Distensão política

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O desconforto com a presença de Dilma Rousseff na comemoração que a Folha de São Paulo promoveu pelos seus 90 anos de existência foi tão estridente que ganhou menção até na página A3 que o jornal aniversariante publicou neste domingo (27 de fevereiro de 2011), em artigo (para assinantes) de “consultor” da Associação Nacional de Jornais (ANJ) chamado Antonio Athaide. O texto afirma que o Google estaria privilegiando notícias “irrelevantes”.

O artigo em questão não teve o objetivo de tomar partido no debate sobre se a presidenta deveria ou não ter ido àquele evento, mas de reclamar do Google por, entre outras coisas, ter apresentado, no auge da repercussão do assunto e em primeiro lugar nas buscas do tópico “90 anos da Folha”, artigo do repórter da revista Carta Capital Leandro fortes que, sob o sugestivo título “Dilma na cova dos leões”, liderou as muitas reações da blogosfera política.

O artigo do jornalista da Carta Capital constituiu dura crítica à decisão da presidenta por ter ido prestigiar o jornal que muitos analistas políticos consideram que foi o que fez a oposição mais dura de um veículo de comunicação ao governo Lula, entre 2003 e 2010. E Fortes nem criticou a decisão de Dilma pelo oposicionismo da Folha, mas pela atuação do jornal na ditadura militar, atuação que o próprio veículo reconheceu, em sua edição do último dia 19, que foi de apoio inclusive logístico, além de político.

A única coisa que o artigo deixou de fora foi o fato eloqüente de que a edição de dez anos antes de uma comemoração que aquele jornal promove a cada dez anos – e que ocorreu em 2001, por conta de seus 80 anos – não contou com a presença do presidente da República de então, Fernando Henrique Cardoso, ou do governador Geraldo Alckmin, que recém-substituía o ex-governador Mario Covas, que faleceria um mês depois, em março daquele ano.

Detalhe: o editor deste blog participou da comemoração pelo octogésimo aniversário da Folha de São Paulo e, portanto, pode afirmar que não houve afluxo de autoridades nem parecido com o de sua nonagésima edição.

O fato que espantou a tantos ocorreu no âmbito de um claríssimo processo de distensão política que está em curso no Brasil e que aparenta ser uma obra de engenharia política que visaria acabar com um problema que alguns dirão de maturidade democrática do Brasil, de o país ter passado os oito anos anteriores em guerra política entre governo federal, de um lado, e a oposição e a imprensa do outro, a despeito de ter ingressado no que talvez seja a era mais dourada de sua história.

Um fato que poucos deixarão de reconhecer: ao conjunto da sociedade brasileira não interessa a guerra política que permeou os últimos oito anos. Desde o segundo mandato de Lula que este país não passou uma única semana sem que os jornais, telejornais, revistas semanais e portais de internet atirassem escândalos contra o ex-presidente Lula, que reagia criticando a imprensa em discursos quase diários.

O Legislativo foi tomado por CPI’s que não deram em nada e que impediram a discussão de temas relevantes para o país, o que obviamente desagrada a uma sociedade que, politicamente, vai confirmando a tradição brasileira de aversão aos conflitos e aos sobressaltos políticos, obviamente porque, em sua sabedoria fundada na luta pela sobrevivência, o povo só quer melhorar de vida e, assim, espera que os políticos executem o serviço para o qual os “contrata” a cada quatro anos.

O futuro dirá se a distensão política que está produzindo uma crescente troca de amabilidades e a radical redução do tom midiático em relação ao governo Dilma e simpatia dela para com os adversários políticos terá futuro ou será benéfica para o Brasil. Em princípio, pode ser que sim.

Duvido que alguém considere que o Brasil ganhou alguma coisa com a guerra entre Lula, a mídia e a oposição na década passada. E ganharam muito menos os que a travaram, pois, de um lado, o ex-presidente deixou de realizar tudo o que poderia e seus adversários, pela vez deles, sofreram desgaste político que provocou um forte encolhimento na representação da oposição no Legislativo federal, fenômeno que ficou evidente na votação do salário mínimo.

Em meio a tudo isso, uma voz segue, isolada, no mesmo tom da campanha eleitoral de 2010. José Serra, após curto intervalo de uns três meses, voltou à “tática” de desqualificar de alto a baixo os adversários – tanto a presidenta como o seu antecessor e o partido deles – enquanto luta para se manter relevante no próprio partido.

A dúvida razoável que surge é sobre se o que separava o governo Lula da grande imprensa era mera picuinha ou se ele contrariava interesses de impérios de comunicação como o grupo Folha. Não são poucos os analistas que consideram que não havia real divergência entre governo e oposição até o ano passado, mas uma mera guerra da mídia contra aquele governo que tinha como fundo a perda de prestígio dela junto ao poder, pois Lula não cansava de dizer que não lhe dava importância.

Sem bola de cristal, fica difícil saber o resultado de tudo isso. À primeira vista é bom. Dilma tem chance real de governar sem que transformem qualquer bobagem em crise, paralisando o Legislativo e desviando as atenções de todos os problemas descomunais que este país ainda tem que resolver e na pilotagem de uma economia que vai se convertendo em uma das mais dinâmicas e organizadas do planeta.

Neste primeiro ano de governo, talvez seja melhor assim. No futuro, haverá que ver quanto o governo federal fará para não causar estresse nas oligarquias midiáticas. Há questões como o pré-sal e a volúpia do andar de cima sobre essa riqueza que o país mal começa a colher, além da questão das políticas de distribuição de renda que precisam crescer devido ao resultado ainda tímido nesse campo, mesmo que a pobreza venha caindo em ritmo apreciável.

A grande sacada, agora, é adivinhar quanto custará ao país a distensão política em curso. Se avaliada pelo conceito de que o Brasil precisa quebrar paradigmas e contrariar interesses para dar dignidade a percentual aceitável de seu povo, pode vir a se tornar muito cara. A menos que a direita midiática tenha finalmente entendido que precisa ceder os anéis para preservar os dedos, o que parece bom demais para ser verdade.

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155 Comentário

  1. Nós de espectro político de esquerda, invariavelmente, temos a personalidade colérica. Desejamos que as conquistas sejam por métodos revolucionários. A direita, reacionária, sabe bem disso, e usa e abusa deste nosso “atributo”. Acessem os blogs de direita, sejam eles quais forem, e vejam se há críticas ao menino da FSP por ter convidado a Presidenta ou ao menino da CIA por aceitar o convite da mesma. Nada! Quando estão imbuídos de um objetivo não atiram uns aos outros. Entendem de estratégia. Nós, de esquerda, ao contrário, queremos “sangue”. “A Dilma para mim morreu”, vociferou acima uma “esquerdista”. Quer saber, não somos coléricos, somos otários.

    • Caetano, você disse tudo que eu gostaria de dizer!

    • Prezado, concordo contigo quanto ao excesso de certos esquerdistas, mas não posso admitir que não haja espaço para a crítica. Ora, entendo que a aproximação da Dilma aos setores mais conservadores (no pior sentido da palavra) não se dá pela mudança desses, mas pela mudança da agenda dela, ou de quem a constrói. Grato.

  2. Possivel desfecho é a derrocada ainda maior da oposição, ficando resumida à extrema direita, então os jornalões acabarão por fazer, por necessidade democrática, uma oposição ainda mais violenta ao governo Dilma, para suprir esta falta. O Presidente da ANJ, Judith Brito, deixou claro que este é o caminho dos seus associados.

  3. Acho que Dilma está aparando as arestas depois de 16 anos de guerra, os 8 anos do FHC e os 8 do Lula. Dilma quer uma imagem mais republicana, de que governará para todos os brasileiros, mas com um viés no povão. Corta assim críticas de vingativa e de que tenta sufocar a oposição.

  4. pô,
    se o sr. eduardo guimarães foi à festa de 80 anos,
    porque a dilma não pode ir à de 90 anos?
    descriminação contra a mulher?
    só fico triste é em ver o nome do çerra, mesmo depois de encerrada a sua carreira política, neste blog.
    gente, “çerra já era”.
    deixem o sr bolinha de papel descansar em paz.
    não percebem que para não submergir ele é capaz de qualquer coisa?

    • A festa de 80 anos foi há dez anos e naquele tempo eu não tinha as opiniões que tenho hoje sobre a Folha. Eu achava que era possível dialogar com a imprensa. Dez anos me parecem tempo suficiente para alguém endurecer suas posições.

      • Através de e-mails, eu também tentei dialogar por algum tempo com alguns colunistas do PIG.
        Numa primeira abordagem eu me mostrava meio que ingênuo. Aí vinha a resposta, muito cordial, com aquele tom professoral de quem é dono absoluto da verdade (o famoso pensamento único neoliberal).
        Como eu respondia com conhecimento de causa, eles passavam a ignorar os meus e-mails.

      • sr. eduardo,
        o sr, inteligente como o é,
        percebeu que a primeira parte do meu comentário é de gozação contra o pessoal do “fogo amigo”.
        a segunda parte, a do çerra, não.

        eu também lia a folha,
        no tempo do saudoso aloysio biondi.
        e.t. tudo o que ele escreveu está aqui:
        http://www.aloysiobiondi.com.br/

  5. Tchau amigos, vou dar um tempo para recolhimento, não acredito em mais nada, torço para que eu esteja errado. Um abraço a todos e …espero, até breve.

  6. No Brasil não há espaço para distenção politica, pelo simples fato de que aqui ou o governo sucumbe aos interesses dos dominadores de sempre ou sai de baixo.
    O que está ocorrendo com o governo Dilma, ao invés de ser distenção deveria ser chamado de capitulação.
    Nesse interim preferia o governo Lula, não pelo desejo da manutenção de alguma beligerância, o que não havia da parte dele, mas pelo simples fato que o seu governo, pela primeira vez na história, fez história justamente por que deu de ombros para a grita dos beneficiários de sempre em todos os governos anteriores, a elite e seus representantes, em todos os tempos, exceto os novo tempos. Se tornando, por suas prioridades voltadas para o social, o presidente da massas, seu verdadeiro anteparo, contra a face golpista e muitas vezes terrorista, dos responsáveis pela chamada grande imprensa.

  7. Emoção gostosa á flor da pele, ver o vídeo proposto pela Geisier. Agora com Dilma emoção e razão também. Nada como esta homenagem a Lula para contrabalançar e ultrapassar o Zeitgeist!!!
    Das palavras de Lula sem rancor da oposição ou das adversidades da vide concluo. Lula foi escolhido e ACEITOU a missão de resgate das elites. Intuição, Nada é por acaso. É um opróbrio das falsas elites. Elite falsa é aquela que usa do conhecimento intelectual e/ou acadêmico para exclusivo proveito próprio. “Quem trabalha para matar a fome não come o pão de ninguém; quem ganha mais do que come sempre come o pão de alguém. Zeitgeist explica. F. K. Comparato ensina que vivemos em servidão humana, sob o poder da sedução da publicidade do capitalismo.
    Ora Lula no inicio não assistiu Zeitgeist e nem leu Keynes, Weber, Marx , Hyeck, Mises ou Friedman, os Chicago boys, nem agora talvez. Ou seja quem metaboliza o conhecimento e não põe em pratica para beneficio próprio e dos outros é o insensato e precisa ser fustigado por um “simples, simplório sábio intuitivo” um do povo. Isso é um mito. O cobrador carmico. Evidentemente que não é o caso da intelectual de classe media alta Dilma, cuja sensibilidade a vez lutar contra a ditadura de forma mais racional, colocando seu senso e juízo a favor de si e dos outros. O principio do servir. O conhecimento acadêmico deve ser eficaz para gerir o Estado, pois os que são funcionários públicos nem sempre estão imbuídos de tal missão, no “espírito de nossa época”. Estamos a exigir que Dilma nos visite, visite o povo da blogsfera “suja” progressista. Atenda a erradicação da miséria. Banda larga acessível e educação de qualidade.
    Cauê, Polyana, e até Mazzaropi; “A cada dia, sob todos os pontos de vistas; vamos cada vez melhor”; Ver otimismo( como Lula) nas adversidades; “Tudo o que acontece na vida da gente, é para ajudar a gente”- Comemoremos!!!

  8. Meu caro Caetano, a esquerda não precisa da direita para ser destruida, ela é autofágica! Maquiavel estava com plena razão.

  9. “A visita da velha senhora” aos seus algozes está surtindo efeitos. Clara Zahanassían e Tieta do Agreste também foram exaltadas pelos hipócritas que antes a menosprezaram.
    Até você, Eduardo, já está vendo “A visita” com outros olhos.

  10. Engraçado, Edu… A mesma edição trazia um texto de Gilberto Dimenstein falando da importância das novas tecnologias, da revolução que elas promovem, blá-blá-blá, e o texto tristão do Athaide dizia outra coisa, a meu ver. Ora, se os resultados da pesquisa eram notícias tão irrelevantes ele não precisava citar o que tanto pareceu incomodá-lo. Ele poderia ter usado outros critérios de pesquisa, tipo “Folha apoiou a ditadura”. Oops! Melhor deixar quieto! Os resultados continuariam irrelevantes pra ele, afinal apareceriam uns blogs suuuujos… rs… Abração!

  11. mea culpa: o trocadilho não foi feliz, o Seu Alceu não merecia.

  12. A Dilma têm se mostrado bem diferente do Lula. Mostra que tem idéias próprias.

  13. Antes de comentar esse texto, aviso que pretendo assistir ao documentário do seu post anterior à noite, já que agora não tenho tempo para fazê-lo; ainda, percebo pela introdução que você escreveu, que o texto deve ser fantástico. Quanto ao assunto do texto, tenho uma opinião bem definida : É PÉSSIMO PARA O BRASIL(PARA TODOS NÓS)QUE DILMA COMECE A “ALISAR” ESSE BANDO DE CORONÉIS, DE FACISTAS, DE DITADOREZINHOS QUE FORMAM A OLIGARQUIA QUE CONTROLA AS COMUNICAÇÕES NESTE PAÍS, O QUE, EVIDENTEMENTE, INDICA QUE ELA TAMBÉM “ALISARÁ”; OU JÁ “ALISA”; A CLASSE DOMINANTE NACIONAL. E por que é péssimo(e uso “péssimo” por não lembrar-me de outro adjetivo mais contundente)? Por que não se faz uma omelete sem quebrar os ovos, isto é, não se constrói algo novo, mantendo as coisas como estão. TEM QUE SE CONTRARIAR INTERESSES PARA MUDAR O BRASIL, NÃO EXISTE MEIO TERMO : OU QUEBRA, OU NÃO CONSTRÓI NADA. CONGELAM-SE AS MUDANÇAS E TRANSFORMA-SE O PT NA CONCERTÁCION BRASILEIRA. LEMBRANDO QUE FOI ESSE CONGELAMENTO DA CONCERTÁCION QUE LEVOU OS CHILENOS A RECOLOCAREM OS FASCISTA NO PODER DEPOIS DE 20 ANOS. No começo da omelete, você pode até não quebrar os ovos, isto é, ir colocando os outros ingredientes(foi o que fez Lula, foi colocando os outros ingredientes e até mesmo quebrou alguns “ovinhos” menores, o que já causou muito reboliço); todavia, chegará um momento em que você terá que quebrar os ovos ou não fará a omelete e todos os ingrediente que havia colocado acabarão por apodrecer. COM DILMA ATINGIMOS O MOMENTO DE QUEBRAR OS OVOS! ALGUÉM PODE ALEGAR QUE É UMA TAREFA INGLÓRIA(ELA JÁ CHEGOU NO INSTANTE MAIS CRÍTICO), QUE ESSE MISTER DEVERIA TER FICADO COM LULA, POR SEU CABEDAL E FORÇA POLÍTICA INCOMPARAVELMENTE SUPERIORES AOS DA SUCESSORA. CONTUDO, ESSA ALEGAÇÃO ESQUECE-SE DE QUE, FOI GRAÇAS À PREPARAÇÃO(COLOCAÇÃO DOS OUTROS INGREDIENTES)QUE LULA REALIZOU, QUE O MOMENTO DE “QUEBRAR OS OVOS” TORNOU-SE POSSÍVEL; SEM O “TRABALHO” DE LULA ELE NÃO EXISTIRIA. TALVEZ ATÉ POSSAMOS CRITICAR O “TEMPO” DESSA PREPARAÇÃO, PODEMOS(E COM CERTO FUNDAMENTO)AFIRMAR QUE DEVERIA TER SIDO MAIS RÁPIDO, O QUE PERMITIRIA QUE A “QUEBRA DOS OVOS” OCORRESSE COM ALGUÉM ADEQUADAMENTE CAPACITADO PARA FAZÊ-LO. MAS SÃO APENAS HIPÓTESES(NÃO ADIANTA TRABALHARMOS EM CIMA DO INTANGÍVEL), ESSE FOI O “TEMPO” QUE LULA ACHOU ADEQUADO(OU POSSÍVEL)PARA CHEGAR AO INSTANTE DA MUDANÇA, O QUE INTERESSA É QUE AGORA INEGAVELMENTE CHEGOU A HORA DE “QUEBRAR OS OVOS”, ISTO É, REALIZAR MUDANÇAS ESTRUTURAIS RELEVANTES, QUE DE FATO ALTEREM A ORDEM SOCIAL EXCLUDENTE EM QUE VIVEMOS(E NÃO MAIS AMENIZEM SEUS EFEITOS). Está na hora da REFORMA AGRÁRIA, DA LEY DOS MEDIOS, DO IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS, DE PUNIR OS MONSTROS E OS COMANDANTES TORTURADORES DA DITADURA ; DE ALTERAR DEFINITIVAMENTE A INSERÇÃO SUBALTERNA DO BRASIL NA ECONOMIA INTERNACIONAL; DE ACABAR-SE COM ESSA POLÍTICA FINANCISTA IMBECIL DE JUROS ALTOS E CÂMBIO FLUTUANTE; DE INTEGRAR-SE DE FORMA PLENA A AMÉRICA DO SUL . E não será “alisando” pilantras como Otavinho, FHC, Marinho, Saad, Civita, que Dilma fará isso. Se Lula(que, ao contrário do que você disse, não respondia à mídia : apanhou calado duarante oito anos e só reagiu um pouquinho no fim do Governo), conseguiu realizar, com muita dificuldade, mudanças que “amenizaram” nossa ordem social, é porque elas eram apenas “amenizações”(que surgiram para “preparar o terreno” para as grandes mudanças, sem as quais não sobreviverão por muito tempo). Já as mudanças, exatamente por serem mudanças, não ocorrerão sem o confronto. Sem ele, Dilma congelará(e levará ao retrocesso inexorável das “amenizações” que Lula construiu), transformando-se numa Concertácion(ou num Alan Garcia do 1º Governo, outro caso de recuo enojante!)e será, sem dúvida nenhuma, a maior cabo eleitoral para a vitória do candidato de “Otavinho e sua gangue” no futuro.

    • Prezado Carlos Henrique, concordo contigo e reforço citando parte do artigo de Johann Hari, no Independent, escrito em setembro de 2009 acerca das negociações para a mudança na política de saúde proposta por Obama: “Não há como expandir o atendimento público de saúde sem enfurecer os laboratórios da ‘Big Pharma’ e os Republicanos mais pirados. Então, que seja! Como escreveu Arianna Huffington: “É tão sem sentido quanto seria, no auge do movimento pelos Direitos Civis, supor que seria preciso esperar que Martin Luther King e George Wallace concordassem. Esse não é o caminho para qualquer mudança.””

  14. Prezado Edu, considero-me um privilegiado por todos os dias ter seu blog como leitura diária. Essa distensão de que fala poderia ser benéfica para o país, sim, desde que fosse nos termos do povo e não nos termos da mesma elite que sempre ditou as regras. Perdoe-me discordar de algumas bases para o seu argumento mas se é assim que tem que ser que se acabem os partidos e ideologias, vamos todos para o centro, ninguém reinvindica mais nada e não se luta mais por conquistas de minorias. Façamos um grande acordo que não faça exposição de ninguém e todos ficamos bem. A mídia não vai atacar a Dilma? Claro que não, ela não fará a proposta da Lei da Mídia, simples assim. Não me apraz discordar de ti, nem tenho envergadura para tal, mas na minha opinião, ir para o centro nunca foi solução para o país, ao contrário, já vimos esse filme. E a cartilha que a Dilma tem seguido, ao menos até agora, é a mesma que um tucano assinaria, ou não? Corte no orçamento de programas de custeio e pesquisa, discussão do S.Mínimo (sem entrar no mérito da canhestra oposição) sob os mesmos argumentos que FHC utilizava… então é asim? Apenas por ser a Dilma já é diferente mesmo que não seja? Olha, posso estar redondamente mal informado mas já vi Dilma em eventos da elite e não a vi em contato com as organizações dos movimentos sociais, não a vi presente em reuniões do ODM/PNUD, por exemplo. Ana Maria Braga e Hebe Camargo não me interessam, mas sei que muita gente assiste, não sou tolo. Mas para mim, fica a clara mensagem não da distensão, mas da distância do povo daqueles que organizam a agenda e as prioridades da Presidenta . Abraços cordiais.

  15. Parabéns pelo post, Eduardo.
    O país precisa respirar um pouco. O ambiente andava carregado demais e, nesse contexto, só quem se beneficia são os radicais tipo José Serra e seus acólicos na mídia e na extrema direita.
    Como você, eu, e tantos outros anônimos por esse Brasil afora, não precisamos prescindir das nossas convicções pessoais e políticas e , por uma razão ou outra, aderir a um novo status quo.
    Minha opinião é que temos de partir de um novo patamar de convivência política. O que, absolutamente, não pode ser sopesado como adesismo ou acomodação. Em nada muda minha visão de mundo e, principalmente de Brasil, quando toco nessa tecla.
    Especificamente no que tange à mídia, acredito que a tendência é, sob pena desta ficar desmoralizada de vez, o foco numa cobrança mais civilizada e menos partidarizada do Poder. Nos oito anos de Lula ela, mídia comprometida, chegou ao fundo do poço em termos de prática jornalística anti-ética. A infâmia foi a tônica.
    Na história temos Henrique de Navarra, futuro Henrique IV, e sua frase mais famosa “Paris vale uma missa”, dita em 1593, que traduz bem a necessidade de um pragmatismo em nome de uma causa ou proposição qualquer.

  16. Nao ha “distencao” alguma, Eduardo. Eh ilogico. A media NAO explicou porque atacou tao obsessivamente Lula, por exemplo. A media NAO admite que discriminou Lula.

    Nao discriminar uma mulher como Dilma nao eh grandes favores. Nao eh e nao pode ser tomado como sinal de nada.

  17. O blogueiro considera “qualquer bobagem” o fato de cinco ministros de Estado cairem por corrupção? Suborno de parlamentares? Filho da minsitra da Casa Civil fazendo dinheiro dentro do ministério? Tudo bobagem da mídia…

  18. Leiam o interessante texto do meu bom amigo Leandro Fortes, o melhor anfitrião de Brasília http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2011/03/01/dilma-na-cova-dos-leoes-top-no-google-news-mas-irrelevante-na-folha/

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