População de rua aumenta em SP

30/05/2010

Quadro caótico leva São Paulo repensar atendimento a moradores em situação de rua

Vinicius Konchinski*

Repórter da Agência Brasil

São Paulo -Ninguém sabe ao certo quantas pessoas vivem nas ruas de São Paulo. Alguns falam em 13 mil, outros dizem que são 20 mil, e há os que acham que são 8 mil. Tudo isso porque não existe uma estatística oficial sobre o assunto. O certo mesmo é que são muitos. Estão pelas calçadas do centro e da periferia da cidade, debaixo de viadutos, mendigando e dormindo em praças, evidenciando a gravidade do problema.

A situação é tal que, hoje, a prefeitura, os vereadores e a sociedade repensam a questão e buscam novas soluções. A administração municipal aposta num novo tipo de atendimento a esses cidadãos, voltado à atenção integral, não só simples acolhimento em albergues. Parlamentares e líderes civis, entretanto, criticam esse modelo e afirmam que é a própria prefeitura a responsável pelo agravamento do problema.

“A prefeitura só deixou de fazer. Cancelou programas, fechou vagas em albergues, retirou agentes das ruas”, afirmou Robson César Mendonça, ex-morador de rua e atual presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua em São Paulo. “Existe uma tentativa de higienização do centro da cidade”, completou.

Uma tenda instalada no centro da cidade é, segundo a Secretaria Municipal da Assistência Social, a principal resposta a essas críticas. No Espaço de Convivência Jardim da Vida, a população de rua pode, além das atividades de lazer, ingressar na rede de assistência social do município.

No local, os funcionários da prefeitura tentam também identificar os problemas de cada morador de rua e encaminhá-lo para uma solução. Eles oferecem ainda objetos de higiene pessoal para que os albergados possam fazer a higiene pessoal e usar os banheiros químicos, diariamente das 8h às 18h.

Segundo a prefeitura, a iniciativa já dá resultados. Desde a inauguração da tenda, 221 pessoas deixaram a rua para receber tratamento de saúde ou retornar ao convívio dos parentes.

Mas para alguns dos frequentadores do centro de convivência, a tenda ainda precisa oferecer outros serviços. “Ela é um lugar bom. Você pode dormir, tem jogos, oficinas. Mas para solucionar meu problema mesmo, não tem nada”, afirmou Marcelo de Castro, 28 anos, enquanto aguardava o início de um filme que seria exibido no local.

A atual política da prefeitura e a situação dos moradores de rua paulistanos também chamou a atenção dos vereadores que fazem parte da Frente Parlamentar para Políticas Públicas para População em Situação de Rua, criada em abril. De acordo com o vereador Chico Macena (PT), presidente da frente, uma comissão foi instaurada para apurar indícios de falta de vaga nos albergues, a violência contra os moradores de rua, e a falta de atendimento da assistência social.

Para Macena, a frente ainda não chegou a uma conclusão e nem tem previsão de quando isso deve ocorrer. Ele afirmou, porém, que com o que já foi apurado a situação dos moradores de rua é grave e está generalizada por toda cidade.

*Colaborou Bruno Bocchini

Edição: Aécio Amado

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7 Comentário

  1. Ja q os demotucanos nao sabem como lidar com o problema, matam de fome e frio essas pessoas, pq assim não terao que lidar mais com elas.

  2. E a Globo neste domingo apresentou matéria mostrando SP como uma Xangrilá….

  3. Massas mal cheirosas realmente não são especialidade dos demotucanos. Mas eles tem métodos especificos para lidar com esses problemas: política higienista ou alagões programados. São uns "jenios", e, o que é pior, tem seus admiradores…

  4. "A administração municipal aposta num novo tipo de atendimento a esses cidadãos, voltado à atenção integral, não só simples acolhimento em albergues". Em que planeta? Se é aposta então não passa de um blefe. O fato é que a coalizão DEM/PSDB não sabe como tratar essa questão e qualquer outra que envolva o público de baixa (ou nenhuma) renda. E também não dá muita importância, caso contrário destinaria recursos (humanos, materiais e financeiros – e eles existem)para enfrentar o problema.

  5. MAIS DE 300 PRAÇAS DE PEDÁGIO.
    PEDÁGIO EM SÃO PAULO CUSTA MAIS QUE EM NOVA YORK”
    Por Fabrício Calado Moreira – Brasília Confidencial – 30/05/2010
    Fonte: http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=16444
    Não é de hoje que o pedágio nas rodovias paulistanas está caro. Na última semana, contudo, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), resolveu mostrar o quanto isso atrapalha.
    Uma pesquisa do Ibope feita a pedido da Federação mostrou que 46% dos empresários do estado consideram o pedágio das estradas um dos grandes entraves ao crescimento da indústria.
    Para o secretário sindical do PT estadual, Ângelo D’Agostini, a Fiesp está sendo coerente, já que o pedágio paulistano é o mais caro do Brasil, e prejudica tanto empresários quanto consumidores.
    Brasília Confidencial – O que significa uma organização como a Fiesp criticar o valor do pedágio nas estradas paulistanas?
    (CONTINUA …)

  6. Apesar de tudo isso, o Serra lidera as pesquisas em São Paulo, o que nos leva a crer que o paulista é um masoquista político sem cura. Tô nem aí!!

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