Inexorável controle social da mídia

Publicado, originalmente, em 21 de novembro de 2010 às 10:42

A discussão sobre um marco regulatório para a mídia será em clima de entendimento ou de enfrentamento; não adiantará tentar interditar este debate. Foi mais ou menos o que disse, recentemente, Franklin Martins. Entendido como ameaça, o pensamento desencadeou uma onda destemperada de “reações” dos quatro grandes conglomerados de comunicação (Abril, Estado, Folha e Globo).

As “reações” foram do único tipo que essas organizações oligopolistas sabem empreender, através da massificação de críticas, criação de factóides e supressão do contraditório.

Enem, processo da ditadura contra Dilma Rousseff, caso Celso Daniel foram alguns dos factóides criados por essas organizações midiáticas para tentarem intimidar o novo governo. Foi como se dissessem à futura presidente: “Veja bem o que você terá que enfrentar em seu governo se insistir na discussão do papel da mídia e em limites a ela”.

A mídia é conservadora justamente nesse sentido. Enganam-se os que a julgam ideológica. A indisposição principal contra um governo que permitiu aos mais ricos ganharem muito mais do que ganhavam com a direita tucano-pefelê no poder reside na desconfiança de que por aqui se fará o que se faz hoje em países como Argentina, Estados Unidos e Venezuela, só para exemplificar.

O grande temor das famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita é o de que o Brasil faça o mesmo que todas as grandes democracias da contemporaneidade fazem e, assim, impeça a nefasta “propriedade cruzada”, ou seja, que uma família, por exemplo, detenha a propriedade, simultaneamente,  de rádios, televisões, jornais, revistas e portais de internet.

Seja através do Federal Communication Comission (FCC), o órgão regulador da mídia nos Estados Unidos, ou da Ley de Medios argentina, nenhuma nação admite mais que uma família, uma pessoa ou um grupo empresarial controlem todas as modalidades de mídia. Com o avanço tecnológico das comunicações, esse é um poder que pode se tornar maior do que o poder de Estado.

Na Argentina, por exemplo, o grupo Clarín terá que se desfazer de alguns de seus tentáculos – seja no rádio, na tevê, na imprensa escrita ou na internet – para preservar outros. Exatamente como nos países industrializados.

Eis aí um problema que, ironicamente, pode trazer as famílias midiáticas supracitadas para o debate sobre o controle social da mídia. Por incrível que pareça.  Muitos, entretanto, irão se surpreender com esta afirmação. A mídia querendo impor limites à mídia? Como? Quando? Onde? Por que?

É simples: as empresas de telefonia – as ditas “teles” – vêm aí querendo produzir conteúdo. Vêm montadas em faturamentos dez, vinte vezes maiores do que os dessas famílias que viram baixar drasticamente o nível dos rios de dinheiro que o Estado canalizava para elas até a era FHC – recursos públicos que passaram a ser divididos com milhares de veículos de menor porte.

As famílias midiáticas, agora, estão prestes a bater às portas do Estado, do Legislativo e até da Justiça para pedirem, justamente, regulação, intimidadas pelas mega corporações que ameaçam disputar mercado consigo. Contudo, estão querendo barrar o avanço de empresas transnacionais poderosíssimas, detentoras de argumento$ difíceis de ser rebatidos.

Eis, aí, a discussão de limites e controles da comunicação de massas que o velho oligopólio midiático já começa a pedir. E o governo Dilma terá como fazer escolhas que poderão ter conseqüências desastrosas para os oligopólios midiáticos tradicionais. A estratégia da intimidação pode se tornar um tiro no pé das famílias midiáticas.

Por outro lado, existem amplos setores da sociedade civil que também têm anseios sobre controle social da mídia. Muitos desses setores, porém, não entendem bem o conceito de liberdade de imprensa.

O signatário deste blog participou da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em dezembro do ano passado, na condição de delegado por São Paulo, e bem sabe que entre os setores que participaram dos debates havia empresários e até movimentos sociais sensatos e realistas, mas também havia gente cogitando fechar um jornal ou uma tevê que contrariassem interesses sectários.

No entender deste blog, o controle social da mídia deve ter pilares de sustentação como vedação absoluta à propriedade cruzada, direito de resposta, distribuição de verbas públicas e juizados especiais para decidir sobre punições a calúnias de meios de comunicação de forma a agilizar esse tipo de julgamento, pois quando demora a ocorrer o prejuízo ao atingido torna-se irreversível independentemente da decisão judicial.

O direito de resposta, aliás, talvez devesse liderar as preocupações da sociedade civil no que concerne ao controle social da mídia. Boa parte dos grupos empresariais que dominam a comunicação de massas no Brasil pratica, abertamente, censura a opiniões divergentes, manipulando o debate através da supressão do direito de manifestação dos contrários.

Tente alguém publicar na revista Veja uma carta de leitor em que discorde da linha editorial da revista e entenderá do que se está falando. Não é por outra razão que o lema do Movimento dos Sem Mídia é “Que a mídia fale, mas não nos cale”. Ou seja: não se quer impedir que a mídia diga o que pensa, mas exige-se que permita o contraditório sem manipulações.

A discussão do papel da mídia e de limites ao seu poder, assim como diz o ministro Franklin Martins, é uma realidade da qual nenhum dos lados poderá fugir nos próximos anos. Esse debate, aliás, contará com o apoio parcial até das famílias midiáticas, apesar de que elas ainda nutrem a ilusão de que poderão discutir só o que lhes interessa.

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58 Comentário

  1. Esse mídia oligopolizada (que o regime militar nos deixou) é o último entulho da ditadura.É necessário gerar mais concorrência no setor para que tenhamos diversidade,ao invés do pensamento único.

    • “é o último entulho da ditadura” – Pior que este oligopólio tentou por todos os meios tirar o projeto Lula / Dilma dos brasileiros. Credo!!

  2. Para nós está claríssimo a necessidade do controle social da mídia. Por outro lado só escuto a frase “o governo quer calar a imprensa” num claro jogo de distorcer a realidade para buscar apoio popular às suas pretensões. É desta maneira que os barões midiáticos atuam junto a população. Vamos enfrentá-los e implementar o marco regulatório das comunicações no Brasil. Estamos atrasados.
    http://easonfn.wordpress.com

    • Isso e tão evidente ““o governo quer calar a imprensa”.
      …..
      Todos sabemos que é isso mesmo , não somete o PT como qualquer governo deseja o “controle social” de quem ele não pode submeter sua vontade.
      ….
      Ou é de um sinismo ou inocencia não ver o que e claro como o dia .

  3. Espantoso é ver o triste papel desempenhado pelo deputado e ex-ministro Miro Teixeira nos debates e em atuações a serviço dos poderosos da mídia e contra o interesse público. Retomou o início da careeira, à sua época chaguista.

    • Mello, o seu comentário é oportuno. Ouvi hoje o deputado Miro Teixeira (traíra de Chagas Freitas) na CBN, defendendo esses grupos mediáticos. Esse sr. ainda foi ministro do Lula. Pode!!!!!
      Ainda bem que o representante do PDT é o Lupi.

      • O que mais dói é o fato de ele ter sido reeleito e o excelente Brizola Neto nao ter alcançado o número de votos necessários! Este vai fazer falta na Câmara! Perdemos todos.

    • Concordo plenamente, não suporto ler nada que tenha a opinião do Miro teixeira a respeito do Controle da Mídia. No Rio conhecemos bem a figura dele, criou-se na época do Chagas, sinceridade não sei como foi parar no PDT. Defender a Globo “et caterva” para mim já é demais.

      Pessoal do PDT está na hora de enquadrar o Miro.

      Temos que parar com a Utopia que a imprensa tem que ser livre, afinal é uma empresa como outra qualquer e tem que ter fiscalização. Não podem falar o que querem e ficar por isto mesmo.

    • E para piorar ele é do partido do saudoso Brizola, que foi um implacável lutador contra o poder avassalador da Globo. Coitado do velho Leonel, deve estar se remoendo no túmulo

  4. Por que você sempre exclui a Record da sua “grande mídia”? Afinal, poucos conglomerados no país possuem o patrimônio da IURD e propriedade cruxzada para IURD vai além, bem além da mídia, caracterizando-a como um player com mais poder que uma Globo, visto que seu poder midiático (cada vez mais crescente) inclui também um condicionamento religioso.

    Aí pergiunto: por que a Record não faz parte dessa sua cruzada? A resposta me parece BEM óbvia.

    • Tinha me decidido a bloqueá-lo, mas lhe ofereço uma oportunidade de continuar comentando aqui. Abstenha-se de fazer acusações e xingamentos. Se não fizer, ninguém irá xingá-lo. Você vem fazer insinuações contra o editor do blog e depois quer ser tratado com urbanidade. Por que acha que eu não cito a Record? Deixe claro. Se não está querendo insinuar que este blogueiro mantenha alguma relação obscura com a emissora para não criticá-la, faça a sua acusação de frente. A Record não tenta derrubar o governo Lula. Não sei se mudará de comportamento em relação a Dilma. E não fica acusando de querer censura àqueles que querem pôr um fim na farra midiática. Mais uma coisa: não vou ficar “batendo boca” com você. Não lhe darei espaço para insultar e acusar a mim ou aos meus leitores. Se quiser acusar a classe política, é seu direito. Se quiser defender esses impérios de comunicação que definitivamente não precisam de defensores, porque quase monopolizam a comunicação no Brasil, também pode. Se escrever mais uma acusação a mim ou aos meus leitores, porém, terá seu IP bloqueado e nem lerei o que escrever. Ponto final.

      • “Controle de los médios” é assim que se faz meu caro Rodrigo Leme.

        Foi a mais arrebatadora, clara e cristalina exemplificação o que quer dizer controle da mídia.
        Adorei ver o post e o respectivo comentário do Eduardo.

        Obrigado Eduardo por nos mostrar de como será o Controle social da mídia.

      • É isso aí.
        Tem que frear sim esse pessoalzinho que confunde liberdade de expressão com libertinagem de expressão.

        • Estes dois trolls são bem conhecidos no Blog da cidadania.

          A ação de ambos é clássica. Ofendem o autor do blog e depois, guando este responde, eles o acusam de ser agressivo ou de cercear a liberdade de expressão.

          Mas se o autor do blog reclama que um veículo de comunicação ou um outro blog cerceia sistematicamente as opiniões contrárias, os mesmos trolls correm defender os veículos acusados.

          Não fazem nada mais que trollagem, um neologismo que explica a ação de provocadores cujo único interesse é tumultuar um debate online.

          Se eu fosse o Eduardo não publicaria NADA do que os dois escrevessem, simplesmente por se tratar de trollagem, sem interesse real de debater, mas apenas de tumultuar e fazer provocações.

          • Tremendo engano seu…

            Mas quem sabe um dia todos nós que pensamos ainda estaremos confinados em campos de reeducação ideológica.

            Ahh…vc deve ser muito novinho para se lembrar dos Gulag e dos que tentaram desesperadamente se livrar das amarras do pensamento único.

            Agora vcs anseiam pela volta dos métodos de reeducação, generosamente apelidados de “controle de los médios”

            Boa sorte

          • Gulag? Não, aqui no Brasil só nos lembramos do que você e seus amigos fizeram nos porões da ditadura. Os únicos ditadores que os brasileiros conhecem estão no seu meio social.

      • Não é acusação, é constatação mesma, confirmada por você.

        Ao dizer que a Record não faz campanha contra o Lula, você jã mostrou quais são os limites do seu controle de mídia, que passam LONGE de propriedade cruzada. Se seus motivos tivessem lastro na tal “propriedade cruzada” não haveria maior inimigo que IURD.

        E claro que a Record / IURD não faz oposição ao governo: seu partido político faz parte da base aliada governista. Aliás, que combinação: partido político, igreja e mídia. Isso sim é propriedade cruzada. Quando você diz que “a grande mídia é um partido”, isso serve LITERALMENTE para a Record.

        Ao destacar a Record por “não querer dar gholpe no governo” e assim livrá-la de um “controle social da mídia”, você já mostra que o controle visa o que todos sabemos: preservar o governo de críticas e investigações.

        Portanto, eu não acuso, eu contato. Com suas próprias palavras. Não seria capaz de te acusar de receber da Record, pq nem tenho motivo pra acreditar nisso. Aliás, se vc recebesse seria mais compreensível.

        Mas essa de “propriedade cruzada” e concentração de poder não cola. O controle da mídia sonhado por vc e pelo PT é político.

        • A Record está no Brasil. Se proibissem a propriedade cruzada, a Record seria tão afetada quanto a Globo. Por isso o controle social da mídia é bom, porque o tal bispo pretende seguir os passos da famiglia Marinho. Há que tirar dos Marinho e do Macedo a possibilidade de concentrar tanto poder. Há que tirar de todos. Nos EUA, templo da direita, é assim. E o controle social da mídia que há nos EUA, entendo que está ótimo se existir aqui. E se, como diz a direita, o que é bom para os EUA é bom para o Brasil, obviamente que você passará a apoiar a criação de um órgão como o FCC por aqui e a proibição da propriedade cruzada. Certo?

    • “Aí pergiunto: por que a Record não faz parte dessa sua cruzada? A resposta me parece BEM óbvia.”

      Este tipo de argumentação conclusiva, que de retórico não tem nada, é algo que tenta desqualificar por antecedência uma possível resposta. É algo do tipo Reinaldo Azevedo, que é um grande “distorcedor” de opiniões. Qualquer respota que alguém dê contraditória, o opinador dirá: – Tá vendo, eu já sabia o que ele iria responder… blá, blá, blá ba….

    • O que querem pessoas como Rodrigo Leme e Campineiro? Será que eles poderiam tornar mais explícitos seus temores? O que é que está “mordendo”? Acho que esse temor arcaico tem origem na falta de informação por parte deles… esses conservadores adoram gastar seu tempo em “blogs sujos”, em busca de supostas “contradições” e “ameaças” à liberdade de expressão…

    • vendo seus comentários aqui no Blog do Edu e do Azenha, como suas opiniões e seu caráter, oscilam escandalosamente, meu caro !!

    • Concordo que não se deva excluir nenhuma emissora da discussão. E essa questão de igreja dona de veículos de comunicação pode ser discutida sim. Mas todas, inclusive a Católica.
      Agora você ao insinuar ligações entre a Record e o Eduardo e outros blogueiros perde a chance de debater com nível uma boa questão.
      Blogueiros como o Eduardo e o Miguel do Rosário, que eu conheço pessoalmente, fazem o que fazem por idealismo, e as vezes até perdem dinheiro por isso. Aí vem vocês com essas insinuações maldosas. Não é mole, pô!

  5. A qualidade do produto da mídia que aí está chega ao fundo do poço. A TV aberta é um lixo de luxo. Nenhum conteúdo que venha a formar de fato, construtivamente, as novas gerações ou reforçar o nível cultural dos telespectadores. A TV Cultura de SP está em reforma, sob a égide de um indivíduo que aparentemente desconhece as raízes culturais e o folclore do nosso povo. Tudo a serviço de um aparelhamento tucano, envolvendo, diz-se, propaganda até nos conteúdos infantis. Dizem que falta dinheiro para uma programação verdadeiramente formadora, que no passado foi muito superior, porém sobra para a mídia (PIG) ser abastecida com assinaturas de revistas de conteúdo infeccioso e reacionário como a Veja, jornais como a FSP a serviço de golpes e ditabrandas ou doar praça pública a um monopólio como o da Globo (aliada dos tucanos e conservadores em toda eleição). A comunicação no Brasil está capenga, entregue nas mãos de meia dúzia de oligarcas em descompasso com os novos tempos globais e alheios a visão de um país soberano e desenvolvido. A qualidade dos jornalistas está a piorar pois o monopólio da Globo e congêneres busca unicamente os $erviçai$ $abujo$. Urge uma regulamentação. Eles foram muito burros apostando em josé serra. Utilizaram-se da estratégia errada e, agora, de uma tática ainda mais infeliz. Fosse o contrário, talvez saíssem menos arranhados. A chantagem de que se servem se voltará contra eles mesmos.

  6. A velha e carcomida imprensa brasileira não quer um novo marco regulatório da mesma forma que as elites não querem o controle pela CPMF.

    Tenho certeza de que a purificada elite brasileira aceitaria a CPMF de 0,01% se ela não viesse para monitorar o fluxo clandestino e ilegal de capital.

    Portanto, o discurso da velha mídia não engana mais ninguém. Esse papo de censura não cola mais.

    Os coronéis da velha mídia devem, em breve, vir com novo discurso. Aguardem.

  7. O PIG censura as opiniões divergentes ao mesmo tempo que, procuram manipular a seu favor as opiniões da população. A lei de regulação da mídia tem que vir junto com a retirada da sujeira colocada debaixo do tapete, principalmente da era FHC, pois, foi a mesma que procurou de várias formas denegrir a imagem da Srª Dilma.
    É necessário que venha à público os jogos de interesses escusos praticados por grupos para mostrar as conseqüências deste governo neoliberal de lesa à pátria.
    O FHC tem que explicar a sua ligação com a CIA (segundo a obra da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders ,editada no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro); a ligação de FHC com o banqueiro Dantas; a produção fraudulenta da dívida externa brasileira; a venda do sub-solo brasileiro e a evasão de divisas cujas verbas eram dos cofres públicos e da corrupção, desde as privatizações.
    As investigações feitas pelo Delegado da PF Protógenes Queiróz tem que vir a público e não ficar engavetadas e só vir à público o que é de interesse do PIG.
    A imprensa e os órgãos competentes tem que denunciar imparcialmente qualquer erro que venha a ser cometido por qualquer partido político ou entidade pública. Estes (as) tem que servir bem a população e não se servir dos bens da população.

  8. O que me preocupa é o papel que o Palocci terá nesta discussão. Para o bem do país, é melhor que ele não tenha ingerência alguma, seria uma catástrofe se vier uma regulação meia-boca.

  9. Você está certo. A Record faz um jornalismo mais decente. Ainda não é aquele jornalismo imparcial que desejamos, mas pelo menos, está longe do esgoto da globo, veja, folha, band… – Esses são órgãos golpistas e não empresas de comunicação. Deveriam ser tratadas pelo governo como entidades golpistas.

  10. Entendimento e confronto. Paradoxamente Lula ao dizer na entrevista á Carta Maior; ” “Eu tenho uma tese que vale para a imprensa e que vale para o nosso comportamento cotidiano: se você é, todos os dias, favorável ao governo, você perde credibilidade. Mas se você, todos os dias é contra, você perde credibilidade. Ou seja, os dois extremos, quando se encontram, o resultado é burrice”
    “Como os nossos adversários estão fragilizados nos seus partidos, utilizam de alguns meios de comunicação para fazer a grande oposição ao governo, e nós, ao invés de ficarmos nervosos, temos que ficar FELIZES, porque isso faz parte do processo democrático.” (grifo meu)
    “E quanto mais eles me batiam, mais democracia; e quanto mais batiam, mais liberdade de expressão, até todo mundo perceber que só tem um juiz: é o leitor, o telespectador e o ouvinte.”
    Há neste 3º turno eleitoral, uma conjunção de “tiros no proprio pé”, “a propria midia busca(rá) a regulamentação” “todas economias capitalista já regulamentaram” “a blogosfera confronta os factoides da midia”. “Barão de Itararé” “Fabio Konder Comparato”. Estamos todos aqui buscando que “Que a midia fale, mas não nos cale”. Não estamos calados

  11. Dentre quase 200 milhões de brasileiros apenas 6 milhões tem TV a cabo, ou seja, a grande maioria dos brasileiros não tem acesso às riquezas, à cultura, às tecnologias produzidas pela humanidade, isto por causa do capricho de 6 familias que mantem a ferro e fogo o monopolio da comunicação em suas mãos.
    Estes dias assisti a ótimos programas em canais a cabo, ótimos programas no National Geografic, Futura, TV Justiça, TV Câmara, TV da Assembléia Legislativa de Goiás.
    A sensação que tive ao assistir aos programas foi de tristeza ao saber que milhões de irmãos brasileiros estavam sendo privados, naquele momento, do mesmo prazer.
    Trata-se de uma luta a ser encampada por cada um de nós a quebra deste monopólio troglodita a fim de que as operadoras de telefonia celular e fixo (GVT, Claro, Vivo…) possam oferecer tais serviços, e que este direito à informação seja estendido aos jornais impressos, tv abertas, rádio, revistas e internet.
    Não faz o menor sentido o desenvolvimento da espécie humana se, por caprinho de uns, a maioria é proibida de desfrutar dos bens culturais da humanidade.
    A não ser que uns poucos brasileiros sejam mais brasileiros do que a grande maioria.

    • Pelo que sei as teles(vivo,gvt,) não são empresas 100% brasileiras e não poderiam atuar como empresas de comunicação creio que e no maximo 30% de participação estrangeira que e permitido.

      • Isso se chama reserva de mercado.
        Prá que?
        Porque será que o PIG só não permite a abertura do mercado em seu próprio quintal
        Esta é que a questão principal
        Sem essa de que capital nacional monopolizar significa defesa do interesse nacional, isto não é verdade, pois afinal de contas quando precisamos de saber notícias confiáveis sobre o brasil temos que recorrer à imprensa estrangeira

        • Não esta a questão, a lei não permite empresas de comunicação não nacionais , somente se mudar a lei como mudaram das teles onde a OI pode comprar a brasiltelecom , foi ai que deu-se bem o lulinha .
          ……..
          O mercado de midia e aberto qualquer um inclusive vc pode imprimir um jornal obter anunciantes e entrar no mercado , radio e televisão o mesmo.
          ……..
          No fundo todos sabemos que a real intenção e impedir que a midia divulge os inlicitos do PT ja que dos “quatro poderes” a midia não esta ainda sobre total controle do petista(ainda).
          …..
          Não é necessario dizer quantas vezes a midia divulgou os escandalos(mensalão,dolares na cueca) envolvendo o PT ea represalia esta agora em curso.

  12. Prezado Eduardo: Juan Velasco Alvarado, general do exército no Peru, foi presidente daquele pais de 1968 a 1975, assumiu o governo depois de um golpe militar e deixou o poder depois de um golpe militar. Fez reforma agrária, nacionalizou o petróleo e queria tambem criar uma lei para disciplinar a imprensa.Lembro muito bem que ele disse que os grandes grupos que controlavam a mídia no seu pais e que tanto falavam em liberdade de imprensa na verdade queriam era a liberdade de empresa.No nosso pais, que faz franteira com o Peru, esta turma que tanto prega a liberdade de imprensa, realmente prega, mas age de forma bem diferente, basta ver que nunca dão direito de resposta àqueles que são por eles denigridos a não ser por determinação da justiça. Julgam-se acima do bem e do mal , somente a opinão deles tem valor, cabendo a nós, pobres leitores nos recolhermos no silêncio e na raiva e muitos ficarem com a sua honra maculada.

  13. Também acho que o Palocci deveria ficar bem afastado, ou aliás, nem deveria fazer parte do governo da Dilma. Quanto mais longe do centro do poder, melhor será para a Dilma e para nós. Não confio nesse Palocci, que já mostrou que é bem sabujo da ala ultra direita do Brasil.
    Do sitio resistir.com

    A fabricação da dissidência

    por Michel Chossudovsky [*]

    “Tudo aquilo que a Fundação [Ford] fez pode ser considerado no âmbito de “tornar o mundo seguro para o capitalismo, diminuindo as tensões sociais ao ajudar a socorrer os angustiados, a proporcionar válvulas de segurança aos raivosos e a melhorar o funcionamento do governo”
    (McGeorge Bundy, conselheiro de Segurança Nacional dos Presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson (1961-1966) e Presidente da Fundação Ford (1966-1979).

    “Ao pôr os fundos e o enquadramento político à disposição de muita gente preocupada e dedicada que trabalha no sector não lucrativo, a classe dirigente pode ir buscar líderes às comunidades de base,… e pode tornar o financiamento, a contabilidade e os componentes de avaliação do trabalho tão demorado e oneroso que o trabalho de justiça social é praticamente impossível nessas condições”
    (Paul Kivel, You Call this Democracy, Who Benefits, Who Pays and Who Really Decides, 2004, p. 122 )
    “Na Nova Ordem Mundial, o ritual de convidar líderes da “sociedade civil” para os círculos interiores do poder – enquanto simultaneamente reprime os cidadãos comuns – satisfaz diversas funções importantes. Primeiro, diz ao Mundo que os críticos da globalização “têm que fazer concessões” para ganharem o direito de se misturar. Segundo, transmite a ilusão de que, embora as elites globais devam – no que eufemísticamente se chama democracia – estar sujeitas à crítica, governam legitimamente. E terceiro, diz “não há alternativa” à globalização: não é possível uma mudança radical e o mais que podemos esperar é negociar com esses governantes um ineficaz “dar e receber”.

    Mesmo que os “Globalizadores” possam adoptar algumas frases progressistas para demonstrar que têm boas intenções, os seus objectivos fundamentais não são contestados. E o que esta “miscelânea da sociedade civil” faz é reforçar o coio da instituição empresarial, ao mesmo tempo que enfraquece e divide o movimento de protesto. A compreensão deste processo de cooptação é importante, porque dezenas de milhares dos jovens mais íntegros em Seattle, Praga e Quebec [1999-2001] estão envolvidos nos protestos anti-globalização porque rejeitam a noção de que o dinheiro é tudo, porque rejeitam o empobrecimento de milhões e a destruição da Terra frágil para que alguns fiquem mais ricos.

    Esta arraia-miúda e também alguns dos seus líderes merecem ser aplaudidos. Mas é preciso ir mais longe. É preciso contestar o direito dos “Globalizadores” a governar. Para isso é necessário repensar a estratégia do protesto. Poderemos mudar para um nível superior, desencadeando movimentos de massas nos nossos respectivos países, movimentos que transmitam a mensagem do que a globalização está a fazer às populações? Porque são eles a força que tem que ser mobilizada para contestar aqueles que pilham o Globo”. (Michel Chossudovsky, The Quebec Wall, Abril 2001)

    A expressão “fabrico do consenso” foi inicialmente cunhada por Edward S Herman and Noam Chomsky.

    O “fabrico do consenso” descreve um modelo de propaganda usado pelos meios de comunicação corporativos para manipular a opinião pública e “inculcar valores e crenças nos indivíduos…”

    Os meios de comunicação de massas servem como um sistema de comunicação de mensagens e símbolos à arraia-miúda. É sua função divertir, entreter e informar, e inculcar nos indivíduos valores, crenças e códigos de comportamento que os integrarão nas estruturas institucionais da sociedade mais ampla. Para cumprir este papel num mundo de riqueza concentrada e de importantes conflitos de interesses de classe, é necessário uma propaganda sistemática. (Manufacturing Consent por Edward S. Herman e Noam Chomsky)

    O “fabrico do consenso” implica a manipulação e a modelação da opinião pública. Institui a conformidade e a aceitação à autoridade e à hierarquia social. Procura a obediência a uma ordem social instituída. O “fabrico do consenso” descreve a submissão da opinião pública à narrativa dos meios de comunicação predominantes, às suas mentiras e maquinações.

    “O fabrico da dissidência”

    Neste artigo, concentramo-nos num conceito relacionado, ou seja, o processo de “fabrico da dissidência” (em vez do “consenso”) que desempenha um papel decisivo ao serviço dos interesses da classe dirigente.

    No capitalismo contemporâneo, tem que se manter a ilusão da democracia. É do interesse das elites corporativas aceitar a dissidência e o protesto como uma característica do sistema tanto mais que não ameaçam a ordem social instituída. O objectivo não é reprimir os dissidentes mas, pelo contrário, modelar e moldar o movimento de protesto, estabelecer os limites exteriores da dissidência.

    Para manter a sua legitimidade, as elites económicas favorecem formas de oposição limitadas e controladas, com vista a impedir o desenvolvimento de formas radicais de protesto, que podiam abalar as fundações e as instituições do capitalismo global. Por outras palavras, o “fabrico da dissidência” funciona como uma “válvula de segurança” que protege e sustenta a Nova Ordem Mundial.

    Mas, para ser eficaz, o processo do “fabrico da dissidência” tem que ser cuidadosamente regulado e monitorizado por aqueles que são o alvo do movimento de protesto.

    “Financiar a dissidência”

    Como é que se consegue fabricar a dissidência?

    Essencialmente, “financiando a dissidência”, nomeadamente canalizando recursos financeiros daqueles que são o objecto do movimento de protesto para aqueles que estão envolvidos na organização do movimento de protesto.

    A cooptação não se limita a comprar os favores de políticos. As elites económicas – que controlam importantes fundações – também fiscalizam o financiamento de inúmeras Organizações Não Governamentais (ONGs) e organizações da sociedade civil, que historicamente têm estado envolvidas no movimento de protesto contra a ordem económica e social instituída. Os programas de muitas ONGs e movimentos populares dependem fortemente de financiamentos de organismos públicos ou privados, incluindo as fundações Ford, Rockefeller, McCarthy, entre outras.

    O movimento anti-globalização opõe-se a Wall Street e aos gigantes petrolíferos do Texas controlados por Rockefeller e outros. Mas as fundações e os organismos caritativos de Rockefeller e outros financiam generosamente redes progressistas anti-capitalistas assim como os ambientalistas (que se opõem ao Grande Petróleo) com vista a vir a fiscalizar e a modelar as suas diversas actividades.

    Os mecanismos do “fabrico da dissidência” exigem um ambiente manipulador, um processo de braço de ferro e uma subtil cooptação de indivíduos do interior de organizações progressistas, incluindo coligações anti-guerra, ambientalistas e o movimento anti-globalização.

    Enquanto que os meios de comunicação “fabricam o consenso”, as elites corporativas utilizam a complexa rede de ONGs (incluindo segmentos dos meios de comunicação alternativos) para moldar e manipular o movimento de protesto.

    Na sequência da desregulamentação do sistema financeiro global nos anos 90 e do rápido enriquecimento da instituição financeira, o financiamento através de fundações e instituições caritativas disparou. Ironicamente, parte dos ganhos financeiros fraudulentos de Wall Street nos últimos anos foram reciclados para fundações e instituições caritativas livres de impostos das elites. Estes ganhos financeiros inesperados não só foram usados para comprar políticos, como também foram canalizados para ONGs, institutos de investigação, centros comunitários, igrejas, ambientalistas, meios de comunicação alternativos, grupos de direitos humanos, etc. O “fabrico da dissidência” também se aplica à “esquerda corporativa” e aos “meios de comunicação progressistas” financiados por ONGs ou directamente pelas fundações.

    O objectivo encoberto é “fabricar a dissidência” e estabelecer as fronteiras duma oposição “politicamente correcta”. Por sua vez, muitas ONGs são infiltradas por informadores que actuam frequentemente por conta dos organismos de informações ocidentais. Além disso, um segmento cada vez maior dos meios noticiosos progressistas alternativos na internet passou a ficar dependente do financiamento de fundações corporativas e de organizações caritativas.

    Activismo fragmentado

    O objectivo das elites corporativas tem sido fragmentar o movimento popular num enorme mosaico “faça você mesmo”. A guerra e a globalização já não estão na linha da frente do activismo da sociedade civil. O activismo tem tendência para se fragmentar. Não há um movimento anti-guerra e anti-globalização integrado. A crise económica não está a ser vista como tendo uma relação com a guerra liderada pelos EU.

    A dissidência foi compartimentalizada. São encorajados e generosamente financiados movimentos de protesto separados “orientados por assuntos” (por ex. ambiente, antiglobalização, paz, direitos das mulheres, alteração climática), em oposição a um movimento de massas coeso. Este mosaico já era prevalecente na manifestação contra as cimeiras G7 e nas Cimeiras Populares dos anos 90.

    O movimento anti-globalização

    A contra cimeira Seattle 1999 é invariavelmente considerada como um triunfo para o movimento anti-globalização: “uma coligação histórica de activistas fez encerrar a cimeira da Organização Mundial do Comércio em Seattle, a faísca que incendiou um movimento global anti-empresas”. (Ver Naomi Klein, Copenhagen: Seattle Grows Up, The Nation, 13 de Novembro, 2009).

    Seattle foi de facto um marco importante na história do movimento de massas. Mais de 50 000 pessoas de diversas origens, organizações da sociedade civil, dos direitos humanos, sindicatos de trabalhadores, ambientalistas juntaram-se com um objectivo comum. O seu objectivo era desmantelar à força a agenda neoliberal incluindo a sua base institucional.

    Mas Seattle é também um marco de uma viragem importante. Com a escalada da dissidência por parte de todos os sectores da sociedade, a Cimeira oficial da Organização Mundial do Comércio (OMC) precisava desesperadamente da participação simbólica dos líderes da sociedade civil “por dentro”, para dar exteriormente o aspecto de ser “democrática”.

    Embora tenham convergido milhares de pessoas a Seattle, o que se passou nos bastidores foi na verdade uma vitória para o neoliberalismo. Um punhado de organizações da sociedade civil, formalmente opostas à OMC contribuiu para legitimar a arquitectura comercial global da OMC. Em vez de contestar a OMC como um órgão intergovernamental ilegal, aceitaram um diálogo pré-cimeira com a OMC e os governos ocidentais. “Participantes acreditados das ONG foram convidados a participar num ambiente amistoso com embaixadores, ministros do comércio e magnatas de Wall Street em vários dos eventos oficiais, incluindo os numerosos cocktails e recepções”. (Michel Chossudovsky, Seattle and Beyond: Disarming the New World Order , Covert Action Quarterly, Novembro 1999, Ver Ten Years Ago: “Manufacturing Dissent” in Seattle).

    A agenda oculta era enfraquecer e dividir os movimentos de protesto e orientar o movimento anti-globalização para áreas que não ameaçassem directamente os interesses da instituição dos negócios.

    Financiado por fundações privadas (incluindo a Ford, a Rockefeller, a Rockefeller Brothers, a Charles Stewart Mott, The Foundation for Deep Ecology), estas organizações “acreditadas” da sociedade civil passaram a funcionar como grupos de pressão, agindo formalmente em nome do movimento popular. Lideradas por activistas conhecidos e empenhados, tinham as mãos atadas. Acabaram por contribuir (involuntariamente) para enfraquecer o movimento anti-globalização ao aceitarem a legitimidade do que era essencialmente uma organização ilegal, (o acordo da Cimeira de Marraquexe de 1994 que levou à criação da OMC em 1 de Janeiro de 1995). (ibid).

    Os líderes das Organizações Não Governamentais (ONGs) tinham plena consciência de onde é que vinha o dinheiro. No entanto, na comunidade das ONGs americanas e europeias, as fundações e as organizações caritativas são consideradas como órgãos filantrópicos independentes, separados das corporações; nomeadamente a Fundação Rockefeller Brothers, por exemplo, é considerada como separada e distinta do império de bancos e empresas petrolíferas da família Rockefeller.

    Com os salários e as despesas operacionais dependentes de fundações privadas, isso tornou-se uma rotina aceite: numa lógica distorcida, a batalha contra o capitalismo corporativo iria ser travada usando os fundos das fundações isentas de impostos, propriedade do capitalismo corporativo.

    As ONGs foram metidas numa camisa-de-forças; a sua própria existência dependia das fundações. As suas actividades eram monitorizadas de perto. Numa lógica distorcida, a própria natureza do activismo anti-capitalista era controlada indirectamente pelos capitalistas através das suas fundações independentes.

    “Cães de guarda progressistas”

    Nesta saga em evolução, as elites corporativas, cujos interesses são defendidos inexoravelmente pelo FMI, pelo Banco Mundial e pela OMC, financiam de boa vontade (através das suas diversas fundações e obras caritativas) organizações que estão na vanguarda do movimento de protesto contra a OMC e as instituições financeiras internacionais com sede em Washington.

    Sustentados pelo dinheiro das fundações, foram colocados diversos “cães de guarda” nas ONGs para fiscalizar a implementação de políticas neoliberais, sem no entanto colocar a questão mais ampla de como é que os gémeos Bretton Woods e a OMC, através das suas políticas, tinham contribuído para o empobrecimento de milhões de pessoas.

    A SAPRIN, Structural Adjustment Participatory Review Network, foi fundada pelo Development Gap, uma USAID (Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional) e o Banco Mundial financiou a ONG com sede em Washington DC.

    Amplamente documentada, a imposição do Programa de Ajustamento Estrutural FMI-Banco Mundial (SAP) aos países em desenvolvimento constitui uma forma escandalosa de interferência nos assuntos internos de estados soberanos em nome de instituições credoras.

    Em vez de contestar a legitimidade da “medicina económica letal” do FMI-Banco Mundial, a organização central da SAPRIN procurou estabelecer um papel participativo para as ONGs, de braço dado com a USAID e o Banco Mundial. O objectivo era dar um “rosto humano” à agenda política neoliberal, em vez de rejeitar liminarmente o enquadramento político do FMI-Banco Mundial:

    “A SAPRIN é a rede global da sociedade civil que foi buscar o seu nome à Structural Adjustment Participatory Review Initiative (SAPRI), que foi lançada com o Banco Mundial e o seu presidente, Jim Wolfensohn, em 1997.

    A SAPRI destina-se a um exercício tripartido para reunir organizações da sociedade civil, os seus governos e o Banco Mundial numa análise conjunta de programas de ajustamento estrutural (SAPs) e na exploração de novas opções políticas. Está a legitimar um papel activo para a sociedade civil na tomada de decisões económicas, já que lhe compete indicar áreas em que são necessárias mudanças na política económica e no processo de implementar políticas económicas. (http://www.saprin.org/overview.htm website da SAPRIN).

    Do mesmo modo, o Observatório do Comércio (anteriormente WTO Watch), que opera a partir de Genebra, é um projecto do Instituto para a Política de Agricultura e Comércio (IATP), com base em Minneapolis, que é generosamente financiado pela Ford, Rockefeller, Charles Stewart Mott, entre outros (ver Quadro 1 abaixo).

    O Observatório do Comércio tem por função fiscalizar a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Acordo de Comércio Livre Norte-americano (NAFTA) e a proposta Área de Comércio Livre das Américas (FTAA). (IATP, About Trade Observatory, Setembro 2010).

    O Observatório do Comércio também pretende melhorar dados e informações assim como estimular a “governação” e a “responsabilidade”. Responsabilidade em relação às vítimas das políticas da OMC ou responsabilidade para com os protagonistas das reformas neoliberais?

    As funções de cão de guarda do Observatório do Comércio não ameaçam de modo algum a OMC. Muito pelo contrário: a legitimidade das organizações e dos acordos comerciais nunca são postas em causa.

    Quadro 1 – Principais doadores ao Instituto para a Política Agrícola e Comercial Minneapolis (IATP)

    O Fórum Económico Mundial. “Todos os caminhos vão dar a Davos”

    O movimento popular foi assaltado. Intelectuais escolhidos, executivos sindicais, e líderes das organizações da sociedade civil (incluindo a Oxfam, a Amnistia Internacional, o Greenpeace) são sistematicamente convidados para o Fórum Mundial Económico FME de Davos, onde se misturam com os actores económicos e políticos mais poderosos do Mundo. Esta mistura de elites corporativas do mundo com “progressistas” escolhidos a dedo faz parte do ritual subjacente ao processo de “fabrico da dissidência”.

    A táctica é escolher a dedo selectivamente líderes da sociedade civil “em quem podemos confiar” e integrá-los num “diálogo”, isolá-los das suas bases, fazer com que eles se sintam “cidadãos globais” a agir no interesse dos trabalhadores seus colegas mas fazer com que eles ajam de modo a servir os interesses da instituição corporativa:

    “A participação de ONGs no Encontro Anual em Davos é uma prova de que procuramos intencionalmente integrar um largo espectro dos principais participantes na sociedade para… definir e impulsionar a agenda global… Acreditamos que o Fórum Mundial Económico [de Davos] proporciona à comunidade dos negócios o enquadramento ideal para se empenhar num esforço colaborativo com os outros participantes principais [as ONGs] da economia global para “melhorar o estado do mundo”, que é a missão do Fórum. (Fórum Mundial Económico, Comunicado à Imprensa 5 Janeiro 2001)

    O FME não representa a comunidade de negócios mais ampla. É um grupo elitista: Os seus membros são gigantescas corporações globais (com um mínimo de 5 mil milhões de dólares de volume de negócios anual). As organizações não governamentais (ONGs) seleccionadas são consideradas como “participantes” parceiros assim como um conveniente “porta-voz para os que não têm expressão que ficam quase sempre fora dos processos de tomada de decisões”. (World Economic Forum – Non-Governmental Organizations, 2010)

    “[As ONGs] desempenham uma série de papéis na parceria com o Fórum para melhorar o estado do mundo, incluindo servir de ponte entre os negócios, o governo e a sociedade civil, ligando os políticos às bases, pondo soluções práticas em cima da mesa…” (ibid).

    Uma “parceria” da sociedade civil com corporações globais em nome dos “que não têm voz”, que são “deixados de fora”?

    Também são cooptados executivos sindicais com prejuízo para os direitos dos trabalhadores. Os líderes da Federação Internacional dos Sindicatos (IFTU), da AFL-CIO, da Confederação dos Sindicatos Europeus, do Congresso do Trabalho Canadiano (CLC), entre outros, são sistematicamente convidados para assistir tanto às reuniões anuais do FME em Davos, na Suíça, como às cimeiras regionais. Também participam na Comunidade de Líderes Trabalhistas do FME que se concentra em padrões mutuamente aceitáveis de comportamento para o movimento dos trabalhadores. O FME “acredita que a voz do Trabalho é importante para um diálogo dinâmico sobre as questões da globalização, da justiça económica, da transparência e responsabilidade, e garante um sistema financeiro global saudável”.

    “Garante um sistema financeiro global saudável” eivado de fraudes e corrupção? A questão dos direitos dos trabalhadores nem sequer é referida. (World Economic Forum – Labour Leaders, 2010).

    O Fórum Social Mundial: “É possível outro mundo”

    Em muitos aspectos a contra cimeira de Seattle 1999 estabeleceu os alicerces para o desenvolvimento do Fórum Social Mundial.

    A primeira reunião do Fórum Social Mundial (FSM) realizou-se em Janeiro de 2001, em Porto Alegre, Brasil. Esta reunião internacional envolveu a participação de dezenas de milhares de activistas de organizações de bases de e de ONGs.

    A reunião do FSM de ONGs e organizações progressistas realiza-se em simultâneo com o Fórum Económico Mundial (FEM) de Davos. Destinava-se a dar voz à oposição e à dissidência em relação ao Fórum Económico Mundial de líderes corporativos e de ministros das finanças.

    No início, o FSM foi uma iniciativa da ATTAC de França e de várias ONGs brasileiras:

    “… Em Fevereiro de 2000, Bernard Cassen, chefe duma ONG francesa, a plataforma ATTAC, Oded Grajew, chefe duma organização de empregadores brasileiros, e Francisco Whitaker, chefe duma associação de ONGs brasileiras, reuniram-se para discutir uma proposta para um “evento mundial da sociedade civil”; em Março de 2000, asseguraram formalmente o apoio do governo municipal de Porto Alegre e do governo estatal de Rio Grande do Sul, ambos controlados na época pelo Partido dos Trabalhadores Brasileiros (PT)… Um grupo de ONGs francesas, incluindo a ATTAC, os Amigos do L’Humanité e os Amigos do Le Monde Diplomatique, patrocinaram um Fórum Social Alternativo em Paris intitulado “Um Ano Após Seattle”, a fim de preparar uma agenda para os protestos a ser encenados na cimeira da União Europeia em Nice, que se aproximava. Os oradores apelaram à “reorientação de certas instituições internacionais tais como o FMI, o Banco Mundial, a OMC… a fim de criar uma globalização a partir de baixo” e à “implementação de um movimento internacional de cidadãos, não para destruir o FMI, mas para reorientar as suas missões”. (Research Unit For Political Economy, The Economics and Politics of the World Social Forum, Global Research, 20 de Janeiro, 2004)

    Desde o início em 2001, o FSM foi sustentado por um financiamento substancial da Fundação Ford, que, como se sabe, tem ligações com a CIA que remontam aos anos 50: “A CIA usa fundações filantrópicas como a via mais eficaz para canalizar grandes somas de dinheiro para projectos da Agência sem avisar os recebedores quanto à sua origem”. (James Petras, The Ford Foundation and the CIA, Global Research, 18 de Setembro, 2002)

    O mesmo procedimento de contra-cimeiras ou cimeiras populares com fundos doados, que caracterizou as Cimeiras Populares dos anos 90, foi utilizado no Fórum Social Mundial:

    “… outros fundadores do FSM (ou ‘parceiros’, conforme são designados na terminologia do FSM) incluíam a Fundação Ford – basta dizer aqui que esta sempre funcionou na mais estreita colaboração com a CIA e com os interesses estratégicos em geral dos EU; a Fundação Heinrich Boll Foundation, que é controlada pelo partido alemão Os Verdes, um parceiro no actual [2003] governo alemão e apoiante das guerras na Jugoslávia e no Afeganistão (o seu líder Joschka Fischer é o [antigo] ministro alemão dos negócios estrangeiros); e importantes organismos financiadores como o Oxfam (Reino Unido), o Novib (Holanda), o ActionAid (EU), etc.

    Curiosamente, um membro do Conselho Internacional do FSM relata que os “fundos consideráveis” recebidos desses organismos não tivera “até agora motivado quaisquer debates significativos [nos órgãos do FSM] sobre as possíveis relações de dependência que poderiam gerar”. Mas reconhece que “para receber fundos da Fundação Ford, os organizadores tiveram que convencer a fundação de que o Partido dos Trabalhadores não estava envolvido no processo”. Há aqui dois pontos dignos de registo. Primeiro, isto demonstra que os financiadores puderam medir as forças e determinar o papel das diferentes forças no FSM – tiveram que ser “convencidos” das credenciais daqueles que estariam envolvidos. Segundo, se os financiadores objectaram à participação do cuidadosamente domesticado Partido dos Trabalhadores, teriam objectado ainda com mais determinação se fosse dado relevo a forças genuinamente anti-imperialistas. Que eles fizeram essas objecções tornar-se-á claro quando descrevermos quem foi incluído e quem foi excluído da segunda e da terceira reuniões do FSM…

    … A questão do financiamento [do FSM] nem sequer figura na carta de princípios do FSM, aprovada em Junho de 2001. Os marxistas, que são materialistas, fariam notar que se deve analisar a base material do fórum para apanhar a sua natureza. (Claro que não é preciso ser-se marxista para compreender que “quem paga a despesa é quem manda”). Mas o FSM não está de acordo. Pode aceitar fundos de instituições imperialistas como a Fundação Ford, e ao mesmo tempo lutar contra o “domínio do mundo pelo capital e qualquer outra forma de imperialismo”. (Research Unit For Political Economy, The Economics and Politics of the World Social Forum, Global Research, 20 de Janeiro, 2004)

    A Fundação Ford forneceu apoio fundamental ao FSM, com contribuições indirectas para participar em “organizações parceiras” da Fundação McArthur, da Fundação Charles Stewart Mott, de The Friedrich Ebert Stiftung, da Fundação W. Alton Jones, da Comissão Europeia, de diversos governos europeus (incluindo o governo trabalhista de Tony Blair), do governo canadiano, assim como de uma série de órgãos da ONU (incluindo a UNESCO, a UNICEF, a UNDP, a OIT e a FAO). (Iibid.)

    Para além do apoio fundamental inicial da Fundação Ford, muitas das organizações da sociedade civil participantes recebem fundos de importantes fundações e organizações caritativas. Por seu lado, as ONGs com sede nos EUA e na Europa operam frequentemente como organismos de financiamento secundário, canalizando dinheiro Ford e Rockefeller para organizações parceiras em países em desenvolvimento, incluindo movimentos de base de camponeses e de direitos humanos.

    O Conselho Internacional (CI) do FSM é composto por representantes das ONGs, sindicatos, organizações de meios de comunicação alternativos, institutos de investigação, muitos dos quais são fortemente financiados por fundações assim como por governos. (Ver Fórum Social Mundial). Os mesmos sindicatos, que são rotineiramente convidados para se misturarem com directores de Wall Street no Fórum Económico Mundial de Davos, incluindo a AFL-CIO, a Confederação Europeia de Sindicatos e o Congresso do Trabalho Canadiano também se sentam no Conselho Internacional do Fórum Social Mundial. Entre as ONGs financiadas pelas principais fundações que têm assento no Conselho Internacional do FSM encontra-se o Instituto para a Politica de Agricultura e Comércio (ver a nossa análise mais acima) que fiscaliza o Observatório do Comércio com sede em Genebra.

    A Rede de Financiadores para o Comércio e Globalização (FTNG), que tem o estatuto de observador no Conselho Internacional do FSM desempenha um papel chave. Enquanto canaliza apoio financeiro para o FSM, actua como uma câmara de compensação para importantes fundações. A FTNG descreve-se a si mesma como “uma aliança de doadores empenhados na construção de comunidades justas e sustentadas em todo o mundo”. Alguns membros desta aliança são a Fundação Ford, a Rockefeller Brothers, Heinrich Boell, C. S. Mott, a Fundação da Família Merck, Open Society Institute, Tides, entre outros. (Para uma lista completa dos organismos financiadores da FTNG ver FNTG: Funders). A FTNG actua como uma entidade angariadora de fundos por conta do FSM.

    Governos ocidentais financiam as contra-cimeiras e reprimem o movimento de protesto

    Ironicamente, governos que fazem parte da União Europeia atribuem dinheiro para financiar grupos progressistas (incluindo o Fórum Social Mundial) envolvidos na organização de protestos contra esses mesmos governos que financiam as suas actividades:

    “Também os governos têm sido financiadores significativos de grupos de protesto. A Comissão Europeia, por exemplo, financiou dois grupos que mobilizaram grande número de pessoas para protestar nas cimeiras da UE em Gotenburgo e Nice. A lotaria nacional da Grã-Bretanha, que é fiscalizada pelo governo, ajudou a financiar um grupo no centro do contingente britânico em ambos os protestos”. (James Harding, Counter-capitalism, FT.com, 15 de Outubro 2001)

    Trata-se de um processo diabólico: O governo anfitrião financia a cimeira oficial assim como as ONGs activamente envolvidas na Contra-Cimeira. Também financia a operação policial anti-motins que tem como missão reprimir os participantes de base da Contra-Cimeira, incluindo membros de ONGs financiadas directamente pelo governo.

    O objectivo destas operações combinadas, incluindo acções violentas de vandalismo perpetradas por polícias à paisana (Toronto G20, 2010) disfarçados em activistas, é desacreditar o movimento de protesto e intimidar os seus participantes. O objectivo mais amplo é transformar a contra-cimeira num ritual de dissidência, que serve para patrocinar os interesses da cimeira oficial e o governo anfitrião. Esta lógica tem funcionado em numerosas contra cimeiras desde os anos 90.

    Na Cimeira da América em Quebeque em 2001, o governo federal canadiano concedeu financiamentos a ONGs e a sindicatos mais importantes mediante certas condições. Um grande segmento do movimento de protesto acabou por ficar excluído da Cimeira Popular. Isso deu origem a uma segunda reunião paralela, que alguns observadores descreveram como “contra a Cimeira Popular”. As autoridades provinciais e federais exigiram que a marcha de protesto seguisse para um local a uma distância de 10 km da cidade, em vez de seguirem na direcção da área do centro histórico onde se estava a realizar a cimeira FTAA por detrás dum “perímetro de segurança” fortemente guardado”.

    “Em vez de avançar para a vedação do perímetro e para o local das reuniões da Cimeira das Américas, os organizadores do desfile escolheram um percurso que se afastava da Cimeira Popular, passando por áreas residenciais quase vazias até ao parque de estacionamento de um estádio numa área isolada a alguns quilómetros de distância. Henri Masse, o presidente da Federação dos trabalhadores e trabalhadoras de Quebeque (FTQ) explicou, “Lamento estarmos tão longe do centro da cidade… Mas foi por uma questão de segurança”. Um milhar de seguranças da FTQ mantiveram um controlo muito apertado sobre o desfile. Quando o desfile chegou ao ponto em que alguns activistas pretenderam dividir-se e subir a colina até à vedação, os seguranças da FTQ fizeram sinal ao contingente dos Trabalhadores Canadianos de Automóveis (CAW) que caminhavam atrás do CUPE para se sentarem e fazerem parar o desfile, a fim de os seguranças da FTQ poderem formar um cordão e impedir que houvesse quem saísse do percurso oficial do desfile”. (Katherine Dwyer, Lessons of Quebec City, International Socialist Review, Junho/Julho 2001)

    A Cimeira das Américas efectuou-se no interior de um “bunker” de quatro quilómetros, feito com uma vedação de betão e de aço galvanizado. A parte cercada do centro histórico da cidade, o “Muro de Quebeque” de 3 metros de altura, incluía o complexo parlamentar da Assembleia Nacional, hoteis e áreas comerciais.

    Líderes de ONGs versus suas bases

    A instituição do Fórum Social Mundial em 2001 foi sem dúvida um marco histórico, reunindo dezenas de milhares de activistas empenhados. Foi um acontecimento importante que permitiu a troca de ideias e o estabelecimento de laços de solidariedade.

    O que está em causa é o papel ambivalente dos líderes das organizações progressistas. A sua relação estreita e bem-educada com os círculos internos do poder, com os financiamentos corporativos e governamentais, organismos de apoio, Banco Mundial, etc. corrói a sua relação e responsabilidades com as suas bases. O objectivo da dissidência fabricada é precisamente esse: distanciar os líderes das suas bases como um meio de silenciar e enfraquecer eficazmente as acções das bases.

    Financiar a dissidência é também uma forma de infiltração nas ONGs, assim como de adquirir informações por dentro sobre estratégias de protesto e resistência dos movimentos de base.

    A maior parte das organizações de base que participam no Fórum Social Mundial, incluindo organizações camponesas, de trabalhadores e de estudantes, firmemente empenhadas em combater o neoliberalismo não tinham conhecimento da relação do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial com o financiamento corporativo, negociado nas suas costas por um punhado de líderes de ONGs com ligações a organismos de financiamento oficiais e privados.

    O financiamento a organizações progressistas não se faz sem condições. O seu objectivo é “pacificar” e manipular o movimento de protesto. Os organismos financiadores estabelecem condicionalismos minuciosos. Se não forem cumpridos, cessam os pagamentos e a ONG recebedora vai à falência por falta de fundos.

    O Fórum Social Mundial define-se como “um local de encontro aberto para pensamento reflectivo, debate de ideias democrático, formulação de propostas, livre troca de experiências e inter-ligação para acção eficaz, de grupos e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e qualquer forma de imperialismo e estão empenhados na construção de uma sociedade centrada na pessoa humana”. (Ver Fórum Social Mundial, 2010).

    O Fórum Social Mundial é um mosaico de iniciativas individuais que não ameaça directamente nem contesta a legitimidade do capitalismo global e das suas instituições. Reúne-se anualmente. Caracteriza-se por uma imensidade de sessões e de grupos de trabalho. Quanto a este aspecto, uma das características do Fórum Social Mundial era manter o enquadramento “faça você mesmo”, característico

    Esta estrutura aparentemente desorganizada é propositada. Embora favoreça o debate sobre uma série de tópicos individuais, a moldura do FSM não conduz a uma articulação duma plataforma comum coesiva e dum plano de acção dirigido contra o capitalismo global. Além disso, a guerra liderada pelos EUA no Médio Oriente e na Ásia Central, que rebentou poucos meses depois da reunião inaugural do FSM em Porto Alegre em Janeiro de 2001, nunca foi uma questão central nas discussões do fórum.

    O que prevalece é uma vasta e intrincada rede de organizações. As organizações de base recebedoras dos países em desenvolvimento estão normalmente inconscientes de que as suas ONGs parceiras nos Estados Unidos ou na União Europeia, que lhes estão a fornecer o apoio financeiro, estão elas próprias a ser financiadas por importantes fundações. O dinheiro escorre, impondo constrangimentos às acções das bases. Muitos destes líderes de ONGs estão empenhados e são indivíduos bem intencionados que agem num enquadramento que estabelece os limites da dissidência. Os líderes destes movimentos são frequentemente cooptados, sem sequer perceber que, em consequência do financiamento corporativo, ficam com as mãos atadas.

    O capitalismo global financia o anti-capitalismo: uma relação absurda e contraditória

    “É Possível um Outro Mundo”, mas este não pode ser alcançado de forma significativa com a actual situação.

    É preciso um abanão no Fórum Social Mundial, na sua estrutura organizativa, nos seus financiamentos e na sua liderança.

    Não pode haver um movimento de massas significativo quando a dissidência é tão generosamente financiada pelos mesmos interesses corporativos que são o alvo desse movimento de protesto. Nas palavras de McGeorge Bundy, presidente da Fundação Ford (1966-1979),”Tudo o que a Fundação [Ford] fez pode ser considerado no âmbito de ‘tornar o mundo seguro para o capitalismo”.
    [*] Comunicação enviada ao III Encontro Civilização ou Barbárie, realizado em Serpa, 30/Outubro – 1/Novembro/2010

    O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=1794

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

    • Vilma, o Palocci, junto ao Eduardo Cardoso, estão entre as grandes cabeças do PT.
      A Dilma começou bem, pode crer.

  14. O controle da mídia já existe,

    O que alguns (…) não conseguem, ou não querem perceber, é que uma mídia controlada por interesses escusos é bem diferente de uma mídia livre.

    É interessante que ninguém discute o papel do governo como regulador em outras áreas da sociedade.

    Uma imprensa na mão de poucos, servindo oas interesses espúrios desses poucos, essa sim, é o real ataque à liberdade de imprensa.

    Dá pra entender (…) ou eu preciso desenhar?

    • Fábio, como é que pode uma imprensa ser livre, como fala, tendo sobre si, controle, seja ele qual for?
      Será que eu boto fé no seu traço???…prefiro que não desenhe, não.
      E, que tal, elencar o papel regulador do governo, a que se refere, em outras áreas?

  15. Xará,

    Tema explosivo por certo. Mas será inevitável colocar o dedo na ferida. O país não pode ficar refem desse grupo midiático herdado dos anos de chumbo e que acha que fazer o que bem entender e não dar satisfações à sociedade. Não podemos mais retardar esse confronto que por certo vai deixar muitos feridos no campo de batalha mas que terá quer “parido”, nem que seja à fórceps, um outro modelo, ou pelo UM modelo, masmo que, como no caso de um tratamento contra cancer, tratá-lo com um overdose para depois se chegar à dosagem exata. Abrir esse oligopólio nefasto acho que será a grande guerra do futuro governo ou se assim não o fizer, será sucumbido por ele. Me parece que a pulverização das mídas seja o mais ideal mas que isso não se transforme em mera mudança de mãos. De minha parte, ficaria muito receioso se o Palocci, o mais tucano dos petistas assumisse esse protagonismo. Caberá à Dilma a escolha do modelo, submete-lo à discussão pública e bater o martelo. Quanto às famiglias, que mais se parecem aos quatro cavaleiros do apocalipse, devrão, sim, se submeter à nova realidade, se assim desejarem alguma sobrevida, pois há algumas décadas, só falam para sí mesmos e em pouco não conseguirão encher uma velha Kombi.

  16. Quem tem controle social da midia e o consumidor com o controle remoto .
    …..
    Deveriamos sim estar discutindo o controle social do estado , ja que não existe instrumentos para que o cidadão controle as ações do estado.O estado pelo contrario tem diversas formas de controlar o cidadão.
    ……..
    Todo governo deseja ter controle da midia ja que ea unica forma dos cidadãos terem conhecimento dos atos inlicitos deste governo.
    ….

    • Você acredita nisso? Procure se informar, faz muito tempo que nos EUA quem tem a concessão para jornal não pode ter rádio, tv etc. Hoje a mídia está não mão de algumas poucas famílias, e a mídia é um espaço que pertence à população, nós é que não temos consciência disso. Dessa forma, está mais do que na hora de o estado assumir um controle, sim, que não é censura, dessas concessões, disciplinando, porque nem tudo que os donos da mídia acham que é bom para o país, o é de fato. E censura, se tem alguém que a pratica, são os grandes grupos de telecomunicações de massa, que selecionam as informações a serem publicadas de acordo com os “seus interesses”. A cobertura da campanha eleitoral é um exemplo claro desse tipo de censura, praticada unilateralmente por alguém que tem a concessão de um espaço público, mas nega a prestação de serviço à população. O controle remoto serve para você mudar o canal, mas quem decide o que o canal vai passar como conteúdo?

      • Se um programa não tiver audiencia não tem anunciantes ,se não tiver anunciantes não se sustenta economicamente.
        O estado não deve nem pode se meter a regular a midia , isto presupoe que o ouvinte ou leitor não tem capacidade propria de discernimento , que não sabe escolher o que vê ou lê.
        ……
        Não se iluda com o tal controle “social da midia” .

  17. Gentem!!! esse rodrigo e esse campineiro estão em que planeta??????

    O Sr. Eduardo citou alguns meios de comunicação, e naõ citou a Record, como não citou a rede tv, a bandeirantes, a Carta Capital, a gazeta….A resposta lhe parece BEM óbvia???

    Os paises mais desenvolvidos do mundo possuem uma lei para os meios de comunicação….França, Espanha, Inglaterra….é só procurar.

    eita povinho desinformado….

  18. Para que as conquistas sociais e econômicas dos oito anos do Governo Lula avancem e sejam asseguradas será necessário fazer a democratização e o controle social dos meios de comunicação.
    Se o golpismo da mídia nesses oito anos não serviram de exemplo às esquerdas, aos movimentos sociais e ao sindicalismo, que atentem pelo menos ao que foi feito no período eleitoral.
    A incipiente Democracia Brasileira não sobreviverá sem o controle social da mídia.
    Não poderá haver meio termo nesse assunto.

  19. Eduardo, a presidenta eleita Dilma não poderá ter condescendência com esses golpistas brasileiros, deverá regulamentar a mídia em todos os sentidos, desde a propriedade cruzada, direito de resposta e juizados especiais até a participação das teles, a concorrência será salutar para a democracia.

  20. Excelente texto, Eduardo, ainda não tinha entendido exatamente o que era a Ley de Medios, agora compreendi, obrigado.

  21. Enquanto aguardamos o controle social da mídia que Dilma fará, podemos ir adiantando algumas medidas: cancelamento de assinaturas de jornais e revistas do pig; leitura de revistas e jornais alternativos (CartaCapital, por exemplo); campanha intensiva: “não assine, não compre avulso, não leia nem pendurado na banca, não assista nenhum veículo do pig”; produção intensiva de posts e comentários mostrando o “outro lado” da questão, que a velha mídia não mostra… Vamos inundar a internet de textos mostrando que Dilma é heroína, combatente, guerreira, e graças a atuação corajosa dela e de outros tantos que foram barbaramente seviciados e assassinados, vivemos num Estado Democrático de Direito.

  22. Prezado Eduardo: Ao leitor Paulo Cezar de Azevedo Silveira – prezado leitor.Nunca votei em FHC nem morro de amores por ele ou pela política que ele desenvolveu durante os anos que governou o nosso pais.Lí há algum tempo o livro Quem Pagou a Conta e não ví o nome de FHC alí. Você poderia clarear a minha mente e apontar onde está alguma citação no livro referente ao nosso sociólogo ?Obrigado.

  23. Se houvesse isenção desses dois “comentaristas” sobre o controle social da mídia, eles fariam como a maioria dos que aqui participam fazem, ou seja, apoiariam. Mas já demonstraram por várias vezes, que realmente desejam apenas tumultuar o ótimo ambiente democrático desse blog.
    A não ser que eles estiveram trancados em quartos escuros, sem TV, jornal, revista e sem contato com o mundo exterior durante os meses de setembro e outubro/2010 (só vou citar esses dois); Ou querem se fazer de engraçadinhos, de cegos ou fazem parte desse grupo nocivo denominado PIG.
    Ora, o Brasil inteiro assistiu ao verdadeiro show de manipulação midiática, com as maiores acusações sem direito de resposta, que escondeu as mais esdrúxulas jogadas de uma coligação podre, incentivadora de boataria pela internet, que abusou da boa-fé de milhões de brasileiros.
    O controle social da mídia tem que sair sim, urgente, não para favorecer a A ou B, ou C, mas para que se mostre a verdade, que o povo tenha conhecimento do que acontece no país e no mundo e não que seja obrigado a ver o que esses famigerados de hoje querem que se veja e acredite.
    Tem que se acabar com essa “estória” de alguém jogar uma bolinha de papel em outrem, não esclarecer sequer quem a jogou e depois querer “que acreditem” que a pessoa foi atingida por um tijolo.

  24. Campineiro, você disse Gulag? GULAG? G U L A G?

    Você parece viver um combate contra fantasmas idosos ou mesmo inexistentes…

    A cortina de ferro e essa sua terminologia já estão superadas há tempos… Atualmente a escravização, exploração e controle social ocorrem não tanto através da extirpação física do inimigo ideológico em campos de concentração, mas sim através da midia empresarial, marketing e de ferramentas de psicologia social…

    Campineiro, você não me parece um heróico defensor da liberdade de imprensa, mas tão somente uma vítima da ausência dela em nosso país…

  25. Acho que a grande midia golpista esta em uma situação muito frágil, pois:

    Financeiramente em declínio.
    Enfrenta a concorrência de novas midias (Web)
    Enfrenta a concorrência de novos players (Record, Telefonia)
    Não tem grandes estrategistas (os herdeiros são uns idiotas)
    Não tem credibilidade e a sua capacidade de criar crises caiu absurdamente.
    O império (EUA) esta em declínio.
    Não tem apoio forte no governo

    Até o final do governo Dilma os grandes grupos de hoje vão se tornar um sombra do que foram, alguns vão falir, outros se juntar, etc.

  26. Putz, assunto delicadíssimo!!!……e, esse negócio de a sociedade controlar algo tão delicado, pode ficar circunscrito àquilo que disse Rui Barbosa: “Existe tanta gente burra mandando em tanta gente inteligente, que chego a pensar que a burrice é uma ciência”.
    O célebre baiano deu uma remexida no túmulo.

  27. É uma pena que muitos brasileiros aínda não entendam, o quanto essa imprensa calhorda, (pig) é nociva a democracia brasileira.Mas vão ter que entender!!!
    O povo desse país tá mudando, e isso será resolvido em breve.
    Não podemos mais, ter uma mídia, que tem dois pêsos e duas medidas.Que lança mão do esporte brasileiro, e faz o que quer. O futebol tá uma vergonha, a globo faz o que bem entende.Só pensa no lucro fácil.
    O POVO QUE GOSTA DE FUTEBOL, E OS CLUBES, QUE SE ESPLODA!!! Temos que nos sujeitar ao seu bel-prazer.Isso é só um aperitivo!!!
    Na politica é uma vergonha!!!Na verdade, a grande mídia se acha a dona do BRASIL.
    Ao nosso amigo que foi grosseiro com o blogueiro. Veja mais TV,( todos os canais) analise cuidadosamente.
    Leia os os jornais e revistas tds. Procura saber, a vida pregressa dos partidos, e seus candidatos. A fundo.
    Procurar saber como, e por que, a globo é tão poderosa? Quem deu td esse poder à ela?
    Quanto a Record, está quieta fazendo jornalismo sério. Não vejo manipulação nem mentiras.E o lema aínda é:O PAU QUE DÁ EM CHICO, DÁ EM FRANCISCO. Tomara que continue sempre assim.
    E se o amigo, for um brasileiro que ame verdadeiramente o Brasil e o seu povo, vai achar rapidamente as respostas. LEY DE MEDIOS JÁ!!!

  28. O Brasil precisa sair da pré-historia da comunicação, não tem cabimento 6 familias serem donas deste latifundio
    No que deu a tecnologia digital?
    Pensei que viesse diversidade de opções mas não, apenas melhorou um pouco a imagem da Globo
    Ve se tem cabimento apenas 6 milhões de brasileiros terem acesso a TV a cabo e poucos a internet banda larga

  29. Esse seu final de texto define perfeitamente “qual o controle” que os barões da comunicação desejam : aquele que satisfaça apenas os seus interessess empresariais, destinado a impedir a concorrência das empresas de telefonia e dos grupos estrangeiros, mantendo o controle da opinião e da informação nas mãos das 13 famílais que mandam nas comunicações neste país. Sem dúvida o controle social da mídia é uma tarefa imprescindível ao Governo Dilma(ou ela o faz ou a Democracia não resistirá às sabotagens midiáticas, correndo o risco de ser destruída ou transformada num mero disfarce de uma Sociedade doutrinada pelas escolhas dos oligarcas da comunicação. Por controle social da mídia, entenda-se o que de fato é, uma garantia para a existência da verdadeira liberdade de expressão, liberdade que não existe no Brasil, já que o controle dos meios de comunicação por uma oligarquia, garante que esses meios divulguem apenas a parte dos fatos, e a interpretação dessa parte, que satisfaz os interesses políticos de seus proprietários, interesses que destinam-se a preservação da ordem social excludente, montada em nossa Nação. Controle social da mídia é, portanto, garantia de pluralidade. É a garantia para que os meios de comunicação(que são concessões públicas e/ou sustentam-se com dinheiro público), cumpram a obrigação de dar voz a todos os setores sociais, proprietários do espaço público de que esses meios são concessionários e/ou do dinheiro que os sustenta, levando-os a permitirem a divulgação das diferentes visões das partes envolvidas em um determinado assunto, além do respeito ao fato em sua descrição objetiva. As empresas de mídia continuarão a manifestar suas opiniões, mas de forma clara e honesta, avisando que expõem a visão da empresa, e não disfarçando-a de fato, tentando construir uma representação da realidade condizente com seus desejos. Para a concretização dessa pluralidade opinativa, e portanto da liberdade de expressão, é necessário que, além do controle social, práticas como o fim da “propriedade cruzada”; a diversificação da propriedade de meios de comunicação(para que outros setores sociais também tenham meios de grande alcance para expressarem seus anseios); o incentivo à criação de TV’s Públicas; o fim da perseguição às rádios comunitárias; e o estímulo à produção de uma programação diversificada e regionalizada sejam levadas a cabo, garantidas também no marco regulatório, o qual será um importante meio para transformarmos a “liberdade de empresas” que vivemos atualmente, sustentada pela censura a todos os brasileiros que não pertençam às 13 famílais que controlam as comunicações, em uma verdadeira liberdade de expressão para todos os que constituem a nossa Nação.

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