Talvez nos falte o arsênio
Revelação feita durante a entrevista coletiva realizada ontem pela Nasa deve ter decepcionado os entusiastas não-iniciados da ficção científica. Possivelmente esperavam o anúncio da captura de algum alienígena e o que lhes entregaram foi uma frugal descoberta de laboratório sobre a química da vida.
Além de revolucionária, a descoberta de que estavam erradas as teorias sobre as condições mínimas para existência da vida permite uma reflexão de cunho filosófico.
Foi encontrada aqui na Terra mesmo bactéria que sobrevive sem fósforo, um dos seis elementos considerados indispensáveis à vida – nitrogênio, hidrogênio, enxofre, fósforo, oxigênio e carbono. O elemento que o substitui é o arsênio, ou arsênico, que, entre outros usos, serve ao homem para tirar a vida dos semelhantes.
Um dos exemplos mais famosos do uso maligno do arsênio foi “presenteado” à humanidade pelos ingleses, que teriam envenenado lentamente Napoleão Bonaparte durante o cativeiro a que foi confinado na ilha de Santa Helena depois da derrota na Batalha de Waterloo.
Recentemente, a versão foi contestada. No entanto, verdadeira ou não, nada altera a ironia contida na descoberta anunciada pela agência espacial americana de que o elemento que sempre simbolizou a morte agora se torna um dos tijolos que permitem a edificação da vida – ou de alguma forma de vida.
Nesse aspecto, um ser em que o arsênio lhe substituísse o fósforo no código genético talvez tivesse esse instinto predador do homem substituído por incapacidade de fazer mal aos semelhantes.
A substância mortal para nós, se integrada ao ADN – ou DNA, como querem os colonizados – extraterrestre poderia conferir uma ética intrínseca que o ser humano não tem, pois o instinto assassino é inerente à nossa espécie e no máximo é refreado pelas convenções sociais, apesar de estar sempre lá.
28 Comentário
Trackbacks
- Tweets that mention Talvez nos falte o arsênio | Blog da Cidadania -- Topsy.com
- Talvez nos falte o arsênio « LIBERDADE AQUI!




O instinto assassino é inerente à todas as espécies, pois todos os seres vivos comem outros seres vivos.
Se não fosse este instinto, ninguém estaria lendo o que escrevi agora.
A solução é uma educação ética universal, visando o coletivo e não o individuo.
Eu acho que é isso mesmo.
Prezado Eduardo: Nós somos resistentes ao arsênio.O PIG nos envenena todo dia e continuamos vivinho da Silva.Isto é ou não capacidade de viver com o veneno ?
Edu, essa foi boa! Tem muito gente que conheço que precisaria de arsênico nas veias!
Apesar da metáfora excelente, prefiro dizer ser mais direto e dizer que não a química, com seus códigos, mas o espírito(e falo de espírito no sentido filosófico de conteúdo, riqueza interior, nada a ver com bobagens metafísicas)elevado, que a esmagadora maioria dos homens não tem, poderia retirar deles o egoísmo visceral, a violência latente, aspectos que sublinham sua natureza vil, pequena e desprezível. Quem sabe um dia a Humanidade(que não evoluiu nada no que diz respeito à elevação espiritual e Moral) não atingirá esse estágio, talvez ensinada por algum extraterrestre, embora seja preferível que cresça por si mesma.
-
Acho que se puxou nessa, hein seu Eduardo.
hehehehe
Prezado Eduardo:
Nos SEIS elementos considerados indispensáveis à vida faltou você listar o tão necessário OXIGÊNIO, creio que para os animais ele é fundamental.(rsrsrs)
Mas esta descoberta desnuda o pensamento raquiítico humano e amplia a capacidade de pensarmos em vida de uma forma diferente da “cartesiana de seis elementos” à qual estamos acostumados.
No mais já é provado que o homem social é o único ser que mata por matar os seus semelhantes e os outros também, sentindo um enorme prazer em promover o caos, desde que consiga auferir algum lucro.
Sou levado a acreditar na teoria do BOM SELVAGEM, e, que é a forma de estruturação da sociedade ocidental branca a grande incentivadora do nosso modus vivendi assassino, explorador e escravagista.
A nova descoberta só comprova que a natureza tem a “sua sabedoria” e que a nossa forma de pensar o mal é que está desvirtuada, e temos que entender que o mal também contém o bem. É tudo uma questão de medida e de objetivos do uso .
Daqui a 200 anos o papa fala : “Agora é oficial, a vida não depende só de agua!”
Ciência é vida, o resto é balela!
O mais engraçado é que a ficção científica (não lembro que autor, mas vou pesquisar) sugeria exatamente isso, há décadas. Seres que respirariam amônia e teriam arsênio em suas moléculas!
Lembro-me quando menino vi numa charge, se não me engano na enciclopédia Life, um extraterrestre no deserto ardente, pedindo por “amônia, amônia…” em vez de água.
É a natureza mostrando a nossa pequenez e insignificância.
Primeiro Copérnico provou que a Terra não é o centro do universo, depois Darwin mostrou que não somos especiais, descendemos da mesma linhagem dos primatas, em seguida Freud mostrou que nossos atos tem um forte componente inconsciente, não somos donos do nosso nariz. Agora descobrimos que somos mais venenosos que o arsênico.
Desculpe, mas achei no Kibe Loko.
NOTÍCIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO (PARTE 485)
Mercúrio torna aves homossexuais, diz estudo
***
Qual o melhor comentário sobre a notícia acima?
a) E eu achando que era morar no ninho da avó e fazer teatro infantil.
b) Quem dava uma ralada e passava mercúrio entra na cota?
c) Ou seja, tá com vontade de fazer faculdade de arquitetura, virar tricolor ou assistir ao show do Mika? Mercúrio!
O melhor comentário? campineiro vai tomar doses maciças de mercúrio, pra cumprir seu destino.
Só pra ampliar nosso conhecimento histórico, em 1826, morria em Portugal D.João VI, envenenado com arsênico, ainda que o assassinato figurasse apenas como suspeita.
Juro que tento entender o que o Campineiro escreve, mas não consigo. Que língua é essa que ele escreve alguém pode me dizer?
Prezado Eduardo, o mal não vem corpo, vem da alma. A carne não pensa nem sente. A carne é apenas um instrumento que a alma utiliza para manifestar-se. Você é um cara inteligente, não deixe de estudar essas coisas.
Acessem: http://www.youtube.com/watch?v=P6kJnuRVC6w&feature=PlayList&p=C45F8C14753E2643&index=0&playnext=1
Um abraço.
Alma (?)… alma (!?)…, já sei, é assim como um “fantasma na máquina” (vd. Gilbert Ryle). Ops, não creio em fantasmas.
Faz tempo que não vejo ADN. Eu também prefiro assim, pois é até mais fácil de saber o que é, de decorar, se for o caso, pela sequência das letras.
Só discordo da possibilidade de substituição do instinto predador do homem. Acho que o fósforo substituiria o arsênio no papel de grande veneno. Senão, descobririam outro.
Assim como a teoria sobre as condições mínimas para existência da vida estava errada, acredito que a do “big bang” também não passa de um erro.
Vale conhecer o Arsenicum Album da Homeopatia.
Arsenicum Album tem uma grande e profunda prostração, com um declínio bastante rápido das suas forças vitais.
É um deprimido, melancólico. Alternância de excitação e de depressão, por vezes no mesmo dia: num momento sente-se bem, com uma resistência vital óptima, para logo de seguida se sentir com extrema fraqueza, prostrado.
(…)
http://josemariaalves.blogspot.com/2009/07/arsenicum-album-materia-medica.html
Desde a minha adolescência sou um “fissurado” no assunto e sou um dos que acreditam que o ser humano é muito pretensioso ao pensar que sabe tudo sobre a vida e que nosso insignificante planeta(em relação ao cosmo) é o único a te-la. O Universo segundo as teorias tem entre 13 a 14 bilhões de anos. Pergunto,se ainda estamos tateando para saber o que ocorreu a dois mil anos atrás (Jesus),porque haveríamos de saber o que eocorreu na terra antes do ser dito humano aparecer? Como saber o que aconteceu nas tantas transformações pelas quais o planeta terra passou? Perguntas e mais perguntas.
senhores se tem uma coisa que me incomoda quando um tema cientifico vem a blogosfera é ler/ver opiniões com superficialidade. Em casos como estes dirijam-se a sienceblogs brasil!
para acadêmicos de biologia e química esta notícia não apresenta nenhuma novidade e para exemplificar o que digo leiam o texto abaixo colhido do blog GEOFAGOS
Descobriram a pólvora…mas ela pega fogo com arsênio
Category: Extremófilos
Artigo publicado recentemente no site da Science Express relatando à descoberta, pela equipe de Astrobiologia da NASA , de uma bactéria – organismos unicelulares que pode ser encontrados na forma isolada ou em colônias – que utiliza o arsênio (As) em suas rotas metabólicas ganhou destaque em vários meios de comunicação científica do mundo todo e também dos telejornais. Em que pese a importância da descoberta desse microorganismo que poderá auxiliar nas pesquisas relacionadas à biogeoquímica de elementos traço e também para os estudos futuros dessa agência que até então tem procurado novas formas de vida baseada apenas nas análises de N, P, K, Ca, Mg e S, a minha grande surpresa a qual traduzo numa pergunta simples é: O que há de tão novo nisso?
Para os leigos – uso o termo sem nenhuma conotação pejorativa, mas sim para agrupar aqueles que não desenvolvem pesquisas relacionadas ao As e aqueles que não são do meio científico- a noticia tem caráter impactante afinal de contas como um elemento tóxico, contido num produto para matar rato (As é elemento presente no “chumbinho”), pode servir como fonte de vida para algum organismo? Seria isso a explicação do porquê de algumas pessoas não morrerem após ingestão de tal veneno?
A similaridade geoquímica do As e do P é de senso comum no meio acadêmico e se deve as suas diversas propriedades as quais os agrupam na mesma posição da tabela periódica. O suporte a vida conferida pelo As ou outros elementos químicos é bastante possível desde que sejam bem próximos na tabela periódica e apresentem propriedades similares daqueles considerados essenciais. A substituição do carbono por silício e do oxigênio por enxofre são os exemplos mais comuns.
No livro The Biological Chemistry of the Elements, os editores Frausto da Silva e Willians (2001) já fazem referência ao As como possível elemento essencial a vida de algumas espécies, como por exemplo: algas castanhas- algas multicelulares, fundamentalmente marinhas, embora algumas espécies sejam de água doce; samambaias- como a bioacumuladora Pteris vittata, publicação da Nature (Ma et al., 2001); celenterados- animais aquáticos representados por hidras de água doce, medusas ou águas vivas, corais, etc. A revista Element em 2006 dedicou número especial ao AS e nos diferentes capítulos há informações bem fundamentadas sobre microorganismos que obtém energia a partir da oxidação do As(III) para As(V).
Para finalizar, esse “Post” não tem a mínima pretensão de desqualificar o trabalho dos pesquisadores da NASA, no entanto minha irrequieta consciência não concorda com a maneira que o noticia esta sendo veiculada. Na minha modesta opinião, tal informação não se trata do estado da arte, mas sim da ratificação de informações já relatadas por outros autores. Imagina se alguém vem e diz que inventou a pólvora! Às vezes uma pequena revisão de literatura pode economizar milhares de dólares.
Acho que o Clausius colocou a coisa no seu devido lugar.
Elocubrações filosófico-metafísico-peripatéticas são divertidas.