesos que interessa ao conjunto da sociedade independentemente de partidos, corporações ou ideologia. Nenhum governo pode funcionar sem fiscalização. Essa é uma premissa que garante à sociedade a transparência do uso dos recursos que ela provê ao Estado através de seus impostos, que não são nada baratos.

A todo cidadão, portanto, interessa a fiscalização do uso dos recursos públicos e do poder do Estado em si. E essa fiscalização se viabiliza, nas democracias, através de duas instituições, a imprensa e a oposição.

Obviamente que por fiscalização não se entende guerra como a que PSDB, DEM, PPS, Folha, Veja, Globo, Estadão e companhia limitada promoveram contra o governo Lula entre 2003 e 2010. Mas uma fiscalização responsável, serena, discreta, constante e minuciosa, que só pode se transformar em grande assunto diante de situações de extrema gravidade e com vastidão de provas. Até esse momento, do surgimento de provas concretas, a fiscalização deve ser exercida e os possíveis erros investigados, mas com bom senso na divulgação de acusações.

As acusações a um presidente da República como de que praticou assassinato, perversão sexual, alcoolismo ou roubo, por exemplo, não podem se tornar rotina sem a existência de provas muito fortes, que, existindo, certamente provocariam a deposição daquele chefe do Executivo federal. Não existindo tais provas, não se pode travar campanha como a que mídia e oposição travaram contra Lula durante seus oito anos de governo, desde o primeiro mês.

O que se conclui deste texto? Que ao cidadão comum como este blogueiro, aquele cidadão desvinculado de partidos e corporações que só pensa no bem-estar social de todos e no desenvolvimento do país, não interessa fiscalização exagerada ou branda do governo que elegeu, mas fiscalização justa, minuciosa, responsável e constante, pois é assim que funciona a democracia. Era isso.

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45 Comentário

  1. Comportamento condenável na extrema direita como na extrema esquerda

    paulinha_pt Paula Zagotta
    merece um atentado. RT @gijabarbieri: @ThataPaix @joaosergio @paulinha_pt que bela ocasião para jogar uma bomba: Reunião da bancada do DEM
    45 seconds ago Favorite Retweet Reply

    • absurdo, venha de onde vier

      • Prezado Edu,

        Envio o seguinte link para alertá-lo sobre o tucano que governou Curitiba, e agora, infelizmente, governa o Paraná:

        http://www.skora.com.br/?p=386

        Não sei se você lembra da censura às pesquisas na véspera das eleições. O piá detesta a verdade!

        Abs,

        Ronaldo
        Curitiba

        • Foi provado que as pesquisas eram manipuladas. Tanto que ele ganhou a eleição no 1º turno.

          • Me desculpe, mais não concordo com sua tese que a prova que as pesquisas eram manipuladas é porque ele ganhou no 1º turno. Partindo desta linha de raciocinio posso tambem afirmar que ele ganhou no 1º turno porque não foi permitida a divulgação de pesquisas o que tambem não provaria nada. Agora voce me convencer que o adversario do PSDB no estado manipulava todos os institutos de pesquisa é a mesma coisa que eu acreditar em papai noel. Se voce acredita é um direito seu, agora o argumento que voce usou não tem lógica nenhuma, até porque a diferença não foi tão significativa.

      • Absurdo é jogar bombas sobre as cabeças de civis inocentes, entre eles mulheres, idosos e crianças, como estão fazendo Estados Unidos e corja, lá no Líbano. Estados Unidos, que alias, são verdadeiros heróis, primores exemplares dos SEUS cretinos fascistoidezinhos e reacionários de estimação, Edu…

        • Para vc é fácil a critica, se o EUA intervir ou não de qualquer forma esta errado. Se não intrometer-se será acusado de omisso, e se intervir será acusado de imperialista.
          Eu realmente julgo um país pelo que ele faz aos seus cidadãos, somente desta forma podemos ver qual é a índole de uma nação.

          • - Olha aí… Não te falei, Edu… Foi só eu esculachar o Tio Sam, que a sobrinhada zé-buçanha foi logo vestindo a carapuça… A começar por esse tal “Anelzinho de Couro Liberado Pra Geral”… Fala sério…

          • O que os EUA andam fazendo ultimamente com seus cidadãos é deixar a classe média, tão falada mundo afora, em níveis das décadas de 60 – 70. E acelerar, desde Reagan, a desigualdade social à de países latino-americanos, que ironicamente vêm acabando com a sua.

            Hoje, 400 americanos têm a mesma coisa que 150.000.000.

          • Guantánamo e Abu-Ghraib mostram bem a índole de uma nação.
            Os dois milhões de mortos no Iraque, desde que os “bonzinhos” decidiram intervir, também.

          • “Para vc é fácil a critica, se o EUA intervir ou não de qualquer forma esta errado. Se não intrometer-se será acusado de omisso, e se intervir será acusado de imperialista.
            Eu realmente julgo um país pelo que ele faz aos seus cidadãos, somente desta forma podemos ver qual é a índole de uma nação.”

            É a falácia da falsa dicotomia.

            Os EUA não estão limitados a, apenas, intervir militarmente ou não fazer nada. Há dezenas de outras formas de agir, além de atirar bombas em civis (que a imprensa não chama mais de civis, pois o Obama não pode cometer pecado algum, e só kadaffi mata civis (mesmo que sejam rebeldes e estejam armados).

            E a hipocrisia impresa.

          • “E a hipocrisia impresa.”

            Leia-se “E a hipocrisia impera”

    • Que absurdo! Jogar bomba pra quê? Pra acabar com nossa diversão? O DEM já está em frangalhos.

    • Absurdo, condenável e inútil. Não se joga bomba em algo que já está implodindo.

  2. Concordo… o que eu acho difícil Edu é manter o brio, a esperança.. É difícil suportar toda a hipocrisia e crueldade da política internacional, da nacional. Da mídia oligárquica e, também (por que não?) de muita gente que entra nesses espaços de comentários somente para atacar, cheios de ressentimento e ignorância. Alguns defendem ideologias pseudo liberais onde liberado mesmo é somente o capital especulativo. Parece que não viram o que aconteceu à nossa América Latina durante os anos 90… não viram o que resultou das políticas de liberais de carterinha com Fujimore, Menem, FHC etc. É difícil.

  3. Ao falar em democracia devemos nos manter atentos atentos ao rearranjo de forças não só em SP, mas em todo o Brasil devido à criação de novo partido pelo Kassab. Veja matéria publicada no portal Vermelho: Saída de Kassab, Afif e Cláudio Lembo estraçalha o DEM em SP ( http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=150025 ). Kassab ao meu ver cria algo como um novo PMDB, um partido que nasce com vocação de SITUAÇÃO (precisa estar próximo às verbas do orçamento) e já manifesta apoio a Dilma, resta saber em troco do que? Edu, isso é prova cabal de que precisamos de uma reforma politica urgente. E me parece que vai restar apenas a imprensa fazendo oposição no Brasil. Neste momento nem sei se essa notícia é boa ou ruim para o Governo Dilma, mas com certeza vai requerer muita habilidade política de nossa presidenta. Pois com tanto apoio, vai haver também muita boca procurando teta. E se o PSD confirmar o sucesso que está aparentando, Kassab sem sombra de dúvidas alcança status de cacique eleitoral, é aguardar os desdobramentos ver como fica.

    • Respeito seu pensamento, mas não concordo. O partido do Kassab nasce muito fraco (o que normalmente ocorre) mas sem muitas perspectivas. Começa por 2012, quando Kassab não pode ser candidato a reeleição e afundará qualquer nome que lançar para a Prefeitura de São Paulo. Em 2014, para governador, ele teria que enfrentar Alckmin, o(a) candidato(a) do PT, e talvez outras forças já consolidadas. Dilma jamais apoiaria esse novo partido, de centro-direita, quando têm várias outras opções em SP, começando pelo seu PT.
      Kassab também não terá a mídia que teve até se afastar de Serra, seu padrinho e mentor.
      Em outros Estados, a situação também será muito difícil. E não creio que esse pessoal faça Política de longo prazo: querem uma legenda já, para conquistarem o poder amanhã, pois não vivem longe do caixa desde 1930, por aí…
      A Presidenta Dilma, que já tem a maioria que precisa no Congresso (o que se provou na votação do salário mínimo) não precisa dar nada ao Kassab e seus seguidores: eles apoiem se quiserem, mas sem participar do Governo.
      Partido que nasce sem nenhuma base social, apenas num arranjo de cúpula entre políticos fracos de votos, não me parece promissor, a menos que busque tal base, o que levará alguns vários anos.

      • Realmente Kassab não vai ter vida fácil, mas como já esta em curso, o governo quer sim mais apoio, vide artigo no portal Vermelho: Líder do governo procura partido de Kassab para confirmar aliança (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=150164). Na política tudo é possível. E como o Kassab é afilhado político do Serra, não se sabe exatamente quais são suas reais intenções para daqui 4 ou 8 anos. Acho que esse grupo percebeu como o PMDB cresceu ao apoiar o Governo nos últimos 4 mandatos (2 FHC e 2 Lula). Depois, assim como o PMDB no ano passado, conseguiu apoio do PT em vários estados para governador, em 2014 a conversa continua e cobrança de favores não vai faltar. E se o dedo do Serra estiver no meio a mídia não vai querer melar, pode apostar. No mesmo ritmo, mas agora algo mais positivo é o movimento, denominado Transição Democrática dentro do PV, veja artigo no Portal Vermelho: Grupo de Marina quer “democratizar” PV ou até criar outro partido(http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=150166 ).

  4. É isso ai garoto.

  5. Acredito que parte da dificuldade vem da visão que muita gente que poderia fazer algo pelo país sempre buscou seus próprios interesses e, as vezes, se veem como pessoas de enorme vergadura moral, pautada não pela ética, cidadania ou relações sociais, mas pelo extrato bancário e a agenda recheada de nomes influentes. É como se fosse um condomíno de luxo restrito a alguns.

    Isso acaba interferindo no modus operandi das instituições que devem fundamentar a democracia, os Três Poderes. Se observamos, vemos a postura de alguns do judiciário, o Poder Legislativo dispensa comentários.
    Fica o executivo que é o comandante em chefe que, às vezes, mesmo tendo alguma vontade acaba sucumbindo ao sistema ou então, se não agradar em alguns casos, pode dançar como Lula quase dançou.

    Mas a caminhada é longa para avançarmos na cidadania, o que não pode é ficarmos calados.

  6. Essa fiscalização mencionada no post, serena, honesta e equilibrada será exercida por blogeiros como o Eduardo Guimarães. Algo que não poderia ter sido feito no governo Lula, como o próprio blogueiro reitaradamente explicou aqui, devido a não querer ser inocente útil a serviço da campanha golpista do pig (eita, redundância)
    No entanto, como agora o pig aderiu incondicionalmente à Dilma, cabe à blogosfera fazer a necessária fiscalização.
    Só que depois que o pig repentinamente descobrir que a Dilma não tem bico nem pena, portanto não é tucana, a blogosfera será novamente colocada diante do mesmo cenário da época do Lula

  7. Eduardo já que vc tem uma boa memória poderia falar sobre o plano economico do PT nos anos 90 já que o plano real não ia durar 3 meses como disse Lula.

  8. Não confio mais na mídia pra nada. É tudo manipulação.

    Nem nos tais especialistas de qualquer assunto, sempre escolhidos a dedo pra defender a ideologia e os interesses das classes dominantes com ar de “sabedoria e independência”.

    Vide o documentário “Trabalho Interno” onde altos doutores de Harvard e outros lugares sofisticados, economistas que sempre foram citados durante essas últimas décadas dizendo o quanto esse neoliberalismo globalizado nefasto e criminoso era bom pra humanidade estavam todos comprados pela banca de agiotas dos grandes bancos dos Estados Unidos que quebrariam a economia mundial em 2008.

    OU a imprensa “embutida” junto as tropas dos Estados Unidos massacrando civis – mulheres e crianças e homens desarmados no Iraque e no Afeganistão – e agora na Líbia.

    Se o Irã enforca uma pessoa de acordo com as medievais e absurdas leis do corão o mundo cai em cima, mas o assassinato diário de milhares de civis pelas sofisticadas armas de guerra dos Estados Unidos não aparece e nem causa escândalo pra ninguém.

  9. “apenas em casos de extrema gravidade e com vastidão de provas”

    Prova de que não entendeu a democracia. Fiscalizar o governo é exatamente o contrário: investigar e dar visibilidade a qualquer indício de corrupção. Crime pequeno ou grande é inaceitável. Se há apenas indícios, e não provas concretas, é preciso denunciar e ir atrás. Ao governante não basta ser honesto, deve parecer honesto também.

    • Prezado Lucas, sorry, mas discordo gentilmente. Quem acusa tem o ônus da prova. Se você acusa alguém sem provas, pode destruir uma reputação e mesmo uma vida. É fundamental que existam canais de denúncia anônima sim, mas crucificar seres humanos sem provas é algo inaceitável.

    • Caro Lucas: investigar antes e denunciar depois, assim deve funcionar a Democracia. Indícios não são provas, e o PIG sempre condenou liminarmente o Governo Lula a partir de qualquer suspeita, mesmo quando envolviam funcionários subalternos. Lembra-se que repetiam que Lula tinha que saber de tudo, não podia alegar ignorância sobre o que fazia um ascensorista do Palácio?
      Diante de denúncias, Lula sempre afastou ou demitiu os acusados, que estão se defendendo na Justiça, como convém. A corrupção é inevitável, infelizmente, e no Brasil virou uma coisa aceita pela maioria. Eu, pelo menos, assim como certamente você e o Eduardo Guimarães, já fui chamado de “tolo”, “ingênuo” e coisas piores, por apenas seguir o que aprendi de meus pais: não roubar nem me corromper no Jornalismo, que exerço desde os 15 aninhos (e faz tempo…rsrsrs).
      A única vez que fui chamado à Justiça foi porque escrevi que um político era estelionatário. Mostrei ao juiz a condenação do cidadão e a “vítima” retirou a ação. É simples assim. Não dá é para acusar uma autoridade de ter derrubado um avião, ou de criar epidemias, ou de enriquecer-se ilicitamente, sem nenhuma prova nas mãos! Muito menos inventar “grampos sem áudio” e coisas quetais…
      Saudações democráticas!

  10. Eduardo, belo post. É isso mesmo, FHC – vamos combinar – entregou um País “detonado”; Lula, por sua vez, entregou um Brasil totalmente diferente, para muito melhor. Seu governo criou uma brutal migração de classes sociais. São fatos e dados. Mas por que as pessoas distorcem os fatos e dados citados? A resposta é: por causa do PIG.

    O PIG – Partido da Imprensa Golpista – não tem como “business” informar, mas defender os interesses de uma turminha “baba-ovo” e com complexo de inferioridade perante países como os EUA, que têm até boas qualidades, mas também graves problemas, estando muito distantes de serem “nirvanas”. Vários brasileiros de nossas elites financeira e industrial, assim como do PIG, envergonham-se, no fundo, de serem brasileiros. Essa gente e o PIG quase nada fizeram pelos menos favorecidos desse País.

    Só que esseas pessoas, nos últimos anos, não acertaram quase n-a-d-a. Estou chocada de ver como diplomatas dos EUA (conforme informa o Wikileaks) ainda convidam “piguianos da gema” para se aconselharem sobre a política do Brasil. Eles deveriam, no mínimo, ouvir as duas partes, ouvir profissionais de mídia também da esquerda, para tirar uma média. Mas não, ficam presos em modelos mentais e escolhem ouvir quem diz coisas “boas para os nossos ouvidos”. Se continuarem nessa linha, vão errar muito ainda nessa vida.

  11. Só que a Democracia só será assim se for de fato democrática! Essa aparente obviedade na verdade esconde uma ideia fundamental : a de que a democracia só caracteriza-se como tal quando as instituições e setores que garantem seu funcionamento são plurais, transparentes e acessíveis a todos. E como poderemos ter isso com uma mídia que pertence a apenas 13 famílias? Como poderemos ter isso sem uma fiscalização social que obrigue essas 13 famílias(que por enquanto representam quase todos os meios de comunição brasieliros)a respeitarem a verdade factual e a divulgarem em suas empresas todas as opiniões e interpretações desse fato, tanto por “dever moral” da profissão; como porque exploram um serviço público(o que os obriga a dar voz ao público, real proprietário do serviço de comunicação que exploram); ou sustentam-se com dinheiro público(o que também os obriga a dar voz ao público, proprietário do dinheiro que os sustenta)? Essa é a questão central : DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, QUE GARANTA PRIMEIRO A SAUDÁVEL PLURALIDADE DE PROPRIETÁRIOS(TEREMOS MEIOS DE COMIUNICAÇÃO PÚBLICOS, ESTATAIS E PRIVADOS, SENDO QUE ESSES ÚLTIMOS PERTENCERÃO AOS MAIS DIFERENTES SETORES SOCIAIS, CONSERVADORES E PROGRESSISTAS); ALÉM DISSO, SERÁ GARANTIDA A MAIS QUE VITAL PLURALIDADE DE OPINIÃO(UM FATO SERÁ ABORDADO POR QUALQUER MEIO, PROGRESSISTA OU CONSERVADOR, OUVINDO-SE A VERSÃO DE TODAS AS PARTES ENVOLVIDAS, INDEPENDENTEMENTE DE SEREM ESSAS PARTES SIMPÁTICAS OU NÃO À IDEOLOGIA DO ÓRGÃO DE COMUNICAÇÃO); SEM CONTAR QUE AS NOVAS TECNOLOGIAS SERÃO AINDA MAIS ESTIMULADAS EM SUA UTILIZAÇÃO E PENETRAÇÃO NA SOCIEDADE, O QUE PERMITIRÁ QUE CADA VEZ MAIS PESSOAS SE COMUNIQUEM, LANCEM SEUS TEXTOS OU PARTICIPEM DO PROCESSO COMUNICATIVO, RETIRANDO O DIREITO DE COMUNICAR-SE APENAS DO “ESPECIALISTAS”. ISSO É DEMOCRACIA; NÃO É CALAR NINGUÉM, MAS PERMITIR QUE TODOS FALEM; É ESSA DEMOCRACIA QUE ASSUSTA A DIREITA.

    • Concordo com quase tudo, exceto na parte sobre as concessões.

      Embora as rádios e emissoras de televisão aberta sejam concessões, os jornais e revistas não o são, e qualquer um – desde que financeiramente capaz – pode criar seu próprio jornal ou revista (ou canal de tv a cabo, ou a satélite, ou na internet), independentemente de autorização.

      O resto, especialmente no que diz respeito ao financiamento público, está perfeito.

  12. Eduardo infelizmente, a democracia no Brasil é assim – ao inimigo (aquele que nao me permite mamar nas tetas gordas do Estado) o rigor da “minha lei”(a lei da midia – mentiras, fofocas, tentativas de golpe), aos meus amigos (aqueles que eu, mídia, até pago a moradia da sua amante global em Barcelona por oito anos), a indiferença sobre suas falcatruas. Um abraço

  13. Edu, no FB eu afirmei que a imprensa tratou Lula bem durante o início de seu primeiro mandato. Não sei pq fiquei com essa impressão – talvez por contraste aos absurdo que se tornou o partido da imprensa no decorrer dos anos. Mas fui dar uma olhadinha nos editoriais da Folha de 2003 e, realmente, eu estava errado: havia uma constante crítica ao novo governo, praticamente todos os dias, muito embora o tom fosse bem mais brando do que o que nos acostumamos a ver.

    Por outro lado, foi muito interessante revisitar esses editoriais. Havia previsões de recessão, desemprego, caos político. Com 90 dias de governo, para a Folha, não havia nada a ser mencionado positivamente. Tudo era “mediocridade” e “assistencialismo” e “confusão”. Previa a Folha um governo impopular, frágil e medíocre.

    E deu no que deu. Hilário! Aliás, o acervo da Folha é de acesso liberado (pelo menos não precisei logar com minha conta do UOL para acessá-lo). Bastante instrutiva, pelo menos no que diz respeito a quão errada a Folha estava em virtualmente tudo que “previu” (“desejava” é uma palavra mais apropriada).

    Tratando do tema central do post, eu discordo de uma coisa que você parece ter adotado como princípio: a atividade fiscalizante da imprensa.

    Fiscalização só pode ser feita por quem é a) imparcial e b) competente. Fiscalizar inclui julgar, e quem tem um conhecimento superficial sobre algo não pode julgar, assim como quem tem interesse no resultado do julgamento.

    Ou seja, não cabe à imprensa julgar. Sua função, na verdade, não é a de emitir opiniões, mas sim expor fatos e dar voz às opiniões da sociedade, tratadas como fatos que são, de forma desapaixonada e clínica. É só nesse sentido que ela é ferramenta da democracia. Imprensa com opinião é cabresto, é lavadora de cérebros.

    Os jornais deveriam publicar todas as opiniões, de todos os ângulos. Mas onde é que se vê isso na imprensa brasileira? Não há contraditório, não há discussão. Há, apenas e tão somente, sermão. Jornal não é púlpito nem palanque. Deve estar além disso.

    Cada jornal deveria ser medido pela quantidade e qualidade de quem efetua a compilação das diversas opiniões. “Comentar” não é dar palpite, mas sim oferecer o contexto, as informações pertinentes e relevantes para uma determinada discussão. E é exatamente o que os “comentaristas” da imprensa não fazem de forma alguma – afinal, além de dar trabalho colher opiniões, e ser imensamente mais fácil dar palpite do alto da “credibilidade” deles, não é para o que são pagos.

    Se os jornais se limitassem a apenas fornecer as informações, os fatos – incluindo aí as diversas opiniões – de forma clara e precisa, já teríamos tudo o que precisamos para, nós mesmos, fiscalizar o governo. Afinal, apenas a sociedade tem o poder e o dever de fiscalizar o governo, já que lhe cabe mudá-lo ou mantê-lo. Terceirizar esse direito à imprensa é atirar contra o próprio pé, assinar certidão de incompetência e preguiça e pedir para sermos apenas gado e mais nada.

  14. O nosso ex presidente, o Lula, foi o homem mais vilipendiado pela “elite” covarde. Acusaram de: ladrão, imoral, estuprador, analfabeto, bebado, derrubador de avião… Eu, vc e qualquer brasileiro civilizado ficariamos revoltados da mesma maneira se ocorresse o mesmo com: artur (o virgilio), acm, fhc, serra…
    Com Lula, esta turma toda vibrava, felizes, porque não têm vergonha, pudor, coragem…
    O povo foi em socorro do Lula porque viram ele apanhar impiedosamente. É como ver alguém apanhar na rua, mesmo culpado, vamos defender!

    js

  15. “O que se conclui deste texto? Que ao cidadão comum como este blogueiro, aquele cidadão desvinculado de partidos e corporações que só pensa no bem-estar social de todos e no desenvolvimento do país…”

    Edu, penso que a democracia deveria estar calcada em partidos políticos fortes, ideologicamente definidos, com o pensamento voltado ao bem-estar social de todos e no desenvolvimento do país.

    Neste post, mais uma vez, você ressalta sua “independência” institucional, passando uma impressão, que acredito não ser sua intenção, de que os partidários não conseguiriam, pelo comprometimento, perseguir o mesmo que você. De fato você não deixa de ter razão, porém por motivos históricos, onde a maioria dos que labutam na política, o fazem por razões pessoais. No entanto é exatamente por isto que, os “independentes” como você precisam redobrar os esforços para o convencimento e esclarecimento da população, apontando, por exemplo, a manipulação do PIG.

    Outro padrão partidário, ideal para uma verdadeira e saudável democracia “o cidadão comum” seria partidário ou pelo menos teria fortes e perenes simpatias pois estaríamos todos praticando a política com P maiúsculo.

    Desta forma, acho que você deveria se filiar politicamente. Com a sua natural vocação, ajudaria ainda mais nosso País, a partir do centros políticos que necessitam de personagem com a sua ideologia. É hora de passarmos a limpo nosso sistema político se pretendermos ser grandes e justos.

    • “Edu, penso que a democracia deveria estar calcada em partidos políticos fortes, ideologicamente definidos, com o pensamento voltado ao bem-estar social de todos e no desenvolvimento do país.”

      Permita-me aproveitar a deixa pra sair um pouco do tópico e introduzir um outro tema…

      Concordo que deveria ser assim mas, na prática, isso não ocorre. Todos os partidos, com o tempo, deixam de ser ideologicamente definidos, e de considerar o bem-estar e o interesse de todos, mesmo que assim tenham sido fundados, e tornam-se defensores dos interesses de uma parcela da sociedade.

      Terminamos, sempre, com o partido “das empreiteiras”, “dos sindicatos”, “dos servidores”, “dos empresários”, “dos ricos”, e aí por diante. Apens os menores, menos representativos e menos “maduros” – e mais radicais – permanecem fiéis ao ideal, justamente por nenhum dos setores mais influentes da sociedade se interessarem por neles investir.

      A democracia, infelizmente, em uma sociedade democrática representativa, torna-se uma mera disputa de poder por setores da sociedade, interessados em seus próprios ganhos, muitas vezes em detrimento do bem-estar e do interesse de todos.

      É preciso encontrar uma maneira de impedir que os partidos se corrompam e se desnaturem dessa forma, ou democracia – que não é fim, mas meio – degenera em oligarquia, plutocracia, etc.

      Acredito que o financiamento público das campanhas, evidentemente não uma solução definitiva, é, pelo menos, um paliativo.

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